O lado romântico do conquistador
Filme que estreia hoje retrata os primeiros anos
da vida do líder mongol Genghis Khan
Por: Felipe Cruz
Para o mundo ocidental, a imagem que se tem do imperador mongol Genghis Khan é a de um homem extremamente cruel e conquistador, senhor de quase toda a Ásia e parte da Europa durante o século 12, além de um dos grandes líderes que a humanidade já teve, ao lado de Júlio Cesar, de Roma, e Alexandre, da Macedônia. Mas na Mongólia, mesmo após o domínio comunista soviético, o ancestral líder não foi esquecido e continua sendo venerado até hoje e é considerado pai da nação, uma entidade quase sagrada. É esta visão romântica, de um homem bom, que o filme O Guerreiro Genghis Khan, que estreia hoje nos cinemas, tenta passar.
Dirigido pelo cineasta russo Sergei Bodrov (a Rússia foi um dos países conquistados por Khan), o filme de 125 minutos teve a maioria de suas locações feitas em locais remotos de Mongólia, China e Casaquistão, onde historicamente acredita-se que o líder viveu. Os locais estão distantes de 12 a 15 horas de carro das cidades mais próximas.
A vasta história do imperador que morreu aos 65 anos, em 1227, não é integralmente contada. O diretor centrou o filme apenas nos primeiros anos, encerrando-o após a derradeira batalha que deu a Temudgin o título de ‘Kenghis Khan’ (Grande Cã). Na época, o país vivia dividido em diversos clãs que guerreavam entre si, cada qual subjugado a seu ‘cã’ ou chefe. O filme começa mostrando Temudgin aos nove anos, após viajar com seu pai e escolher sua futura noiva. Em seguida, ele vê o pai morrer envenenado por inimigos e é excluído do próprio clã. Passa os próximos anos fugindo e tentando sobreviver neste ambiente hostil e imperdoável.
Aos poucos, ele vai formando um pequeno exército para resgatar sua esposa, Boerte, sequestrada pelo clã Merkit. Depois de resgatá-la, uma série de acontecimentos se sucedem: derrotas, prisões e torturas até que, finalmente, consegue se libertar e voltar para a mulher, com quem viveria até o final da vida. Foi nessa época que, em uma conversa com ela, ele tomou sua principal decisão: unificar todos os clãs, criar leis e organizar um exército nacional.
A maioria do elenco foi de atores selecionados na própria Mongólia – inclusive Khulan Chullun, a atriz que interpreta Borte. Somente Tadanobu Asano, que interpreta Temudgin, é japonês e Honglei Sun, que faz Jamukha (principal rival de Khan), é chinês.
Para produzir um filme dessa magnitude e em locações tão isolados, o diretor precisou deslocar centenas de pessoas para as áreas, alimentá-las e, em alguns casos, hospedá-las em tendas. Já a trilha sonora foi decidida depois do término das filmagens. O diretor foi convidado a visitar a Mongólia e lá conheceu a banda Altan Urag, que mistura folk com rock, e suas canções foram colocadas em diversas partes do filme.

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