Publicado por: Felipe Cruz em: 5 Agosto 2007
Quando desci do ônibus lembrei-me da recomendação do meu pai: “leva um casaco, meu filho. Vai fazer frio”. E fez muito. Tá certo que o frio era mais pelo horário avançado da madrugada do que pela garoa gelada que insistia em cair. Mas mesmo assim o frio era cortante e cruel. “Mas, não é São Paulo a cidade da garoa”?
Passageiros dormindo a espera do ônibus (ou não)
A grandeza do terminal Tietê me fez lembrar também daquelas clássicas matérias jornalísticas que mostram retirantes nordestinos desembarcando em São Paulo a procura de uma vida melhor e a primeira imagem real que eles têm da cidade é justamente do terminal Tietê. Muita gente estranha, muita confusão e mais do que nunca o clichê batido cabe novamente aqui: “Mais solitário que um paulistano”. Acho que a grandeza provoca essa impressão de pequenez em você e acabamos nos sentindo solitários.
Andando pelo terminal me veio na cabeça à famosa música em homenagem a São Paulo, aquela, dos versos: “… quando cruzo a Ipiranga com a Avenida São João” e senti fome. Não tinha tomado café ainda e tratei de procurar algo para comer. Me espantei com o preço do salgadinho de coxinha de galinha: R$2,50. Comprei dois e um café. Total: R$7,50. Disse com sotaque nordestino para o atendente: “Ô moço, lá da minha terra, com isso tudo de dinheiro eu almoço e janto”. Ele nem ligou e perguntou se eu tinha R$0,50 para facilitar o troco dele. Nunca, em toda a minha vida, eu tinha tomado um café tão ruim e comido uma coxinha tão amarga, sem sal e gelada quanto essas que experimentei lá na rodoviária. A sensação de ter sido passado para trás só aumentou quando eu constatei que a relação custo benefício não valia à pena e só quem ganhava com isso era a tal da “casa do pão de queijo”. Comi metade de cada coxinha, apenas aquilo que dava para engolir e joguei o resto fora.
A barraquinha de salgadinho ruim
Definitivamente eu constatava que paulistano possuía hábitos estranhos. Além do famigerado costume de andar os homens no banco da frente do carro e as mulheres no banco de trás, eles ainda comem cachorro quente com purê de batata. E, para variar, a tal coxinha horrorosa que comi, o atendente tinha me dito que era com requeijão. Senti falta do requeijão e do frango. Nem massa eu acho que tinha naquela coisa estranha que me venderam.
Comprei o jornal para passar o tempo e já me irritava o sotaque paulista dos atendentes. Meu compromisso começava apenas às 8 horas. Estava com tempo sobrando. Aproveitei também para comprar minha passagem do metrô (enquanto não tinha fila) e estranhamente me veio à cabeça de que naquele momento eu estava na terra da mais bizarra de todas as figuras brasileiras: Supla. E o pior, freqüentemente eu encontraria com outras tão ou mais bizarras do que ele. Para a minha sorte, ou azar, encontrei com dois barramansenses, o que só confirmou minha teoria de que barramansense é como gremilin: basta jogar água que eles se reproduzem e se disseminam por todos os lugares do planeta. Encontrei também com o vocalista de uma banda carioca de punk rock que curto muito. Quando o vi andando pela rodoviária eu imaginei que a crise financeira devia estar muito ruim para não andar de avião ou seria a crise área que estaria pior?
Meu sentimento bairrista aflorou quando entrei no metrô e ouvi o condutor dizendo o nome das estações em um português indecifrável: “Lúberrdadi”. Perguntei para um dos passageiros que repetiu vagarosamente para mim: “Estação Li-ber-da-de”. Ufa! Ainda não era a minha parada. Estranhamente comecei a sentir saudade do calor e do clima carioca, mas já era tarde para voltar atrás e conclui: “Agora fudeu!”
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Cara, é exatamente esta a sensação quando vou a São Paulo.. Uma imensidão tamanha, sem medidas, e eu o menor de todos. E parece que não conhecemos nada do mundo (o que é verdade) mas em SP esse sentimento fica maior. Doideira.
Tive experiência parecida em SP anos atrás, quando fui ao show do linkin park. E ainda perdi o último metrô de volta para o terminal Tietê e tive que passar a noite na rua, dormindo e acordando numa escada de metrô, esperando abrir!! experiência pra vida…
eu ja vim de curitiba pra sampa sem cagar. ja estava sem cagar por 5 dias. Quando cheguei no tiete deu uma vontade fudida. Fui cagar num banheiro imundo da porra por R$1. Tinha duas torres de papel higienico cagados da minha altura. Eu pulei em cima deles e caguei em pé…Nossssaaaaaaa…Vou, literalmente, uma cagada de pato.
:D
Boas lembancas do tiete. Deixei minha bosta em sao paulo. De presente pra Martha.
[]´s
cudi
Caraca!!!Estou indo para SP de buzão pela primeira vez e sózinho li a histórinha do nosso amigo aí e ja vou ficar esperto quando chegar no terminal…cochinhas, banheiros, multidão, etc, etc…aiaiai
legal
Moro em São Paulo.
Para mim, pure de batata no cachorro-quente é o essencial.
O estranho para mim é comer pizza com molho shoiu (é assim que se escteve?) em alguns lugares do Riio..isso é nojento!!
As cochinhas de rodoviárias são podres. de verdade. As melhores se situam aonde moro, no centro da cidade (Região da Av. Paulista).
escreve***
brother ea segurança la dentro do terminal e boa ou tem muito ladranzinhos? tem policias por perto ? abraços
6 Agosto 2007 às 6:08 pm
Aiiiii, coxinha ruim ngm merece. rsss Vc tá devidamente linkado ao meu blog tbm. ehhhh! Bjok