Publicado por: Felipe Cruz em: 6 Agosto 2008
Este vale a pena comprar… Eu já vi e os desenhos são sensacionais. Confira na matéria abaixo.
Por: MARCO BEZZI
Ele esteve preso por 40 longos anos. Neste inferno, dormiu ao lado de baratas, dialogou com o capeta e sempre esteve próximo ao fétido depósito da podridão humana. Mas Zé do Caixão sobreviveu a tudo e a todos. Com o lançamento de seu mais novo filme, Encarnação do Demônio, na próxima sexta-feira, Seu Zé, 72 anos de carcaça, pretende capturar as almas que usufruíram de seus ensinamentos.
O que aconteceu anteriormente, nas quatro décadas de cárcere (ficcionais), é o que conta Prontuário 666, HQ realizada pela dupla Samuel Casal e Adriana Brunstein e publicada pela editora Conrad. A idéia de quadrinizar a ponte de 40 anos que separa Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver – o segundo filme do cineasta e criador de Zé do Caixão José Mojica Marins – e Encarnação do Demônio partiu de Paulo Sacramento, produtor do último longa de Mojica.
Primeiro, Sacramento pretendia que diversos quadrinistas desenhassem contos sobre o tempo em que personagem (Zé) e criador (José) foram jogados à revelia da sociedade. O primeiro a ser chamado para esta ‘diabólica’ empreitada foi o gaúcho Samuel Casal, que já carrega seis troféus HQMix – Samuel trabalha como ilustrador desde 1990, tendo publicado quadrinhos no Brasil (em álbuns como Ragú e Front), na América Latina, na França e na Espanha.
“Eu seria o responsável pelo último conto do livro. Fiz a história e, quando fui conversar com o pessoal da editora, eles me disseram que estavam com dificuldades (de chamar mais quadrinistas) por conta do curto prazo. Acabei aceitando fazer o livro todo em apenas dois meses”, revela o desenhista.
Para ajudar Samuel na missão, a Conrad chamou a paulistana Adriana Brunstein. A co-autora da HQ é aficionada pelo terror de Zé do Caixão. Roteirista de inúmeros curtas e do longa LizVamp (de Lis Marins, filha de Mojica), ela foi também assistente no roteiro de Encarnação do Demônio. “Todo o nosso trabalho, assim como o do Paulo, foi o de atualizar o personagem de Zé do Caixão”, conta Samuel. “Para isso, a Adriana foi fundamental.”
Super-herói brasuca
O lançamento simultâneo de filme e HQ traz à memória nomes como Homem-Aranha e X-Men. A ação de ilustrar o personagem de Zé do Caixão em várias plataformas é algo raro no País. Anteriormente, Zé já havia aparecido em capas de discos, peças de teatro, camisetas e mesmo em histórias em quadrinhos nos anos 60 (na revista O Estranho Mundo de Zé do Caixão, com o traço de Nico Rossi), mas nada comparado ao que seu personagem passará nesta semana.Na abertura do livro, o produtor Paulo Sacramento escreve: “Assim como no filme, o desafio seria atualizar a narrativa, sem perder a essência tão marcantes ao personagem (e de seu criador). Trazê-lo enfim para os jovens leitores com a mesma força e fulgor que ele se impôs na época de seu surgimento.”
Para isso, Samuel utilizou-se do computador para dar vida ao personagem que teve sua primeira aparição em 1964. “Misturei meu trabalho de xilogravura com os vetores do computador. Consegui chegar a um resultado moderno, mas que não tira a essência do Zé do Caixão.” O próprio Mojica adorou o resultado. É dele uma das frases que fazem parte do livro: “Samuel traduziu de um jeito muito pessoal e impressionante a loucura não do personagem, mas do mundo em que vivemos”, escreve.
24 Agosto 2008 às 6:49 pm
O enferno por a casso é muito ou poco assustador.