Discurso de Formatura

Colegas, abaixo publico o vídeo do meu discurso de formatura em homenagem aos mestres. O texto, na íntegra, pode ser lido mais abaixo. Para ver o vídeo aperte o play DUAS vezes e aguarde o carregamento.

A íntegra do discurso

Integrantes da mesa
Caros colegas
E ilustríssimos mestres

É com muita satisfação que venho aqui dizer algumas palavras em homenagem à vocês, mestres. Incautos e incrédulos são aqueles que ousam afirmar que nada se aprende na faculdade e que se aprende jornalismo “de verdade” nas redações, ou seja, trabalhando. Pobres coitados. Mal sabem eles que o verdadeiro aprendizado, e isso, eu afirmo sem sombra de dúvidas, está nas salas de aulas.

Pois é. E em meio a estes aprendizados, passamos momentos inesquecíveis juntos. Compartilhamos muito mais do que apenas boas aulas. Nos tornamos amigos e hoje, com orgulho, digo que somos colegas de profissão, prezados professores. Tudo o que sabemos hoje, aprendemos com cada um de vocês. Muitos podem dizer que trata-se de um aprendizado mútuo, uma via de mão dupla… Pode até ser, mas, definitivamente, não existem substitutos ainda para um verdadeiro professor.

Sim. É ele, aquele responsável por nos tirar de casa e nos fazer ficar quatro horas dentro de uma sala ouvindo teorias e técnicas de redação. E olha que esse é um trabalho difícil, hein?! Afinal, a concorrência é desleal. Bares, botecos, baladas, e etc são concorrentes fortíssimos. Só mesmos esses seres iluminados (os mestres) são capazes de vencer todo esse apelo consumista do mundo moderno e levar o saber para as nossas mentes, nem sempre ávidas, o prazer de aprender.

Mas, mais do que ficar rasgando seda, mesmo que merecidamente, quero aproveitar o espaço para lembrar dos bons momentos que passamos juntos durante esses quatro anos. Antes, porém, devo fazer um alerta.

QUERIDOS MESTRES, LEMBRAM-SE DE QUANDO VOCÊS NOS TESTAVAM COM PROVAS CABELUDAS (?) E eu dizia…: “Cuidado, vou me vingar. Não se esqueçam que sou eu que vou fazer o discurso de homenagem a vocês”. COBRA CRIADAS QUE VOCÊS SÃO, NÃO DERAM IMPORTÂNCIA PARA AS MINHAS AMEAÇAS. PORTANTO, QUERO AVISAR: AGORA CHEGOU A MINHA VEZ.

Estou brincando. Não vou contar nada. Nem quando colávamos descaradamente nas provas e muito menos lembrar que por e-mail eram distribuídas colas prontas para serem impressas. Não, não vou falar disso. Mas irei, com muito orgulho citar o nome dos mestres que me despertaram a paixão pelo jornalismo (e tenho certeza que despertaram essa mesma paixão em nossos colegas).

São eles:

Ana Paula Poll – que nos ensinou sociologia. Descobrimos com ela que a sociologia não era um bicho de sete cabeças. Além do mais suas aulas eram um espetáculo de beleza e inteligência. Impossível faltar.

Alvaro Britto – aproveitou toda a sua experiência em assessoria de imprensa e nos brindava com ótimas aulas de assessoria de imprensa. Aprendemos entre outras como evitar crises nas empresas. Mesmo ele sendo filiado ao PT e vez por outra discutirmos sobre política nos fizeram gostar menos dele.

André Sodré – Não poderia deixar de lembrar também do nosso querido professor André Sodré. Ouso dizer, um dos melhores professores de fotografia que já tivemos. Injustamente demitido e merecidamente homenageado com o nome da turma: “Desconstrução do Olhar”. Entre muitas brilhantes e inesquecíveis momentos que passamos juntos, Sodré nos ensinou a ver além da fotografia, nos ensinou a desconstruir o olhar.

Beatriz Pacheco – A Bia, digo sem pestanejar, é a queridinha da faculdade. Sempre nos incentivando a ir em seminários, eventos, participar de cursos, concursos, e etc. Além de ótima professora de português, alegrava as aulas com sua excelente simpatia. Não dava para sair para beber com os amigos e perder a aula dela.

Fátima Brandt – Ela nos ensinou como realmente escrever para um jornal. Dona de uma paciência ímpar e experiência mais do que comprovada, a Fátima diariamente nos ensinava em como nos tornamos bons jornalistas aprendendo com quem realmente entende.

Fernando Pedrosa – Ele foi o professor que mais deu aulas práticas. Aprendemos e decoramos (tenho certeza que todos nossos colegas sabem de cor) uma passagem em vídeo sobre o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung. Apesar de ter certeza que não conseguiria cooptar o professor a me dar boas notas, eu sempre puxava o saco dele levando a edição mais recente do seu jornal. “O Foco Regional”. Eu até lia os textos para de vez enquanto aproveitar uma deixa e dizer: “ah professor, eu li isso no seu jornal”. Era tiro e queda!

Maria Helena Vichi – Uma excelente professora. Não tenho adjetivos para classificar como as aulas da Maria Helena eram boas. Nos ensinava português, aliás, nossa turma teve um bocado de aula de português. Que bom! Assim passamos mais tempo junto a pessoas tão boas quanto a Maria Helena.

Marlene Fernandes – Muitos a chamavam de carrasca, porque ela era implacável com os prazos. Afinal de contas Marlene é a responsável pelas nossas monografias e por tanto nada poderia ficar fora do prazo. Mas no fundo todos gostavam dela.

Neidecy Torchia – Ela era um amor de pessoa. Não há um ser vivo na face da Terra que não goste dessa professora. Suas aulas sempre eram irrestíveis. Era fantástica a capacidade que a Neidecy tinha de nos prender a atenção para assuntos densos como Freud, Jung, e etc…

Patrícia Rocha – Particularmente eu adorava as aulas da Patrícia. Apesar do UBM não oferecer computadores adequados para a diagramação e projeto gráfico, ainda sim a Patrícia conseguia desenvolver um projeto legal com a gente.

Paulo Roberto Figueira Leal – Não chegou a nos dar aula, ele saiu um ano anos, mas certamente ele foi um dos professores que gostaríamos de ter tido a honra de estudar.

Paulo Roberto Salles Garcia – Nos ensinou teoria da comunicação. Mas sua simpatia e descontração contagiavam a turma.

Salete Leone – Suas aulas sempre muito criativas mexiam com a turma toda. No último mês, entretanto, ela resolveu pegar pesado e deu uma prova dificílima… Mas como a turma tinha tido uma boa aula antes todos tiraram de letra.

E por último eu deixo para homenagear, em minha singela opinião, os dois melhores professores com que tivemos a honra de estudar durante esses quatro anos.

Marcos Fernando (o Marquinhos Physis) e Luis Cláudio Hermógenes: ambos que com simplicidade, humildade e simpatia conquistaram a turma. Não entro no mérito se as aulas eram boas ou não. (Isso todos sabemos que eram). Quero sim, através deste dois professores, homenagear e destacar o trabalho daqueles que dedicam parte do seu tempo para se doar. Ou seja, para ensinar e compartilhar experiências com seus alunos, num país onde ser professor virou mico. Onde escolas e universidades não valorizam financeiramente seus profissionais. É louvável e motivo de orgulho para o país encontramos professores dispostos a ganhar mal e ainda sim terem amor pela profissão, ensinando com afinco e dedicação sobre-humana.

Sobre o Marquinhos eu queria dizer que era impossível faltar suas aulas. Todos ficavam praticamente inebriados com seus ensinamentos. Víamos em seu olhar uma paixão pela filosofia. Suas aulas, as últimas de quarta-feira (dia fatídico, onde a maioria dos alunos preferem faltar as aulas para sair para beber), Marquinhos conseguia operar um milagre. Encher a sala de aula e manter seus alunos ali, ó. E não porque os alunos precisavam de nota. Muito pelo contrário, e sim porque eles queriam estar ali e escutar o que marquinhos tinha para dizer. Aulas que tivemos com o Marquinhos há quase quatro anos atrás ainda são lembradas. Quem é que se esqueceu, por exemplo, o que é physis e logos? Quase ninguém. Outra virtude do Marquinhos, que destaco, eram os cursos de extensão, que ele dava aos sábados. Ele os dava apenas pela paixão pela filosofia, até porque os cursos eram gratuitos, nem ele próprio recebia para isso. O que movia os alunos e o professor, a ir assistir as aulas no sábado a tarde, eram dois fatores. O amor pela filosofia e a satisfação de poder compartilhar mais um pouquinho os ensinamentos do marquinhos.

E sobre o hermógenes eu tenho algumas coisas a dizer: (como ele mesmo gosta de falar) “APESAR DE TUDO” ele foi se não o melhor, um dos melhores professores que tivemos a honra de estudar. Sua especialidade era o rádio. Ele costumava dizer nas aulas que possuía três paixões. Em escala de prioridade. O Rádio, a sua esposa, e o Vasco (não é isso mesmo?) E que dormia com duas delas. O rádio, lógico, com lugar de destaque na mesa de cabeceira.

Hermógenes, que não gosta de dar dez para ninguém (eu, por exemplo consegui tirar um dez, mas como bem lembrou hermógenes, por um “descuido dele”) sempre incentivou a turma. Quem não se lembra do hermógenes elogiando a evolução da narrativa de textos do Leo Dias. Que começou bem mal. Muito mal mesmo. E com o tempo melhorou muito. Hermógenes fazia questão de destacar o empenho e a melhoria que o Leo teve durante as aulas. Eu é que não conseguia falar direito. Nos programas de rádio minha voz sempre era péssima, mas ainda sim, o professor conseguia ouvir pontos pontos positivos nos programas que eu participava.

O professor hermógenes tentou de todos os jeitos convencer a gente de que ele tinha apenas “22 anos” e que ontem para ele, para nós era coisa de 20 anos atrás. Ele ia muito bem, por alguns instantes chegávamos a acreditar que hermógenes realmente fazia parte da turma. Mas no instante seguinte ele dizia: “Olha aí moçada” e a gíria anciã dele entregava a idade. (inclusive eu até o convidei para entrar numa comunidade do orkut chamada justamente de “Gírias anciãs”, do qual Hermógenes é mestre).

Além disso o professor batizou a turma e para cada grupinho de alunos ele dava um nome, eu por exemplo, fazia parte do grupinho dos angélicos.

Outra pérola do professor Hermógenes foi quando foi proibido se referir aos negros em matérias jornalísticas de maneira pejorativa ou discriminatória, como por exemplo, não podíamos mais dizer que a pessoa era preta, e sim, afro descendente. O Hermógenes que é negro inconformado com a lei dizia na turma. “Moçada, a partir eu não irei dizer que esta turma é um verdadeiro “Samba do Criolo Doido”, a partir de agora, em cumprimento com a lei, eu direi que a zona desta sala é o equivalente legal “Clássico do negro ensandecido”

Enfim gente, acho que me alonguei demais, e espero ter feito uma justa homenagem aos mestres que nos acompanharam durante nossa jornada. Desculpem os professores que esqueci de citar os nomes. Citando e lembrando desses que acabei de falar espero ter homenageado todos os outros que não foram lembrados.

Sobre Felipe Branco Cruz

Curioso por profissão, Felipe Branco Cruz é jornalista. Bairrista convicto, mesmo morando em São Paulo, não se esquece de Barra Mansa, sua pacata e aprazível cidadezinha do interior fluminense. É da capital paulista, no entanto, que este repórter publica suas impressões sobre literatura, cinema, jornalismo, música, política e o que mais lhe der na telha. Me acompanhe no meu blog: www.dtdnews.wordpress.com Ou nas redes sociais: meadiciona.com/felipebcruz

Publicado em 10 março 2007, em Jornalismo, Pessoal, Videos e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. vc ta com a voz do flausino do jota quest…aeueahaeuhae
    :)
    parabens pra vc seu bosta!

  2. Gente, eu não conhecia esse seu lado tagarela… hahahahahahahah
    Como vc fala!
    ;)

    to brincando…
    ficou muito bom, muito bom!

  3. PS: ainda acho um absurdo eu não ter sido convidada!

  4. posso utilizar alguns pedaços na minha formatura?

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