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Som sujo, muita fumaça e uísque

Publicado por: Felipe Cruz em: 12 Julho 2009

Renato Godá lança hoje seu primeiro disco
solo com um trabalho que remete aos cabarés

Por: Felipe Cruz

O paulistano Renato Godá, de 38 anos, enquanto canta, fuma e bebe uísque. Seu som remete aos esfumaçados cabarés franceses e as letras são diretas.  Em Bom Partido, por exemplo, canção que abre seu primeiro disco solo homônimo, ele afirma: “Não faço cerimônia / Não sou um bom partido / Tendo para os vícios / Posso causar desgosto / Sou um pervertido / Livre leve e solto / Um vagabundo astuto / Um vira-lata escroto.”

Com a bênção de famosos como Leo Jaime, Arnaldo Antunes e Jô Soares, Godá chega à cena de fininho, sem se preocupar em cantar e agir como um politicamente incorreto. “Não é uma coisa planejada.  Eu realmente fumo e bebo.  O que eu sou no palco é uma extensão de mim.  Não estou levantando nenhuma bandeira”, diz.

O músico sobe hoje ao palco do Sesc Vila Mariana, às 20h30, para lançar seu disco.  Quem for conferir a apresentação, no entanto, verá muito mais do que apenas Godá e seu violão.  O cantor é detalhista e seu objetivo é criar mesmo um clima de cabaré.  O show é curto, no máximo 50 minutos. “Me preocupo com a cenografia, figurino e iluminação”, explica.

Mas, o que seria esse tal clima de cabaré?  O cantor responde. “Um show de boate meio vira-lata, meio cais do porto.” Apesar de no disco ele só ter lançado sete músicas autorais, seu repertório é vasto. “Nunca tive a pretensão de gravar um disco.  Fiz um trabalho simples.  Sou de palco.” Godá bebe da fonte de Tom Waits, Leonard Cohen, Serge Gainsbourg e canções ciganas do leste europeu.  O som dessa turma é sujo e simples, como o do músico, que no passado flertou com o punk.  Esse fato justifica a gravação do disco em tempo recorde: dois dias. “Entrei no estúdio com a ideia de registrar tudo da forma mais natural possível.  Não queria as coisas afinadas demais, prefiro o som mais cru”, revela.

Outro detalhe que não dá para passar despercebido é a corda bamba em que o Godá anda entre o brega e o cult. “Trata-se de uma coisa que me interessa muito.  Tento conciliar uma sonoridade que esbarre no brega, mas ao mesmo tempo é  super chic.” Exemplo disso é a canção Outro Cigarro, que traz uma letra que tem tudo para ser brega de fazer inveja a Reginaldo Rossi, mas não é. “Quando chega a madrugada / As prostitutas envelhecem / Os vagabundos falam com a solidão / Boêmios bebem no balcão.”

Godá estreia o show no Brasil depois de uma micro-temporada em Londres, Paris e Buenos Aires. “Os três locais têm uma cena musical parecida.  Quero recriar no show de hoje o mesmo efeito.”

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