Edgar Allan Poe é retratado como homem perturbado em ‘O Corvo’
Por Felipe Branco Cruz
A causa da morte do escritor americano Edgar Allan Poe (1809-1849) sempre esteve envolta em mistério. O que se sabe é que ele foi encontrado delirando pelas ruas de Baltimore, nos EUA, vestindo roupas que não eram suas. Quatro dias depois, ele morreu. Durante esses derradeiros dias, suas últimas palavras teriam sido: “Está tudo acabado”, “Escrevam Eddy já não existe” e “Reynolds”.
Tomando como base a misteriosa morte de Poe, o longa O Corvo, dirigido pelo australiano James McTeigue, chega aos cinemas na sexta-feira (18), com John Cusack (de Alta Fidelidade) no papel do próprio escritor. O título tem como inspiração o nome de um dos poemas mais famosos de Poe, mas o roteiro do filme se apropria também de outros de seus contos de horror para acompanhar os cinco dias que antecedem a morte do autor, quando sua namorada é sequestrada por um serial killer. Junto com um detetive, ele percorre as ruas de Baltimore à caça do assassino.
O longa, porém, é uma obra de ficção. Poe nunca teve uma namorada sequestrada nem perseguiu bandidos. No entanto, em 40 anos de vida, sua prodigiosa imaginação produziu uma série de contos e poemas de horror, policiais e de suspense que inspiraram autores como Sir Arthur Conan Doyle, Agatha Christie e Stephen King.
Considerado um dos maiores nomes da literatura americana, Edgar Allan Poe é o escritor de língua inglesa que mais teve seus escritos adaptados para o cinema – mais de 200 filmes -, perdendo apenas para William Shakespeare e Charles Dickens. Um dos diretores que mais adaptou suas obras foi Roger Corman, de 86 anos, famoso por seus filmes B e que levou às telonas oito títulos com a marca de Poe.
Um perturbado escritor
Cusack interpreta um Poe perturbado por suas histórias e por um bloqueio criativo, causado pela bebida e pela morte por tuberculose de sua primeira mulher. Sua vida só começa a voltar aos eixos quando ele conhece a nova namorada, Emily Hamilton (Alice Eve). Só que ela é sequestrada pelo serial killer, o que causa mais uma reviravolta em sua vida.
O longa não é uma adaptação literal do poema O Corvo, apesar de citar algumas passagens dele. Na realidade, o filme reproduz as principais cenas de morte tiradas dos seguintes contos do romancista: A Máscara da Morte Rubra, quando o anfitrião é morto em uma festa; Os Assassinatos da Rua Morgue, quando mãe e filha são mortas de forma violenta; O Poço e o Pêndulo, quando um homem é cortado ao meio por uma lâmina suspensa num pêndulo; e O Coração Denunciador, quando a vítima é enterrada viva embaixo de uma casa.
Mais ou menos na mesma época de Poe, na França, Julio Verne começou a lançar seus primeiros livros. Os dois autores, atualmente, são considerados os pais da literatura fantástica e de ficção. Há, inclusive, uma citação a Verne no longa, com um dos personagens perguntando a Poe se ele conheceu o autor francês.
O resultado é um filme de suspense que remete visualmente à franquia de filmes de Sherlock Holmes, com Robert Downey Jr. no papel principal. Mas esse clima tem fundamento. Poe, na vida real, cursou a academia militar de West Point (do qual foi expulso), conhecia algumas técnicas de luta e sabia manusear armas. Portanto, não é de estranhar a figura franzina do escritor cavalgando e atirando em um maníaco.
Quem não conhece Poe, depois de mergulhar no universo sombrio e sangrento do filme, deve sair da sala de cinema com vontade de comprar a coletânea Contos de Terror e Mistério, que reúne boa parte dos casos apresentados em O Corvo.
O cinema autoral de John Cassavetes
Por Felipe Branco Cruz
O cineasta americano John Cassavetes (1929-1989) será homenageado pela Cinemateca com uma mostra que tem início hoje e reúne seus cinco principais filmes lançados no Brasil. O diretor é conhecido como o pai do cinema independente americano, filmando com orçamentos reduzidos, e sempre com a mesma equipe de técnicos e atores. Pelo seu trabalho, Cassavetes, que também atuava, foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original, em 1968, por Faces, e de melhor diretor e melhor ator coadjuvante, em 1974, por Uma Mulher Sob Influência.
A mostra será aberta hoje, às 18h30, com a exibição de Sombras. O longa voltará a ser exibido na quinta-feira, às 20h30, e no sábado, às 21h. Será seguido, hoje, às 20h30, por Faces, que terá reexibições na sexta-feira, às 18h, e no domingo, às 14h30. Amanhã, às 17h30, será a vez de Uma Mulher Sob Influência, com reapresentações na sexta-feira, às 20h30, e no domingo, às 17h. Já na quarta-feira, às 20h30, a programação traz o longa A Morte de um Bookmaker Chinês, que poderá ser (re)visto no domingo, à 0h. O último a ser projetado será Noite de Estreia, na quinta-feira, às 18h, com reexibição no sábado, também às 18h.
Um dos destaques do ciclo, Sombras (1959) foi o primeiro filme do diretor. Mostra a história de uma mulher negra que se apaixona por um homem branco e tem de enfrentar o preconceito nos EUA. A atriz Gena Rowlands, que foi casada com Cassavetes, está no elenco de Faces, Uma Mulher Sob Influência e Noite de Estreia. Os três títulos são considerados obras-primas do cinema. Ben Gazzara, que morreu no dia 3 de fevereiro deste ano, é a estrela de A Morte de um Bookmaker Chinês, sobre um homem viciado em jogo e com dívidas com a máfia.
O show do Santos 8 X 0 Bolívar pela Libertadores
Incrível! Um show de bom futebol.
Com goleada e show de Neymar, Santos passa pelo Bolívar-BOL.
Santos 8 x 0 Bolivar, Gols e Melhores Momentos da Taça Libertadores 2012 10/05/2012
Os gols de Santos 8×0 Bolivar pela da Taça Libertadores 2012
Melhores Momentos de Santos 8 x 0 Bolivar – Santos vs Bolivar (8-0) All Goals Highlights
Santos 8 x 0 Bolivar 2012
Gols: Elano, Neymar, PAULO HENRIQUE GANSO, Alan Kardec, Neymar, Borges
SANTOS: Rafael; Henrique; Edu Dracena; Durval; Juan; Adriano; Arouca; Elano; Paulo Henrique Ganso; Neymar; Alan Kardec
BOLIVAR: Marcos Arguello; Rodríguez, Frontini, Valverde e Álvarez; Flores, Lízio, Cardozo e Campos; Arce e Cantero
Uma grande loucura em alto mar
Por Felipe Branco Cruz
De Las Vegas*
Um pirata azarado do século 19, cujo grande sonho é ganhar o cobiçado prêmio Pirata do Ano, é o personagem principal da animação em 3D Piratas Pirados!, que estreia nesta sexta-feira (11). O longa é produzido pelo tradicional estúdio inglês Aardman, fundado em 1973 por Peter Lord e David Sproxton. Dentre os trabalhos mais conhecidos do estúdio estão A Fuga das Galinhas (2000) e Wallace & Gromit em A Batalha dos Vegetais, que ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2006.
Acompanhado de um bando de fiéis e loucos seguidores, o pirata Capitão (sim, esse é o nome dele, dublado por Hugh Grant), terá de enfrentar os terríveis Black Bellamy (Jeremy Piven) e Cutlass Liz (Salma Hayek) na disputa pelo cobiçado prêmio. Além disso, os oceanos não são seguros para a navegação, pois a Rainha Vitória (Imelda Staunton) sonha em exterminar piratas do mundo. O filme é baseado no livro de Gideon Defoe, The Pirates! in an Adventure with Scientists.
O diretor Peter Lord e o ator Hugh Grant receberam o JT em Las Vegas, onde contaram sobre como produziram o filme e se divertiram no processo. A técnica utilizada, de stop-motion (onde cada movimento dos personagens, feitos de massinha de modelar, é filmado quadro a quadro) é a mesma que deu ao estúdio o Oscar em 2006, por Wallace & Gromit, produzido por Lord. O diretor levou à entrevista o boneco original do pirata Capitão, usado nas filmagens, de 30 cm de altura e totalmente maleável. “Optamos pelo 3D por motivos comerciais, mas fiquei feliz em experimentar essa opção”, comentou. Como resultado, os bonecos ganharam uma dimensão mais real. “Na telona, fica mais verossímil de que eles tenham o tamanho de atores reais”, diz Lord.
Este foi o primeiro trabalho de Hugh Grant com animação. O ator já tinha sido convidado, pela própria Aardman, para dar voz a Roddy, de Por Água Abaixo (2006). Mas o papel acabou com Hugh Jackman. “O roteiro de Piratas Pirados! foi um dos mais engraçados que já li. Um humor bastante inglês”, diz. “E é incrível não me preocupar com meu rosto. Não precisei acordar às 4h da manhã para fazer maquiagem”.
No roteiro, o pirata Capitão navega pelos oceanos e encontra, em suas aventuras, o histórico HMS Beagle, que levou Charles Darwin (dublado por David Tennant) a fazer suas explorações e descobertas científicas ao redor do mundo. Darwin, que é mostrado como um nerd chato, decide ajudar Capitão apenas porque percebe que ele tem em seu navio um exemplar raríssimo da ave dodô (extinta em 1681). Ou seja, tratava-se do último exemplar de uma ave exótica, e uma chance para Darwin se tornar famoso. Para o Capitão, no entanto, seu dodô não passava de um papagaio um tanto diferente.
O tom satírico dado a personagens históricos se estende à Rainha Vitória, uma mulher descontrolada que só fica satisfeita cortando cabeças de piratas. “Não sei se a rainha Elizabeth II ficou ofendida por apresentarmos a Rainha Vitória de uma forma não tão adorável. Mas acho que ela nem viu o filme”, diz o diretor. Apesar de o enredo mostrar o pirata Capitão como um homem inocente, com gestos e ações voltados ao público infantil, a animação é repleta de piadas de duplo sentido, que só serão captadas pelos mais velhos na plateia. Para Grant, algo que não compromete a diversão geral. “As crianças entendem a situação, mesmo se não entendem uma piada por completo”, disse. “Quando namorava Elizabeth Hurley, em 1997, fomos ver Austin Powers. As crianças riam muito, mesmo sem captar a relação com James Bond no filme”.
Divertido, inocente, com ótimas sacadas, o filme tem grandes chances de fazer sucesso de bilheteria, assim como aconteceu com A Fuga das Galinhas, que rendeu US$ 224 milhões em todo o mundo. Peter Lord admite que está ansioso por uma continuação, também em 3D, baseada em outros livros de Defoe. “Tudo vai depender do primeiro filme”.
Hugh Grant, sempre mal comportado
O ator britânico Hugh Grant, de 51 anos, ficou famoso pelas participações em comédias românticas como Quatro Casamentos e um Funeral (1994), Um Lugar Chamado Notting Hill (1999), O Diário de Bridget Jones (2001), entre outros, mas sucessos no cinema disputam atenção da mídia com sua agitada vida pessoal.
Recentemente, Grant divulgou o nome de sua primeira filha, Tabitha, nascida no fim do ano passado e fruto de breve relacionamento com a atriz chinesa Tinglan Hong, de 32 anos. E pôs em dúvida se os anos de badalação ficaram, mesmo, para trás. “A paternidade é incrível, mas não mudou minha vida”, disparou o ator em a entrevista em Las Vegas.
Grant e Tinglan acordaram que a guarda da criança seria da mãe. Nos anos 90, o ator namorava a bela atriz Elizabeth Hurley e a longa relação dos dois, de mais de dez anos, naufragou quando após um escândalo. Em 1995, ele foi preso em Hollywood após ter sido flagrado fazendo sexo em lugar público com a garota de programa Divine Brown. Nos anos 2000, Grant namorou a socialite Jemina Khan. Terminaram em 2007.
Engajado na política, Grant fez duras críticas ao partido conservador e à mídia inglesa, que grampeou seus números de telefones para obter furos jornalísticos. A campanha de Grant vai, inclusive, contra o primeiro-ministro David Cameron, que nada teria feito para impedir os grampos. “Temos de denunciar isso. É muito perigoso ficarmos calados”, disse o ator. “Os jornais são ligados ao partido conservador. A solução é mudar o governo”, falou. Constante alvo de paparazzi, Grant resumiu: “A imprensa sempre me atacou de forma furiosa, porque eu nunca me comportei”.
* O jornalista viajou a convite da Sony
Muito mais infame
American Pie 4, que estreia hoje, volta a investir na fórmula que deu sucesso à série
Por Felipe Branco Cruz
De Los Angeles*
Há 13 anos, quando o filme American Pie foi lançado, o personagem Jim Levenstein (interpretado pelo ator Jason Biggs) era um cara sexualmente frustrado. “Mais de uma década depois, ele continua na mesma”, brinca Biggs, em entrevista exclusiva. Em clima de nostalgia, o quarto filme da franquia, American Pie: O Reencontro, estreia hoje ainda mais escatológico e engraçado do que antes. Desta vez, os cinco amigos Kevin Myers (Thomas Ian Nicholas), Paul Finch (Eddie Kaye Thomas), Chris ‘Oz’ Ostreicher (Chris Klein) e Steve Stifler (Seann William Scott), além de Jim, voltam a se encontrar para curtir a festa de reencontro da turma de 1999.
Além dos três filmes anteriores, lançados no cinema em 1999, 2001 e 2003, outros quatro também foram produzidos, mas sem a presença de todos os protagonistas, e lançados apenas em DVD. É por essa razão que o novo longa foi numerado como o quarto da série e não o oitavo.
Para o espectador que era adolescente na época em que o primeiro filme foi lançado, a sensação será a de encontrar velhos amigos. Treze anos depois, cada um seguiu seu rumo, com empregos banais, filhos, casamentos. Ninguém ficou famoso, tampouco se tornou bem-sucedido na profissão, assim como acontece com milhões de pessoas normais no mundo. Ao voltar a se ver em sua cidade natal, o quinteto percebe que o período da escola foi um dos mais incríveis que passou junto e vai fazer de tudo para relembrar os bons tempos, mesmo que todos eles já tenham passado da casa dos 30 anos.
Outros personagens, como o pai meio atrapalhado de Jim (Eugene Levy) e a mãe sensual de Stifler (Jennifer Coolidge), também estão presentes na trama. Além, é claro, das namoradas do colégio, como Michelle Flaherty (Alyson Hannigan), que está casada com Jim, Vicky (Tara Reid), ex-namorada de Kevin, e Heather (Mena Suvari), ex-namorada de Oz.
Torta de maçã
Como já é habitual em American Pie, nu frontal e escatologia permeiam toda a trama. “Queríamos recriar momentos que fossem tão humilhantes para Jim quanto foi no primeiro filme, em que seu pai o flagrou tendo relações sexuais com uma torta de maçã”, diz o diretor Jon Hurwitz.
Se na época da escola os inimigos eram os alunos mais velhos e a dificuldade maior era conseguir fazer sexo com as garotas, o problema dos personagens agora está em se adaptar às mudanças tecnológicas e às redes sociais. A impressão que fica é que os mais jovens se divertem mais. “Eles envelheceram”, constata o ator Thomas Ian Nicholas, que tinha 18 anos quando fez o primeiro filme e hoje está com 31. “Esse filme marcou a infância de muitos garotos, assim como Curtindo a Vida Adoidado marcou a minha”, completa o ator. “Não tive reunião da minha escola. Esse filme é como se fosse minha reunião”, diz a atriz Tara Reid.
Os diretores Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg não são os mesmos do primeiro filme, mas afirmaram ser fãs da série. “Estávamos na faculdade quando ele foi lançado”, afirma Hayden. “Nosso maior desafio foi juntar vários personagens diferentes e dar a eles a mesma importância na trama”, complementa Jon. Apesar de ter escatologia e sexo, o filme não chega a ser vulgar. “O desafio foi saber até onde poderíamos ir, mesmo sabendo que o longa seria proibido para menores de 18 anos”, diz Hayden.
O sucesso da franquia foi tão grande (os três filmes juntos arrecadaram no mundo cerca de US$ 700 milhões) que praticamente nenhum dos atores teve outro papel de destaque no cinema. Com exceção, talvez, de Jason Biggs em Igual a Tudo na Vida (2003), dirigido por Woody Allen, e de Mena Suvari, que interpretou Angela Hayes em Beleza Americana (ganhador de cinco Oscar em 2000). “Não me arrependo de ter feito American Pie. Naquela época, tudo que eu queria era um trabalho e, depois do filme, fui fazer Beleza Americana”, diz ela.
Seann William Scott, que dá vida a Stiffler, também não se arrepende do papel, apesar de ter ficado marcado por ele. “(Martin) Scorsese me liga toda semana para fazer um filme com ele. Mas eu sempre nego dizendo: ‘Quero interpretar o Stiffler de novo’”, brinca o ator. E se depender do público e também dos atores, American Pie ainda poderá render novas continuações.
*O repórter viajou a convite da Universal
Entrevista: Jason Biggs
O diretor me disse que você insistiu para que tivesse um nu frontal seu. Por quê?
Ótimo! Vamos falar disso. Tenho um micropênis e, no filme, ele aparece atrás de uma tampa de vidro da panela. Ela funcionou como lente de aumento, então, parece que ele é imenso (risos). É uma piada engraçada, não é?
No filme, há piadas sobre você ser parecido com Adam Sandler. Você se acha parecido com ele?
As pessoas me veem na rua, franzem os olhos e dizem: “Você não é aquele ator famoso? Como é mesmo o nome? Adam Sandler?”. Meu nariz é igual ao dele. Quantas pessoas no mundo têm um nariz como esse? Só o Sandler (risos). Uma vez, fui ao Uruguai com um amigo. Estávamos num bar lotado e alguém roubou meu boné favorito. Fiquei muito nervoso e dei um escândalo. Depois umas meninas ficaram me apontando. Tenho certeza que elas diziam: “Esse Adam Sandler é mesmo um babaca”. Minha reputação ficou totalmente intacta.
Acha que seu personagem está mais maduro?
Concordo que tem muitas coisas em Jim que mudaram. Mas, na reunião da turma, os velhos hábitos voltam à tona. Jim está mais responsável, porém continua se metendo em situações ridículas.
Você teve um reencontro do colégio na vida real?
Estudei numa escola de Nova Jersey. Ainda tenho contato com todos meus amigos. Por isso, nunca tivemos uma festa como essa.
Você sofria bullying no colégio?
Não era terrível. Como a nossa turma era pequena, era algo que dava para controlar. Não me lembro de ter sofrido. Sou de uma época pré-YouTube. Acho que hoje o cyberbullying é muito pior.
Entrevista: Alyson Hannigan
Na vida real, você está grávida de seu segundo filho. No filme, você também tem um filho. A vida imitou a arte?
Sim,me casei, tive filhos. Vou levando minha vida. Planejei meu casamento e Michelle, não. Tenho uma filha que já vai fazer 3 anos. Acho que existe, sim, um paralelo. Mas, definitivamente, nossos personagens têm mais problemas do que nós na vida real (risos).
No primeiro filme, você perdeu a virgindade com seu primeiro amor. Foi assim na vida real?
Sim, foi com o meu namorado. Meu primeiro amor. Eu era adolescente.
E como vê a relação de sua personagem com o de Jason Biggs?
Sinto que minha personagem protege o casamento que tem com Jim. Eles vivem uma grande história de amor. Agora, o foco é o fato de eles serem pais de primeira viagem e têm de lidar com os problemas que surgem daí.
Vocês tiveram liberdade de improvisar?
Sim, mas não em todas as cenas. A experiência foi similar à do primeiro filme. Os diretores diziam para seguirmos nossos instintos.
Sua turma do colégio já promoveu uma festa de reunião?
Estudei numa escola pública da Califórnia. Na minha sala, havia mais de 40 alunos e,na mesma série, eram mais de 100. Eraimenso. O período da escola foi terrível. Foi um detestável período da minha vida. Eram tantas pessoas novas e rostos novos que você conhecia todos os dias. Me lembro de poucas pessoas daquela época.
Sofria bullying?
Sim, mas quando era criança. Fico imaginando como é obullying atualmente com essa tecnologia. As coisas são muito piores.
Entrevista: Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg
Qual era a relação de vocês com a série American Pie?
Hayden – Estávamos na faculdade quando vimos o filme. Somos amigos de infância. Queríamos entrar no ramo da comédia e American Pie era um filme que conhecíamos bem.
Quem é o público-alvo do filme?
Jon – Todos os fãs de comédia. Há as pessoas que são fãs da franquia original. Mas vamos falar com a pessoas novas,de 18, 19, 21 anos, que não viram (os filmes) no cinema, mas em DVD. São também aqueles que gostaram de comédias como Se Beber Não Case ou Missão Madrinha de Casamento.
Foi difícil reunir todos os personagens num só filme?
Jon – Foi um desafio. Tínhamos de trazer eles de volta para as novas gerações. E esse roteiro só seria possível numa reunião para celebrar os tempos de colégio.
Apesar de o filme ser classificado para maiores de 18 anos (nos EUA), os personagens são bastante inocentes. Por quê?
Hayden – Os personagens são pessoas boas, apesar da escatologia que há no filme. Todos são bons, mas entram em situações embaraçosas. Há 13 anos, eles disseram ‘Eu te amo’ pela primeira vez. E agora tudo está de volta. Quem nunca amou alguém no passado, voltou a encontrar essa pessoa e o sentimento também voltou?
Hollywood à brasileira

“Quero voltar a filmar em Hollywood, mas agora com outros termos. Não vou mais filmar a qualquer custo”
Por Felipe Branco Cruz
Quando decidiu dirigir uma produção hollywoodiana, em 2004, depois de lançar o filme Nina, o cineasta brasileiro Heitor Dhalia não sabia nem falar inglês. “Minha primeira providência foi estudar a língua”, diz ele. Oito anos depois, o primeiro trabalho regido por Dhalia em Hollywood, o suspense 12 Horas, que estreia amanhã, traz no elenco a estrela Amanda Seyfried (de A Garota da Capa Vermelha e Mamma Mia!). Tarimbado por produções como À Deriva e O Cheiro do Ralo, ele levou um grande susto ao embarcar no cinema americano. “Falando friamente, fui mão de obra barata” (leia mais sobre o filme abaixo).
Em 12 Horas, quem detinha o poder de decisões era o produtor Tom Rosenberg, que já ganhou um Oscar por Menina de Ouro, de melhor filme de 2005, compartilhado com Clint Eastwood e Albert S. Ruddy. Dhalia era o único estrangeiro entre os americanos. “Sugeri 100 nomes de fotógrafos, negaram todos e mandaram eu escolher entre dois. Escolhi um deles e o produtor mandou contratar o outro. Eles fazem isso para tirar o poder do diretor no set”, revela. O diretor não podia nem ensaiar com a atriz. “Tinha de decidir como a cena seria pouco antes de filmá-la. O que me salvou foi que fui muito organizado e já chegava para as filmagens sabendo o que queria fazer”, diz ele.
Depois de pronto, após testes com o público, Dhalia ainda foi obrigado a refilmar o final, porque pesquisas mostraram que não estava bom. “Esse filme tem um público específico e tínhamos que agradar a ele. Por isso, refizemos todo o final”, justifica ele, que acredita que Hollywood contrata diretores estrangeiros por serem mais fáceis de controlar.
Outros 16 diretores, americanos, disputaram a vaga, mas o brasileiro foi o escolhido. “A indústria cinematográfica é um grande cassino ou uma bolsa de valores. Eles estão apostando muito dinheiro ou investindo em ações em baixa. Vai que no futuro eu me transforme em um diretor mundialmente conhecido.”
Para se ter uma ideia de seu grau de afastamento das decisões, ele nem ficou sabendo do orçamento do filme (US$ 24 milhões), mas também não quis revelar quanto ganhou de cachê. “No dia que ganhar mais de um milhão, eu conto”. Da sua influência nas filmagens, Dhalia conta que decidiu em aspectos puramente técnicos, condizentes com o trabalho de um diretor, como que tipos de lentes usar.
A atriz Amanda Seyfried, no entanto, só mereceu elogios de Dhalia. “Ela é um amor de pessoa. Foi super competente e profissional. “Nos momentos de dificuldade – e foram muitos, segundo ele -, o diretor, pernambucano, dizia que ouvia Luiz Gonzaga. “Filmamos na fria cidade de Portland. Para mim, que sou nordestino, nunca senti tanto frio na vida.”
Dhalia comparou sua participação neste longa ao trabalho de um matador de aluguel. “Há os serial killers, que têm prazer em matar e há os matadores de aluguel, que são pagos para isso. Mas que também gostam do que fazem. Neste filme, fui um matador de aluguel”, diz. A experiência serviu para Dhalia conhecer de perto como funciona a indústria do cinema americano. “Quero voltar a filmar em Hollywood, mas agora com outros termos, que sejam mais favoráveis a mim. Não vou mais filmar a qualquer custo.”
Filme peca por desfecho previsível
O primeiro trabalho de Heitor Dhalia em Hollywood foge dos temas que caracterizaram a carreira do diretor. Em 12 horas, não há nada de doentio, como em Cheiro do Ralo, ou de solar, como em À Deriva. Trata-se de um thriller que contaa história de Jill (Amanda Seyfried), uma garota que foi atacada por um serial killer há dois anos e vive paranoica com um possível retorno do maníaco. Um dia, depois de voltar do trabalho, Jill percebe que sua irmã não está emcasa e passa a suspeitar que ele a tenha sequestrado. Quando vai à polícia denunciar o sumiço da irmã, ninguém acredita na história, já que Jill tem um histórico de internações em instituições psiquiátricas. Sem ajuda da polícia, Jill passa a investigar o paradeiro da irmã por conta própria e, por tabela, a arriscar sua vida.
Com um roteiro pouco original e um final previsível, o longa, que estreou no dia 24 de fevereiro nos EUA, teve uma péssima bilheteria no país. Com orçamento de US$ 24 milhões, até o momento ele arrecadou só US$ 12 milhões. Como diz o próprio Heitor Dhalia, trata se de um filme de gênero e, como tal, entrega aquilo que um espectador espera de filmes como esse: suspense, perseguições, tiroteios e reviravoltas. Nas entrevistas com a imprensa no Brasil, Dhalia parecia redimir-se do fracasso do filme, eximindo-se da responsabilidade criativa do longa.
Tecnicamente, o filme não deixa a desejar e apresenta uma boa fotografia, trilha sonora e montagem. Justamente os elementos que estavam à disposição do diretor. Ofinal, extremamente batido, não era o final feito inicialmente por Dhalia. Talvez o diretor tenha ousado um pouco mais no desfecho para não deixá-lo óbvio demais, não se enquadrando nas regras de Hollywood.
Entrevista: Ronnie Von
Por: Felipe Branco Cruz
Em uma aconchegante casa do Morumbi, em São Paulo, vive o niteroiense Ronnie Von, de 67 anos. “Não repare na bagunça. Me mudei para cá há uma semana”, diz ele, conhecido como Príncipe, apelido que ganhou de Hebe Camargo nos anos 60, quando arrebatava os corações das “bonitinhas”. Ronnie reina há quatro décadas na TV – só de programa Todo Seu, na Gazeta, lá se vão oito anos. Multifacetado, é apresentador, dono de uma agência de publicidade, botânico, aviador, formou-se em economia. Ainda assim, continua sendo lembrado por sua carreira como cantor. Ele falou ao JT.
Branca de Neve é revisitada em ‘Espelho, Espelho Meu’
Por Felipe Branco Cruz
Esqueça os versos fofos de “eu vou, eu vou, para casa agora eu vou”, da musiquinha que os sete anões cantavam no clássico de Walt Disney, Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Aliás, esqueça também a fofura e ingenuidade da própria Branca de Neve. A magia e o humor de outrora, no entanto, continuam presentes em Espelho, Espelho Meu, que estreia amanhã, produzido pelo estúdio independente Relativity Media. Feito sob medida para agradar a adultos e crianças do século 21, o longa atualiza o clássico conto dos irmãos Grimm, transformando Branca de Neve (interpretada por Lily Collins) numa mulher forte e guerreira e a Rainha Má (Julia Roberts) numa interesseira fútil.
Uma outra adaptação do conto também será lançada neste ano. Esta, porém, bem mais sombria. Trata-se de A Branca de Neve e o Caçador, com Kristen Stewart e Charlize Theron no elenco (leia mais abaixo).
Extravagante, super colorido e com uma bela fotografia, Espelho, Espelho Meu suprime da história o caçador. Na floresta, Branca de Neve tem de se proteger de um monstro. Os sete anões também ganharam novos nomes: Grim, Açougueiro, Lobo, Napoleão, Tampinha, Rango e Riso. Embora cada um deles carregue uma personalidade distinta, não têm semelhanças com os originais de Disney. No filme, eles tampouco são mineiros, mas ladrões, que usam pernas de pau retráteis.
Branca de Neve, interpretada por Lily Collins, filha do músico Phil Collins, se mostra uma mulher madura e corajosa. Ao encontrar os anões, ao invés de ficar fazendo comidinhas para eles, ela aprende a lutar com espada e lidera uma rebelião contra a madrasta. Numa cena hilária, o príncipe encantado Alcott (Armie Hammer, que interpretou os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, em A Rede Social, de 2010) é enfeitiçado pela madrasta. Para o feitiço ser desfeito, Branca de Neve tem de beijá-lo, invertendo a história na qual é o príncipe quem beija a mocinha. Na história também há a clássica maçã envenenada. Mas a reação de Branca de Neve será completamente diferente da do conto dos irmãos Grimm.
A interpretação de Julia Roberts, por sua vez, apesar de bastante burocrática, agrada. A atriz não parece se esforçar para transformar-se na rainha má, mas um papel de vilã lhe caiu bem. É impossível, no entanto, sentir raiva dela. Pelo contrário, em alguns momentos é inevitável torcer por suas pequenas maldades, como quando ela transforma seu mordomo em uma barata asquerosa. O espelho mágico, claro, também está lá, porém bem mais moderno e cheio de efeitos especiais.
A direção de Tarsem Singh (mesmo diretor de A Cela – 2000, Imortais – 2011) segue o estilo que o caracterizou. Os cenários são absolutamente exagerados, repletos de efeitos especiais, como se os personagens vivessem num mundo fantástico de conto de fadas (o que de fato é verdade). Vale destacar o figurino, assinado por Eiko Ishioka, que já ganhou o Oscar de melhor figurino pelo filme Drácula de Bram Stoker (1992), dirigido por Francis Ford Coppola.
Mesmo com as evidentes diferenças entre o clássico de Disney e esta nova versão da história, a magia e o humor prevaleceram. E o filme, com certeza, irá agradar as crianças e encher de nostalgia os mais velhos.
Uma mistura de ‘Joana D’Arc’ com ‘Senhor dos Aneis’
Numa mistura de O Senhor Dos Anéis com Joana D’Arc, o longa Branca de Neve e o Caçador, com previsão de estreia para o segundo semestre, transformou o conto dos irmãos Grimm num sombrio e assustador filme de terror. O elenco conta com Kristen Stewart (a Bella, de Crepúsculo) como Branca de Neve e Charlize Theron (que ganhou o Oscar por Monster, em 2003) como a madrasta.
O enredo mostra a rainha má, madrasta de Branca de Neve, consultando seu espelho mágico para saber quem é a mais bonita. Quando o espelho conta que é Branca de Neve, a rainha manda o caçador matá-la, mas ele acaba se apaixonando por ela.
Dentre os belos cenários, destacam-se a floresta negra, repleta de bestas mitológicas que lembram os trolls do Senhor dos Anéis. Já o bosque onde vivem os anões, mais parece um cenário saído de um filme de Tim Burton. Numa outra cena, em que Branca de Neve vai à luta, sua indumentária nos remete à célebre batalha de Joana D’Arc, de Luc Besson.
Assista a cinco minutos de trailer do Branca de Neve e o Caçador
Mulher mutila pênis de namorado que sem consentimento ejaculou em sua boca
É sério. Por isso que eu amo a internet. Quando eu poderia ter acesso a uma notícia dessa magnitude se não fosse pela internet? Essa pérola do jornalismo pós-moderno é incrível. Eu destaco três partes do texto:
“pênis durante o auge do sexo oral, mutilando integralmente sua glande, conhecida vulgarmente como cabeça do pênis”
“entorpecente químico baseado em clorofórmio, que entre os jovens é conhecido como “Cheirinho da Loló”
e o gran finale:
“Tal fato reforça a tese de constrangimento ilegal mediante violência. O embate entre as delegacias revela uma face cruel do romance na pós-modernidade. O sexo que antes multiplicava a espécie, hoje multiplica processos.”
Um clássico!
Leia a matéria na íntegra:
A Delegacia de Polícia Civil do Crato, no Ceará, recebeu na manhã de hoje (27/03/12) uma queixa extremamente assustadora. Otaviano Nogueira Pimentel, 29 anos, taxista apresentou queixa contra Cristiana Marques, sua ex-namorada, por mutilação de seu órgão genital. Segundo o depoente Cristiana mordeu agressivamente seu pênis durante o auge do sexo oral, mutilando integralmente sua glande, conhecida vulgarmente como cabeça do pênis.
Cristiana tem 23 anos e é professora da rede pública municipal do Crato (CE). Pesa sobre seu histórico uma prisão em 2009 por tráfico de um entorpecente químico baseado em clorofórmio, que entre os jovens é conhecido como “Cheirinho da Loló”. Naquela oportunidade a polícia aprendeu 13 garrafas pets de 2 litros contendo a droga. Segundo a professora tratava-se de um experimento químico escolar.
Na delegacia a meliante negou que a mutilação teria sido um ato planejado. A ex-namorada de Otaviano disse que o fato ocorreu como reação ao susto que tomou quando ele sem consentimento ejaculou em sua boca. A Tia Cris, como é carinhosamente chamada pelos alunos, afirmou que por diversas vezes havia o advertido que não aceitaria tal atitude. Ao sentir o sêmen em sua boca ela apenas cumpriu o que prometera.
O delegado Carlos Rubens Pedreira revelou que o exame de corpo delito comprovou a lesão corporal grave. No entanto não será possível indiciá-la, pois a Delegacia de Defesa da Mulher assumiu o caso e enquadrou Otaviano no artigo 146 do Código Penal. O artigo versa sobre constrangimento ilegal e prevê pena de detenção de três meses a um ano.
Cristiana disse em depoimento que ele segurou fortemente sua cabeça durante o ato ejaculatório. Tal fato reforça a tese de constrangimento ilegal mediante violência. O embate entre as delegacias revela uma face cruel do romance na pós-modernidade. O sexo que antes multiplicava a espécie, hoje multiplica processos.
Jornal de Crato
Top 5: Melhores shows que mais aproveitei na vida
Na semana passada fiz um post sobre os melhores shows que vi na vida. Não necessariamente eles foram os que mais me diverti ou aproveitei. Por isso, resolvi fazer esse novo post com os cinco melhores shows que mais aproveitei até hoje.
1) PAUL MCCARTNEY – 2011 e 2012
2) BAD RELIGION – 2011
3) AC/DC – 2009
4) GREEN DAY – 2010
5) NOFX – 2010
O heroico trio do Xingu
Por: Felipe Branco Cruz
No início do século 20, uma vasta área do Brasil era completamente desconhecida do governo. Nesse contexto, o governo criou a chamada Marcha Para o Oeste, incentivando brasileiros a desbravar o interior do País. No grupo, estavam os três irmãos Orlando (1914-2002), Cláudio (1916-1998) e Leonardo Villas-Bôas (1918-1961), que não só ajudaram nesse desbravamento, como também descobriram tribos indígenas que nunca haviam tido contato com os homens brancos. Assim, entre os feitos dos irmãos, está a criação do Parque Indígena do Xingu (do tamanho da Bélgica), que completou 50 anos no ano passado.
A saga desses irmãos é contada no filme Xingu, que estreia na sexta-feira, dirigido por Cao Hamburger, de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), com Felipe Camargo (Orlando), João Miguel (Cláudio) e Caio Blat (Leonardo) no elenco. O longa teve um orçamento de R$14 milhões, alto para os padrões brasileiros (Tropa de Elite 2, por exemplo, foi de R$ 16 milhões) e será distribuído em 250 salas. Esse investimento é justificado pelas belíssimas locações (não há cenas em estúdios), feitas no Tocantins, Pará e Mato Grosso – Estado este onde está o Parque do Xingu, na porção sul da Amazônia brasileira. “Graças à preservação do parque, aquela região ainda mantém mata nativa”, diz Caio Blat.
Por causa do trabalho de proteção dos índios, os Villas-Bôas, representados por Orlando e Cláudio (Leonardo já havia morrido), chegaram a ser indicados ao Prêmio Nobel da Paz em 1971. “Temos um projeto de transformar esse filme numa minissérie da Globo”, afirma Cao. O roteiro aborda os 40 anos de atuação dos irmãos no Xingu, resumidos em 104 minutos de projeção, desde o engajamento deles na Marcha até se tornarem líderes das expedições e encarregados pelo exército no contato com os índios.
Toda essa aventura é mostrada com suas contradições e acertos. Por exemplo, quando os irmãos levaram a gripe para uma tribo, dizimando metade da população local. Daí, eles passaram a ter acompanhamento de médicos que vacinavam os índios. Ou quando Leonardo engravidou uma índia, e foi repreendido pelos irmãos e forçado a abandonar a expedição. O longa mostra ainda a antagônica relação deles com os governos civil e, depois, militar. Em comum, entre os dois governos, apenas a sede expansionista. Por ali, os únicos preocupados com a preservação parecia ser os irmãos, enquanto o governo queria devastar a floresta para criar gado e lavouras.
Ao todo, os Villas-Bôas abriram 1,5 mil quilômetros de picadas, percorreram mil quilômetros de rios, construíram 19 campos de pousos, ajudaram a fundar 43 vilas e contactaram 14 tribos.
Baseado no livro Marcha Para o Oeste (1994), de Cláudio e Orlando Villas-Bôas, o filme não é totalmente fiel à história dos irmãos, modificando algumas passagens e romanceando outras. “Numa tribo indígena, diziam que Orlando era um tirano que os obrigou a migrarem para o Xingu. Em outra, dizem que ele foi um herói. É uma história cheia de contradições”, diz Cao.
Xingu é um épico sobre o Brasil profundo. Uma incrível história sobre brasileiros que ajudaram a desvendar o País, aventurando-se num ambiente hostil e completamente desconhecido. “Por incrível que pareça, a trajetória dos irmãos ainda é desconhecida dos brasileiros. Queremos mudar isso”, conclui Cao.
‘Os índios é que são os brasileiros’
Você já conhecia a história dos irmãos?
Eu era bem ignorante com relação à história. A construção dos personagens começaram a partir da leitura do roteiro e pesquisa de materiais escritos, como o livro Marcha para o Oeste, além de trabalho de laboratório. O que me fascinou foi que me deparei com heróis da paz, da ecologia e da defesa dos direitos raciais. Os índios não têm a consideração dos brasileiros. Os índios é que são os verdadeiros brasileiros.
Você sente uma responsabilidade maior por fazer um personagem que existiu?
Houve uma liberdade criativa. Não é uma coisa de copiar o Orlando. Ele tinha um português mais arcaico. Uma maneira de falar diferente. Acho que ele falava desse jeito muito por ter se isolado. Mas não falei dessa maneira, porque era muito diferente do que estamos acostumados. Eu também não poderia falar como eu falo normalmente, até porque tenho sotaque carioca.
Tem alguma cena especial do filme para você?
Gosto muito da cena que tenho com o militar, na época da construção da Transamazônica. É um Orlando mais velho e fragilizado, impotente. Ali o Orlando quer provar que o progresso não é bom e vai buscar o Cláudio, que estava isolado numa outra parte da floresta.
‘Meu padrinho foi à expedição’
O que atraiu você neste personagem?
O Cao (Hamburger) me falou desse filme em 2007. Que o filme seria no Xingu e que estava pensando em mim. Fiquei fascinado pela ideia e já achava a história deles absolutamente fascinante. Meu padrinho participou da expedição original. Durante muitos anos, lembro dele no Xingu e voltando de lá cheio de artefatos, flechas, lanças, couro de jacaré.
Este filme foi muito difícil de ser feito?
Acho que o filme mais difícil de se fazer é aquele que não tem patrocínio. Ansiava em entrar nesse filme de cabeça. Minha primeira entrada na reserva foi depois de viajar por 12 horas de barco. Quando chegamos lá, achamos que o filme não iria acontecer por causa da poluição. Estava tudo destruído por causa das queimadas ao redor. Tinha tanta fumaça que não dava para enxergar. O avião com mantimentos não chegou e tivemos de ir pescar com os índios, porque não tinha comida.
Como é sua relação com os índios?
Quando pensei que iria ficar absolutamente isolado no Xingu, vi que lá tinha computador com internet via satélite e gerador. Ainda mantenho contato com eles pelo Facebook e no Skype.
‘O personagem é rico em conflitos’
Você se vê como o protagonista deste filme?
Quando estava fazendo o filme, não. Mas vendo agora, talvez. Porque o Cláudio é o narrador da história. Durante as filmagens, achei que seria possível optar por vários pontos de vista. Acho que o filme é feito de três protagonistas e, para mim, era muito importante o sentimento de fraternidade entre eles.
Como se preparou para esse personagem?
Sinto uma super responsabilidade. Esse homem existiu. Há imagens reais dele. Inevitavelmente, minha atuação é um olhar sobre o personagem. Mas o filme tem cenas que a gente não sabe se foram reais ou não, como a chegada deles, pela primeira vez, à aldeia. Fiz um personagem ficcional a partir do real. Há várias versões sobre a história do Cláudio. É um personagem rico em conflitos.
O que você sabia sobre os irmãos Villas-Bôas e a região do Xingu?
Quase nada. Muito pouco. Sabia da existência dos irmãos. Mas acho que, como a maioria das pessoas, a memória foi falhando e, de fato, fiquei muito encantado com essa história e a trajetória deles. A Amazônia é de uma riqueza sem igual no planeta, localizado no nosso País e nós olhamos pouco para isso.
O paredão de Roger Waters
Por Felipe Branco Cruz
Nenhuma palavra, foto ou vídeo darão conta de explicar o show de Roger Waters, anteontem, no Estádio do Morumbi, para mais de 70 mil pessoas. O espetáculo audiovisual repleto de efeitos especiais será repetido hoje, às 21h, para um público menor, de 50 mil. Se você quiser ver o show, ainda dá tempo. Há poucos ingressos, mas para todos os setores. Esta será a última apresentação do baixista e ex-integrante do Pink Floyd no Brasil. Na semana passada, ele se apresentou em Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro.
Com apenas 15 minutos de atraso, o roqueiro surgiu no palco em meio a mil tiros de fogos de artifício e ao som da canção In The Flesh?, que abre o álbum The Wall, de 1979. O público, boquiaberto, ainda se recuperava do baque quando um avião sobrevoou a plateia para chocar-se contra parte do muro, levando as pessoas ao delírio. Tudo isso, potencializado por um sistema de som surround que dava a impressão real de que helicópteros, choros de crianças, explosões de bombas ou barulhos de tiros aconteciam em meio ao espetáculo.
Aos 68 anos, o roqueiro ergueu ao vivo um paredão, de 137 metros de largura por 11 de altura, para depois destruí-lo numa performática apresentação que celebra os 30 anos do disco The Wall. O show, aliás, conta apenas com as canções do álbum homônimo. Por isso, àqueles que gostam mais de Dark Side of The Moon, por exemplo, vale lembrar que Waters não vai além no repertório da banda – o que quer dizer, em resumo, que os fãs ficarão sem clássicos da carreira do Pink Floyd, como Time ou Money.
De The Wall, a canção mais conhecida do público, Another Brick in the Wall Part 2, teve acompanhamento do coro de crianças do Instituto Baccarelli e, a quarta a ser executada, foi também a que mais empolgou o público. Um boneco de dez metros de altura desafiava as crianças enquanto elas cantavam. “Olá São Paulo, estou muito feliz por estar aqui”, apresentou-se Waters.
Assim como nos shows anteriores no País, o músico homenageou o brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica no metrô de Londres em 2005. “Gostaria de dedicar este concerto a Jean Charles de Menezes, sua família e sua luta por verdade e justiça; e também a todas as vítimas do terrorismo de Estado em todo o mundo. Quando escrevi esse show, tinha apenas 35 anos”, disse, em um português claro. “Achava que era sobre mim. Não é sobre mim, mas sobre Jean e todos nós”, encerrou, em inglês. O mesmo discurso foi feito no Rio de Janeiro.
Dentre as mensagens passadas por Waters, duras críticas contra o terrorismo, capitalismo, imperialismo entre outros “ismos”. Símbolos do McDonald’s, da Shell e de outras multinacionais se misturavam a estrelas de Davi, crucifixos e outros símbolos, projetados no telão enquanto Waters desfiava solos no baixo. O show, de 2h30 de duração, teve ainda Mother, Hey You, Comfortably Numb e Run Like Hell.
O tradicional porco gigante que Waters solta na plateia veio com mensagens em português: “O novo código florestal vai matar o Brasil” e “Brasil é um país laico”. A apresentação foi encerrada às 22h, e a imensa muralha foi demolida ao som de Outside The Wall.
Deixando para trás qualquer ausência de hits, o que Waters fez no domingo e fará hoje se assemelha a uma ópera, lembra uma performance teatral. Transcende o conceito de um simples show.
Top 5: Melhores shows que vi na vida
Ontem, depois de assistir ao show do Roger Waters, da turnê The Wall, no Morumbi, eis que posso fazer, até o momento, os cinco melhores shows que vi na vida:
1) PAUL MCCARTNEY – 2011 e 2012
2) U2 – ABRIL – 2011
3) ROGER WATERS – 2012
4) AC/DC – 2009
5) KISS – 2009
Enfim, um escritor sem estilo
Morreu hoje um dos grandes jornalistas e humoristas brasileiros, Millor Fernandes. Em homenagem a ele, publico abaixo um soneto escrito por ele em 1945, na Revista O Cruzeiro. Quando eu ainda estudava jornalismo, gostava de recitar esse poema, que não quer dizer absolutamente nada, mas é muito sonoro!
Penicilina puma de casapopéia
Que vais peniça cataramascuma
Se parte carmo tu que esperepéia
Já crima volta pinda cataruma.Estando instinto catalomascoso
sem ter mavorte fide lastimina
és todavia piso de horroroso
e eu reclamo – Pina! Pina! Pina!Casa por fim, morre peridimaco
martume ezole, ezole martumar
que tua para enfim é mesmo um taco.e se rabela capa de casar
estrumenente siba postguerra
enfim irá, enfim irá pra serra.
Morre Chico Anysio, gênio do humor da TV brasileira
Por Cristina Padiglione, com Felipe Branco Cruz
Despediu-se do riso, dos palcos e da vida de múltiplas personas, em consequência de problemas cardiorrespiratórios, ontem às 14h52 no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, após três meses de internação, um dos grandes mestres do humor, o cearense Francisco Anysio de Oliveira Paula, aos 80 anos. Chico Anysio não resistiu a uma parada cardiorrespiratória e morreu de falência múltipla de órgãos decorrente de choque séptico causado por infecção pulmonar. O velório será hoje no Theatro Municipal do Rio. O corpo será cremado amanhã, em cerimônia restrita à família.
Nascido em Maranguape, em 12 de abril de 1931, ele assumiu a identidade de dezenas de personagens – Professor Raimundo e seu ‘salário ó’, Bozó, Painho, Coalhada, o ‘símbalo sescual’ Alberto Roberto, Justus Veríssimo, Salomé, o vampiro da ‘vingança malígrina’ Bento Carneiro, Pantaleão, Nazareno, Haroldo e Azambuja, só para citar alguns –, mas foi sobretudo como Chico Anysio que fez fama e escola.
Havia mais de um ano que Chico exibia saúde frágil, sem contudo se render a sedentarismo ou aposentadoria. Ele deu entrada no Hospital Samaritano, zona sul do Rio, no dia 22 de dezembro de 2011. Recebeu alta para passar o Natal com a família, mas voltou a ser internado com hemorragia digestiva. Em janeiro, ainda hospitalizado, seu estado piorou e ele foi submetido a uma cirurgia de laparotomia exploradora, em que parte de seu intestino delgado foi retirado. No período, passou a sofrer de insuficiência renal, e foi submetido a hemodiálise. Em fevereiro, Chico apresentou melhora, teve a dose de medicamentos diminuída e, lúcido, iniciou sessões de fisioterapia respiratória e motora. No fim do mês, abatido por uma pneumonia, fez uso de antibióticos e passou a respirar com ajuda de aparelhos. Nessa época, aliás, a atual mulher, Malga Di Paula, fez um desabafo contra o cigarro no Facebook. “Chico é uma das vítimas de uma geração desinformada, que usava o cigarro por uma questão de charme”, escreveu Malga na rede social.
Chico se manteve estável até meados de março. No início dessa semana, teve uma complicação renal. Na quarta, foi submetido a hemodiálise. Seu estado foi considerado crítico pelos médicos na manhã de quinta. Segundo o boletim assinado pelo médico Luiz Alfredo Lamy, o humorista estava sedado, respirando com a ajuda de aparelhos e foi submetido a uma punção torácica para drenagem de um hematoma. No início do ano passado, Chico havia passado três meses internado por problemas cardiorrespiratórios. Morando em São Paulo com a sexta mulher, a gaúcha Malga, de 40 anos, frequentava a ponte aérea desde 2010, graças à decisão da Globo de reabrir o caixão de Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro. De lá para cá, o trocou por Salomé – pela comodidade da cena, estática, ao telefone.
Geladeira na Globo
Chico Anysio fazia participações no humorístico Zorra Total, nada perto de ter um programa seu, como acontecia desde os primórdios da TV, até o ano de 2000, quando foi confinado à geladeira. Até lhe dar uma vaga nos especiais de fim de ano, em 2009, a emissora privou por nove anos o telespectador de suas piadas. Declarações de Chico em entrevistas lhe renderam exílio do vídeo (leia ao lado), embora a Globo tentasse camuflar o castigo com participações esporádicas em suas atrações.
A última foi a novela Caminho das Índias (2009), como o pai de Radesh (Marcius Melhem). Nesse ano, dublou o ranzinza Karl, na animação Up – Altas Aventuras. Também era compositor, escritor e pintor, tendo feito várias exposições. Nas suas contas, criou 209 personagens, alguns para outros atores – como o inesquecível Primo Rico, com Paulo Gracindo, em dueto com Brandão Filho.
A carreira começou na Rádio Guanabara, no Rio, para onde a família Anysio de Paula se mudou quando Chico tinha 8 anos. Tornou-se vascaíno só para contrariar o pai, botafoguense. Moravam perto do Fluminense. Jogou bola até o dia em que, esperado para uma partida, foi em casa buscar o tênis e encontrou a irmã Lupi de saída para um teste na Rádio Guanabara. O garoto foi junto e acabou sendo aprovado para radioator e locutor – Chico dizia que tinha virado ator graças ao tênis.
Mas a percepção de que poderia se dar bem no rádio já existia. Àquela altura, o talento de imitar vozes famosas, entre locutores e artistas, o havia feito vencer concursos de calouros. Fazia Oscarito, Saint Claire Lopes, Rodolfo Mayer, James Manson, James Cagney e Luiz Jatobá. Passou ainda pela Rádio Mayrink Veiga. “Ele sempre foi calado, nunca foi de exibições. Todo comediante é meio contido, né?”, afirmou, em abril (nos 80 anos de Anysio) o humorista Lúcio Mauro, companheiro de cena no antológico quadro do personagem Alberto Roberto – “Sou, mas quem não é”, dizia o bordão.
Nos anos 50, era da chanchada no cinema nacional, escreveu e atuou em filmes da Atlântida. Estreou na TV Rio em 1957, no Noite de Gala. Em 59, ingressou no programa Só Tem Tantã, mais tarde Chico Total. Pisou na Globo em 1968 e lá ficou. Carlos Manga, seu diretor nos primórdios, se lembra bem daquela época. “Boni sempre disse que ele seria um fenômeno se tivesse nascido nos Estados Unidos. Pois eu digo: se Chico Anysio tivesse nascido na Inglaterra, ele seria o Chaplin!”, disse. Veio de Manga a ideia de usar o recém-chegado videotape para fazer Chico se desdobrar em personas. “Quando eu vi aquela máquina, pensei logo no Chico. ‘E se eu te disser que posso botar você para contracenar com você mesmo?’, perguntei a ele.” Nascia, em 1960, o Chico Anysio Show. Com Chico, trabalhariam os maiores nomes da TV nacional, em humor ou drama, como Paulo Gracindo, Grande Otelo, Costinha, Walter D’Ávila, Jô Soares, Renato Corte Real, Agildo Ribeiro, Ivon Curi.
Casamentos e jejum forçado
Casado por seis vezes, e isso não era piada, lançou o livro Como Salvar seu Casamento, com dicas para uma boa relação. “Quem é casado há 40 anos com dona Maria não entende de casamento, mas de dona Maria. De casamento entendo eu, que tive seis”, dizia. Mais 20 livros fecham sua coleção, entre biografias e anedotas.
Chico Anysio deixou 10 netos e 8 filhos: o ator Lug de Paula (o Seu Boneco, na Escolinha do Professor Raimundo, da atriz Nancy Wanderley), o comediante Nizo Neto (o Seu Ptolomeu) e o diretor de imagem Rico Rondelli (da vedete Rose Rondelli), André Lucas, adotado, o DJ Cícero Chaves (da ex-frenética Regina Chaves), o comediante Bruno Mazzeo (da ex-modelo Alcione Mazzeo), além de Rodrigo e Vitória (da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello). Irmão do cineasta Zelito Viana, era tio da diretora Cininha de Paula e do ator Marcos Palmeira.
Quando o assunto era o futuro do humor na TV, discutia, como fez em 2010: “As TVs se fizeram grandes através do humor, e hoje os maiores índices são de programas de humor. Por que não são feitos mais programas, quando temos mais de 50 excelentes comediantes?”. O afastamento da TV o levara à depressão. “Tive seis mulheres, filhos, netos. Se eu não tivesse depressão, teriam de me internar, porque eu seria um psicopata.” Chico foi alvo, há dois anos, da campanha ‘Volta, Chico’ encabeçada por Vesgo e Ceará, do Pânico na TV, pela RedeTV!, que pedia sua volta à grade. “Talvez a Globo esteja achando que eu já tenha feito por ela o suficiente e que deva descansar. Mas eu não quero descanso”, disse ele à ocasião.
Em dezembro de 2009, a direção da Globo se rendeu e lhe abriu uma vaga nos especiais de fim de ano. Por cerca de uma hora, personagens de diversas etnias, estirpes e épocas contracenaram, todos na pele de Chico. Graças a recursos de vídeo, dialogou consigo mesmo, e reuniu uma dezena de tipos na sala do lendário professor Raimundo. O especial fez a Globo resgatar Chico para o Zorra Total. Era o fim do jejum promovido pela Globo, ação endossada pela emissora em comunicado, em 2000, logo após entrevista do humorista à revista IstoÉ, com críticas ao novo modelo de gestão da emissora. “Pela primeira vez, em 47 anos de TV, trabalho numa casa onde ninguém tem acesso à pessoa que nos dirige”, disse, sobre a diretora-geral Marluce Dias da Silva, que substituíra José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.
A Globo reagiu em nota, repudiando as declarações e anunciando sua suspensão. Chico rebateu: “Em 53 anos de profissão, sempre expressei livremente meu pensamento sem desrespeitar ninguém, muito menos a Rede Globo, onde trabalho há mais de três décadas (…) Como artista, meu único patrimônio é meu direito de pensar e dizer e, por ser um criador, qualidade inata. A este patrimônio não renuncio, nem em tempo de censura, como agora.”
Apesar das discussões, o humorista disse, em outubro, que se considerava “homem forte”. Não tenho do que reclamar, já fiz tudo o que tinha para fazer.” Seu único arrependimento de vida era ter fumado até os 40 anos. A Globo o manteve sob contrato, evitando sua saída. Para cerrar cortinas e encerrar batalhas, resiste a frase do mestre: “Para mim, há dois tipos de humor: o engraçado e o sem graça. Eu fico com o primeiro”.
Uma cilada para Ryan Reynolds
Por Felipe Branco Cruz
De Nova York
Com uma trama que mescla traição, espionagem e incríveis cenas de perseguições e tiroteios, Protegendo o Inimigo, que estreia hoje, opõe no elenco Denzel Washington e Ryan Reynolds. Ambientado na Cidade do Cabo, África do Sul, o filme conta a história de um agente da CIA, Matt Weston (Reynolds), que trabalha como zelador de uma safe house (espécie de escritório secreto da CIA) no país. Sua rotina tediosa é quebrada quando um espião traidor, Tobin Frost (Washington), é capturado e levado a interrogatório no local.
A ideia inicial do novato diretor sueco Daniel Espinosa, de 34 anos (seu pai é chileno, a mãe é sueca, um ano mais novo que Reynolds), era levar sua filmagem ao Brasil e ambientá-lo no Rio de Janeiro, mas a produção teve dificuldade em conseguir seguros de vida para os atores. “Foi mais fácil na África do Sul”, conta o Espinosa, que fala português fluentemente, sobre o trabalho que é sua estreia em Hollywood. Até então, seus filmes se limitavam a Suécia e Dinamarca.
Washington e Reynolds, então, gravaram na favela de Langa, na África do Sul, que no passado era um gueto negro do apartheid. Hoje, o local faz parte do roteiro turístico da cidade, que inclui favelas pacificadas, assim como acontece no Rio. Estão também no elenco a atriz Vera Farmiga (de Amor Sem Escalas) e Brendan Gleeson (o bonachão de O Guarda). “Enquanto corríamos e lutávamos pela favela, os moradores nos olhavam, curiosos”, contou Denzel Washington. “Eles diziam: ‘Olhem, estão filmando aqui’”, completa Reynolds.
O diretor conta que decidiu realizar o filme depois que descobriu a existência das tais ‘safe houses’ mantidas pelos EUA secretamente em território estrangeiro. “Sei que elas existem. Pedi para conhecer algumas, mas não me deixaram. Então, criamos a nossa. “
Na trama, o local é fortificado, mas acaba invadido por bandidos que querem matar o espião traidor Foster. O ex-agente dispõe de informações privilegiadas que podem derrubar muita gente poderosa na CIA. Sem saber em quem confiar, então, Weston se vê sozinho nessa rede, e obrigado a defender um traidor do seu país.
A direção privilegiou câmeras de ombro, por isso boa parte das imagens são tremidas ou feitas em close, efeito que dá agilidade à trama e tira o fôlego do espectador – um dos destaques é a passagem em que os dois lutam durante um jogo de futebol, no recém-inaugurado estádio Green Point, ao som de vuvuzelas. E apesar da ação, boa direção e ótima trilha sonora, o longa não conseguiu fugir dos clichês. Afinal, quantas vezes vimos histórias de agentes traidores fugindo de bandidos secretos e que têm uma bela redenção no fim? O diferencial, aqui, se limita ao pano de fundo do país africano, que por pouco não foi o Brasil.
O longa conta ainda com a participação da bela atriz francesa Nora Arnezeder, que interpreta a namorada de Reynolds. Em seu primeiro trabalho em Hollywood, a atriz não escondeu a alegria em atuar logo com dois figurões. “Aprendi muito com Ryan e Denzel. Fiquei satisfeita com o resultado”, contou Nora. O sonho da moça, no entanto, é ser cantora e lançar um disco.
O longa faz certa referência ao caso WikiLeaks (portal americano que recebeu informações confidenciais da Inteligência). “O filme é uma ficção, mas há uma referência, sim. Afinal, quem pode dizer que, na vida real, foi um ex-agente da CIA que vazou aquelas informações?”, provoca Espinosa. Realidade à parte, o longa diverte, e entrega ao espectador, sem mistério nenhum, mais uma boa história de espionagem.
Entrevista: Ryan Reynolds
‘Vivo o sonho de todo garoto’
Famoso pelo papel do Lanterna Verde, o ator canadense de 35 anos não hesitou em depositar sua confiança nas mãos de um diretor estreante, Daniel Espinosa, um ano mais novo do que ele. Reynolds rivaliza com o veterano oscarizado Denzel Washington no longa Protegendo o Inimigo, em que interpreta um agente designado a zelar pela vida de um ex-colega traidor (Washington). Ao JT, de Nova York, o ator falou da convivência no set, na África do Sul, e lembrou um grande conselho que recebeu: “Alguém sábio do show biz me disse: ‘Se você não confia no piloto, não pegue o avião’. Assim é com o diretor. “
Como foi filmar na África do Sul?
Não é comum fazer um filme num lugar espetacular como aquele. Eu me esforcei muito para aprender afrikaans. Foi uma imersão.
O que mais te surpreendeu?
A alegria e o senso de ajuda das favelas. Eles não têm recursos básicos, eletricidade ou água encanada, mas têm mais felicidade que as pessoas de Los Angeles. Uma alegria estranha.
Como define a transformação de seu personagem no filme?
Ele tem um grande senso de nacionalismo, até que conhece Frost (Denzel). Ele perde o trabalho, a namorada. O idealismo é só o que sobra. Tudo entra em colapso.
Essa integridade pode ser aplicada à indústria do cinema?
Nããão! Mas integridade não é algo que se ensina, você nasce com ela. E você não precisa de um empresário para ter integridade. Alguém sábio em Hollywood me disse: “Se não confia no piloto, não pegue o avião”. É assim com o diretor, se você não acredita nele…
Em que ponto do filme você sabe se está com o diretor certo?
Geralmente na exibição da pré-estreia. (risos). É sério. Só depois de filmar, semanas depois, percebe se fez ou não um bom trabalho. Eu confio no Daniel Espinosa, mesmo mais novo que eu.
Você fez todas as cenas de ação?
Sim, não tive dublê. As câmeras estavam muito próximas, tive que fazê-las. Fiquei cheio de machucados e arranhões.
Você dirige bem?
A direção do carro era na mão inglesa (motorista à direita), então foi mais difícil. Há uma cena em que eu saio dirigindo com Denzel no porta-malas. Eu errei a cena e vi Denzel com uma cara horrorosa. Eu disse: “Mil desculpas senhor Denzel, temos que fazer novamente. Minha culpa”. Ele não saía do personagem.
Como foi contracenar com ele?
Passamos muito tempo juntos, então hoje é estranho vê-lo e cumprimentá-lo, os, sendo que há pouco estávamos nos batendo.
Como foi trabalhar com a atriz francesa Nora Arnezeder?
Ela é fantástica. E ficou meio deslumbrada com tudo. Ela canta, então apresentei um produtor musical a ela. A propósito, tenho ótimos contatos (risos).
Você acha que o filme fala um pouco de WikiLeaks?
Há semelhanças. E é meio assustador saber que há instituições com informações sigilosas. Mas no filme, Frost quer lucrar. Não acho que o WikiLeaks busque isso.
É possível ser ator em Hollywood e não ser celebridade?
Sabe, eu não entendo por que Tom Hanks não é perseguido por paparazzi todos os dias. Tem muita gente querendo vender fotos minhas por aí. E eu não vou estar sorrindo às 3h da manhã.
Você ganhou fama com o Lanterna Verde. Há planos para uma sequência?
Não estou sabendo de nada, não tenho planos por enquanto. Só de ter feito um foi ótimo, me diverti.
Você diz ter medo de altura. Como faz para lidar com o medo numa gravação?
É uma espécie de punição por ter um trabalho tão legal. E é psicológico, você tem de convencer seu cérebro de que não é perigoso. Afinal, esse é o sonho de qualquer garoto. Daqui a 20 anos trabalharei com o mesmo amor de hoje.
Entrevista: Denzel Washington
Denzel Washington, de 57 anos, produz e atua em Protegendo o Inimigo. A escolha pelo diretor, o novato Daniel Espinosa, aliás, foi dele. No longa, Denzel é Tobin Frost, ex-agente da CIA preso por traição. O veterano ator, dono de dois Oscar (por Tempo de Glória, 1990, como ator coadjuvante, e Dia de Treinamento, 2001, ator principal), tem privilegiado filmes de ação. Ao JT, ele contou porque não faz comédias românticas:
Você sempre interpreta caras durões. Quando irá fazer um filme de Woody Allen ou comédia romântica, talvez?
Nunca me ligaram para um filme assim. Talvez faça quando quiserem um outro negro em filmes como esses. Já fiz ótimas histórias, como O Grande Debate (de 2007, produzido e dirigido por ele). Nos últimos dois anos, fiz bastante coisa. Mas deixa ver… e se eu, digamos, humanizar um alcoólatra no próximo filme? (risos) Eu sou diretor, ator, produtor de filmes e peças. Não fico pensando: está na hora de fazer uma comédia romântica.
Como foi filmar na Cidade do Cabo, África do Sul?
Eles melhoraram muito para a Copa do Mundo (2010). Um monte de hotéis cinco estrelas! É uma cidade linda, um povo adorável. Os negros vivem com imigrantes asiáticos nesta favela onde filmamos. E eles são tão bonitos. Quando fui ao Zimbábue, em 1996, o avião pousou e eu me senti em casa. Senti essa conexão. Uma pessoa me disse: “Você é americano e negro. Se meus ancestrais tivessem decidido ir para os Estados Unidos, hoje eu poderia ser como você e ter um Cadillac”.
Como foi o processo de criação do personagem?
Foi um processo duro, levou seis meses. Tivemos três roteiristas. Fui escolhendo o que melhor me cabia. Eu pegava uma cena, combinava com outros roteiros. Dei muitas sugestões.
Como foi trabalhar com Ryan?
Eu gosto do Ryan. Ele é um cara que trabalha duro e tem talento. E temos também Brendan Gleeson e Nora Arnezeder, jovem atriz francesa. Nunca tinha ouvido falar deles, e eles são ótimos.
Como é seu personagem?
Tobin é um sociopata. Ele quer sempre ganhar e fará qualquer coisa para isso. Tem muito de Silêncio dos Inocentes neste filme. Ele tem um sentido apurado, sente o cheiro do medo e entende as fraquezas da natureza humana, quase como se pudesse ler a mente. Ele é quieto, fala pouco, é observador. Ele pensaria: “como usar Ryan para conseguir o que eu quero? Qual o jeito mais fácil de conseguir?”.
Por que decidiu trabalhar com um diretor sueco?
Ele é bom, faz bons filmes. Eu poderia ter escolhido um diretor de 93 anos, indicado ao Oscar cinco vezes, mas não. Quando eu o conheci, fiquei encantado. Ele é um cara diferente.
E por que não escolheu, então, um diretor com cinco Oscar?
Porque gostei do Espinosa, ele é um jovem, faminto. Você pode ganhar cinco Oscar e se tornar preguiçoso. Quando se é jovem, você é mais entusiasmado, e a vontade de ganhar é maior.
*O repórter viajou a convite da Universal.
Estrela Virada
Por Felipe Branco Cruz
Heleno de Freitas (1920-1959) foi o primeiro jogador de futebol a ganhar status de estrela no Brasil. Boêmio, bad boy e mulherengo, o jogador vivia entre os gramados e o cassino Atlântica. Morreu jovem, aos 39 anos, consumido pela sífilis, num manicômio no interior de Minas Gerais. A história deste jogador pré-Pelé, pré-Maracanã e ídolo do Botafogo será contada nos cinemas a partir do dia 30, no filme Heleno, com Rodrigo Santoro no papel-título e Alinne Moraes como sua mulher.
O longa teve orçamento de R$ 8,5 milhões, sendo que metade do valor foi doado pelo empresário magnata Eike Batista, botafoguense roxo. Ao JT, Santoro falou sobre o preparo para encarar o personagem, que envolveu aulas de futebol com o ex-craque Claudio Adão, e sobre a dificuldade para perder 12 quilos para representar o período mais crítico da saúde de Heleno. “Não é um filme sobre futebol e, sim, sobre a vida deste polêmico personagem”, diz o ator.
No filme, há poucas cenas suas jogando futebol. Onde está o Rodrigo futebolista?
O Zé (o diretor José Henrique Fonseca) me prometeu que vai colocar nos extras do DVD. Mas não filmamos muitas cenas de futebol. Nunca pensamos em reproduzir uma partida. A ideia sempre foi mostrar o futebol pela ótica de Heleno de Freitas, pelo sentimento dele. Ele vai lembrando de tudo aquilo. Mas temos muito material de futebol que não está no filme. É complicado reproduzir a emoção do estádio. A ideia não era reproduzir o virtuosismo do Heleno e, sim, quem ele foi.
Para interpretar Heleno, você teve aulas com o jogador Claudio Adão. Virou craque?
O que aconteceu foi o seguinte: melhorei meu futebol (risos). Quando vou para a pelada, não sou mais o último a ser escolhido. Treinei muitos fundamentos. É a mesma coisa quando fiz Os Desafinados (2008). Aprendi a tocar música, mas não para tocar no filme, mas no processo de entender o personagem. Já sabia que não teria tantas cenas de futebol, nem que eu seria um craque.
Você também está em cartaz com o filme Reis e Ratos. Acha que esta grande exposição desgasta sua imagem?
São dois trabalhos completamente diferentes. O espectador que viu um vai ver o outro. Expostos, nós estamos a maior parte do tempo. A vida de quem convive com a fama é estar exposto. Lido com isso diariamente.
Qual é a diferença entre interpretar um personagem fictício e um que existiu?
Quando existe uma referência, como o caso do Heleno, ou do (líder cubano) Raúl Castro, que também já interpretei, existe uma responsabilidade e um compromisso maiores com a imagem que temos dele na cabeça. Nesse sentido, há um pouco menos de liberdade de criar, mas temos um ponto de partida. No caso do personagem fictício, não existe essa referência para fazer comparação. São formas diferentes de trabalhar.
Existem poucos registros em áudio e vídeo de Heleno. Como pesquisou sobre ele?
Muitos arquivos foram queimados em um incêndio. Existia um grande material dele, mas se perdeu. Há pouca coisa. Tentei ouvir o máximo possível, pesquisei em outras fontes e conversei com alguns parentes, inclusive com o filho dele (Luis Eduardo de Freitas).
O que foi mais desgastante de fazer: as cenas em que ele está debilitado ou quando ele tem acessos de raiva?
As cenas de futebol me deram um certo desconforto, porque foram feitas de madrugada e na chuva. Mas eu me divertia, porque me sentia um craque. Acho que a segunda parte, em que tive de fazer dieta, perder peso e a saúde mental, foi a mais pesada mesmo. O cansaço era físico, emocional e mental. Mas foi tudo feito com acompanhamento médico.
Como foi para emagrecer?
Essa é a terceira vez que faço uma dieta rigorosa para um personagem. Perdi 12 quilos. Fácil não é, nem divertido. Foi um comprometimento meu. Ele morreu de paralisia generalizada e foi consumido pela doença (sífilis) e realmente perdeu muito peso. Eu não queria usar muita maquiagem. Achei que emagrecer mesmo era a melhor solução. Paramos o filme durante 40 dias para eu perder peso, mas, desde o primeiro dia de filmagem, eu fui emagrecendo naturalmente.
E como era essa dieta que você fez? O que podia comer?
Nada… Quer dizer, pouquíssimo carboidrato. E suar muito com exercício físico. Muitas verduras e legumes. Mas não tenho uma receita de dieta. A dieta milagrosa é disciplina para educar o corpo. E eu não recomendo perder tantos quilos rapidamente. Uma dieta tem de ser feita com tempo.
Apesar das controvérsias, você tem uma relação de carinho com o Heleno hoje?
Simplesmente não o julgo. Especialmente enquanto artista, eu não posso julgar, senão vou comentar o personagem e provavelmente vou cair num estereótipo. Ele tinha uma série de adjetivos e procurei compreender de onde ele vinha, o que ele vivia, qual era a história. Quando fiz Carandiru (2003), entrevistei travestis. É um típico estereótipo. A solução que achei veio ao conversar com um travesti que me disse: “Quer entender como a gente se sente? Você tem mãe e irmã? Fica com elas. É assim que eu me sinto”. Isso me ensinou uma lição. Com Heleno, foi igual. Tenho de ficar neutro na história.
Você também é produtor do filme. Como foi seu trabalho?
Começou desde o desenvolvimento, antes do roteiro. Pensamos no filme, no personagem. Pesquisamos sobre ele e, a partir dele, desenvolvemos o roteiro. E eu também trabalhei para conseguirmos patrocínio.
Rainha Eterna
Por Felipe Branco Cruz
A atriz inglesa Elizabeth Taylor, a eterna Cleópatra, será homenageada pelo canal por assinatura TCM, que exibirá hoje e amanhã 11 de seus principais filmes (veja a programação completa ao lado). Liz Taylor, como era conhecida, morreu há um ano, no dia 23 de março do ano passado, de insuficiência respiratória. Premiada com o Oscar de melhor atriz em 1961 e 1967 pelos filmes Disque Butterfield 8 e Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, respectivamente, ela faz parte de um seleto rol de eternas musas da era de ouro de Hollywood, ao lado de nomes como Rita Hayworth, Marilyn Monroe e Ava Gardner.
Liz Taylor começou a carreira na infância. Aos 9 anos, fez seu primeiro filme, There’s Ono Born Every Minute (1942), e, no ano seguinte, Lassie Come Home, que não tiveram os títulos traduzidos para o português. Linda e talentosa, casou-se oito vezes, sendo duas delas com o mesmo homem: o ator inglês Richard Burton, entre 1964 e 1974 e entre 1975 e 1976. Os outros foram: Conrad Hilton Jr. (1950 a 1951), Michael Wilding (1952 a 1957), Michael Todd (1957 a 1958), Eddie Fisher (1959 a 1964), John Warner (1976 a 1982) e o caminhoneiro Larry Fortensky (1991 a 1996).
Lançado em 1963, o filme Cleópatra foi o mais caro já feito até aquela data, com orçamento de US$ 44 milhões. Por esse papel, Liz Taylor recebeu US$ 1 milhão – sendo a primeira atriz a ganhar essa quantia milionária para fazer um filme. O longa ganhou quatro Oscar em 1964, nas categorias de melhor efeito especial, fotografia colorida, figurino colorido e direção de arte colorida. Chegou a ser indicado também nas categorias de melhor filme, ator (Rex Harrison), edição, trilha sonora e som. Por este filme, no entanto, Liz não recebeu indicação.
Da programação do TCM, além de Disque Butterfield 8, Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e Cleópatra, vale a pena rever A Mocidade é Assim Mesmo, O Pai da Noiva e Gata em Teto de Zinco Quente, todos memoráveis trabalhos da atriz.
Amigos e diamantes
Liz Taylor foi viciada em álcool e drogas, mas conseguiu se reabilitar. Em 1997, teve o cérebro operado, com sucesso. Ficou conhecida pelas campanhas filantrópicas que organizou para levantar fundos para pesquisas contra a aids. E também por colecionar magníficas joias, como o famoso diamante Taylor-Burton, dado de presente por seu marido Richard Burton, de 69,42 quilates. O mesmo diamante foi vendido anos depois por US$3 milhões e o dinheiro, revertido por Liz para construir hospitais em Botswana, na África.
Um de seus melhores amigos foi o pop star Michael Jackson. A atriz era madrinha do primeiro filho de Jackson, Prince Michael Jackson I. Já o cantor dedicou a ela as canções Liberian Girl e Elizabeth, I Love You, e a amparou em seus momentos de fraqueza e durante as separações de seus vários casamentos.
Toda a verdade da Tropicália
Por Felipe Branco Cruz
Um dos maiores documentaristas do Brasil, Eduardo Coutinho será homenageado na 17ª edição do festival É Tudo Verdade, que começa amanhã e vai até o dia 1º de abril. Sete filmes e dois debates com a participação do cineasta estão na programação, incluindo após a exibição do clássico Cabra Marcado Para Morrer, de 1984 (leia mais abaixo). O evento será aberto amanhã, somente para convidados, com a exibição de Tropicália, de Marcelo Machado, que explora o movimento cultural desencadeado no final da década de 60 por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Os Mutantes. Para o público em geral, o longa será reexibido às 21h, na sexta-feira, no CineSesc. Todas as sessões do festival são gratuitas. Além do CineSesc (Rua Augusta, 2.075), o evento também ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112), Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207) e MIS (Av. Europa, 158).
“O documentário histórico cultural marca a história do cinema documental brasileiro. Estamos descobrindo novas narrativas para contar essas histórias”, diz o criador do festival Amir Labaki. De fato, Tropicália foi feito de uma forma totalmente nova para os padrões documentais nacionais. Não há praticamente nenhuma cena em que os entrevistados aparecem. Ouve-se apenas as vozes dos envolvidos enquanto imagens psicodélicas explodem na tela a todo instante. Há ainda um vasto arquivo de filmes de época dos tropicalistas nos festivais da Record, fazendo participações em TVs estrangeiras e em seus shows. Destaque para uma rara cena de 1970 de Gilberto Gil e Caetano Veloso, no festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, durante o exílio da dupla.
O festival acontecerá simultaneamente no Rio de Janeiro. Amanhã, o filme que abrirá a mostra na capital carioca será Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, dirigido por Pedro Bial e Heitor D’Alincourt. Entre 10 e 15 de abril, o É Tudo Verdade voltará a ser exibido em Brasília e, em maio, pela primeira vez em Belo Horizonte. “Temos ótimos documentaristas mineiros. Será uma boa oportunidade de levarmos o festival para lá”, afirma Labaki.
Por aqui, ao todo, serão exibidos 80 filmes, sendo que 25 deles terão estreia mundial no festival. Os longas são originários de 27 países. A Argentina será representada pelo cineasta Andrés Di Tella que, assim como Coutinho, também ganhou uma retrospectiva. A mostra especial apresentará seis longas, um curta e um média-metragem de Andrés. Entre eles, o inédito Golpes de Machado, que conta a história do cineasta experimental Claudio Caldini.
Da programação, destacam-se também títulos que repercutiram no exterior, como é o caso do ganhador do Oscar de curta-metragem deste ano, Saving Face, do diretor paquistanês Sharmeen Obaid-Chinoy. O curta conta a história do cirurgião plástico Dr. Mohammad Jawad, que reconstrói o rosto de mulheres que sofreram ataques com ácido. Outros dois títulos que valem atenção são China Peso-Pesado, de Yung Chang, e O Beijo de Putin, de Lise Birk Pedersen. Ambos foram projetados no festival de Sundance, sendo que o segundo levou o prêmio de melhor fotografia. Em China Peso-Pesado, o diretor acompanha adolescentes do interior do país que são recrutados para serem atletas olímpicos.
Ainda no festival, será realizada a competição brasileira de longas e médias-metragens, que apresentará sete filmes inéditos. O vencedor ganhará R$ 110 mil e o troféu CPFL Energia, criado por Carlito Carvalhosa. Na competição de curta-metragens, o ganhador levará R$ 10 mil e também um troféu.
Festival presta homenagem a Eduardo Coutinho
Produzido em 1962, o documentário Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho, teve de ser interrompido após o golpe de 1964. Só em 82 voltou a ser rodado, com os mesmos técnicos, locais e personagens de antes. Em 84, foi finalmente lançado. O longa é hoje considerado um dos clássicos do cinema documentário brasileiro e conta a história de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba assassinado em 1962.
Na época, os policiais da ditadura interromperam as filmagens e prenderam parte da equipe, acusando-os de comunismo. O longa original está sendo restaurado pela Cinemateca, mas uma outra cópia, não restaurada, estará na programação do É Tudo Verdade, dentro da retrospectiva Coutinho: O Caminho até Cabra, que homenageará o documentarista.
Dentro da retrospectiva, serão exibidos ainda os filmes Coutinho Repórter, Crônica de um Verão, Exu, Uma Tragédia Sertaneja, O Pistoleiro da Serra Talhada, Seis Dias de Ouricuri e Theodorico – O Imperador do Sertão.
Uma vida solitária regida pela compulsão ao sexo
Por Felipe Branco Cruz
Brandon Sullivan (o ator Michael Fassbender, de X-Men: Primeira Classe) está completamente nu e a câmera foca apenas seu órgão genital em close. Ele caminha entre a cama e o banheiro. A cena se repete outras vezes. Ao contrário do que uma intimidade possa sugerir, essa primeira cena do longa Shame, que estreia hoje, mostra apenas um homem nu. Mesmo tão íntima e escancarada, a imagem em nada revela sobre a complexa personalidade deste personagem. É ao longo do filme que o diretor inglês Steve McQueen tentará nos apresentar quem é Sullivan, um homem viciado em sexo.
Sullivan não consegue se conter. Sua vida se resume a assistir pornografia no computador de casa, visitar bordeis, fazer sexo casual com mulheres na ruas e até se masturbar no trabalho. Ele é bem-sucedido no escritório onde trabalha e mora sozinho. Sua vida parece que não mudaria até a chegada de sua irmã Sissy, interpretada por Carey Mulligan. A bela atriz também aparece nua em várias cenas. Mas, propositalmente, ela está feia, com uma barriga saliente e cabelos desgrenhados. A composição da personagem ajuda a entender que se trata de uma mulher perturbada e que precisa de ajuda. A atriz está em cartaz nos cinemas em outro filme, Drive, no qual vive uma mulher fracassada.
A chegada da irmã muda totalmente a rotina de Sullivan. Desequilibrada, ela busca laços familiares que o irmão é incapaz de lhe dar. Aliás, os dois, cada um à sua maneira, são carentes de afeto. No caso do irmão, essa falta de afeto é evidenciada por sua compulsão sexual. Já a irmã, por sua incapacidade de manter um casamento – ela acaba de sair do segundo. A relação deles será, portanto, repleta de altos e baixos, com violentas discussões no meio disso tudo. Numa dessas cenas, Sullivan agride fisicamente a irmã depois de ela flagrá-lo se masturbando no banheiro. No fim, ambos estão visivelmente envergonhados de suas situações.
De Carey Mulligan, vale citar sua interpretação para a música New York, New York, em que canta de forma bem mais lenta em relação à original, num restaurante de Nova York. Uma cena linda que leva o irmão, que está na plateia, às lágrimas. O que é bem significativo. É que, apesar de sempre estar se relacionando com diversas pessoas, Sullivan é um cara frio e solitário. E essa compulsão por sexo o consome e o faz sofrer. Quando uma mulher se envolve emocionalmente com ele, Sullivan não consegue consumar o ato, o que evidencia que o que ele faz é sexo e não amor.
Michael Fassbender também se entrega ao papel. Por esta atuação, no ano passado, ele foi premiado como melhor ator do Festival de Veneza. O filme chegou a ser cotado ao Oscar, mas, no fim, não foi indicado em nenhuma categoria. Sem tradução para o português, o título Shame reflete a essência do filme. Para Sullivan, fazer sexo de maneira descontrolada não é motivo de orgulho e, sim, de uma vergonha que ele se esforça em esconder.



























