Do Irã, vem um forte candidato ao Oscar
Por Felipe Branco Cruz
Depois de levar o Urso de Ouro de melhor filme, no ano passado, em Berlim, e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro neste ano, o longa iraniano A Separação desponta como um dos favoritos ao Oscar de melhor filme estrangeiro, em cerimônia que será realizada em fevereiro. O título, dirigido por Asghar Farhadi, estreia hoje e traz uma dramática história sobre um casal que quer se separar, mas não consegue por causa das rigorosas leis do país.
Após ganhar notoriedade com esses dois importantes prêmios, o governo iraniano deu declarações de que é preciso “olhar esses festivais com discernimento”. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, os organizadores desses festivais dão “prêmios valiosos a filmes cujo tema central é a pobreza e as dificuldades de um povo”. “Isso não deveria fazer nossos artistas ignorarem os pontos positivos e as evidentes características de nossa nação a fim de ilustrar o tipo de coisa bem recebida pelos organizadores de tais festivais”, completou o porta-voz.
No enredo, Simin (interpretada por Leila Hatami) quer se separar de Nader (Peyman Moadi) para ir morar no exterior junto com a filha Termeh (Sarina Farhadi). Mas a mulher precisa que o marido autorize a viagem da filha. Além disso, uma mulher só pode viajar sozinha se for solteira. O marido aceita o divórcio, mas se recusa a permitir que filha viaje. Sem acordo, Simin continua casada, mas vai para a casa da mãe. Nader até cogita a possibilidade de se mudar com a mulher e a filha para o exterior, mas não naquele momento. Ele tem de ficar no país para cuidar do pai que sofre de Alzheimer.
Com a saída da mulher de casa, Nader contrata uma governanta para cuidar do pai. Sem nenhuma experiência, Razieh (Sareh Bayat), que é uma muçulmana muito devota, não conta para o marido que está trabalhando na casa de um homem recém-separado para cuidar de outro homem, mesmo que este seja um velho doente.
Com essa premissa, o diretor desenvolve uma trama que envolverá toda a família de Nader e a da nova empregada. Para piorar, a governanta só aceita o emprego para ajudar o marido, afundado em dívidas, e tem uma filha pequena que leva junto ao trabalho.
Uma cultura diferente
Ao encontrar o pai doente caído dentro de casa, Nader demite a empregada, que se recusa a sair de sua casa sem antes receber o pagamento. Ao ser empurrada para fora, Razieh cai da escada e vai parar no hospital, alegando que sofreu um aborto. Mas ninguém sabia que ela estava grávida. Para o marido dela, no entanto, o mais grave não foi o aborto e, sim, ela trabalhar na casa de um homem separado. Boa parte do filme se desenvolve em uma salinha improvisada dentro do fórum onde funciona um tribunal.
Para o público ocidental, pode ser difícil lidar com essa diferença de valores. Naquela cultura, para o homem, é mais importante que sua mulher não tenha contato com outro homem do que ser agredida. Mesmo quando o motivo seja trabalhar para auxiliar um ente familiar endividado. Vale destacar como o diretor encaminha a história e cria diversas tramas e subtramas a partir de um detalhe que parece absolutamente simples para nós, ocidentais: uma separação.
O resultado são ótimas atuações, um enredo realmente surpreendente e uma história que prende a atenção do espectador do início ao fim. Mesmo ambientado em um universo distante da cultura brasileira, baseado em leis islâmicas num país como o Irã, o filme, ainda assim, trata de questões que são perfeitamente compreendidas no Brasil.
Amor, separação, mentiras, intrigas, dinheiro, pobreza, enfim, temas bastante presentes em nossos filmes e novelas também permeiam esta produção. Sem se furtar de abordar ainda tópicos como religiosidade e política. Deve ter sido por isso que o filme conseguiu tanta repercussão pelo mundo – e despertado a preocupação do governo do Irã.
Espião tipo proletariado
Por Felipe Branco Cruz
Esqueça as armas ultramodernas, os carros chiques e as lindas mulheres que costumam povoar o imaginário quando se fala em agentes secretos ingleses. A história do espião George Smiley (interpretado por Gary Oldman), no filme O Espião Que Sabia Demais, que estreia hoje, é bem menos glamourosa do que o estereótipo popularizado por James Bond. Baseado no best-seller homônimo de John Le Carré, o longa conta com um excelente elenco. Além de Oldman, traz ainda Colin Firth, John Hurt, Toby Jones e Mark Strong. A direção ficou a cargo de Tomas Alfredson (do filme sueco Deixe Ela Entrar, de 2008).
As principais características das obras de Le Carré foram mantidas no filme. Entre elas, suas complexas e intricadas tramas, repletas de traições e espionagens ambientadas em tempos de Guerra Fria e praticamente sem nenhum recurso moderno para facilitar as coisas. Esqueça também qualquer comparação com o detetive Sherlock Holmes. Não há cenas de ação nem deduções baseadas em fatos ou observações do comportamento humano. Em O Espião Que Sabia Demais, o que vigora é a investigação pura e simples.
O filme se vale da expertise do autor da obra literária, agente aposentado do MI6, o serviço secreto britânico. Um de seus primeiros livros começou a ser escrito quando ele ainda era espião a serviço de Sua Majestade. E sua carreira na agência foi precocemente encerrada quando espiões da KGB revelaram a identidade de vários espiões ingleses. Daí, a verossimilhança com que as tramas fictícias são apresentadas em seus livros. Aliás, O Espião Que Sabia Demais é considerado pela crítica especializada um dos melhores livros sobre espionagem já escrito.
No longa, o espião George Smiley (Oldman) e seu chefe Control (John Hurt) são aposentados à força. Control desconfia que há espiões duplos infiltrados no Circo (forma como é chamada a alta cúpula do serviço secreto). Para isso, ele convoca George para investigar de fora quem poderia ser o traidor. Dentre os suspeitos, estão Bill Haydon (Colin Firth), Toby Esterhase (David Dencik), Roy Bland (Ciarán Hinds) e Percy Alleline (Toby Jones). A desconfiança de que há um traidor surge depois que uma missão sai fora do controle na Hungria e o espião Jim Prideaux (Mark Strong) leva um tiro. O que se vê, em seguida, são verdadeiros duelos travados – mais por meio de palavras do que por armas.
Ponto para a excelente reconstrução de época. Todos os cenários são basicamente cinzas, sem afetações. A impressão que se tem é de que sempre há uma certa névoa no ar, às vezes, causada pela fog londrina ou pelos incessantes cigarros fumados pelos personagens. Ternos de tweet desgastados pelo tempo, sapatos velhos e óculos quadrados fazem parte do figurino. Carros velhos, telefones de disco e escritórios fedendo a mofo completam esse cenário. Faz sentido, já que boa parte da trama é decidida em ambientes como esses e não em festas de luxo. O clima é melancólico. É como se os nerds do colégio resolvessem virar espiões.
Continuações
Gary Oldman, que deu vida ao ótimo Comissário Gordon em Batman – O Cavaleiro das Trevas, de 2008, pouco fala. Seus olhares, gestos e ações dizem mais do que simples diálogos. No exterior, o recepção do filme foi tão boa que já se fala em continuação. Segundo o jornal The Guardian, uma nova trama tendo o espião George Smiley como protagonista poderá ser feita em breve. E Gary Oldman deverá continuar ocupando o papel principal.
Uma coisa, no entanto, é certa. O Espião Que Sabia Demais não é um filme fácil de se assistir. Não espere por deduções óbvias, por grandes sacadas ou por um vilão estereotipado. Nada é o que realmente aparenta ser e, se o espectador não prestar atenção nos diálogos ou em detalhes sutis, poderá perder momentos decisivos da trama. O filme é um daqueles exemplos em que, caso decida assisti-lo de novo, certamente você terá outra reação. É possível que goste ainda mais do filme caso o assista uma segunda vez.
Invasão alienígena domina a Rússia
Por Felipe Branco Cruz
O ator americano Emile Hirsch, de 26 anos, já provou seu talento ao interpretar o difícil papel de Christopher McCandless, no filme Na Natureza Selvagem (2007). Na ocasião, ele perdeu 18 quilos para representar a fase mais complicada da jornada de McCandless no Alasca.
O ator participou de filmes como Milk – A Voz da Igualdade (2007), em que teve papel de destaque. Portanto é de surpreender que Hirsch tenha aceitado embarcar num projeto como A Hora da Escuridão, que estreia hoje, segundo filme autoral do diretor Chris Gorak, que se notabilizou pela direção de arte de Clube da Luta (1999).
O longa, que também será lançado em 3D, conta a história de dois investidores do mundo digital que vão buscar recursos na Rússia. Lá, eles conhecem duas garotas numa casa noturna. Nessa mesma noite, estranhas luzes descem do céu e, ao pousar na cidade, começam a desintegrar todas as pessoas. Obviamente, os jovens conseguem escapar e o que se vê é uma sucessão de sequências cinematográficas já amplamente exploradas em outros filmes sobre invasões alienígenas. Como, por exemplo, carros abandonados, cidade às moscas e lixo pelas ruas.
O roteiro é pobre e, por isso mesmo, que é de se estranhar o porquê de Emile Hirsch, um ator já tarimbado em filmes densos e bem-elaborados, tenha aceitado um papel tão bobo. Se ignorar que este é mais um filme sobre invasão alienígena e se deixar levar pela diversão simples e pura, certamente o espectador não sairá frustrado com os efeitos especiais, que são, sem sombra de dúvida, eletrizantes.
Aliás, é aí que reside a maior qualidade do longa. Os aliens são invisíveis, portanto o diretor teve de se desdobrar para criar momentos de tensão e perseguições a seres que não podem ser vistos. Algumas dessas imagens lembram daquelas já vistas em O Predador (1987), cujo vilão também é invisível. O alien de A Hora da Escuridão é composto praticamente de energia e é mais fácil localizá-lo à noite, pois a energia do monstrengo acende as lâmpadas dos postes, os alarmes dos carros etc.
Apesar de ser uma invasão global, o filme acompanha essa devastação apenas pelos olhos dos protagonistas. Ficamos sabendo aos poucos que a destruição chegou a grandes cidades, como Nova York, Londres e Paris. Por serem formados basicamente de energia, a princípio parece ser praticamente impossível destruir os aliens. Aos poucos, no entanto, os sobreviventes vão descobrindo maneiras de utilizar essa energia contra os invasores.
A Hora da Escuridão não se trata de um primor cinematográfico, com grandes sacadas. O longa nem pretende reinventar os filmes de alienígenas. Mas consegue, no entanto, divertir e fazer valer o ingresso.
Sherlock Holmes, o retorno
Por Felipe Branco Cruz
Rio de Janeiro
O clima noir da velha, suja e cinzenta Londres continua o mesmo no segundo filme de um dos detetives mais famosos do mundo: Sherlock Holmes. A direção também é a mesma, a cargo do ex-marido da Madonna, o inglês Guy Ritchie. Detalhes que deram certo no primeiro filme também foram mantidos, como o sarcasmo, as excelentes cenas de luta e os efeitos especiais, assim como a dupla central, que volta a ser vivida pelos atores Robert Downey Jr.(Holmes) e Jude Law (Dr. Watson).
Com elementos como esses – e apoiado no sucesso que foi o primeiro filme da franquia –, Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras consegue ser ainda melhor do que o anterior. Para divulgar o filme no Brasil, Robert Downey Jr. esteve no Rio ontem e anteontem para falar com a imprensa e com os fãs (leia mais abaixo). “Ao ler os livros de Sherlock Holmes, você precisa se sentir como uma testemunha. Senão, fica impossível explicar o que está acontecendo. Como, por exemplo, achar graça de um corpo morto na sua frente”, afirmou o ator americano, ao falar sobre como é intercalar momentos de drama com humor no longa.
Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras está fazendo tanto sucesso quanto o primeiro. O segundo capítulo da franquia estreou em dezembro em primeiro lugar nas bilheterias dos Estados Unidos. A parte 2 já arrecadou US$ 265 milhões em todo o mundo, sem contar com os US$ 140 milhões apenas nas salas de cinema americanas. O filme irá estrear nesta sexta-feira ainda em outros 25 países, incluindo o Brasil, e por isso os números deverão aumentar ainda mais. O primeiro filme arrecadou US$ 524 milhões.
O roteiro foi inspirado na obra O Problema Final, em que Holmes enfrenta o maior criminoso da Europa, o professor James Moriarty, tão inteligente quanto o detetive. O longa recria a cena da suposta morte do detetive, quando os dois caem das Cataratas de Reichenbach, na Suíça. A cena é ligeiramente diferente em relação ao livro, mas contar se Guy Ritchie decidiu matar ou salvar Holmes e o vilão estragaria a surpresa final, como explica Downey Jr. “Algumas pessoas na Warner Bros. queriam que o Moriarty não morresse e voltasse num novo filme. E eu disse: ‘Não, de novo não’. Mas há algumas lutas que não devemos comprar. O livro e a adaptação são complementares.”
A participação do irmão de Holmes, Mycroft (interpretado por Stephen Fry), que trabalha no serviço secreto britânico, é um dos destaques do filme. Segundo Holmes, seu irmão é mais inteligente do que ele, só que preguiçoso demais para deixar o escritório e investigar em campo. A cena dos irmãos confabulando soluções para os enigmas são impagáveis.
O diretor, no entanto, abusou do bullet time (efeito em câmera lenta que ficou famoso em Matrix) para retratar os momentos de luta. O efeito acaba se tornando cansativo, porque, antes de cada embate, Holmes repassa mentalmente e em câmera lenta os movimentos que fará na luta. Se no primeiro filme o recurso auxiliou na dinâmica da história, nesta segunda parte, Ritchie pesou na mão e exagerou. O ator, no entanto, defende a técnica. “Eu e Guy somos amantes das artes marciais. Nessas cenas, Holmes parece um polvo, cheio de braços.”
A atriz sueca Noomi Rapace também merece atenção, na pele da cigana Madam Simza Heron. A atriz de 32 anos ganhou notoriedade após interpretar a hacker Lisbeth Salander na adaptação sueca da trilogia Millennium. A saga ganhará adaptação também em Hollywood, mas com outra atriz no papel de Lisbeth e com Daniel Craig no papel principal. Em Sherlock Holmes, a personagem de Noomi é essencial para o sucesso da investigação.
Outro ponto que poderá gerar críticas são as modificações feitas na história original. Apesar de recriar cidades europeias como Londres e Paris, não é possível afirmar que o filme seja uma adaptação fiel ao livro de Sir Conan Doyle. De fato, James Moriarty é retratado como o grande vilão dos livros, mas, assim como Sherlock Holmes, ele recebeu um tratamento hollywoodiano para ficar, digamos, cool e moderno. “Acho que 95% de Holmes, eu me inspirei em Conan Doyle; os outros 5% são meus. O Holmes de Doyle não demonstra reações, ele é frio”, disse Downey Jr. “Eu tentei colocar um pouco mais de ação nele.”
Entrevista:
Robert Downey Jr., de 46 anos, chega animado para a entrevista com o JT, no Copacabana Palace, na manhã de ontem. Com óculos escuros, camiseta branca com uma jaqueta de couro por cima e tênis, o ator parece bastante à vontade no calor carioca, a despeito do frio do ar-condicionado dentro do hotel. Para beber, ele pede um café duplo sem açúcar que toma em dois goles. Amigo do diretor Guy Ritchie e do ator Jude Law, Downey Jr. conversa sobre o novo filme da franquia mas fala também como é encarar outro herói, o Homem de Ferro, adaptação dos quadrinhos da Marvel. Fã de artes marciais, o ator revelou que fará em breve exame para a faixa marrom de Wing Chun (arte marcial chinesa) e que Guy Ritchie em breve será faixa preta de jiu jitsu. Confira:
Seus personagens têm um lado sério e um lado de humor fortes. Como encara essas duas facetas?
Amo cinema. Todos os personagens que eu fiz eu me diverti. Acho que lendo os livros de Sherlock Holmes, você precisa se sentir como uma testemunha daquilo, se não fica impossível explicar o que está acontecendo. Como, por exemplo, achar graça daquele corpo morto na sua frente. Há um contraste de drama. Eu quero infundir nos projetos que eu faço algo engraçado, inteligente, que fuja do aspecto negro e, claro, fazer mais dinheiro.
Oscar, Globo de Ouro, entre outros prêmios, importam para você?
Quando você é jovem, prêmios parecem mais importantes do que eles realmente são. Eles te dão prestígio. Para mim, o que importa é a qualidade de vida fora do entretenimento. É isso que importa.
O roteiro modificou a história original do livro. O que achou disso?
Algumas pessoas na Warner Bros queriam que vilão Moriarty não morresse e voltasse num novo filme. E eu disse: “Não, de novo não”. Mas há algumas lutas que não devemos comprar. O livro e a adaptação são complementares. Trata-se essencialmente de um jogo de xadrez entre Holmes e Moriarty. Se você prestar atenção no livro há uma chave de braço que Holmes dá em Moriarty que é essencialmente um golpe de jiu-jitsu. Mas Holmes é especialista em bartitsu (uma arte marcial criada na Inglaterra no final do século 19).
Você citou Jiu Jitsu. Você treina jiu jitsu?
Guy Ritchie é faixa marrom de jiu jitsu e vai fazer teste para a preta em breve. Eu faço Wing Chun (arte marcial chinesa) e vou fazer prova para a faixa marrom também em breve. Somos dois amantes das artes marciais. No primeiro Sherlock, uma coisa que amamos eram aquelas cenas de lutas que ele demostrava sua habilidade de lutas. Parece que ele é um polvo, cheio de braços. Me sentia com Guy Ritchie como colegas de exército.
E vocês já estão pensando em mais uma continuação?
Estamos escrevendo. Mas nunca se sabe , não é?
Você está em duas franquias. Como se desliga do Tony Stark (Homem de Ferro) para fazer Sherlock Holmes?
Acho que tenho muito sorte. É realmente uma vantagem poder fazer esses dois personagens. E eu acho que consigo. É como nascer de novo cada vez que faço um filme dessas duas franquias. E quero mais!
No longa, Holmes discute com Watson se o que eles têm é uma parceria ou um relacionamento. Com Jude Law, você tem uma parceria ou um relacionamento?
Eles brincam, não é? Holmes diz é um relacionamento e Watson responde: “É uma parceria. Parceria!”. É uma coisa engraçada de dizer. Holmes quer ser mais importante que a noiva de Watson. Para o público, ele é mais importante. Mas, como o público reagirá ao saber que existe essa terceira pessoa na relação? Em 2009 quando fizemos o elenco, muitos nomes foram sugeridos. Jude Law foi citado e dizemos: “É claro que tem de ser ele”. Ele é durão, bonito e capaz de quebrar esse esterótipo de médico chato que Watson tem. Guy Ritchie e eu nos divertimos no set. Jude também se divertia, mas ele é gentleman inglês. E quando fugíamos da história de Conan Doyle, Jude nos lembrava de como Watson deveria ser, porque ele conhece a fundo os livros.
A Revista Time disse que você é uma 100 pessoas mais influentes do mundo…
De que ano?
Há três anos. O que acha disso?
Eu acho que eu sou uma das 100 pessoas mais influentes do mundo todos os dias (risos). Mas isso é na minha vida. Provavelmente 99% das pessoas do mundo não tem noção que eu existo.
Você disse que acha que o Homem de Ferro 3 pode ser o melhor filme da série. Porque acha isso? Foi porque mudou o diretor?
Não. Jon Favreau é ótimo. Somos como irmãos. Já tem mais de cinco anos que a série começou e temos muitos elementos para explorar. O novo diretor, Shane Black, com o qual eu trabalhei em Beijos e Tiros (2005) – aliás esse foi um dos filmes que eu adorei trabalhar, mas foi um fracasso de bilheteria – então, Black é culto e ele é um dos melhores que eu conheço. O roteiro é um dos melhores que já li também. Não só porque é um filme do Homem de Ferro, é porque o roteiro e o filme serão bons mesmo.
Quanto de Conan Doyle você usou para fazer Sherlock e quanto veio de você?
Acho que 95% é de Doyle e 5% é meu. Holmes não demonstra reações. Ele é frio, e eu tentei colocar um pouco disso dele.
Uma guerra contra a mesmice cinematográfica
Por: Felipe Branco Cruz
O barulho descompassado e ensurdecedor de uma máquina de ressonância magnética é mixado com as batidas de uma música eletrônica numa boate. Em A Guerra Está Declarada, que estreia hoje, elementos tão distintos como esses são misturados para contar a história do bebê Adam, portador de um tipo raro de câncer que mata 90% dos pacientes. Ele é filho de Roméo (Jérémie Elkaïm) e Juliette (Valérie Donzelli), cujos nomes lembram a tragédia shakespeariana. Quando se conhece, o casal ironiza a coincidência. “Teremos um destino terrível”, profetiza Roméo.
O longa foi o escolhido pela França para representar o país no Oscar e é repleto de experimentalismos audiovisuais, que mesclam momentos de extremo drama com tentativas frustradas de fazer graça com a própria desgraça. Mas isso pode ser explicado pelo fato de que a tragédia é a história real dos dois atores, Elkaïm e Valérie, que resolveram embarcar num projeto absolutamente autobiográfico. Desta forma, impressiona a sinceridade com que eles tratam um tema tão pesado e escancaram uma dor que é deles, sem se colocarem como mártires.
O roteiro é assinado pelo casal e a direção ficou por conta de Valérie. Os dois, na vida real, também têm um filho com esse raro tipo de câncer, que aliás faz uma ponta no filme. E, como disse Valérie em declaração publicada na imprensa estrangeira, foi uma forma de exorcizar essas dores. Atualmente, o casal está separado, mas os atores interpretaram os papéis deles mesmos quando ainda eram casados.
O experimentalismo e o tema autorreferente podem ter sido justamente os elementos que agradaram aos críticos. Caso esta fosse uma produção americana, as pessoas sairiam do cinema com lágrimas nos olhos. Mas não. A diretora preferiu inserir uma trilha sonora animada num momento de dor, quando, por exemplo, Roméo recebe a notícia do tumor do filho. Há também uma narração em off que descreve, de maneira óbvia, cada cena. Como: “E naquele momento, Roméo sofreu de dor”. Ora, está evidente pela atuação de Elkaïm que ele está sofrendo, não precisa de narração.
Há ingredientes típicos do cinema francês, como inserir personagens incomuns na história, como a mãe de Roméo, que é lésbica e casada com outra mulher. Numa trama em que o foco é o câncer, explicitar que a avó da criança é homossexual é, no mínimo, curioso. Enfim, A Guerra Está Declarada foge do lugar comum e das escolhas óbvias na hora da montagem. A guerra declarada dessa história é, antes de mais nada, contra a mesmice cinematográfica, porque a aquela contra o câncer já está sendo travada.
O momento quando nada tem mais volta
Por: Felipe Branco Cruz
O novo álbum de Oswaldo Montenegro, De Passagem, o 41º da carreira, dá continuidade a uma incrível regularidade de lançamentos. Todo ano, praticamente, ele lança um projeto, numa das trajetórias mais prolíficas da MPB. O músico já compôs também musicais, peças de teatro e roteiros para o cinema. Mas sua praia mesmo é a música. O título desse novo trabalho, como explica Montenegro, resume o tema do repertório. “Embora não seja explícito, um tema parece ser recorrente nesse CD: o quanto nada volta. Quando percebi isso, achei que De Passagem, título de uma das músicas, poderia ser um bom nome para o disco.”
O álbum é aberto com o ágil baião Não Importa Por Quê, cujo videoclipe Montenegro preferiu fazer como se fosse um desenho animado. “Queria uma pureza, uma inocência que tirasse da música qualquer pretensão filosófica que a análise do início da letra sugere”, explica. “Queria torná-la leve. O traço do desenhista Marcelo Marques é quase infantil e muito bonito.”
Por outro lado, as canções que se seguem, como A Vida Quis Assim e Eu Quero Ser Feliz, remetem aos grandes sucessos do compositor, como Bandolins e Lua e Flor. Comparação que é sustentada pelo próprio músico. “Há, na minha obra, um lado mais seco, mais nordestino, mais pesado, e outro mais lírico. Ter morado em Brasília esculpiu em mim esse primeiro segmento”, diz. “A infância passada em Minas, em São João Del Rey, me forneceu o aspecto mais suave. Por esse prisma, acho que a comparação procede.”
De uma forma geral, todas as letras do disco são fortes, seguindo um estilo contestador de Montenegro forjado desde a juventude. É o que diz, por exemplo, em Não Importa Por Quê: “O sonho hippie acabou”. Embora os cabelos esvoaçantes e um certo desleixo nas roupas, além do álbum Aos Filhos dos Hippies (de 1995), possam sugerir, Montenegro não se considera um hippie. “Acho que visualmente posso parecer, mas não me sinto assim, em nenhum aspecto. Tenho por eles um carinho. Acho que foi a última vez que o ser humano acreditou que poderia mudar o mundo em conjunto.”
O fato de ter pintado toda a casa de forma psicodélica também, segundo ele, não significa que seja hippie. Nem maluco. “Acho bem engraçado. Não há nada mais normal do que pintar a própria casa do jeito que se quer. Achar isso uma coisa insana me espanta. Seria louco se eu pintasse a casa de outra pessoa.”
Montenegro preserva ainda neste novo álbum uma outra característica sua: a proximidade com o público. Algumas das canções foram apresentadas aos fãs nos shows antes de serem lançadas. O cantor também mantém em seu site uma votação online com a agenda de shows, e o público pode votar nas músicas que ele deverá tocar em cada um dos lugares. Além disso, o compositor irá premiar com R$ 30 mil, dinheiro saído do próprio bolso, segundo ele conta, o fã que fizer o melhor videoclipe para a música Quero Ser Feliz Agora.
Toquinho de volta com seu violão
Por: Felipe Branco Cruz
No início da carreira, Toquinho teve como padrinho Vinicius de Moraes. Foi o poeta que levou o músico a fazer shows no exterior e a ser respeitado no Brasil. Há alguns anos, o compositor de Aquarela tem feito o mesmo com novas cantoras. Foi assim com a jovem cantora e compositora paulistana Tiê e está sendo agora com Anna Setton. A cantora de 27 anos, também paulistana, divide com ele os vocais nas músicas Porta do Infinito e Romeu e Julieta, no novo disco autoral de Toquinho, Quem Viver, Verá, que acaba de ser lançado pela gravadora Biscoito Fino.
O álbum sai oito anos depois do último disco de inéditas do cantor, e conta também com a participação especial de Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho. “Fiz esse disco com muita calma e, depois de pronto, percebi que o tema predominante era a vida. O título do álbum é quase um conselho. Muita gente está viva, mas não vive a vida”, conceitua o compositor.
O trabalho traz canções inéditas, regravações e até o hino de seu time de futebol, o Namorados da Noite, arquirrival do Politheama, time do Chico Buarque. Dentre as inéditas, está o frevo Quero Você, gravado com Ivete. “Fiz pensando nela”, afirma. Das regravações, destaca-se Regra Três. “Escrevi Meu Canto e pedi para o Zeca Pagodinho cantar comigo. Ele disse que não queria, porque não tem mais vontade de decorar música nova. Daí, ele sugeriu que regravássemos Regra Três. Achei ótimo”, diz.
Outro destaque é a canção Romeu e Julieta, feita em parceria com Vinicius de Moraes. A música foi gravada recentemente no disco Toquinho e Paulo Ricardo Cantam Vinicius. O compositor conta que se lembrava da melodia, mas tinha perdido a letra. “Tenho mais de 100 composições com o Vinicius, mas tinha perdido essa letra. Até que um dia, em um clube, uma senhora veio e me mostrou a letra, perguntando se eu me lembrava dela. Foi muita coincidência.”
Aliás, sobre o trabalho com Paulo Ricardo, Toquinho ameniza as críticas recebidas pelo álbum, que é bastante eletrônico. “Quando fizemos, sabíamos que muitas pessoas não iriam gostar. As críticas são normais nesse sentido. Foi um disco polêmico.”
Paixão pelo futebol
Como Quem Viver, Verá foi um trabalho em que Toquinho gravou aquilo que queria, nada mais natural do que lançar o hino do Namorados da Noite (leia mais abaixo). “É o lado lúdico da vida. Vou ao campo de futebol e fico sonhando em ser o Ronaldo e o Adriano. É uma brincadeira que levei a sério.” Ele, no entanto, não perde a oportunidade de alfinetar o rival Politheama. “O Chico (Buarque) escreveu o hino do time dele, mas nunca teve coragem de gravá-lo. O hino até que é bonitinho. Mas não é mais bonito que o meu”, provoca.
Aliás, essa não é a primeira vez que Toquinho se aventura em hinos. Na época do Democracia Corintiana, movimento liderado por futebolistas politizados, na década de 80, ele gravou o segundo hino do clube, reconhecido oficialmente pelo Corinthians. “O Sócrates gravou comigo na época.”
Para este ano, o cantor tem planos de lançar um disco com Ana Setton. “O endosso do Vinicius foi importante para mim. E o que estou fazendo com essas cantoras é um pouco do que ele fez comigo”, diz Toquinho. O novo trabalho, ainda sem nome, será apenas voz e violão. “Ainda estamos escolhendo o repertório. Mas vamos gravar sambas antigos, os mais famosos, as unanimidades. Será um trabalho muito puro.”
A canção Porta do Infinito foi escrita pela filha de Toquinho, Jade Pecci, de 18 anos. “Ela canta super bem. Ela escreveu a letra quando tinha 14 anos e se chamava Céu. Fiz algumas mudanças na letra, mas era muito boa”, explica. A filha do compositor, no entanto, não pensa em ser cantora. “Quando Jade era pequena, estávamos no McDonald’s e várias pessoas vieram me pedir autógrafo. Ela perguntou porque estava assinando aqueles papéis. Eu disse que era porque fazia músicas que as pessoas gostavam”, recorda-se. “Ela me perguntou, então, qual era a profissão em que não precisava dar autógrafos, porque não queria fazer isso. Então, hoje, Jade procura algo em que não precise dar autógrafos”, diz, aos risos.
Românticos com gostinho de chocolate
Por: Felipe Branco Cruz
Românticos Anônimos é daquele tipo de filme para se ver numa data como hoje, antevéspera do Natal. Trata-se de uma comédia romântica ingênua, sem muitos dramas ou reviravoltas, onde tudo dá certo, fica lindo e nem por isso perde a graça. E o melhor, com sabor de chocolate. A produção belgo-francesa conta a história de duas pessoas extremamente tímidas e, ao mesmo tempo, completamente apaixonadas. Por chocolate.
Jean-René (interpretado por Benoît Poelvoorde) é o dono de uma fábrica da iguaria que está prestes a falir. Angélique Delange (Isabelle Carré) é uma exímia chef chocolatier que procura emprego na fábrica de Jean-René. Mas em vez de fazer chocolate, é designada como representante de vendas. Nesta típica comédia francesa, os dois tentam tratar de sua timidez de formas diferentes. Angélique frequenta semanalmente o grupo dos ‘Românticos Anônimos’, que funciona como o dos Alcoólicos, onde pessoas se reúnem para compartilhar dificuldades. Já Jean-René se trata com um psicólogo, que vive lhe passando tarefas que o obrigam a socializar.
Na primeira delas, o dono da fábrica precisa convidar alguém para jantar e a escolhida é justamente Angélique. O encontro, obviamente, é um desastre completo, mas serve para aproximar o casal. Contudo, leva tempo até que comecem a se entender no trabalho e a produzir chocolate juntos.
Mesmo porque Jean-René não sabe que Angélique é uma exímia chocolateira. Ela é tão tímida que tem vergonha até de assumir a autoria de suas iguarias. Isso é um entrave em sua vida pessoal, mas o pior é que se Angélique não conseguir superar esse trauma, a fábrica de Jean-René pode falir. Esse risco talvez seja o fato mais dramático do longa. Entre uma cena e outra, o espectador se diverte com o trabalho dos quatro funcionários da empresa e com as paranoias de outros participantes do grupo ‘Românticos Anônimos’.
Nessa trama tão fofa, talvez um ponto negativo seja a maneira espalhafatosa como são demonstradas as fobias sociais dos personagens. Tudo é tão exagerado que é até difícil acreditar no que acontece. Um bom exemplo é o fato de Jean-René constantemente deixar Angélique falando sozinha, pois não suporta a vergonha de ficar de frente com ela. Protagonista do longa, o ator belga Poelvoorde, de 47 anos, é uma celebridade em seu país, tendo feito quase 30 longas. Já a francesa Isabelle Carré, 40, também tem extensa carreira, com mais de 40 produções.
A direção ficou a cargo de Jean-Pierre Améris, que imprimiu à história leveza jovial e boa fluidez. Tão certa quanto a diversão com o romance travado do casal, é a vontade louca de comer chocolate que vai bater na saída do cinema.
Mesmo com tantos problemas, no fim da vida Brown gozava de boa reputação no meio artístico, fazendo shows e indo a programas de TV. Na antevéspera de seu último Natal, Brown foi ao dentista, que reparou que o cantor aparentava cansaço e fraqueza, e o aconselhou a ir ao hospital. No dia seguinte, uma pneumonia foi detectada.
O cantor, que nunca reclamava de problemas de saúde e relutava em cancelar apresentações, foi internado. Ele esperava, até então, receber alta a tempo de cumprir seus shows de réveillon, em Nova York e New Jersey. No dia de Natal, no entanto, teria dito ao amigo Charles Bobbit, que sentia que “estava indo embora” aquela noite.
Pouca história e muita ação
Por: Felipe Branco Cruz
Apenas dois filmes irão estrear amanhã em São Paulo dentro do circuito comercial, na antevéspera do réveillon. Nada mais natural, já que o movimento nos cinemas costuma diminuir nesta época do ano. Assim, o destaque da semana fica a cargo do longa-metragem Imortais, dirigido por Tarsem Singh, também responsável por Espelho, Espelho Meu, inspirado na fábula da Branca de Neve, com Julia Roberts no papel da Rainha e que deverá estrear em 2012. Imortais é produzido pela dupla Mark Canton e Gianni Nunnari, que também trabalhou no longa 300, com Rodrigo Santoro (2007). O filme tinha tudo para ser uma superprodução, mas não passa de uma bobagem repleta de efeitos especiais, paisagens idílicas e uma total falta de coerência.
O filme segue a linha de 300, com personagens fortões e várias cenas sangrentas de batalhas. Também lembra Fúria de Titãs ao misturar deuses gregos e bestas mitológicas. O problema é que o roteiro não está minimamente preocupado em ser verossímil com a mitologia. O resultado é um apanhado de histórias e personagens que nunca tiveram nenhuma relação, mas que, na produção, parecem ser íntimos. Um desserviço àqueles que querem conhecer mais sobre a mitologia grega.
Na história, o Rei Hipérion (interpretado por Mickey Rourke) declara guerra contra os gregos e planeja libertar os Titãs que estão presos no Monte Tártaro. Para isso, ele busca o arco de Epirus, forjado no Olimpo pelo deus da guerra, Ares. Para impedi-lo de achar o arco, Teseu, um plebeu, lidera um exército de rebeldes, além de contar com a ajuda de deuses do Olimpo, como Zeus e Atenas.
O problema é que, na mitologia grega verdadeira, Teseu nunca foi plebeu e se tornou rei depois de matar o Minotauro no labirinto. Até há a cena da morte do Minotauro no filme, mas não é tão importante assim e, depois dela, Teseu não vira rei. Henry Cavill vive o papel de Teseu e Freida Pinto é a mocinha Faedra, um oráculo que é perseguido pelo rei Hipérion. Já a australiana Isabel Lucas encarna a deusa Atenas.
Apesar de já terem desempenhado bons papéis em outros filmes, a atuação dos atores se resume a poses e gritos de raiva contra o mundo. Até seria possível considerar o filme uma boa diversão, mesmo com os desvios das histórias originais, mas uma coisa é inconcebível: deuses como Zeus, Atenas e Poseidon são mostrados como fracos e passíveis de erros e, pasmem, mortais. Como deuses podem ser mortais? Essa é uma pergunta que a trama não responde. Um deus mortal é algo inaceitável até mesmo para um filme como esse. O que não deixa de ser irônico, já que o título do filme é Imortais. Tanta mudança nas figuras mitológicas faz lembrar o filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios (2010), que altera, sem qualquer critério, feitos históricos (leia mais sobre esses filmes ao lado).
Os efeitos especiais, em compensação, são bem-feitos. A vila onde vive Teseu, nas encostas do mar Egeu, é linda. Os cenários das batalhas, como o forte onde os gregos se abrigam para lutar contra o Rei Hipérion, também impressionam. Essa majestosa construção parece com o forte do Abismo de Helm, do filme O Senhor dos Anéis – As Duas Torres (2002).
O espectador que for assistir a Imortais esperando encontrar um filme semelhante a 300 deve sair decepcionado. O máximo que verá será um punhado de efeitos especiais em uma história sem pé nem cabeça.
Cinco anos sem Mr. Sex Machine
Por: Felipe Branco Cruz
Há exatos cinco anos, no dia de Natal, morria o rei da soul music, James Brown (1933-2006), aos 73 anos. Em sua vida, o cantor teve vários apelidos surgidos na tentativa de rotular sua forma extravagante de dançar e fazer música. Não à toa, Brown foi chamado de Sex Machine, Mr. Dynamite, o Rei do Funk, The Original Disco Man e o Padrinho do Soul. E o intérprete de I Got You (I Feel Good), à sua maneira, fez jus a todas elas.
Outro rei, o do pop, Michael Jackson, contava que quando era criança, seu sonho era dançar como Brown. Para isso, ensaiava incessantemente em casa, junto dos irmãos do Jackson 5. Nascido na Carolina do Sul numa época de segregação racial nos Estados Unidos, Brown vendeu em toda sua vida mais de 100 milhões de discos e foi listado pela Rolling Stone como o sétimo maior artista de todos os tempos.
E se a carreira de Brown foi marcada por números grandiosos, foi também pontuada por vários escândalos. Alguns deles o levaram à prisão. Até sua morte gerou fatos insólitos. Como seus familiares discutiam questões ligadas à herança e não chegavam a um consenso sobre o local do enterro, seu corpo ficou mantido dentro de um caixão por quase três meses – mais especificamente até dia 10 de março de 2007, quando foi finalmente levado a uma cripta na casa de sua filha Deanna Brown Thomas.
O local, no entanto, não é definitivo. Os parentes pretendem removê-lo e transportá-lo, no futuro, a um mausoléu, que serviria como atração turística. Quando jovem, James Brown começou a ter problemas com a Justiça. Aos 16 anos, foi detido por roubo e ficou preso durante três anos. Já quarentão, o cantor foi preso novamente, após uma perseguição na estrada, em alta velocidade. Enquadrado por porte ilegal de arma, agressão policial e posse de drogas, Brown atravessava uma fase difícil na carreira, que culminou na saída dos músicos de sua banda. Foi condenado a seis anos de prisão e solto após cumprir três.
Nos anos 90, foi novamente acusado de agressão, contra Adrienne Rodriguez, sua terceira mulher. Em 2000, seu descontrole voltava a ser notícia: Brown foi acusado de atacar um empregado da companhia de energia elétrica estatal com uma faca.
Para ele, nada é impossível
Por: Felipe Branco Cruz
Missão Impossível 4: Protocolo Fantasma, que estreia na quarta-feira, dia 21, é de tirar o fôlego e só fica atrás do primeiro filme da franquia. Tudo é grandioso no longa dirigido por Brad Bird (de Ratatouille, de 2007, e Os Incríveis, de 2004), e produzido por J. J. Abrams (de Lost e que dirigiu Missão Impossível 3) e, claro, estrelado por Tom Cruise. A começar pelas locações em Moscou e Dubai, além de primorosos efeitos especiais, que fizeram, por exemplo, o Kremlin explodir.
O filme fica bem mais emocionante para quem tiver a oportunidade de assisti-lo na gigantesca tela Imax (em São Paulo, disponível apenas no Espaço Unibanco Pompeia), já que diversas cenas de ação foram filmadas no formato. Mesmo não sendo 3D, em Imax, somos transportados para dentro da superprodução.
A trama principal pode ser resumida praticamente da mesma forma que os outros três títulos anteriores: um terrorista maluco quer destruir o mundo. Ninguém consegue detê-lo. A agência IMF é a única capaz. Algo dá errado e Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe precisam cumprir uma missão impossível para salvar o mundo. Traições, explosões, lindas mulheres, carros incríveis e apetrechos tecnológicos inimagináveis pontuam cada sequência. Pronto, temos o resumo do filme.
Mas o que faz Missão Impossível 4 melhor do que os outros são as cenas de ação incríveis. “Fizemos um seguro de vida para Tom Cruise, apesar de ele não ter pedido isso”, diz o produtor Bryan Burk, que conversou com a imprensa brasileira anteontem, no Rio de Janeiro. Ele veio ao País junto com Tom Cruise, a atriz Paula Patton e o diretor Brad Bird para divulgar o longa. “Não sabíamos se iríamos ficar conhecidos por matar Tom Cruise ou por fazer um filme espetacular”, completa o produtor, referindo-se ao fato de o astro ter dispensado dublês nas cenas mais perigosas, e até mesmo quando escalou o prédio Burj Khalifa, o mais alto do mundo, com 828 metros de altura e 160 andares. “Eu produzi e atuei neste filme. Foi desafiador tanto física quanto mentalmente realizá-lo. Mas eu estava preparado”, disse anteontem o ator Tom Cruise, que visitou o Brasil pela quarta vez.
Kremlin pelos ares
Vale destacar a espetacular explosão do Kremlin, em Moscou, como um dos pontos altos do longa. Em seguida, temos a vertiginosa cena de Ethan Hunt escalando o Burj Khalifa. E quem acompanha a série sabe: como sempre, algo dá errado. Ethan despenca do 100º andar, mas consegue se segurar (é claro que ele não morre), deixando tudo ainda mais tenso. Ainda em Dubai, outra cena memorável é a de uma perseguição a pé e em carros caríssimos quase às cegas – em meio a uma faraônica tempestade de areia.
Na Índia, Ethan e sua equipe têm de enfrentar o milionário Brji Nath, interpretado pela estrela de Bollywood, Anil Kapoor (que fez o apresentador do programa Quem Quer Ser Um Milionário?, no filme homônimo de 2008). Por fim, como se não bastasse, temos uma ogiva nuclear atravessando o mundo a caminho de São Francisco, na Califórnia.
No elenco, Paula Patton interpreta a bela agente Jane Carter; Jeremy Renner (conhecido por Guerra ao Terror, de 2008) dá vida ao agente William Brandt; e o humorista inglês Simon Pegg faz o papel do expert em computação Benji Dunn. Eles formam a equipe que auxilia Ethan Hunt. Pegg dá ao personagem humor e leveza que rendem boas risadas. O surpreendente humor refinado do roteiro, aliás, transparece entre as cenas de ação, deixando o longa mais harmonioso. “Quis dar um tom de Os Caçadores da Arca Perdida (1981) ao longa”, diz o diretor, fazendo menção ao clássico de Indiana Jones, de Steven Spielberg, justificando as piadas. “Tudo o que imaginei num filme de ação eu consegui colocar neste.”
A atriz Paula Patton (leia mais sobre ela abaixo) faz seu primeiro papel num filme blockbuster. Para isso, ela contou que treinou kickboxing e capoeira. “Adorei o papel. É um sonho que virou realidade”, contou a atriz. “Jane é uma grande personagem feminina. A cena de ação que mais gostei é a que acontece em Dubai”, completou Paula, que também desfilou –e embelezou – o tapete vermelho, anteontem, no Rio.
‘Bond Girl’ de Cruise, Paula Patton treinou capoeira
Em seu primeiro papel em um filme de ação, a atriz americana Paula Patton, de 36 anos, é uma das boas surpresas do longa. A atriz é responsável por um toque de charme dentro de um filme repleto de explosões.
Dentre seus outros trabalhos em Hollywood, o mais recente com grande repercussão foi no drama ‘Preciosa – Uma História de Esperança’ (2009), que recebeu seis indicações ao Oscar.
Antes, Paula atuou em ‘Déjà Vu’ (2006) e também na comédia romântica ‘Hitch – Conselheiro Amoroso’ (2005), contracenando com Will Smith. Para o papel da agente Jane, Paula disse que chegou a treinar até capoeira. No longa, a atriz faz uma femme fatale, uma mulher extremamente habilidosa e linda. O papel lembra o das ‘Bond Girls ‘. Em uma cena, ela surge deslumbrante para um baile de gala em Mumbai, onde tenta seduzir um ricaço indiano, dono de um satélite capaz de detonar uma bomba nuclear.
Trilha famosa
O badalado DJ holandês Tiësto, de 42 anos, é o responsável pela nova versão do famoso tema do ‘Missão Impossível’, composta originalmente por Lalo Schifrin. No passado, as bandas U2 e Limp Bizkit fizeram suas versões para o tema. Em turnê com os atores do filme, Tiësto também veio ao Brasil anteontem e discotecava enquanto os atores passavam pelo tapete vermelho, no Rio de Janeiro. “É um tema muito famoso, então, não o modifiquei, apenas dei minha cara a ele”, disse o DJ.
No Rio, Tom Cruise divulga novo filme
Por: Felipe Branco Cruz
Do Rio de Janeiro
Por volta das 20h de ontem, cerca de 4,5 mil fãs se aglomeravam no charmoso Cinépolis Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, para aguardar a passagem do ator Tom Cruise, da atriz Paula Patton, do diretor Brad Bird (de Os Incríveis e Ratatouille) e do produtor Bryan Burk pelo tapete vermelho. Eles vieram para a capital fluminense para divulgar o filme Missão Impossível – Protocolo Fantasma, que estreia no Brasil na quarta-feira.
Nem a forte chuva que caiu à tarde e encharcou o tapete (que foi prontamente trocado por outro) esfriou os fãs. Parte do público foi escolhida por meio de uma promoção da Coca-Cola, que patrocinou o filme. Outra parte foi selecionada em fã-clubes.
Por volta das 20h30, Tom Cruise pisou no tapete vermelho enquanto o produtor e DJ holandês Tiësto animava a plateia. Ele assina a versão remixada do tema do filme. O ator passou cerca de 45 minutos atendendo aos fãs e dando autógrafos até chegar à área de imprensa, onde falou com os jornais e TVs.
No longa, Tom Cruise dispensou dublês nas cenas em que aparece escalando o Burj Dubai, em Dubai, o maior prédio do mundo. “Não sei se iríamos ficar conhecidos como aqueles que mataram o Tom Cruise ou como aqueles que fizeram um super filme”, disse o produtor Bryan Burk, mais cedo, durante a coletiva com a imprensa no Copacabana Palace.
Mais tarde, Tom Cruise afirmou que o filme foi desafiador para ele, tanto como ator quanto como produtor. “Treinei muito artes marciais”, contou. “Para mim, é um privilégio fazer esse tipo de papel. Vou continuar a participar de filmes de ação, mas não sei se meu próximo filme do gênero será Missão Impossível.” Do Rio, Tom Cruise, que estava viajando por vários países para promover o filme, voltará para os Estados Unidos.
As dores de João Gilberto
Por: Roberta Pennafort
Fonte: Jornal da Tarde
Geriatra e amigo de João Gilberto há cerca de dez anos, o médico Jorge Jamili garante: não é uma mera gripe que está tirando o cantor baiano dos palcos, mas também não é que ele tenha uma doença grave, que esteja sendo mantida em sigilo. A pressão psicológica que a turnê comemorativa de seus 80 anos lhe impõe é a responsável por prostrá-lo na cama de casa. Ou seja: João queria fazer os shows, mas o próprio corpo o está impedindo. Conforme a data foi se aproximando, o quadro foi piorando.
“Eu nunca o vi desse jeito. Há um mecanismo psicossomático dessa pressão que faz com que ele fique debilitado, debilitado mesmo, mais magro. Em todo idoso, as vias aéreas superiores e as articulações são o que sentem primeiro. A coluna reclama. Não é um piti, é real. Ele não é um excêntrico, um louco. Tem problemas físicos, sente muita dor. Se pudesse, não estaria assim”, disse ontem Jamili, fã do pai da bossa nova. “Não sei o quanto é físico e quanto é somatizado.”
Sem poder dar muitos detalhes, para não expor a intimidade do paciente, o geriatra – que costuma atendê-lo em sua casa, onde, em tempos melhores, cantam mantras juntos –, contou que ele tem duas hérnias. É uma na cervical e outra na lombar, e ambas doem muito quando ele faz shows, por causa da posição do violão e do estresse – João, sabe-se, é um perfeccionista, e precisa se sentir em sua melhor forma para se apresentar.
Trata-se da síndrome do escrivão, explicou Jamili, que acomete os braços e provoca espasmos quando a pessoa repete o movimento que lhe causa dor. “São problemas pertinentes à idade, não é tuberculose, câncer. Ele apresenta um temperamento, que todos conhecemos, que não tolera bem a pressão. E não é um senhor 100% saudável, não é da geração saúde. Por exemplo: eu já falei 2.800 vezes para que mude a alimentação (Jamili é nutrólogo e praticante da medicina ortomolecular), mas João só faz o que quer, é teimoso, como todo senhor de 80 anos.” O estado de saúde jamais permitiria que ele entrasse num avião para ir a São Paulo, tampouco que pegasse um carro até o Municipal, acrescentou.
Nos últimos shows no Japão, em 2006, contou, foi preciso muita conversa para que se convencesse a viajar. “Teve o mesmo problema. Há uma certa ilusão de que há relação entre o estado atual e a questão dos ingressos (parte encalhou por causa dos altos preços – em São Paulo, no Via Funchal, vão de R$ 500 a R$ 1 mil), mas não tem absolutamente nada a ver. No Japão, estava tudo lotado, o baque financeiro acabaria com sua vida, e ainda assim ele apresentou essa resistência. A cabeça dele não gira em torno de dinheiro.”
Parte do cachê já estava paga
Os produtores da turnê, que passaria por São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e Salvador, já contabilizam o prejuízo. “Uma parte do pagamento dele já tinha saído, então vamos ver com o senhor Aloisio Salazar (advogado de João) como fica isso.
O prejuízo é claro, mas não posso revelar de quanto”, disse, abatido, Maurício Pessoa, ontem. “É uma decepção total. Nós nunca imaginamos que isso fosse acontecer, tínhamos um contrato amarrado. Temos de acreditar no argumento da doença.”
Salazar não deu entrevista. Os custos iniciais da turnê eram de R$ 4,5 milhões, incluindo o cachê, os voos, acomodação da equipe e outros gastos. Nenhuma empresa quis patrociná-la, daí os ingressos a até R$ 1,4 mil. A Via Funchal, em São Paulo, onde João cantaria domingo, e o Theatro Municipal do Rio (show na quarta) não haviam recebido comunicado do cancelamento até o fechamento desta edição, assim como nenhuma nota explicativa sobre a devolução do dinheiro havia sido distribuída.
Em nota, produtores confirmam cancelamento da turnê
Uma nota oficial foi enviada à imprensa ontem à tarde pela OCP Comunicação e a Maurício Pessoa Produções confirmando a suspensão da turnê. As empresas se dizem surpresas pelas declarações de Cláudia Faissol, mãe da filha caçula de João Gilberto. “Os produtores foram surpreendidos pelas informações sobre a transferência da turnê para 2012 veiculadas na mídia, antes de serem comunicados pelo cantor”, diz o comunicado, que credita a suspensão a “evitar mais desgastes a público, casas de shows, equipes de produção etc.” Os produtores reforçam que os teatros/locais de compra farão os devidos ressarcimentos.
As aventuras do Gato latino
Por Felipe Branco Cruz
A nova animação da Dreamworks, Gato de Botas, que estreia amanhã, é, assim como Shrek, uma mistura de lendas e histórias infantis. Presente nos filmes Shrek 2 e Shrek Terceiro, o felino dublado por Antonio Banderas interage com João, do pé-de-feijão, a Gansa dos Ovos de Ouro e também com um desconhecido personagem no Brasil, porém famoso nas cantigas de ninar dos países anglófonos: o ovo falante Humpty Dumpty. “O Gato de Botas não é uma continuação de Shrek. Criamos um universo próprio para ele”, afirmou Antonio Banderas.
O ator espanhol visitou o Brasil junto com a mexicana Salma Hayek (que dubla a gata Kitty Pata Mansa), o diretor Chris Miller e o cofundador da Dreamworks Jeffrey Katzenberg no mês passado, e os quatro conversaram com a imprensa no Rio de Janeiro. “O Brasil tem quase 3 mil salas de cinema. É um mercado que não podemos ignorar”, disse Katzenberg, justificando a viagem. Banderas e Salma fazem as vozes dos dois gatos protagonistas em espanhol. Banderas também dubla em italiano. Na versão brasileira, a responsabilidade ficou por conta dos dubladores Alexandre Moreno (Gato de Botas) e Mirian Fisher (Pata Mansa).
Da história original do Gato de Botas, fábula do garoto que ganha um bichano como herança do pai, não há nenhuma referência. Aliás, no filme, o Gato não tem dono, é criado num asilo de uma pequena vila espanhola. “Até pensamos em contar a história do Gato como na fábula. Mas percebemos que poderíamos nos afastar desse mundo e criar o nosso próprio”, disse o diretor Chris Miller. “Na fábula original, o Gato é francês. O nosso é espanhol.”
As características marcantes do Gato, como seu carregado sotaque espanhol, a esperteza e a boa índole, serviram como inspiração para criar o universo onde ele habita: uma Espanha antiga, semelhante à descrita por Miguel de Cervantes em Dom Quixote. A proposta do longa é mostrar o passado do Gato, antes de viajar para a Terra de Tão, Tão Distante, onde vive Shrek. “O Gato é um amigo leal, mas também um canalha”, brincou Banderas.
Criado num asilo, o Gato faz amizade com o ovo falante Humpty Dumpty, que sonha em achar os feijões mágicos que os levariam até o castelo do gigante, nas nuvens. Lá, eles encontrariam os ovos de ouro que são botados por uma gansa. Na história original do Ovo Falante, Humpty Dumpty se equilibra num muro, pendendo cada hora a um lado. É assim a amizade do Ovo com o Gato, instável e cheia de traições. Já a gata Kitty Pata Mansa, dublada por Salma Hayek, é tão esperta e hábil com espadas quanto o Gato. Juntos, vão ajudar o Ovo Falante a roubar os feijões mágicos das mãos dos bandidos Jack e Jill. “Gosto da personagem porque ela não é melodramática. É ela quem salva o Gato. Pata Mansa é o contrário do clichê da mocinha, é um modelo de heroína para as meninas”, contou Salma.
O enredo pode parecer louco, mas, de forma curiosa, assim como em Shrek, tudo se encaixa. Gato de Botas é divertido, cheio de boas sacadas. É impossível não se apaixonar por Pata Mansa ou não dar boas gargalhadas com os desengonçados trejeitos do Ovo Falante. Outro destaque são os efeitos especiais. “O filme foi concebido para ser 3D”, disse Chris Miller. Duas cenas impressionam pela qualidade: uma é o encontro de Gato de Botas e Pata Mansa, num impagável duelo de dança. Outra, de tirar o fôlego, é a plantação dos feijões mágicos que brotam rumo ao céu. “No próximo filme, quem sabe Pata Mansa não dançará um samba com o Gato?”, gracejou Salma na visita ao Rio.
O resultado é mais uma animação primorosa da Dreamworks, com grandes chances de levar um Oscar pelos recursos tecnológicos. “Há quase dez anos interpreto o Gato de Botas. Adorei fazê-lo novamente”, concluiu Banderas.
Entrevista com Antonio Banderas
O espanhol Antonio Banderas, de 51 anos, dá voz ao Gato de Botas há quase dez anos, desde o segundo filme da franquia Shrek, de onde o personagem surgiu. Segundo oator, a empatia com o público foi tão grande que gerou essa demanda por um filme ‘solo’. O ator, então, dubla o gato em inglês, italiano e espanhol. Na sua língua materna, Banderas imprimiu no Gato um sotaque de Málaga, cidade onde nasceu.“Um sotaque sibilado, bastante tradicional”, definiu.
‘Gato de Botas’ é uma grande aventura. Qual foi a maior aventura da sua vida?
Foi sair da minha casa, em Málaga, aos 10 anos. Depois, provavelmente fazer um salto aos Estados Unidos e até Hollywood. Era impensável para um ator espanhol ir para os Estados Unidos. Até havia atores latinos, como Andy Garcia e Anthony Quinn. Mas a Espanha tinha um grande complexo de inferioridade. Ingleses, alemães, franceses, todos se davam bem. Éramos um país com ditadura. Partir para os Estados Unidos sem falar inglês foi a minha maior aventura.
Você disse que há um sotaque de Málaga no seu personagem?
Sim, mas apenas na minha dublagem espanhola. Quando falo em inglês, o sotaque que os americanos percebem é de um espanhol falando inglês. Naturalmente eu já tenho sotaque ao falar inglês. O acento malaguenho é sibilado. Em italiano, faço uma coisa mais natural, como uma pessoa falando italiano com sotaque espanhol.
Podemos assisti-lo nos cinemas brasileiros em ‘A Pele QueHabito’. Como foi o reencontro com Pedro Almodóvar após 20 anos?
Foi fortíssimo e difícil, graças a Deus. Foi muito difícil porque Almodóvar foi caminhar em terrenos onde estão a verdade artística. Foi um trabalho incrível para mim. Até agora eu não sei exatamente o que foi esse filme. Ainda estou absorvendo o resultado.
O que pode dizer sobre trabalhar novamente com Salma Hayek?
Temos química. Não é físico, não é matemático, não é algo de pensar. Se pensarmos muito, isso se perde. Numa relação humana, não pensamos: “como funcionamos? O que podemos apresentar? Quanto dinheiro vamos ganhar?” Não pensamos assim. Simplesmente vamos. Já tínhamos nos divertido muito em A Balada do Pistoleiro (1995).
E quanto a gatos, tem algum?
Tenho dois em Los Angeles, dois em Aspen e cinco cachorros. Os gatos se chamam Penny Lane, Maxell, Domino, Lucy. Oscães são Velvet, Jack, Eliot, Lula e Skilot.
Como vê o cinema espanhol atualmente?
Na minha visão, a situação da Espanha hoje é dramática. Somos vítimas de uma crise. Teremos eleições gerais e o partido conservador deve ganhar. Se fazíamos entre 60 e 70 produções por ano, vamos passar a fazer 30. E com essa crise, vai ser muito difícil seguir produzindo cinema na Espanha. Um milhão de pessoas vivem do cinema lá e eles vão sofrer com isso. O que é muito curioso é que neste momento há muitos talentos na Espanha. E não só lá, mas em toda a Europa. Mas é uma situação catastrófica. O cinema espanhol precisa do governo. É difícil ter um mercado doméstico como nos Estados Unidos. Nós não nos autoproduzimos.
‘Gato de Botas’ vem de um conto de fadas. Qual o seu preferido?
Peter Pan.
Entrevista com Salma Hayek
Esta é a primeira vez que a atriz mexicana Salma Hayek, de 45 anos, dubla um personagem de animação. Mas antes de emprestar a voz, ela ajudou o diretor Chris Miller a forjar a personalidade da gata Pata Mansa. Famosa em sua terra natal, ela teve de começar do zero quando ingressou em Hollywood, e fez até figuração.
O reconhecimento viria em 1995, com A Balada do Pistoleiro, justamente ao lado de Antonio Banderas, parceiro também em Gato de Botas. A familiaridade com contos de fadas, então, vem da infância. “Esperei 40 anos por meu príncipe encantado, vestido de azul e montado num cavalo branco”, diz ela, casada com o bilionário francês François Henri Pinault.
Como foi sair de Vera Cruz, sua cidade natal no México, e ir para os Estados Unidos?
Fui com uma grande inocência e muitas ilusões. Não estavam fazendo muitos filmes no México, então parecia lógico ir fazer cinema nos Estados Unidos. Eu não falava inglês, não tinha green card, fui sem conhecer ninguém, sem casa. Entrei na prestigiosa escola de Stella Adler (1901-1992). Estudei com ela. Comecei minha carreira como figurante, depois de ser uma grande estrela no meu país. Pouco a pouco fui subindo. Então veio A Balada do Pistoleiro (1995), com Banderas. E Depois veio Frida (2002) que mudou tudo. Foi uma missão de algo que deveria fazer.
Como foi dublar Pata Mansa?
Minha personagem é uma gatinha agressiva, que não se intimida. Banderas e eu temos uma dinâmica de trabalho muito natural e isso nos deu confiança desde o início.
É seu primeiro trabalho como dubladora?
Não havia nada para dublar porque não havia desenho. No meu caso, o diretor não me deu nenhum roteiro. Eu não sabia como era o personagem. Sabia que a gata seria tão forte quanto o do Antonio. Eles estavam criando. Chris Miller dizia: “O que acha que ela diria agora? ” Então isso não foi dublagem. Criamos uma atitude para ela e esse processo levou dois anos e meio. Para dublar para o espanhol, foram quatro horas.
Você tem um sítio. Cria muitos animais lá?
Muitos! Tenho uma gata, dez cachorros, cinco periquitos, quatro alpacas, cinco cavalos, dez galinhas e dois porcos.
Como vê o cinema mexicano atualmente?
O cinema mexicano está pressionando o governo para que 30% das salas nacionais exibam filmes feitos no México. É uma batalha.
‘Gato de Botas’ é inspirado no universo das histórias infantis. De qual tem mais lembranças?
A que mais me pegou foi Bambi. Fiquei muito traumatizada, até hoje vou a psicólogo (risos). Pinóquio também. Além disso, estou há 40 anos esperando meu príncipe encantado (risos).
Entrevista: Chris Miller
Chris Miller, de 36 anos, já é um veterano no ramo de animação. Ele foi roteirista dos filmes do Shrek e diretor do penúltimo título da franquia. Ele nem bem estreou com Gato de Botas e revelou que já pensa numa continuação. “Seria algo do tipo James Bond. Cada filme, uma aventura”, disse. Antonio Banderas já manifestou interesse em participar da sequência. Miller começou a carreira como roteirista em 1998 na Dreamworks. Desde então, trabalhou em diversas áreas, como desenhista e dublador.
Foi importante ter uma atriz que falasse espanhol para interpretar a gata?
Não foi algo consciente, nem foi com Antonio Banderas em Shrek. Ele criou essa persona. E com base nisso, veio o mundo espanhol, latino, num lugar de fantasia como o de Dom Quixote. É um tipo de conto de fadas latino. Teve influência mexicana, flamenca, latina, de tango e coisas do sudoeste dos Estados Unidos. Misturamos todas as expressões. O nome de Salma veio naturalmente.
Tecnicamente como você vê o 3D aplicado a esse filme?
Queríamos fazer desde o começo. O personagem pede um filme em 3D. Ele é pequeno, então podemos trabalhar com os tamanhos. Criamos uma experiência em que fãs podem imergir na história.
O filme mistura muitos contos de fadas. Por que colocar todas essas referências?
A história faz um link com o universo de Shrek ao misturar vários contos. Mas queríamos ter certeza de que seria uma mistura diferente da feita em Shrek. Escolhemos as histórias imaginando as que poderiam ter a ver com o Gato de Botas. Em Shrek, tudo é mágico.
Você tem um personagem de conto de fadas favorito?
Monty Python. Mas esses não têm nada a ver com o filme (risos).
‘Gato de Botas’ terá, então, uma continuação? Tem fôlego para fazer a mesma carreira de Shrek?
Sim. Ele seria construído como um James Bond. Seriam varias aventuras contínuas. Mas precisamos pensar em boas histórias, é claro.
É cada coisa que me aparece…
Olha só o que chegou hoje para mim por email. Quer dizer, estou milionário?
Presente da deputada Allama Akbar N38 Rue Des Martyrs Cocody Abidjan, Cote d’Ivoire. Fale-me sobre o Amado e este (MailAddress (allama01akbar@yahoo.co.jp)
Eu sou deputada Allama Akbar do Paquistão uma mãe de duas filhas e sou casada com o Sr. Muhammad Akbar Hussain, que trabalhou com Paquistão embaixada na Costa do Marfim por nove anos antes de morrer ano.Estamos passado foram casados ??por 19 anos com dois filhos e Allimata Safiatu mas infelizmente eles onde ambos os envolvidos em uma incidência de acidente de avião junto com o pai lá. Depois a morte de meu marido e minhas duas filhas, eu tenho decidiu não se casar novamente.
Quando o meu falecido marido era vivo, ele depositou a quantia de $ EUA 3.5million dólares em um banco aqui em Abidjan Cote d’Ivoire. Atualmente, esse dinheiro ainda está no banco, recentemente, o meu médico me disse que eu não iria durar para os próximos oito meses, devido ao problema do câncer. O que mais me perturba é a minha doença acidente vascular cerebral. Tendo conhecido a minha condição eu decidi doar o fundo a uma pessoa ou organização que irá utilizar esse dinheiro do jeito que eu estou indo para instruir aqui.
Eu quero que este fundo seja usado para orfanatos, viúvas, escolas e propagar a mensagem de amor para toda a humanidade. Tomei esta decisão porque não têm qualquer filho que herdará esse dinheiro porque a filha de dois só que eu tenho morrido em um acidente de avião, eu quero que Deus tem misericórdia de mim e aceitar a minha alma. Parentes do meu marido são egoístas, eles se recusam a distribuir a organização de caridade alguma quantidade de dinheiro que o meu falecido marido deu-lhes para a caridade antes desta incedence, eu não quero uma situação onde este dinheiro será usado em um caminho ímpio. É por isso que eu estou tomando essa decisão. Eu não tenho medo da morte, portanto, eu sei onde estou indo.
Eu sei que Deus vai lutar o meu caso e eu vou segurar a minha paz. Eu não preciso de qualquer comunicação telefónica a esse respeito por causa da minha saúde, portanto, a presença de parentes do meu marido ao meu redor sempre. Eu não quero que eles saibam sobre esse Deus development.With todas as coisas são possíveis. Assim que eu receber a sua resposta vou dar-lhe o contacto do Banco aqui em Abidjan Cote d’Ivoire. Eu também irá emitir uma carta de autoridade que vai provar que o beneficiário apresentar deste fundo. Eu quero que você sempre ore por mim. Minha felicidade é que eu vivia uma vida digna de emulação. Por favor, sempre oração durante todo o seu life.Contact me sobre o este endereço e-mail (endereço de email (allama01akbar@yahoo.co.jp) qualquer atraso na sua resposta vai me dar espaço no sourcing outra pessoa ou organização para este mesmo propósito. Por favor me assegurar que você vai agir de acordo como afirmei aqui.
Na esperança de receber a sua resposta.
Deus te abençoe
Sra. Allama Akbar.

























