Paulo Coelho
Entrevista que fiz com o escritor Paulo Coelho, no dia 02/08/2008, para o Jornal da Tarde.
A ferida em que Paulo Coelho toca no seu novo livro, ‘O Vencedor Está Só’, é o culto insano aos ricos e famosos. E o próprio Paulo? Não teme estar neste balaio?
David Rothkopf, em seu livro Superclasse, fala sobre a formação de uma elite tão poderosa culturalmente que sua escala de atuação deixa de ser local e passa a ser global. São poucos os que nela se incluem. Paulo Coelho, segundo Rothkopf, é um deles. O homem que vendeu até hoje 100 milhões de cópias em todo o mundo pode se gabar de ser um dos poucos escritores considerados astros.
E o astro ‘mago’ ataca de novo. Com tiragem inicial de 200 mil exemplares, chega hoje às livrarias o 12º livro de Paulo Coelho, O Vencedor Está Só. Nele, o autor fala sobre um matador que resolve agir durante a realização do festival de cinema de Cannes. Íntimo das elites do mundo, Coelho usa a ficção para contar com desenvoltura tudo o que ronda um festival como esse.
Sobre este e outros temas, como críticas a sua qualidade literária e a recém lançada biografia O Mago, escrita por Fernando Morais, Paulo Coelho conversou com o JT, por telefone, de sua casa em Saint Martin, na França.
O senhor perguntou ao seu biógrafo, Fernando Morais: ‘Quanto tempo demorará para que meus livros sejam esquecidos?’. Acha que isso pode acontecer?
Não penso nisso. Quando fiz esta pergunta eu estava fazendo aniversário e resolvi escrever uma carta para o Fernando. Sabe quando você senta para escrever uma carta e não pensa muito no que escreve?
Hoje o senhor é um autor pop, e integra o que chamaram de superclasse. Esta semana mesmo apareceu na capa da Revista Caras. Não corre o risco de cair na mesma vala de futilidade das pessoas que aparecem assim?
Quem me inclui na superclasse foi o Rothkopf. Eu adoro a revista Caras. É uma revista positiva e que fala bem das pessoas. Não vejo aquilo ali de maneira negativa. É uma maneira de expressar o que eu penso. Eu vou dividir um capítulo deste livro com leitores da Caras para eles possam saber escolher bem o que comprar.
Fernando Morais já disse que só escreve biografias quando uma pessoa pára de produzir fatos. Não acha que ganhou sua biografia cedo demais?
Pergunte ao Fernando. Não foi eu que pedi a biografia. A Editora Planeta propôs e eu aceitei. O que eu fiz foi abrir meu arquivo. E ele publicou o que achou mais pertinente.
E ele chegou aos recantos mais sombrios da sua história?
Eu li com outros olhos. Não me lembrava de nada do que estava ali.
Como assim?
Eu não fico pensando no passado, no que eu escrevi. O que estava nos meus diários, nunca reli. Eu fiquei muito surpreendido, como qualquer leitor, mas quem escolheu fazer foi o Fernando. Eu poderia dizer não, mas tenho um grande respeito por ele, tinha proposta de outros biógrafos do mundo, mas preferi o Fernando Morais.
O senhor tem apego ao texto?
Claro que tenho. Meu texto é meu texto. É uma coisa muito importante para mim.
Neste novo livro, repete em diversos parágrafos expressões como ‘de modo que’ e ‘embora’. Como lida com as críticas?
São críticas muito brasileiras. Eu não lido com a crítica. Não existe nada mais fora de moda do que a crítica. Quem lê crítica? Só os críticos e os caras que estão sendo criticados. O público não lê. Eu escrevo há 20 anos. Leio as críticas, mas não deixo que me guiem. Você disse que eu repito ‘embora’. Ótimo. A linguagem é uma linguagem viva. Você vai escrever o quê? A linguagem de Camões? Não. Tem que ter coragem suficiente, como qualquer escritor tem, de renovar essa linguagem, de fazer essa linguagem viva e não morta. Se não, estaríamos falando latim.
Concordaria com o Tom Jobim quando ele disse que ‘no Brasil, o sucesso é uma ofensa pessoal’?
Acho que é muito mais a coisa do ranço da crítica. Ela está presa a uma série de conceitos e preconceitos. A crítica é muito democrática no que se refere à ética. Mas é muito fascista com relação à estética. Ela quer ver a forma. É como na moda. O que importa mais, o vestido ou a pessoa que está usando o vestido? É obvio que é a pessoa. Mas a crítica se atém ao vestido.
O que acha de seus livros serem indicados como literatura básica do 2º grau, junto com Machado de Assis e José de Alencar?
O que eu espero no Brasil e fora do Brasil é que meus livros sejam ‘desindicados’. O que acontece com literatura indicada é que a pessoa é obrigada a ler. E a coisa mais chata é você ser obrigado a ler. Prefiro que o leitor me escolha pela vontade de me ler. Isso acontece nas escolas brasileiras, se eu não me engano, desde 1993. Até a crítica na época bateu forte sobre isso. Se eu estou contente? Não. Queria que fosse ‘desindicado’. Queria que as pessoas me lessem exatamente porque querem me ler, e não o contrário.
Quando o senhor escreve, pensa em seu público alvo?
Penso em mim. Eu sou traduzido em 68 línguas, publicado em 150 países. Se eu for pensar em alguma coisa, estou perdido.
E a respeito dos que dizem que o senhor está com problemas na Receita Federal, que por isso não voltaria ao Brasil para o lançamento do livro?
Não tem nada a ver. Já tirei uma certidão negativa na Receita Federal com o ‘nada consta’.
Abaixo minha opinião sobre o novo livro de Paulo Coelho, “O Vencedor Esta Só”
UM LIVRO SEM AUTO-AJUDA
O novo livro de Paulo Coelho, O Vencedor Está Só, que chega hoje às livrarias brasileiras, segue a linha dos seus recentes lançamentos e foge da temática esotérica e de auto-ajuda. No 12º romance do autor, um ‘serial killer’ russo obcecado por sua mulher vai até o Festival de Cinema de Cannes, na França, com o objetivo de “destruir os mundos”, ou seja, matar inocentes escolhidos a esmo para que sua mulher perceba o quanto ele a ama.
Paulo Coelho retrata de modo impiedoso os bastidores do festival que, em sua opinião, não tem nada a ver com cinema, mas com moda e cultura de celebridades.
Há uma passagem que mostra bem isso, quando uma modelo quer simplesmente desfilar no tapete vermelho de Cannes, ser fotografada e subir as famosas escadas. Qual o filme do festival? Não importa. Pela portas dos fundos, um carro já a espera, antes mesmo que o exibição comece.
Para rechear com detalhes assim, Coelho testemunhou e ouviu histórias dos habitués do festival, além de ter freqüentado grandes desfiles dos salões de moda para aprofundar-se no tema. O livro traça também um panorama sobre como atua e vivem pessoas da ‘superclasse’, a elite da elite no primeiro mundo. O termo foi criado pelo escritor David Rothkopf para definir quem influencia e dita os costumes mundiais. “O livro fala muito no tema de como a massa é de alguma maneira facilmente guiada e dirigida”, diz o autor.
O enredo aborda ainda como agem modelos, atrizes e produtores que buscam contatos com alguém da ‘superclasse’. Coelho retrata de modo cruel como as pessoas estão dispostas a tudo para serem famosas e influentes, mesmo que tudo isso não passe apenas de aparências.
Esta é a primeira obra de Paulo Coelho lançada no Brasil pela editora Agir. Com 400 páginas, o livro sai com uma caprichada edição em brochura e capa dura.
‘O Vencedor Está Só’
Editora Agir
Preço: R$ 39,90

bom comeco
a massa sempre foi influençiada por uma minoria , mas as pessoas gostam que seja assim e isto é assim desde antes de jesus . como disse o apostolo s paulo , o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males
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