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Erasmo Carlos

Tremendão

Tremendão

“Tremendo Roqueiro”
Erasmo Carlos faz 50 anos de carreira com
CD novo e o estilo de sempre

Por: Felipe Cruz

Erasmo Carlos não esconde sua paixão por rock. Isso ficou claro ontem, quando o Tremendão recebeu o JT em sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para falar sobre seu novo disco – só de rock. Logo na entrada, nos apresentou seu papagaio. O nome dele? Elvis. “Tentei fazê-lo falar Vasco, mas não consegui”, brinca. No segundo andar da casa, fica um escritório repletos de miniaturas de Elvis e pôsteres antigos da carreira. Pelos corredores diversos, quadros com seus discos de ouro e platina, herança da Jovem Guarda. A seguir, Erasmo fala sobre sua vida particular, dos 50 anos de Roberto Carlos e, claro, de rock’n’ roll.

Você disse que este disco mais ‘rock’ é uma cobrança dos fãs. Mas o que fez sempre não foi rock?
Bicho, o rock sempre foi a minha influência. Mas eu sou um roqueiro brasileiro e sofri outras influências da riqueza musical brasileira. Como eu me considero um compositor, eu não faço só rock, faço qualquer tipo de música que meu estado de espírito mandar e a minha necessidade exigir. Nessas aí, eu dou atenção à MPB e esqueço da linha roqueira que tenho e os fãs me cobram quando eu fico sem fazer rock ‘n’ roll e a mim mesmo também. Decidi retomar a minha estrada roqueira.

O que é ser rebelde hoje?
Rebelde é sempre ir contra o sistema, contra o politicamente correto. Você não sabe o que é o certo e o errado, realmente, mas tem que ir contra. As gerações são mais rebeldes porque vão contra as coisas estabelecidas. Há quem fique rebelde para sempre e há quem desista no caminho. Eu me considero hoje um cara rebelde. Essas pulseiras são uma rebeldia. Minhas roupas também. Muita gente da minha geração é medico, engenheiro, arquiteto, doutor e ele não anda assim. Não é possível que ele não tenha inveja de mim. Ele gostaria de andar que nem eu, mas não anda porque não pode.

E a história de encontrar o grande amor em um supermercado?
Eu acredito nisso. Acredito no amor assim, que acontece por acaso. Você está olhando o céu e daqui a pouco olha para o lado e alguém passa. No supermercado esbarra numa pessoa e ela cai. Mas é uma imagem para dizer que eu acredito no amor por acaso.

Você já passou por vários períodos de esquecimento, não é?
Bicho, eu não sou um superstar atuante. Sou um cara comum. Sou somente um compositor que procura fazer boas músicas. Acertei muito. Mas não sou chegado no glamour. Nisso, eu tive altos e baixo na minha vida. Se você se ausenta da ponte Rio-São Paulo o pessoal acha que você sumiu. O Brasil é grande e feliz quem é conhecido no país todo.

A imprensa explora muito mais hoje a intimidade das pessoas?
Depende. Tem uma parte da imprensa que usa muito essas coisas. Mas muito artista se propõe a isso também. Já apanhei por causa disso, mas hoje eu aprendi.

Você faz 68 anos e tem fama de mulherengo. Já usou Viagra?
Sim, há dois anos. Eu queria saber como era. Eu e uma quantidade imensa de amigos ficamos conversando para saber o que cada um sentiu. No dia não alterou nada. Mas no dia seguinte fiquei excitado o dia inteiro, uma coisa poderosa.

Além do CD novo, Erasmo Carlos prepara uma biografia, para sair ainda este ano, na esteira de seus 50 anos de carreira. A seguir, ele fala do livro e comenta a célebre parceria com Roberto Carlos.

Você faz 68 anos na sexta-feira. Sente falta de uma grande comemoração?
Bicho, não sinto falta dessas coisas. Não sou vaidoso assim. O que surge é bem aceito, porque eu me preocupo com o segmento da minha vida. Não programo nada. O que tiver de acontecer acontece.

Mas está escrevendo a sua biografia, não está?
Vai sair em setembro. Mas são ‘causos’ autobiográficos, coisas da minha infância, dos amigos, da música, da família. Mas tudo engraçado. Nada sério, sem fofoca. O importante não sou eu ou os personagens dos contos. O importante é a piada e o desfecho do conto.

Há quanto tempo está escrevendo o livro ?
Há dois anos e meio. Escrevi tudo à mão e meu filho Leo passou para o computador. Mas não sei quantas canetas usei nem quantas páginas deu. Gosto de escrever à mão porque ela acompanha meu raciocínio. A letra é qualquer uma e só você entende.

Momentos tristes, como envolvimentos com drogas, vai ter?
Não necessariamente. Só conto coisas engraçadas. Por que biografia tem que ter droga, o suicídio da minha mulher (Nara, que se matou em 1995)? Posso ter coisas felizes, momentos com meus passarinhos. Não precisa ser desastres ou coisas ruins. O livro vai até 1990, ano em que aconteceram coisas tristes na minha vida.

Quais momentos?
O suicídio da minha mulher e a morte da minha mãe. São tristes para qualquer um e todas as pessoas têm. Os meus foram esses. O importante é sobreviver. Já sobrevivi às drogas dos anos 70, à aids. Estar vivo é uma grande vitória. Tudo que eu tenho é muito mais do que imaginei. Quando eu sonhava comprar uma casa, era no subúrbio, na Tijuca. Nunca imaginei morar numa casa como essa. Então, hoje em dia, eu acho que tenho muita coisa.

Roberto Carlos disse que voltou a compor com você. É um dos momentos felizes da sua carreira?
Feliz é compor. Seja com ele, com Marcos Valle, Nelson Motta, Liminha, Nando Reis. Com ele é uma oportunidade de conversar, porque o encontro pouco. Isso que ele falou já foi feito. Há quatro anos. Estão inéditas até hoje, nas não nos reunimos para fazer isso.

Nas comemorações dos 50 anos de Roberto você vai participar de algum evento?
Para mim não chegou nenhum convite. Se me chamarem, eu vou. Mas estou seguindo minha vida. Se me convidarem, ótimo, será um prazer. Se não, também estou tranquilo.

Você tem fama de mulherengo e o Roberto faz show com as divas?
Se você ver a minha história, já gravei com Nara Leão, Maria Bethânia, Wanderléa, Nana Caymmi, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, quase todas que estiveram lá com ele.

A mulher é como uma guitarra… E Erasmo é puro rock

Erasmo Carlos é roqueiro. Fã de Elvis Presley e Chuck Berry, o Tremendão ajudou a moldar a cara do rock nacional, em um época em que os puritanos da música criticavam o uso da guitarra elétrica. Neste novo álbum, batizado de ‘Erasmo Rock ‘n’ Roll Carlos’, ele não poderia ser mais direto. Todos os elementos do rock estão lá: guitarra, baixo, bateria, com espaço até para um órgão Hammond.

São 12 composições inéditas. Mas não espere ouvir distorções, gritarias ou as loucuras características dos rocks atuais. O que se ouve é rock sessentista com levada e suingue brasileiros.

Erasmo abre o disco com ‘Jogo Sujo’, canção sobre as rasteiras da vida. O ritmo é envolvente e remete aos acordes dos Rolling Stones. Há boas sacadas em suas composições, como no blues ‘Cover’, em que ele, cansado de viajar pelo Brasil e só ver covers de Elvis, Roberto, Raul Seixas e Michael Jackson – mas nunca de Erasmo –, se proclama o cover de si mesmo. Tanto que, na dedicatória do encarte, escreve: “Ofereço este disco ao meu cover… Que sou eu mesmo.”

Pelo menos três canções falam das mulheres. Em ‘A Guitarra É uma Mulher’, Erasmo deixa de lado essa história de mulher-violão para proclamar que ela se parece mesmo é com uma guitarra. Em ‘Olhos de Mangá’, cita uma dezena de musas que vão de Rita Lee a Wanderléa, passando por Ivete Sangalo. Em ‘Celebridade’, critica as mulheres que usam o corpo para aparecer e conta que entrou numa roubada quando acreditou no que via na revista.

Há várias parcerias, principalmente nas composições. Nando Reis, Nelson Motta e Chico Amaral assinam, cada um, duas canções. Para quem curte classic rock, blues e folk, o disco está na medida certa.

2 Respostas para "Erasmo Carlos"

[...] Erasmo Carlos [...]

o erasmo carlos e roberto carlos brigaram porque o roberto
nunca mais convidou o erasmo para seus shous

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