Zeca Camargo
Em entrevista exclusiva, o apresentador revela que já pensou em ter filhos, fala de religião, da paixão pela dança e diz que prefere viajar a entrevistar celebridades
Por: Felipe Branco Cruz
O apresentador do Fantástico (TV Globo), Zeca Camargo, que na semana passada assumiu o comando da série Megacidades, contabiliza mais uma volta ao mundo e, em seu passaporte, já não há espaço para tantos carimbos. Filho do médico Saul de Ávila Camargo (que morreu há dois anos) e de Maria Inês de Brito, o jornalista conta nesta entrevista o ‘fora’ que levou quando tentou tietar Michael Stipe (vocalista do R.E.M) e de sua apreciação por Kelly Key. Ele também conversa sobre as viagens que fez pelo mundo e a série que acabou de estrear.
O que você mais gosta de fazer: viajar pelo mundo ou entrevistar celebridades?
Essa é fácil. Viajar pelo mundo. Quando você entrevista artistas, o interesse é sempre no trabalho deles. Raramente temos acesso à vida pessoal deles ou algo próximo de uma intimidade. São entrevistas protocolares, com tempo marcado. Quando faço uma viagem para fazer uma reportagem, tenho de interagir com as pessoas, faço amigos, vivo o espírito do local. Nesse aspecto, viajar é uma experiência mais rica. Da constelação de celebridades, eu já cobri grande parte delas. Uma coisa é visitar Istambul pela terceira vez, outra é falar com a Madonna pela terceira vez. Prefiro Istambul.
Em 1989, quando você entrevistava Cazuza, ele assumiu que tinha Aids. Hoje em dia, que declaração causaria tanto furor como aquela de Cazuza?
De maneira geral, está tudo muito comportado. Acho que se a gente conseguisse que a Sandy ou o Junior, que na minha opinião são os ídolos pop desta geração, dessem uma declaração assumindo uma grande transgressão ou rebeldia, esse seria o grande furo.
Por exemplo, se o Junior declarasse que é gay?
Não! Mas se dissesse que já teve um período com drogas, por exemplo. Eles têm uma figura comportada. Digamos que se a Sandy falasse que engravidou antes do casamento ou se o Junior dissesse que teve um período de drogas e superou, talvez fossem vistos de forma diferente. Toda vez que um ídolo assume um passado que a maioria das pessoas considera perigoso, está sendo corajoso e transparente e, por isso, ganha mais admiração. Mas, é claro, que do exemplo acima não existe nenhuma evidência que aponte para isso. No caso do Cazuza, a Aids era uma notícia que todos sabiam, mas ele não assumia.
Como foi o caso do Rick Martin assumir que é gay. Todo mundo já sabia, não?
Quem sabia, cara pálida? Ninguém nunca perguntou isso para ele. Eu, por exemplo, nunca o entrevistei. Como estou voltando de viagem, estou por fora da notícia.
Uma vez você disse que ‘tietou’ Michael Stipe, vocalista do R.E.M, e ele abandonou a entrevista. O que você aprendeu com isso? (Michael percebeu que Zeca não prestava atenção às respostas por tietagem e o cantor abandonou a sala, na MTV, na década de 1990).
Foi o maior erro da minha vida e uma grande lição. Nunca mais fiz isso. Na realidade, nem deu tempo de tietar muito, já que ele saiu antes. Mas tietar um artista durante uma entrevista é um erro. Ele está falando com você para vender disco, ingresso de show ou bilhete de cinema. Não fala porque achou você bacana. Aprendi essa regra a duras penas. A tietagem até pode ser feita, mas se o clima da entrevista for bom e se o artista deu essa liberdade. Mas não parta desse princípio.
Você viaja demais. Já teve algum medo de avião?
Se eu tiver de viajar de última hora, eu não vou conseguir porque o passaporte está todo lotado. Mas nunca tive medo de avião. A menos quando pego algumas companhias aéreas curiosas, como Uzbekistan Airways ou Merpati Nusantara Airlines, que é uma companhia regional da Indonésia. Aí, sim, é barra pesada.
Ter o passaporte todo carimbado cria problemas para você entrar em algum país?
Sim, sobretudo nos Estados Unidos. Eles implicam porque eu visitei alguns países complicados. Mas existem reações engraçadas, como os oficiais olharem para o passaporte e me perguntarem o que eu fiz em um curto espaço de tempo entre a Mongólia e o Mali.
Você nasceu em Uberaba (MG), terra de Chico Xavier, e foi criado em São Paulo. Da cidade mineira, você tem alguma recordação do médium?
Eu sempre voltava para Uberaba, minha família é de lá. Mas não me lembro exatamente de Chico. Meu pai era espírita kardecista. Lembro de ter ido uma vez ao centro espírita de Chico, mas era muito criança. Estou muito curioso para assistir ao filme.
Você é espírita?
Não. Digo que sou um turista religioso. Acho que isso é consequência de eu viajar tanto e de ver que existem diversas manifestações de fé pelo mundo. Nunca tive nenhuma experiência sobrenatural que me fizesse aprofundar em uma religião específica.
Recentemente, o autor Aguinaldo Silva criticou você e a Patricia Poeta no ‘Twitter’, dizendo que vocês dois não eram bons apresentadores. Como encara esse tipo de crítica?
É a opinião dele. Nem sabia que ele assistia ao Fantástico com tanta vontade assim. Não faço um programa para agradar ao Aguinaldo Silva. As críticas não interferem na maneira como eu apresentaria o programa. Ele é um grande autor, com opiniões fortíssimas, e eu só posso respeitar. As pessoas têm o direito de criticar, assim como eu tenho o direito de criticar um livro, um filme ou um disco.
No quadro Anjo da Guarda, do ‘Fantástico’, vocês apresentam uma pessoa importante na vida de cada artista. Na sua vida, quem teria esse papel?
Acho a palavra ‘anjo’ um pouco forte. Mas eu tive um grande mestre, com quem tenho pouco contato hoje em dia, que foi o coreógrafo Ivaldo Bertazzo. Dancei com ele durante dez anos e, quando falo de dança, não é algo só corporal, mas sim emocional e espiritual. Ele tem um carisma transformador. Daria esse título para ele.
Como eram essas aulas?
Eram danças étnicas, sobretudo, dança indiana. Isso aconteceu em meados dos anos 1990. Eu me sinto muito sortudo, de uma certa maneira, de ter participado de coisas como essas. Foi um período em que eu tive boas experiências.
Você discoteca e escreve duas vezes por semana em um blog. Como encontra tempo?
Escrevo no avião, na ponte aérea. Adoro. E ressuscitei uma coisa que fazia quando moleque e que adoro, que é brincar de DJ. Em fevereiro, toquei na festa Gambiarra. Além disso, já toquei no Fasano. Fico exausto, mas adoro. Nas picapes, gosto de abrir com Lady Gaga. Sempre gosto de colocar a música A Loirinha, o Playboy e o Negão, da Kelly Key. Acho ótima. As pessoas fazem aquela cara esquisita, mas sempre dançam.
Você tem dois irmãos na faixa dos 40 e uma irmã de 21 anos. Não tem sobrinhos na família?
Não. Até agora, ninguém deu esse mole ainda (risos).
E você, não tem vontade?
Quando fiz 40 anos, pensei que estava na hora de ter um filho. E aí, pensei e achei melhor esperar até os 45. Acabo de completar 47 (ele fez aniversário na quinta-feira passada, dia 8), e nada. É engraçado como nos pautamos por datas.
E você está namorando?
Acho que essa entrevista não é para isso, né?

Esta historia de que lele não tem sobrinhos.. é mentira pois el tem uma sobrinha de 7 anos, linda e a avó Maria Inês não se conforma com este tipo de declaração, pelo menos é o que ela afirma.
Um pena uma pessoa tão inteligente ter um espirito tão pequeno.
Roberta
Eu adoro esse menino!
Sucesso Zeca!!!
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