A volta de Max Cavalera

Por Felipe Branco Cruz

Com ajuda dos fãs, o Soulfly, liderado pelo ex-vocalista do Sepultura Max Cavalera, volta ao Brasil para divulgar seu novo disco, Enslaved, o oitavo da banda fundada há 15 anos. Ontem, o grupo se apresentou em Goiânia e hoje é a vez de São Paulo, no Via Marquês. No domingo, sobe ao palco do Circo Voador, no Rio. Os fãs, por meio de financiamento coletivo, compraram cotas de patrocínio que bancaram a turnê nacional.

“Achei super legal o movimento deles, principalmente, porque faz 12 anos desde a última vez que nos apresentamos no Brasil”, diz Max, que conversou com o JT por telefone, de sua casa em Phoenix, nos EUA. “Tocamos em lugares muito ocultos da China e Sibéria, e nada de voltar para o Brasil.” A apresentação na capital paulista terá sabor especial para o vocalista e guitarrista. “O Iggor (seu irmão, ex-baterista do Sepultura) vai participar do show e meu filho Zyon, de 18 anos, também”, contou ele.

Na última semana, Max foi diagnosticado com paralisia em um nervo facial. A doença, de causa desconhecida, deixou metade do rosto do vocalista sem movimento. A assessoria de imprensa do grupo informou que Max está bem e sendo tratado com antibióticos. O vocalista se recupera bem e o show desta noite está confirmado. A última apresentação que o Soulfly fez aqui no Brasil foi no festival Abril Pro Rock, em 2000. O músico, no entanto, já se apresentou no País com sua outra banda, o Cavalera Conspiracy, junto com Iggor, abrindo o show do Iron Maiden no estádio do Morumbi, no início do ano passado, e também no festival SWU de 2010.

No repertório da apresentação, estarão sucessos de todos os oito discos do Soulfly, além de músicas do Cavalera Conspiracy e do Sepultura até o disco Roots, de 1996. “Vai ser um show tipo Greatest Hits”, diz Max.

A participação do filho Zyon não será inédita. Max conta que já chegou a cogitar integrar o garoto à banda. “Ele é um bom baterista, mas o David Kinkade (baterista oficial do grupo) tem uma pegada mais death metal”, explica. A ligação do adolescente com a carreira do pai é longa. Quando ele ainda estava na barriga da mãe, as batidas do coração de Zyon foram usadas na abertura de Chaos A.D., álbum do Sepultura, lançado em 1993.

Naturalizado americano, Max se atualiza sobre as notícias daqui por meio do irmão Iggor. “Sei que o Palmeiras está uma merda”, diz. Mas a distância parece deixá-lo imune aos fenômenos da música sertaneja pop. Quando questionado sobre o fenômeno Michel Teló, sensação das rádios e dos programas de TV, ele pergunta, curioso: “Que tipo de música ele faz?”.

Sem previsão de voltar a morar no Brasil, o músico planeja temporadas por aqui no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro – lá nasceu o disco Beneath the Remains, do Sepultura, em 1989. “Esse álbum nos lançou internacionalmente”, lembra. “De dia, uma banda pop gravava. Depois, gravávamos madrugada adentro.” Outra alternativa para passar mais tempo no Brasil, diz Max, é fazer nova turnê, desta vez por cidades como Belo Horizonte, Manaus, Recife, Natal e Porto Alegre. “O show em São Paulo é só o começo do meu reencontro com o Brasil.”

O vocalista adiantou detalhes da autobiografia A Boy From Brazil, que está preparando. “Vou falar da morte do meu pai, do começo do Sepultura e de tudo que rolou depois”, conta. A obra terá prefácio assinado por Dave Grohl, do Foo Fighters, além de entrevistas com Ozzy Osbourne, Slayer e Sean Lennon (filho de John Lennon), além do próprio Grohl. Andreas Kisser, atual guitarrista do Sepultura, porém, não está nesse rol. Da ex-banda, os únicos entrevistados serão Jairo Guedes (primeiro guitarrista do grupo) e o irmão Iggor. “Não tenho contato com Andreas. Mas não é nada contra a banda. Não existe guerra. Já passou muito tempo”, diz ele. “Ainda tenho a esperança de um retorno da formação original. Mas, por enquanto, não existe nenhuma conversa.”

A voz gutural que é reconhecida em todo o mundo
Assim que deixou o Sepultura, em 1997, após desentendimentos com os integrantes da banda, inclusive com seu irmão Iggor, Max fundou o Soulfly nos Estados Unidos. Logo em seguida, a banda recebeu críticas elogiosas ao novo som, uma mescla daquilo que Max vinha desenvolvendo no Sepultura, com elementos que remetiam

a um heavy metal mais tribal, world music e música brasileira, tendo como influência bandas como Nação Zumbi, e as gringas Deftones e Limp Bizkit. O som do Soulfly, no entanto, não tem nada a ver com essas bandas. Ele está muito mais próximo do death metal do que qualquer outra coisa.

O último álbum da banda, Enslaved, que Max está promovendo no Brasil, foi lançado neste ano e segue a linha tribal, da qual a banda se afastou um pouco nos últimos discos.

Se no Brasil Max Cavalera é pouco conhecido fora do âmbito dos fãs, no exterior, sua voz gutural ecoa com mais força e ele é considerado um dos grandes nomes do heavy metal mundial.

Sobre Felipe Branco Cruz

Curioso por profissão, Felipe Branco Cruz é jornalista. Bairrista convicto, mesmo morando em São Paulo, não se esquece de Barra Mansa, sua pacata e aprazível cidadezinha do interior fluminense. É da capital paulista, no entanto, que este repórter publica suas impressões sobre literatura, cinema, jornalismo, música, política e o que mais lhe der na telha. Me acompanhe no meu blog: www.dtdnews.wordpress.com Ou nas redes sociais: meadiciona.com/felipebcruz

Publicado em 27 fevereiro 2012, em Música, Videos e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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