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No show do The Doors, ops! Riders On The Storm

Publicado por: Felipe Cruz em: 11 Abril 2008

A banda se chama Riders On The Storm e apesar de tocarem apenas músicas da lendária banda The Doors e contar com os remanescentes Ray Manzarek (tecladista) e Robby Krieger (guitarrista), definitivamente ela não é The Doors. A começar que Jim Morrison, de fato, é insubstituível. Em 2004 experimentaram colocar uma espécie de clone, o cantor Ian Astbury (ex-The Cult), com voz e cabelos bem parecidos com os de Morrison. Não deu certo. Agora experimentaram um Morrison loiro de olho verde. Também não funcionou muito bem.

O novo vocalista, Brett Scallions cantava na obscura e desconhecida banda The Fuel. Tomou uma guitarrada na cabeça (ou seja levou uma porrada com a guitarra) e teve que abandonar a banda. Seu empresário descobriu que o The Doors procurava um novo vocalista e Scallions foi aceito. Convenhamos, o cara tem presença de palco, tem até os trejeitos do Morrison. Pode ser que ele nem tenha a pretensão de ser igual, mas a comparação é inevitável.

O HSBC Brasil estava com a lotação máxima, 2,4 mil pessoas. A maioria vestia camisas com o rosto do Morrison e com The Doors estampado. Para evitar constrangimento, Scallions foi até simpático. Pegou uma dessas camisas e gritou: “The Doors it’s the best band of the world”. Não precisa dizer que a galera foi ao delírio.

Confesso ser fã da banda. Fui no show que eles fizeram no Rio de Janeiro em 2004 e neste ano repeti a dose aqui em São Paulo. Mas, falando sério, é meio constrangedor ver Manzarek, um senhor de cabelos brancos mexendo os bracinhos para um lado e para o outro. De fato ele é um tecladista vigoroso. Toca em pé, se agita, mas é até engraçado vê-lo no comando da banda, todos os seus movimentos são de um idoso. Até a roupa é bem comportada.

Scallions, ao contrário, girava o microfone e pulava para frente e para trás. Repetindo alguns movimentos que Morrison fazia quando estava no palco. O show, entretanto, foi muito comportado. As loucuras ficaram por conta da platéia, que insistia em subir no palco. Em alguns momentos lembrava os shows do The Doors do passado, quando Morrison sempre era preso e a galera invadia o palco. Os integrantes da banda pareciam se assustar com a “loucura” da platéia. Como eu disse, nem de longe pareciam o The Doors.

Os fãs, eu inclusive, estavam em ecstasy. O som da banda era inebriante. Acompanhar músicos que fizeram história, tocando sons que você sabe que nunca seriam tocados originalmente, é sensacional. As pessoas cantavam e vibravam. Apesar disso o vocalista gritava: “Vocês sabem o que querem?” e o povo respondia: “Nããão”.

Simpático, Scallions vestiu a camisa 10 da seleção brasileira, jogada por alguém da platéia. Tocaram mais meia dúzia de músicas e foram embora. Daí vem a parte surreal do show. O segurança deles, um senhor de uns 60 anos, veio e começou a agitar o público. “Vocês querem mais!?”. Lógico que a galera gritava que sim.

A banda volta ao palco. Desta vez, assim como em 2004, acompanhada da bateria da escola de samba Vai Vai. No Rio de Janeiro eles foram acompanhados da bateria da Mangueira. E tocaram juntos Break on Through (To the other side). Dizem que essa música teve influência do samba, por isso o interesse de trazer a bateria para o palco. Eu não gostei. Achei que ficou muito ruim. As fantasias se sobressaiam e eu reparei que Robby Krieger não ficou muito a vontade. Preferia assistir APENAS The Doors. Escola de samba a gente já vê todo ano. Cena bizarra: Manzarek se empolgou e levantou para sambar. Alguns gritavam vai embora Vai Vai.

Krieger especialista em música flamenca deu um solinho e a galera foi ao delírio. Depois a bateria saiu do palco. Ufa!

Ah, ponto negativo para a organização do evento. Neste tipo de show não cabe colocar as pessoas sentadas em mesas. É um show de rock! A galera quer pular e se divertir e a quantidade de mesas era muito grande, um aperto só. Aí aconteceu uma coisa completamente constrangedora. Os seguranças começaram a retirar as cadeiras da platéia durante o show, colocando-as no palco e levando-as para o backstage, no meio dos músicos. Ficou feio. Além disso, o pessoal que estava mais atrás começou a colocar as cadeiras em cima das mesas.

Scallions parece nem ter ligado, estava mais preocupado com as mulheres brasileiras. Ele dizia: “Vocês são muito sortudos porque vocês estão rodeados de mulheres bonitas”. Eu discordo. Mulher bonita em São Paulo? É difícil. Eu até entenderia se ele dissesse isso no Rio de Janeiro.

O show acabou, a banda saiu e a galera pediu bis. O segurança velhinho retornou ao palco para agitar novamente. “One more time?”, gritava. Eles retornaram para o segundo bis, Manzarek disse que ia tocar uma música pop e lascou “Light my Fire”, que durou 10 minutos.

Ironicamente não cantaram a musica que dá nome a banda: Riders on the Storm. O show acabou e Scallions saiu pedindo paz. Como de praxe não tocaram também a polêmica The End. Em 2004 Manzarek disse que esta era uma música do Morrison e somente ele poderia cantar.

O resultado? Foi ótimo. Mesmo com críticas foi um show inesquecível.

(Veja abaixo os vídeos que eu fiz do show)

1 Resposta para "No show do The Doors, ops! Riders On The Storm"

[...] como foi o show da Riders On The Storm em São Paulo e assista os vídeos no blog do Jornalista Felipe Cruz, O Diário de Todos os Dias [...]

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