Tomar cerveja com moderação pode fazer bem aos ossos, diz estudo
DO R7
A cerveja pode ser um terror para a barriga, mas também um “remédio” para os ossos, tornando-os mais fortes. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA), que apontam que a bebida é uma fonte significativa de silício, um componente importante para a manutenção da densidade dos ossos. Com isso, as pessoas sofreriam menos de doenças como a osteoporose.
Os pesquisadores analisaram o processo de produção de cerveja comercial para determinar a relação entre os métodos de fabricação e a quantidade de silício existente em cada tipo da bebida. Essa substância, dizem os cientistas, é importante para o crescimento e o desenvolvimento dos ossos e do tecido conjuntivo – a cerveja aparece como uma fonte importante do silício, que está principalmente na cevada, dizem os pesquisadores.
– Baseado nessas descobertas, alguns estudos sugerem que o consumo moderado de cerveja pode ajudar a combater a osteoporose.
No estudo foram analisadas cem marcas comerciais de cerveja – os técnicos acharam concentrações de silício entre 6,4 miligramas por litro e 56 miligramas por litro. Essa quantidade depende do tipo da bebida.
Apesar disso, há cientistas que não recomendam que as pessoas aumentem a dose de cerveja consumida, já que ela causa problemas também. Claire Bowring, da Sociedade Nacional para a Osteoporose da Inglaterra, disse ao jornal Daily Telegraph que, apesar de pequenas quantidades de álcool fazerem bem aos ossos, doses maiores da bebida fazem com que eles percam a força e fiquem mais sujeitos a fraturas.
– Há também muitos problemas de saúde relacionados ao álcool e que não podem ser ignorados.
Israel X Palestina e o Futebol
Adorei a nova propaganda do banco Itau sobre o futebol e a guerra no Oriente Médio. Quando estive em Jerusalém, andei pela cidade usando a camisa do Brasil e pude sentir na pele como o povo de lá é receptivo quando usamos a camisa da seleção. Tanto judeus como árabes, espontâneamente conversavam comigo, me convidavam para tomar café e diziam adorar o futebol brasileiro. Andei sem me preocupar (aliás me sentindo seguro, até) pelos bairros católico, judeu e muçulmano. E eu não era o único. Vi muitos outros brasileiros também com a camisa da seleção. Meu guia, mais acostumado em acompanhar americanos, me perguntava o tempo inteiro, porque as pessoas me paravam na rua. Ele queria saber como elas sabiam que eu era brasileiro e porque me tratavam com tanta receptividade.
Abaixo o Muro das Lamentações e o vídeo da propaganda.
Golaço do Robinho
O golaço que o Robinho fez hoje contra o São Paulo, no seu retorno ao time.
Até onde vai a força das mães
Tensão e sensibilidade do sul-coreano
‘Mother – A Busca pela Verdade’ é daquelas estreias de peso
Por: Felipe Branco Cruz
Sensação durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo no ano passado, o filme sul-coreano Mother – A Busca pela Verdade, que estreou neste final de semana, trata-se de um perturbador retrato feito pelo diretor Joon-ho Bong (de Tokyo!) sobre até onde uma mãe pode ir para defender um filho.
Do-joon, apesar de ter 27 anos, é completamente dependente da mãe, a viúva Hye-ja. Com sérios problemas mentais, ele se comporta de maneira perigosa e esquece de quase tudo que fez no dia anterior. Ora ele é atropelado, ora é preso por quebrar espelhos retrovisores de carros. Atitudes que deixam a mãe em permanente estado de tensão. Um dia uma menina é encontrada morta em uma viela. Após uma investigação errática, a polícia incrimina Do-joon, que acaba servindo como bode expiatório.
A mãe, a partir de então, sai em uma enlouquecida investigação para provar a inocência do filho, tendo como única ajuda o seu instinto materno. Por ser deficiente mental, o rapaz é incapaz de se defender, até mesmo de dizer se é culpado ou inocente, já que não consegue se lembrar do que fazia na noite do crime.
A atriz Hye-ja Kim, que interpreta a mãe do título, é uma respeitada atriz na Coréia do Sul que usa toda a sua experiência para imprimir na personagem o drama e a carga emocional que as situações pedem.
Em diversos momentos, a mãe é obrigada a se submeter a situações humilhantes em nome do filho, numa escalada de tensão de tirar o fôlego. Trata-se de uma trama repleta de reviravoltas imprevisíveis com um desfecho realmente surpreendente.
Universitários superstar
Montar clipe caseiro virou moda na internet.
O tal do Lip Dub já faz sucesso nas faculdades
Por: Felipe Branco Cruz
No escritório, o colega ao lado batuca na mesa enquanto escuta uma música nos fones de ouvido. De repente, solta um agudo que assusta metade dos funcionários. Ele estava “sentindo” a música e certamente pensando que cantava tão bem quanto seu artista favorito, até deixar escapar o tal grito. Foi assim que o americano Jakob Lodwick, de 28 anos (leia a entrevista ao lado), teve a sacada para gravar o primeiro Lib Dub, em 2006 (abreviatura em inglês para “dublagem de lábios”).
Fazer um Lip Dub não requer grandes conhecimentos de vídeo. Basta juntar uma turma de amigos, escolher uma canção de que todos gostem e que saibam de cor e filmar o grupo cantando como se estivesse em um videoclipe. A única, digamos, regra é que a gravação seja feita em apenas um take, ou seja, sem cortes.
Quatro anos depois do primeiro Lip Dub, a moda chega ao Brasil capitaneada pelos universitários. Pelo menos três turmas (todas de Comunicação Social) das faculdades Faccamp (Faculdade Campo Limpo Paulista), no interior de São Paulo, PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica), em Curitiba, no Paraná, e ESPM-RS (Escola Superior de Propaganda e Marketing), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, fizeram seus vídeos de dublagem musical no final do ano passado.
Em São Paulo, a turma da Trash 80’s organizou uma gravação no clube Caravaggio e o produtor musical André Moraes, que tem programa na MTV, também fez o seu.
A brincadeira ganhou tanta força na internet que dois sites passaram a reunir todos os vídeos produzidos pelo mundo: o Lip Dub University (www.universitylipdub.com) traz o trabalho de estudantes de faculdades tão distantes quanto Polônia, Canadá e França; e o Office Lib Dub (www.officelipdub.com), os feitos em escritórios.
No País, Hilário Pereira, de 26 anos, professor da Faccamp, deu a ideia aos alunos. Eles gravaram a música Santo Forte, da banda Ultramen. “Aproximadamente 50 alunos participaram, serviu como trabalho para a disciplina de Produção para TV”, explica. Na PUC-PR, a dublagem também incrementou as aulas. “Uma aluna me mostrou um desses vídeos. Achei a ideia ótima e organizamos uma aqui”, diz a professora de fotografia Fernanda Vilar.
Na ESPM do Rio Grande do Sul, os alunos do último ano fizeram Lip Dub para exibir a cantoria na festa de formatura. A música escolhida foi Don’t Stop Me Now, do Queen. “Inovamos na cerimônia”, diz o estudante Tiago Faccio, de 30 anos.
André Moraes, que apresenta na MTV o humorístico Beat It, investiu mais na dublagem musical. Junto com os funcionários de sua produtora, ele refez a música It’s My Life, do Bon Jovi, para produzir o vídeo. A produção que foi ao ar na MTV passeia por todas as salas da sua empresa. “É uma brincadeira despretensiosa. Parece que saímos todos do colégio e fomos nos divertir.”
Entrevista Jake Lodwick
O americano Jake Lodwick, de 28 anos, é um dos fundadores do site Vimeo (espécie de YouTube), vendido para outra empresa em 2006. Foi nesse site que ele postou e utilizou pela primeira vez a expressão Lip Dub.
Quando fez o primeiro Lib Dub?
Foi da música Endless Dream, do Apes & Androids. Fiz em dezembro de 2006, em Nova York. Quando você escuta a música com fones de ouvido não parece que você sabe toda a letra? Foi assim que me senti e quis mostrar para os outros.
Quais as dicas para fazer um Lib Dub de qualidade?
Todo mundo tem de saber toda a letra e gostar dela. Senão, vão parecer um monte de palhaços. Quando for editar, é importante sincronizar a voz. Tem de ser apenas um take e as pessoas têm de realmente estarem se divertindo. Alguém tem de assumir a direção para pode dizer ‘não’ quando uma ideia não for boa.
Qual é o melhor Lip Dub?
‘I Gotta Feeling’ (link ao lado) de estudantes canadenses.
Alguns Lip Dubs legais:
Hit na internet no ano passado, o vídeo do Lip Dub feito por 172 estudantes da Universidade de Quebec Montreal, no Canadá, usou a música ‘I Gotta Feeling’, do Black Eye Peas. Já foi visto por quase 5 milhões de pessoas.
A qualidade impressiona. O Lip Dub feito pelos alunos poloneses da faculdade de economia de Varsóvia dubla a música ‘Footloose’. Para fazê-lo foram necessárias duas semanas de preparação, 5 horas de ensaios e 4 de gravação.
Dirigido por Jake Lodwick quando seu novo escritório foi inaugurado, o Lip Dub da música ‘Flagpolle Sitta’, do Harvey Danger, foi o precursor dos vídeos feitos nos escritórios. Dá até vontade de participar.
No link: vimeo.com/173714
‘Premonição 4′: Mortes assustadoras com efeito 3D
Por: Felipe Branco Cruz
Vários amigos estão se divertindo. De repente, acontece um acidente que mata todos eles. Mas não era verdade. Tratava-se de uma visão de um integrante mais sensitivo do grupo. Receoso com a intensidade da premonição, ele alerta a todos para saírem do local antes que seja tarde. Em seguida, o devastador acidente ocorre e eles são salvos. Dias depois, esses mesmos amigos morrem de formas trágicas, na mesma sequência que perderiam a vida caso não tivessem sido salvos. É a ‘Dona Morte’ vindo buscar um por um.
O enredo não é exatamente uma novidade. É que o longa que chega hoje aos cinemas é a quarta parte da franquia Premonição. A história é bem parecida com as anteriores. Mudam-se apenas os personagens, as situações e as mortes. A grande diferença é que desta vez tudo acontece em 3D.
Assim, detalhes simples como um parafuso que se solta de um carro de corrida e voa em direção ao público ou pregos que caem de uma obra ganham outra intensidade com o efeito da terceira dimensão. As trágicas mortes, com muito sangue e riqueza de detalhes, marca registrada da franquia, também ficam mais impressionantes. Infelizmente a história é sofrível e só vale a pena assisti-la se em 3D.
Comentarista esportivo desmaia durante transmissão
Durante transmissão de um jogo pelo campeonato gaúcho, comentarista esportivo passa mal e desmaia ao vivo. Fazia 37 graus no momento.
Frase do Dia
Na vida não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha.
The Cranberries e a saraivada de hits para “dançar coladinho”
Vocalista irlandesa convoca plateia
para uma noite de romantismo exacerbado
Por: Felipe Branco Cruz
Foi um bem-vindo retorno aos anos 90. O show que os irlandeses do Cranberries fizeram na sexta-feira, em São Paulo, no Credicard Hall, privilegiou apenas os principais hits do passado, ignorando por completo as composições do último álbum da banda, Wake Up And Smell The Coffee, lançado em 2001. Alguém reclamou? Não, pelo contrário. Era isso mesmo que os fãs esperavam, com ingressos esgotados.
No começo, em meio à histérica gritaria dos fãs, o som da música que abriu o show, How, ficou abafado, equalizado depois, durante o restante da apresentação. “Chegamos hoje cedo a São Paulo. Viemos do Rio de Janeiro e dormimos durante o dia para ficarmos acordados a noite inteira com vocês”, disse a vocalista Dolores O’Riordan, em plena forma aos 39 anos. Em seguida, emendaram com Animal Instinct, do álbum Bury the Hatchet, de 1999.
Antes de apresentarem a terceira canção da noite, Dolores avisou à plateia. “Vou cantar uma música delicada, para ficar juntinho. Não tenham vergonha”, e deu os primeiros acordes de Linger, hit do primeiro álbum Everybody Else Is Doing it, So Why Can’t We?, de 1993.
Em 2003 a banda deu um tempo na carreira. Período em que os integrantes aproveitaram para se dedicar a trabalhos-solo e cuidarem da vida pessoal. Quatro anos depois, em 2007, Dolores viria ao Brasil para seu show-solo. Na apresentação de sexta, ela também tocou algumas dessas músicas, como Switch off the Moment, The Journey e Ordinary Day. “Já toquei para vocês há dois anos. Mas estava sozinha”, disse ela ao público.
Mesmo com a acústica do local deixando a desejar, Dolores não desafinou um minuto e impressionou a plateia com sua voz potente. À vontade no palco, vestindo um top rosa, que deixava à vista uma tatuagem em forma de cruz, no braço esquerdo, a cantora dançou muito, interagiu com o público e com a plateia.
A relação Dolores com o restante da banda, os irmãos Noel (guitarra) e Michel Hogan (baixo) e com o baterista Fergal Lawler, era de cumplicidade. Se eles ficaram brigados enquanto estiveram separados, após a apresentação de sexta, essa dúvida foi dissipada. Entre uma música e outra, Dolores ia até a bateria para ver Lawler tocar ou trocava olhares e sorrisos com o guitarrista Noel.
Outros grandes hits também estiveram no set list. Durante Ode to My Family, Dolores desceu até a plateia onde pegou na mão dos fãs. A primeira parte foi encerrada com os sons mais pesados do grupo: Salvation e Zombie. Esta última, lançada em 1994, no álbum No Need To Argue, foi feita em forma de protesto contra as tensões que atingiram o país nas últimas décadas.
No meio da apresentação um fã gritou pedindo pela música Dreams, prontamente respondido por Dolores que disse que a cantaria por último, porque precisava aquecer as cordas vocais. No bis, eles interpretaram Empty, The Journey e, promessa atendida, Dreams, levando aos prantos boa parte da plateia.
Minha vistita à Campus Party
Texto publicado no blog do Link, no Estadão
As três horas que circulei pela Campus Party na manhã de ontem foram suficientes apenas para sentir o clima geek da festa. Não deu para fazer muita coisa. Daí entendi o porque que tanta gente resolve acampar por lá. Ninguém quer perder nenhum minuto de festa. Minuto esse, aliás, aproveitado por downloads super velozes na banda larga de 10gb.
Na entrada, uma fila tão grande quanto a capacidade da banda larga. Depois descobri que a demora era porque não bastava credenciar apenas a pessoa, você tinha de credenciar também seu notebook. Sim, porque, lá dentro, sua vida virtual é tão importante quando a real.
Depois de enfrentar a fila, minha primeira providência foi habilitar o Wi-Fi do meu BlackBerry e me sentir mais integrado. Alguns minutos depois, descobri que só era possível se conectar a super banda larga utilizando alguns dos milhares de cabos de redes espalhados pelo chão do galpão. Mas, mesmo assim encontrei várias redes Wi-Fi disponíveis, algumas abertas, outras protegidas por senha, mas nenhuma oficial do evento. Nenhuma dessas redes, aliás, eram estáveis e o alcance era mínimo. Me falaram que o pessoal estava roteando o sinal para aproveitar a conexão dentro do banheiro e dentro das barracas.
A princípio, senti uma certa frieza dos participantes. Todos bem à vontade, usando camisetas, bermudas e chinelos. A frieza porque era difícil encontrar alguém com os olhos para fora das telas de seus notebooks. Todos pareciam muito isolados e, ao mesmo tempo, conectados jogando on-line ou conversando pelo MSN. Mas bastou falar um ‘oi, donde cê é?” para começar um bate-papo que era encerrado com trocas de MSN, twitter e e-mails.
Eventos como esses criam suas micro-celebridades. Na Campus Party deste ano, quem chamava a atenção era Maciel Barreto, de 34 anos, baiano de Itajuípe, cidade de 18 mil habitantes a oito horas de Salvador. Ele posava para fotos com seu computador modificado, em formato do personagem Kratos, do jogo de ação God of War. “Eu conheço mais gente na internet do que a população da minha cidade”, diz. Para fazer o desenho da máquina, Barreto levou três meses e usou fibra de vidro para modelá-la. “Fiz em homenagem a um amigo, fã do jogo”, explica. Para fazer a máquina, ele disse ter gastado em torno de R$8 mil, patrocinados por uma empresa de computação. A configuração não assustava tanto quanto a expressão agressiva de Kratos: um quadcore, com um tera de hd.
Se fosse feito um censo, 99.9% das pessoas se assumiram nerds. Era o caso dos amigos Rodrigo Tambara, de 19 anos, Mateus Lehmann, de 21, e Bruno Marques, de 19, que vieram de Porto Alegre, de ônibus, após uma viagem de 22 horas, só para a ‘festa’ informatizada. “Nerds sim, com certeza, mas tenho vida social”, pondera Tambara, que é estudante de Ciências da Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A reclamação da turma era uma só: faltava mulher. “É só olhar. A proporção de homem para mulher é muito maior. Além disso, as gatas são todas funcionárias dos stands, dessas que distribuem papeizinhos de propaganda”, diz Tambara. Mas Lehmann lembra que as blogueiras que passam por ali bem que são bonitas. “É difícil achar mulher nerd bonita. Exceções são as blogueiras. Quase todas são bonitas”.
Parece conversa da série americana The Big Bang Theory, exibida pelo canal pago Warner. De fato, eles são fãs da sitcom, que retrata uma turma de nerds que lida com as gostosas do pedaço. “Aproveitei a superbanda larga para baixar a terceira temporada completa”, diz Marques. “Temos um amigo que é igual ao Sheldon. O nerd assexuado”, brinca Tambara.
Dos seis mil acampados, poucos tinham o conforto do blogueiro Rodolfo Castrezana, de 39 anos. Ele foi o primeiro sorteado para dormir em uma barraca de madeira. Promoção de uma empresa, o local foi criado para dar conforto a algum visitante. Tem televisão, frigobar, ventilador e travesseiros com pluma de ganso. A desvantagem é que o sortudo só pode dormir ali por uma noite. No dia seguinte, outro campuseiro, sorteado pelo Twitter, assume o lugar.
Já estava indo embora quando encontrei com Éder Martins, de 27 anos, baixando músicas e jogando com o colega do lado. Seu monitor era tão grande que parecia uma televisão de LCD (ou melhor, era uma televisão de LCD). A paixão por computadores dele era tanta que ele investiu mais na máquina do que no próprio carro. Seu equipamento era o mais caro da feira, com um valor acima de R$18 mil. “Meu carro, um Apollo, 92, vale três vezes menos. Larguei ele estacionado aí em frente, mas não largo meu computador”, diz Martins. Dentro do CPU, ele conta com seis terabytes de HD, cinco placas de vídeos e uma infinidade de outros apetrechos praticamente capazes de colocar um foguete em órbita.
A grande estratégia de Mandela
‘Invictus’, dirigido por Clint Eastwood,
mostra que um líder se faz com também com boas ideias.
Por: Felipe Branco Cruz
A seleção de rugby da África do Sul, também chamada de Springbooks, conquistou em 1995 um feito histórico, quase impossível. Venceu a seleção da Nova Zelândia, a All Blacks, considerada imbatível, na final da Copa do Mundo, realizada no país africano. Seria algo como se a seleção da Eslováquia vencesse o Brasil na final da Copa do Mundo da Fifa. É sobre essa conquista que trata o filme Invictus, que estreia hoje, dirigido por Clint Eastwood, com Morgan Freeman interpretando o presidente Nelson Mandela.
Na época, a situação política do país era bem diferente da atual. Madiba (nome tribal de Mandela), tinha a dura missão de unir um país que, por anos, se manteve separado pelo regime do Apartheid, com discriminação racial constitucionalizada. Se um branco estuprasse uma negra, ele só pagaria uma multa. Se fosse o contrário, o negro seria condenado à morte. Enquanto isso, nos esportes, o futebol era dos negros e o rugby, dos brancos.
Mais do que retratar a conquista da Copa do Mundo, o longa mostra como Madiba conseguiu unir o país por meio do rugby. Ao perceber que uma das primeiras providências do Ministério dos Esportes, em retaliação aos brancos, seria dissolver o Springbooks, um dos ícones da segregação, o presidente resolveu intervir. Vendo no fato um caso político, o carismático presidente aproveitou que o país sediaria a Copa do Mundo, da qual os Springbooks eram os piores, para buscar a união. Para isso, Mandela demonstrou publicamente seu apoio e incentivou a seleção.
Nos 30 anos em que esteve preso em Robben Island, de 1962 até 1992, para se manter são, Mandela recitava o poema Invictuous, escrito em 1875, por William Ernest Henley (daí o título do longa). Para incentivar a seleção sul-africana, o presidente convocou o capitão do time, François Pienaar (Matt Damon), ao palácio presidencial, em Pretória, onde lhe entregou uma cópia do poema, que traz versos como “Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma”. Na época, o abismo social entre brancos e negros era tanto que quando iam ao estádio, os negros torciam contra o Springbooks.
Adaptado do livro Conquistando o Inimigo, do jornalista britânico John Carlin, o longa mostra um Nelson Mandela herói. Uma espécie de entidade salvadora dos negros. Assim como o filme Lula, o Filho do Brasil, defeitos de Mandela são amenizados, como a sua relação conturbada com a família.
Por outro lado, a parceria entre o Eastwood e Freeman, mais uma vez, se mostra certeira. Em 2004, quando atuaram juntos em Menina de Ouro, o resultado foram quatro prêmios Oscar, para melhor filme, diretor (Clint Eastwood), atriz e ator coadjuvante (Morgan Freeman). A escolha para o papel de Mandela, no entanto, foi feita pelo próprio ex-presidente. O ator guarda uma história de cumplicidade com Madiba. Em entrevistas a jornais estrangeiros, Freeman declarou que o presidente, pessoalmente, pediu para que ele o interpretasse.
Aos não conhecedores de rugby, o filme ainda dá uma pequena explicação sobre as regras: o time deve levar a bola até o final do campo adversário, mas não pode passá-la para o atleta que está à sua frente, somente para quem está ao lado ou atrás. O resto é tática e muita porrada.
Matt Damon, apesar de ter um papel de destaque, é ofuscado pela atuação de Freeman. Em cena, ele parece tão distante de um sul-africano quanto um cidadão suíço possa parecer.
Sorrir sem ficar de fogo
Teste cego, bolsa de valores, drinques.
Bares ‘brincam’ com jeitos de tomar cerveja
Por: Felipe Branco Cruz
Bons amigos à mesa e várias cervejas geladas. Uma receita simples e eficiente. Há, no entanto, outras formas mais criativas de se relacionar e consumir uma das bebidas favoritas dos brasileiros. As opções variam de uma singela brincadeira do teste cego, aquele em que se bebe de olhos vendados para tentar descobrir a marca só pelo sabor, a complicados cálculos que transformam o cardápio do boteco em uma verdadeira bolsa de valores. Casas que querem atrair bons bebedores não param de inventar moda.
A estratégia do teste às escuras começou como brincadeira antes de chegar às mesas do restaurante Tacos Mex & Co, no Itaim Bibi. “Meus amigos se acham entendidos em cerveja e vinho. Então, eu fiz um teste cego em casa. Ninguém acertou nada. Eles não souberam distinguir Skol de Brahma”, diz o proprietário Gustavo de Carvalho Lopes.
Qualquer grupo animado que estiver no Tacos pode ser convidado a participar do teste. Se alguém da mesa acertar o rótulo de todas as cervejas servidas, a turma ganha uma garrafa. “Pergunto se eles vão beber pelo menos seis cervejas. Se sim, retiro os rótulos da garrafa e sirvo.” A brincadeira fica apenas nas brasileiras Skol, Brahma, Itaipava, Itaipava Premium, Bohemia e Serramalte. “Mesmo assim, só 50% acerta”, calcula. Um dos segredos do proprietário é servir a bebida ‘estupidamente gelada’. “Assim, vou agradar ao cliente que vai beber a cerveja abaixo de zero. Mas o que poucos sabem é que quanto mais gelada, mais difícil é de distinguir o sabor.”
No Wall Street Bar, do Jardim Europa, a brincadeira muda. Ali se dá bem o cliente que escolher, no momento do pedido, qual marca está com a cotação em alta ou em baixa. Fernando José Nazário, de 26 anos, e outros sete sócios inauguraram o bar em dezembro, inspirados na Bolsa de Valores. O princípio é o mesmo do pregão: quando há muita procura, o preço da cerveja aumenta. Sem pedidos, ele cai. Uma cerveja que não está sendo pedida naquele momento pode custar até 70% mais barata. As que estiverem sendo muito pedidas, no entanto, chegam a encarecer em até 200%.
O local não é só frequentado por empresários ou corretores da Bolsa. Para o futuro, Mello pretende incrementar ainda mais a brincadeira e criar a Bolsa de Futuros. O cliente poderá apostar quanto custará a cerveja daqui a uma hora. Se acertar, paga o preço dela. Se errar, tem de pagar o valor da cotação no momento.
No Bar do Santa, na Vila Madalena, a bebida assume o papel de coadjuvante. “Brasileiro está acostumado a fazer drinques com destilados, mas a cerveja também é ótima para isso”, diz uma das proprietárias, a chef Daniele Chamecki, sócia de Leandro Cardoso e Maurício Laranjeiras.
Inspirados em drinques franceses e alemães, eles introduziram no cardápio o Shandy e o Submarino. O primeiro é composto de soda limonada, chope e gelo e o segundo, uma mistura de Steinheager com chope. A chef, no entanto, é responsável pela elaboração de outros dois drinques, o Beja Gold (tequila, suco de limão e chope) e o Black Velvet (com champanhe e chope escuro). “Os puristas podem até chiar, mas se eles experimentarem, irão gostar”, diz ela. Independentemente da receita ou do motivo, o que sempre vai importar é a companhia de bons amigos e, claro, cerveja, seja ela qual for.
A (não tão) doce história da mãe da Barbie
Publicado hoje no Jornal da Tarde
Livro narra a trajetória de Ruth Handler, criadora da boneca que foi afastada da própria empresa
Por: Felipe Cruz
Há 51 anos, a americana Ruth Handler, décima filha de imigrantes judeus poloneses, percebeu que “as meninas pequenas só querem ser garotas maiores” e criou a boneca Barbie. As bonecas que existiam até então eram simples imitações de bebês. Barbie era diferente. Ela poderia ser qualquer coisa: ginasta, atleta olímpica, candidata à presidência, sereia, princesa, etc. Hoje, o brinquedo é vendido em mais de 150 países e sucesso incontestável de vendas.
A história de Barbie toda menina conhece. Ainda desconhecida era a história da criadora da boneca, agora contada nas páginas do livro Barbie & Ruth, escrito pela biógrafa Robin Gerber. “Ruth foi uma mulher à frente de seu tempo”, diz Robin, por telefone, ao JT. “Ela criou um ícone.”
A história de Ruth é bem mais trágica do que sua boneca loira sugere. Empresária agressiva, ela fundou a Mattel, uma das maiores fabricantes do mundo. Na década de 70, Ruth e seu marido perderam o controle da companhia e foram afastados. Anos depois, a criadora de Barbie descobriu que tinha um tumor, teve uma das mamas extraídas e, por fim, acabou morrendo de câncer em 2002.
A boneca, segundo a autora, teria sido criada por Ruth com inspiração em sua filha, Barbara. O namorado da boneca também veio de fonte familiar, e foi batizado com o nome de seu filho morto em 1994, Ken. “É uma ironia. Os meninos sempre mexeram com as meninas dizendo que o Ken era gay. E de fato ele era. Apesar de, na vida real, ele ter sido casado e ter tido filhos, ele foi um gay enrustido”, garante a autora. O Ken real morreu de aids e só assumiu para a mãe que era homossexual pouco antes de morrer. “Ele nunca saiu do armário.”
Detalhes como esses são descritos no livro, que detalha ainda a luta de Ruth contra o câncer e a disputa judicial que a retirou do controle da Mattel.
Visões Sobre o Fim do Mundo
Publicado hoje no Jornal da Tarde
Por: Felipe Cruz
Previsões catastróficas garantem: o fim está próximo. Aos crentes nesta teoria, resta saber como e quando ela se concretizará. É esta dúvida que a série O Efeito Nostradamus, que estreia hoje, às 21h, no canal por assinatura The History Channel, pretende responder. Um dos grandes indícios de que o mundo está prestes a acabar é o súbito encerramento do calendário Maia, em 2012. O ano também coincide com uma série de previsões apocalípticas estudadas por pesquisadores dedicados a descobrir evidências em eventos passados feitos por famosos profetas.
Entre eles estão Michel de Nostradamus (que teria morrido em 1566), além de outros, como Leonardo da Vinci (1452 – 1519). A série, que terá 12 capítulos, também estudará escritos como os deixados pela civilização Maia e até mesmo a Bíblia, no livro do Apocalipse. Em comum, todas essas profecias afirmam que o Apocalipse, se não acontecer em 2012, será neste século. Aquecimento global, guerras e desastres estão entre os indícios de que o fim seria iminente.
John Hogue, um dos maiores especialistas em Nostradamus do mundo, é um dos entrevistados da série. Por telefone, ao JT, ele afirma que não acredita que o calendário Maia tenha previsto uma hecatombe mundial. “Não tem nada de equivocado com o calendário. Os Maias simplesmente faziam um calendário novo a cada cinco mil anos”, diz. A despeito de catástrofes naturais no Haiti, enchentes e guerras, Hogue garante que Nostradamus não previu nada para 2010 nem para 2012. “O grande ano será 2020. Será uma data importante. Será o ano em que a civilização cairá no caos”, afirma.
O capítulo que vai ao ar hoje não tratará de Nostradamus e sim das previsões de Leonardo da Vinci. Gênio da pintura, cientista brilhante, filósofo e médico, da Vinci pode também ter sido um profeta, deixando registros subliminares em pinturas e diários. São atribuídas a ele descrições de inundações que alguns afirmam ser do furacão Katrina, de 2005, feita quase 500 anos antes. “Homens, mulheres e crianças, aterrorizadas pela fúria dos ventos, foram misturadas a jangadas e outros artifícios sobre as águas e ao redor do corpos afogados”, teria escrito ele. O capítulo analisa ainda as pinturas Monalisa, São João Batista e A Virgem e o Menino com Santa Ana, que supostamente contêm mensagens subliminares sobre como a humanidade irá sucumbir.
A Igreja Católica também tem menções ao final dos tempos. Escrito há quase dois mil anos, o livro do Apocalipse, inserido na Bíblia, afirma que por um período de sete anos o planeta será assolado por morte e destruição sem precedentes e que, por estes anos, o anticristo desceria à Terra. Muitos irão sofrer, mas outros (os verdadeiros crentes, segundo a Bíblia) serão salvos. Sobre essa aterrorizante previsão, a série dedica dois capítulos, que vão ao ar nos dias 14 e 21 de fevereiro.
A Nostradamus é dado o crédito de ter previsto grandes desastres naturais, guerras e epidemias. Seu prognóstico mais famoso diz respeito à chegada dos três cavaleiros do Apocalipse. O primeiro seria Napoleão Bonaparte; o segundo, Adolf Hitler. O terceiro, quando vier, seria para acabar de vez com a humanidade. É a este tema que o segundo capítulo da série será dedicado. Vai ao ar no dia 31 de janeiro. Na semana seguinte, o especial analisará o calendário Maia, encerrado abruptamente no dia 21 de dezembro de 2012, data que coincide com um raro alinhamento galáctico que só ocorre uma vez a cada 26 mil anos.
É a mesma temática catastrófica que defende 2012, do diretor Roland Emmerich, ainda em cartaz nos cinemas. O filme mostra que a humanidade foi alertada pelos Maias e que agora é tarde. Depois de 2012, mostra o longa, não sobra nada para contar história. O diretor, mestre em produções calamitosas como Independence Day, de 1996, e O Dia Depois de Amanhã, de 2004, agora não deixa de pé nem o Cristo Redentor.
Mas por que existe esse interesse tão grande das pessoas por saber se o mundo vai mesmo acabar? Hogue responde. “Todos temos essa curiosidade. Queremos saber quem cruzou a esquina e o que nossos vizinhos fazem. Do mesmo jeito, queremos saber do futuro. Profecias são importantes porque apontam o que vai acontecer no futuro, mas elas não são definitivas”, diz ele.
Para Hogue nada está escrito em pedra. “Temos duas opções. Se seguirmos por tal caminho, vai acontecer o que disse a profecia. Se mudarmos de rumo, podemos nos salvar do fim do mundo. O que realmente importa é o que acontece agora”, completa. Há algo, no entanto, que Hogue, como estudioso de Nostradamus, não sabe afirmar. “Não há nada nos escritos de Nostradamus mostrando se a Seleção Brasileira de futebol será campeã da Copa do Mundo de 2010. O que nós podemos fazer é apenas torcer.”
Casal sobrevive a deslizamento
Matéria publicada hoje no Jornal da Tarde
Por: Felipe Cruz
A noite prometia. O comerciante Fábio Costa Madeira, de 34 anos, conheceu na madrugada de ontem uma mulher na balada e a convenceu a conhecer sua casa, onde mora há quatro anos, na Rua Santo Egídio, n. 1001 (fundos), no bairro de classe média Santa Teresinha, zona norte. Por volta das 7h da manhã, o casal começou a ouvir estalos e sentiu o chão ceder.
“Só deu tempo de vestir a calça. Perdi documentos, eletrodomésticos, enfim, tudo”, diz ele. O muro de contenção, recentemente construído em uma obra no terreno vizinho, no número 989, cedeu e “sugou” a casa. A mulher foi levada em estado de choque para a AMA do Sítio Mandaqui. Eles não se feriram. “Escapei de morrer por pouco”, lembra. Eles ficaram presos na estreita faixa de terra que sobrou e foram resgatados pelos bombeiros.
O imóvel onde ele morava era alugado e pertencia à vizinha, a microempresária Alice Correa, de 59 anos, que também teve a casa interditada. “Ainda não sei para onde vou. Estou sem casa e trabalho, já que a minha pizzaria também foi interditada”, conta Alice.
Segundo o subprefeito de Santana/Tucuruvi, Hélio Rubens Figueiredo, aparentemente a empreiteira tinha autorização para construir no local. “O alvará deles (nº 2005/34998) está registrado na prefeitura. Temos de confirmar se está OK”, explica. O deslizamento encobriu uma retroescavadeira e ocorreu poucas horas antes de os operários começarem a trabalhar. No terreno será erguido um prédio residencial. O engenheiro responsável pela construção, Francisco Pucci Silva, garantiu que tem autorização para a obra. Sem explicar os motivos do deslizamento, Silva limitou-se a dizer que o muro de contenção que desabou “faz parte do processo construtivo da obra”. Os responsáveis pelo empreendimento informaram que encaminharão as vítimas para um hotel.
Vendedor de Picolé do Ceará
O Nordeste produz as melhores figuras. Muito engraçado.
A patricinha haitiana que sobreviveu ao terremoto e se tornou desabrigada
por Gustavo ChacraMensy Desfeignes estava perdida no meio de uma multidão de haitianos na fila para conseguir água e alimentos no estádio nacional de Porto Príncipe. Vestia apenas uma blusa cor de rosa e uma calça jeans no campo controlado por militares brasileiros que trabalhavam conjuntamente com os americanos na distribuição de ajuda humanitária para os afetados no terremoto. Seria uma patricinha (no sentido de arrumada, nao de alienada) de São Paulo. Quer dizer, não chega a ser uma patricinha dos Jardins, do clube Harmonia ou da academia Reebok. Seria mais de um bairro de classe média, como Santana ou Interlagos. No Rio, seria da Tijuca, não do Leblon.
Vivia bem, com os pais. Tinha um celular, mas não um Iphone. Tinha um computador que dividia com o restante da família. E uma TV. Talvez até fosse fã de Friends. De longe, me observou e perguntou se eu falava inglês. Em seguida, começou a contar a sua história. “Eu estou sendo tratada como cachorro. Não era para estar aqui, nesta fila, morando neste estádio, implorando por comida e água”, disse. Seu pai, segundo ela, é um conceituado artista plástico, mas todas as suas obras foram perdidas nos escombros. Sua mãe, também na fila com o irmãozinho, possuía um restaurante, que desmoronou no terremoto.
Mensy, que pede para ser chamada de Kym, seu apelido, disse que iria começar a estudar medicina. Seu sonho era ir morar com a irmã, Gaele, que é enfermeira em Nova York. Até agora, não conseguiu falar com ela. Eu me comprometi a tentar ligar quando voltasse a Nova York, já que meu celular não funciona bem aqui em Porto Príncipe. Enquanto conversávamos, ela era esmagada algumas vezes na fila que se prolongava em forma de zigue-zague no estádio de grama artificial que a seleção brasileira derrotou o Haiti por 6 a 0. Fluente em francês, creole e espanhol, além do inglês, ela diz que havia começado a estudar italiano para ter uma boa educação. “É a única coisa que poderá me ajudar no futuro. Mas estou com medo de ficar aqui para sempre, nunca mais ter minhas roupas, minhas fotos, minhas coisas, que estão no meio dos escombros. Agora, só tenho o que está naquela tenda”, me disse. Não queria tirar foto, porque achava que estava feia, sem poder se arrumar há alguns dias. Na verdade, desde antes do terremoto. No campo, que virou abrigo de refugiados, não há banheiros. E foi difícil convence-la a posar para o fotógrafo do Estado (a foto está na edição impressa).
Na fila, também tinham algumas outras pessoas com curso universitário e que pertenciam à classe média-média de Porto Príncipe. Robensin Silier se formou em engenharia elétrica recentemente. Também preocupado com a aparência, colocava a camisa para dentro da calça. A empresa onde trabalhava não existe mais. Por sorte, ninguém de sua família morreu quando a casa desmoronou. Todos estavam fora. Agora, ele é mais um morador do estádio. “Eu tinha sonhos. Trabalhava na minha área, queria ter uma carreira. Esta ajuda humanitária apenas contribui para amenizar a situação. Mas não pretendo morar em um campo de futebol e ficar nesta fila para conseguir comida. Minha única esperança seria começar a trabalhar na reconstrução. O problema é que não deve começar tão cedo”, diz. “Dá desespero. O Haiti era pobre, mas não deste jeito. Eu vivia bem”.
Beaubeun e Berny trabalhavam em uma revista alternativa de Porto Príncipe, onde havia um universo artístico crescente antes do terremoto. O nome da publicação é Passion. O primeiro deles está com o braço quebrado. “Eu era jornalista como você, mas agora a revista acabou. Dez pessoas morreram na redação. Eram nossos amigos, as pessoas com quem estávamos todos os dias”, lamenta. O outro acrescenta que não tem idéia do que poderá fazer a partir de agora. Como outros na fila, eles insistiam para o repórter contar a história deles. Todos entendem que a ajuda chegou. “Mas vai acabar logo, sempre esquecem da gente”, diz Mensy, ou Kym. “E tome cuidado com o seu dinheiro. Daqui a pouco, vão querer te roubar. Também esconda o seu celular”.
O pior funk que já ouvi
Confiram o pior funk que já ouvi. E olha que ele tem grandes chances de ser um super sucesso. Perabah e Jair em Caracanta na Central. Péssimo.
Came Came Came Ra

Came Came Ra
Da série “Quando uma foto é mais que uma foto”
Máquina de fazer fila de dominós
Uma incrível máquina feita de peças de Lego para construir aquela fila de dominós
Tocando piano com iPhone
O cara toca a música de Yann Tiersen – Comptine D’un Autre Été: L’après Midi da trilha sonora do filme Fabuloso Destino de Amelie Poulain usando seis iPhones.
A Máquina Mais Inútil do Mundo
Seu Adolfo, 78 anos, agora é milionário
Publicado no Jornal da Tarde de hoje
Acabou o mistério: ganhador do prêmio da virada é jardineiro em Santa Rita
Por: FLÁVIA TAVARES, Enviada especial a Santa Rita
“Seu Adolfo? Nooossa, gente boa demais!”, disse a primeira pessoa. “Ali, noooossa, é gente muito simples, trabalhadora”, emendou outra. No bairro de Serra Pelada, em Santa Rita do Passa Quatro, a 260 quilômetros da capital paulista, o consenso é de que, se havia alguém que merecia ganhar a bolada da Mega Sena da Virada, era o seu Adolfo. O jardineiro e caseiro de 78 anos, casado com Ana, pai de 13 filhos (dois já morreram), avô de uns 30 nas contas da vizinhança e bisavô de outros 20, é querido e conhecido tanto quanto um senhor humilde e batalhador pode ser numa cidade de 30 mil habitantes.
Tanto que não foi uma conhecida só que lacrimejou ao falar do orgulho de ver essa família ficar milionária da noite do dia 31 para o primeiro dia de 2010. “Até chorei no portão, pensando na saudade que vou sentir”, disse Rosa, uma das vizinhas mais chegadas e que, segundo a boataria, teria recebido uma ligação de Patrícia, a caçula de Adolfo, pedindo que esvaziasse a geladeira para a comida não estragar.
A cidade está tão alvoroçada por abrigar o mais novo ricaço do Brasil que até um rumor de que a casinha de três quartos e muro baixo da família teria sido saqueada se espalhou. Uma policial militar que não quis se identificar negou veementemente o crime. “É que o povo está assustado. Hoje mesmo é a quinta vez que eu venho aqui por causa de denúncias desse tipo”, explicou, ressaltando que a cidade só tem uma viatura.
De fato, o movimento em frente à residência cor de tijolo tem sido intenso desde que Adolfo ficou famoso. Uma dessas vizinhas de cotovelos na janela até mencionou que um dos filhos do milionário é chegado numa cachaça e foi ele quem espalhou a novidade por Santa Rita. “Maledicência”, garantiu a outra comadre. Pelo sim, pelo não, a família do jardineiro mandou um parente retirar o Fusca amarelo da garagem, para que ninguém se assanhasse a roubar o carrinho que há tantos anos serve seu Adolfo.
Apavorado com o assédio, ele pegou a família e zarpou de Santa Rita. Há quem diga que ele está em Porto Ferreira, cidade vizinha, na casa de parentes. Outros afirmam que ele está num hotel fazenda em Ribeirão Preto. O que todo mundo sabe é que o sonho de Adolfo sempre foi comprar a fazenda de café onde foi criado e trabalhou como caseiro. “Eu encontrava ele na lotérica toda semana e ouvia: ‘Tá aqui meu joguinho pr’eu comprar a Santa Urbana’”, lembrou, com olhos marejados, Sônia, uma vendedora de Santa Rita.
A boca não tão miúda dos santa-ritenses dá conta de que os donos da Santa Urbana pediram R$ 4 milhões. E Adolfo teria oferecido R$ 5 milhões. “O negócio já está fechado”, afirmou categórico o comerciante Fernando Missiato, para quem Adolfo já jardinou. Aliás, Missiato sentiu na pele o que é ser Adolfo por dois dias. Por algum motivo, espalhou-se na cidade que o comerciante era o ganhador dos R$ 72 milhões da Mega. “Foi repórter na minha casa, teve gente pedindo dinheiro, teve gente que até ameaçou minha mãe.”
O próprio Adolfo ligou para uma assessora do prefeito para confirmar que era ele mesmo o novo milionário. “Estamos preocupados, porque a família é grande e não está acostumada com tanto dinheiro. Queremos que tenham uma boa orientação ”, disse Agenor Mauro Zorzi, prefeito de Santa Rita, cidade de R$ 49 milhões de orçamento para 2010.
Se depender dos hábitos de Adolfo e sua mulher, não haverá muita extravagância. Os dois sempre gostaram de se sentar nas cadeiras de arame em frente à casa e papear com os vizinhos. O jardineiro da Rua das Orquídeas, na memória dos conhecidos, vai ser sempre o senhorzinho “nooooossa, gente boa demais”.
Feliz 2010, Boris Casoy
Por: Fernando Gallo, publicado originalmente no blog Miradouro
Boris Casoy acha “uma merda” que dois garis, “do alto de suas vassouras”, desejem um feliz 2010 para os telespectadores da Band. Eu, em compensação, acho lamentável que Boris Casoy apresente telejornais.
Certa feita, quando ainda não era um jornalista decadente, Boris Casoy perguntou ao senador Eduardo Suplicy, quando mediava um debate eleitoral, qual era o preço do pão francês, deixando o então candidato desconcertado: certamente Suplicy não ia à padaria havia muito; algum serviçal dos Matarazzo o fazia. Pergunto agora a Boris Casoy, com a condição de que a resposta seja de bate-pronto: quanto ganha um gari na cidade de São Paulo? O que é possível fazer com esse salário?
A palavra “humilhação” define bem o que Boris Casoy fez no último dia do ano, ao vivo, em rede nacional, e isso já é mais do que suficiente para classificar o ocorrido. Mas eu gostaria de chamar a atenção para um detalhe: a descortesia. Não foram os garis que procuraram a emissora em que Boris Casoy trabalha para desejar aos telespectadores um feliz ano novo. Ao contrário: foi a Band que entregou o microfone para que isso acontecesse.
De maneira que eu posso entender que Boris Casoy não apenas humilhou os garis, como desmereceu o trabalho da chefia que pensou a pauta, da equipe de reportagem que foi até eles, e da equipe de edição que editou a escalada do jornal. Feliz do operador de áudio que o desmascarou, ainda que acidentalmente, ainda que possivelmente a cabeça dele já tenha rolado de maneira sanguinolenta pelos corredores da emissora, quando em verdade a cabeça que deveria estar a prêmio era outra.
Em tempo: há que se levar em conta, evidentemente, o desrespeito à maior parte da audiência, milhões de telespectadores cujo salário se aproxima mais do dos garis do que do de Boris Casoy. Podiam ter entrado o ano sem essa.
A chamada “gafe” de Boris Casoy é muito mais do que uma simples gafe. É fruto e produto de nossa história e de nossa cultura elitista, de uma minoria economicamente dominante que subjuga as classes mais pobres. A “gafe” de Boris Casoy não é um simples ato falho dele e do operador de áudio: é a representação mais perfeita do que pensam as classes endinheiradas deste país.
Minha sugestão: uma desculpa esfarrapada de breves palavras no jornal do dia seguinte não é o bastante. Faça no Jornal da Band, Boris Casoy, ou no seu Jornal da Noite, uma série de reportagens sobre como vivem os garis: quem são? Quantos são? Quanto ganham? Como trabalham? Onde vivem? Como são tratados pela população? O que pensam sobre o que os governos (municipal, estadual, federal) fazem por eles?
Ou então se aposente. E dê lugar para cabeças mais arejadas e menos preconceituosas. Feliz 2010.
Prêmio Darwin 2009
Ladrões de banco que se explodiram em roubo ganham prêmio satírico
Dois ladrões de banco que se explodiram ao tentar abrir um caixa eletrônico com dinamite na Bélgica foram anunciados como os vencedores do Prêmio Darwin de 2009.
O prêmio satírico escolhe as histórias de mortes mais estúpidas do ano para, segundo os organizadores, homenagear “aqueles que melhoram as espécies… ao acidentalmente se retirar dela”.
Segundo o relato publicado no site da premiação, os ladrões provavelmente exageraram na quantidade de explosivos durante a tentativa de roubo ao caixa eletrônico da cidade belga de Dinant e acabaram explodindo o prédio inteiro do banco.
Quando a polícia chegou ao local, encontrou um dos ladrões gravemente ferido. Ele foi levado ao hospital, mas acabou morrendo logo depois.
O corpo do cúmplice só foi encontrado 12 horas depois, sob os escombros da explosão.
Queda de ponte
Os dois ladrões superaram na premiação a história de um homem americano de 30 anos que parou o carro em uma estrada congestionada na Flórida para procurar um lugar com certa privacidade para urinar.
Mas ele saltou uma mureta sem perceber que estava sobre uma ponte e acabou morrendo após uma queda de 20 metros sobre a pista debaixo.
O terceiro lugar ficou com uma americana da Carolina do Norte que entrou em uma enchente com sua bicicleta motorizada, apesar das advertências, e caiu em um rio.
Ela foi resgatada pela polícia, mas escapou do controle policial para pular de volta no rio para tentar recuperar sua bicicleta e acabou desaparecendo na correnteza.
Entre os demais finalistas da última edição do prêmio está um homem do Estado de Minnesota que morreu após tentar forjar um acidente de carro para poder ser hospitalizado e receber analgésicos controlados.
Outro finalista foi um ladrão de 23 anos na Carolina do Sul que morreu após inalar gases tóxicos da tinta dourada que usou para cobrir seu rosto durante um assalto. Mesmo se tivesse sobrevivido, o ladrão teria encontrado problemas, já que mesmo com a tinta no rosto ele foi reconhecido.
Em 2008, o vencedor do Prêmio Darwin foi o padre brasileiro Adelir de Carli, que morreu após levantar vôo em uma cadeira puxada por mil balões de hélio em Paranaguá e se perder em um temporal, em abril daquele ano.
Bitoca no Nariz

Bitoca no Nariz
Da série “Quando uma foto é mais que uma foto”
Viva 2010!

Viva 2010!
Da série “Quando uma foto é mais que uma foto”
Pé na Bunda de 2009

Pé na Bunda de 2009
Da série “Quando uma foto é mais que uma foto”
O anjo e o guarda

O anjo e o guarda
Da série “Quando uma foto é mais que uma foto”
Em homenagem à minha estadia em Barra Mansa
Letra da música Simplicidade, do Pato Fu, que escutei ontem. Combina com a pacata e aprazível Barra Mansa.
Simplicidade
(Pato Fu)Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom diaMais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorrisoBusquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegriaCafé tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia
Avatar
James Cameron e o Apocalipse Na´Vi
14/12/2009
Por: Érico Borgo
Quase uma década sendo criado. Mais de 400 milhões de dólares consumidos entre orçamento de produção, pesquisa e desenvolvimento de tecnologia e marketing. O primeiro longa-metragem de ficção do “Rei do Mundo” desde o campeão imbatível de bilheteria Titanic (1997). Tudo o que cerca Avatar (2009) é superlativo.
A história do cinema, todavia, já provou mais de uma dezena de vezes que nem tudo o que reluz é ouro (ou unobtainium, pra ficar na terminologia do filme). Grandes produções megalomaníacas despencaram perante o teste do público. Avatar, por sua vez, consegue se estabelecer como um triunfo visual e de design.
O diretor, roteirista e produtor James Cameron entrega um produto à altura de toda a expectativa criada. Pandora, o mundo alienígena que ele imaginou, respira nas telas. Cada planta, cada criatura, cada ecossistema parecem reais, como se desenvolvidos por botânicos ou geneticistas. O nível de detalhes (prepare-se para espantar mosquitos da tela) é embasbacante, impossível de ser absorvido em apenas uma visita. Já os Na´Vi, a raça inteligente do lugar, são organizados em uma sociedade que parece um amálgama de todas as grandes civilizações indígenas da Terra. Conceitos de energia e religião consagrados da ficção científica também encontram espaço importante: Pandora tem sua própria “Força”, que ganha aqui uma qualidade tátil interessante através de conexões físicas – um tema, não por acaso, recorrente a todo Avatar. Já tudo o que se refere aos humanos (design, motivações, etc.) é conhecido e testado (inclusive pelo próprio Cameron em Aliens – O Resgate), equilibrando a estranheza Na´Vi.
Esse acesso narrativo é parte do pacote. A história é conhecida e os personagens, arquetípicos. Tudo entregue já pré-digerido e sem surpresas. O foco é mesmo no deslumbramento visual. Para cada diálogo clichê (você sabe que ouvirá um discurso a la Henrique V desde a bombonière) há milhares de detalhes gráficos. Nem sempre relevantes à trama, claro, mas todos importantes para o estabelecimento de Pandora como um organismo vivo.
Quando entende-se isso – e não demora muito – a ligação emocional com o mundo e seus personagens alcança algo raro no cinemão blockbuster. Cada Na´Vi, planta ou criatura duramente atingidos pela ganância do “povo do céu” são sentidos nas batalhas desse verdadeiro Apocalipse Na´Vi. Como exercício crítico, compare isso com outra fantasia high-tech recente, a de Michael Bay e seu sem-fim de robôs que caem como moscas sem qualquer relevância. A distância entre os dois filmes não poderia ser mais abissal. Vale mencionar também que Cameron conduz a ação com mão segura: acompanha cada personagem, cria cada arco em meio ao caos, e sabemos exatamente o que está acontecendo, onde e com quem. O volume absurdo de elementos em tela nunca se sobrepõe aos personagens e seus dramas, nem mesmo no colossal embate do clímax.
O investimento no 3-D estereoscópico auxilia nesse resultado. Com uma profundidade espacial jamais vista no cinema, Avatar tem espaço de sobra para destacar personagens e situações de qualquer coisa que esteja acontecendo nos outros planos. Certos quadros, aliás, são vertiginosos. Cameron sabe muito bem o que obteve e não esconde o jogo: a primeira cena do filme já foi pensada para literalmente ampliar os horizontes da plateia. Nela, Jake Sully (Sam Worthington), fuzileiro naval paraplégico, desperta de sua animação suspensa depois de cinco anos em viagem da Terra a Pandora. Do confinamento de sua cápsula, somos lançados ao interior de uma nave espacial imensa. É o jeito de Cameron dizer que chegou a hora do cinema abandonar certos confortos…
É curioso notar como o cineasta passou uma década mergulhado em seu projeto e ele surja ainda tão inovador, à frente de seu tempo. Era de se esperar que qualquer coisa que demorasse tanto para ficar pronta nascesse um tanto datada – tanto que era essa a aposta de muita gente para Avatar (inclusive a minha, confesso). No entanto, as câmeras e a tecnologia de performance criadas do zero por Cameron são tão impressionantes que é literalmente impossível distinguir o que é real do que é modelo criado por computador. As cenas em que humanos e Na´Vi dividem as telas, por exemplo, desafiam qualquer percepção. Pequenos momentos, como a mordida de Jake numa fruta alienígena, emocionam tanto quando passagens criadas para tanto – e ainda assim o filme consegue guardar sequências ainda mais impressionantes para o final (a lágrima de Neytiri é real, só pode ser!)
Mas, obviamente, nada que a tecnologia tivesse conseguido alcançar sozinha. É excepcional o trabalho de preparação de atores. Worthington convence tanto quanto paraplégico alquebrado como guerreiro falastrão. Já Zoë Saldana fala pouco em inglês carregado de sotaque – mas a tecnologia se encarrega de transferir sua interpretação de nativa orgulhosa para o corpo de pixels. Enquanto isso, o Coronel Quaritch (Stephen Lang) – que tem sua própria extensão física – já se estabelece como um dos melhores vilões do cinema recente. Os avatares estão dentro e por trás das telas e as emblemáticas conexões, sejam elas físicas ou narrativas, funcionam além das expectativas e em todos os níveis.
Com Avatar, James Cameron deixa de ser Rei de um Mundo para se tornar Deus de seu próprio planeta. Só nos resta imaginar agora o que vem a seguir…
Haduken!

Haduken
Da série “Quando uma foto é mais que uma foto”
Flamengo Hexacampeão!
Enquanto no Rio de Janeiro os cariocas gritavam Hexacampeão, em Recife, Pernambuco, a manchete dos jornais foi clara: Flamengo Penta Campeão. Isso porque o Sport, de Recife, reivindica o título de Campeão Brasileiro de 1987. Neste ano, o Flamengo venceu o módulo Verde, que reunia os melhores clubes brasileiros e se recusou a enfrentar o Sport, vencedor do Módulo Amarelo. A CBF reconhece o Sport como campeão brasileiro e, no folclore futebolístico, os dois times dividem o título brasileiro de 87.
No texto do jornal de hoje, lá de Pernambuco, eles nem questionam a decisão. Simplesmente falam do jogo, como se realmente o Flamengo fosse penta. Repito, não há no texto qualquer referência a vitória do Flamengo em 87.
O texto completo deles aqui - Para não dizer que não falam nada, no Blog do jornal eles comentam o assunto.
Biquini Cavadão
Por: Felipe Cruz
O Biquini Cavadão, formado em 1983, marcou a década de 80 com hits como Vento Ventania e Tédio, assim como Titãs, Nenhum de Nós, Legião Urbana, Capital Inicial, Ultrage a Rigor e Ira! também fazem parte desse universo. Hoje, no ginásio do Clube Juventus, na Rua Javari, na Mooca, eles irão reviver a década com o novo show onde interpretam sucessos de diversas bandas surgidas há quase 30 anos. Hits como Inútil, Índios, Astronauta de Mármore e Endereço na Cidade estarão no set list.
O show é um desdobramento do Projeto 80. Tanto que o último DVD da banda 80 – Vol. 2: Ao Vivo no Circo Voador, só traz sucessos daquela década. Mas o vocalista Bruno Gouveia garante que canções recentes da banda também serão tocados. Além dos hits oitentistas, estarão presentes Janaína, Dani, Quanto Tempo Demora Um Mês e Em Algum Lugar do Tempo. “O público que vai aos nossos shows quer ouvir os sucessos, mas é normal quando lançamos discos novos focarmos no trabalho mais recente. O projeto dos anos 80 foi gravado no ano passado e já passamos por mais de 100 cidades com ele”, diz.
Gouveia destaca que a homenagem a década de 80 não é saudosista. “É quase um projeto paralelo do Biquini. Damos nossa interpretação para essas canções. Mas é claro que nossa carreira é voltada para composições autorais”. Da gravação do DVD participaram artistas que surgiram da década de 90 como Tico Santa Cruz, Claudia Leitte e o Hudson (da dupla Edson e Hudson). “São pessoas que cresceram curtindo o rock dos anos 80”, garante.
Flamenguista, Gouveia quer evitar pensar em futebol antes do jogo de amanhã, contra o Grêmio, que decidirá o campeão brasileiro. Mas faz um paralelo entre shows de música em estádio e jogos de futebol. “Ao final do show, todo mundo sai feliz. No futebol, metade da torcida sairá chateada porque o time perdeu. Ou as duas, caso empate”.
Nicolas Krassic abrirá o show. “Eu conheço o som dele. É um francês radicado no Brasil. Tem uma proposta bem interessante. Já tocamos juntos”, lembra.
A parceria com novas bandas, aliás, está dando novo fôlego ao Biquini. “Estamos com novas músicas compostas para o próximo álbum. Uma delas é em parceria com Lucas Silveira, do Fresno, e se chamará Acordar pra sempre com você, ainda inédita”. A parceria com Lucas, quase vinte anos mais novo que Bruno começou em 2007 quando eles se encontraram em diversos festivais de música. “Em um deles conversamos bastante sobre o mercado musical independente”, diz. Em seguida Bruno cantou Uma Música, no show do Fresno, e Lucas Zé Ninguém, no show do Biquíni.





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