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A volta da magia do cinema
O grande favorito ao Oscar deste ano, que será entregue no dia 26 de fevereiro, é A Invenção de Hugo Cabret, do diretor Martin Scorsese, indicado em 11 categorias, entre elas as de melhor filme, diretor, roteiro adaptado e fotografia. O longa é a estreia do diretor no mundo dos filmes em 3D e com temática infantil. Mais do que isso. Trata-se de uma grande homenagem à história do cinema feita por um de seus maiores cineastas. Dentre os trabalhos de Scorsese, é impossível não lembrar de títulos como Taxi Driver (1976), Os Bons Companheiros (1990), Gangues de Nova York (2002) e Os Infiltrados (2006), com o qual ganhou o Oscar de melhor diretor (leia mais sobre ele abaixo).
Baseado no livro infantil homônimo (2008) de Brian Selznick, o longa conta a história do garoto Hugo Cabret, que vive escondido entre as paredes de uma estação de trem de Paris. Depois que seu pai (Jude Law) morreu em um incêndio, o garoto passou a ser criado pelo tio alcoólatra, que trabalha na estação dando corda nos relógios. Até que, um dia, o tio desaparece. Para não para ser pego pelo Inspetor (Sacha Baron Cohen) e levado a um orfanato, Hugo herda a tarefa do tio e passa a secretamente dar cordas nos relógios, para que ninguém perceba que o tio sumiu. A estação abriga uma loja de brinquedos, cujo dono, um senhor ranzinza Papa Georges (Ben Kingsley), confiscou do garoto uma caderneta com desenhos feitos por seu pai. Georges tem uma neta, Isabelle (Chloë Grace Moretz), de quem Hugo se torna amigo para tentar recuperar a caderneta perdida. Uma história infantil, mas que tem o público adulto como alvo.
O longa exibe com exuberância visual a Paris do início do século 20, com destaque para as deslumbrantes cenas de neve, em que parece possível tocar os flocos de gelo, dado o cuidado com que o efeito 3D é aplicado. Uma das qualidades do livro em que o filme foi baseado é que ele é repleto de belas ilustrações, que serviram de base para Scorsese criar seus cenários.
Aficionado por máquinas, Hugo aprendeu com o pai a consertá-las. A única que parece sem conserto é um boneco de corda chamado de autômato, capaz de escrever sozinho. O garoto acredita que, se conseguir fazê-lo funcionar de novo, ele escreverá uma mensagem de seu pai. O problema é que, para isso, Hugo precisa de uma chave em formato de coração. Essa busca levará Hugo e sua nova amiga Isabelle (e o público também) a uma incrível viagem pelo mundo do cinema e pela mente criativa do cineasta Georges Méliès, diretor do filme Viagem à Lua (1902), e um dos primeiros a produzirem longas de ficção científica. Em sua vida, Méliès produziu mais de 500 filmes mas, depois da Primeira Guerra Mundial, pouco mais de 30 sobraram.
Homenagem ao cinema
Além de ter sido um pioneiro no cinema, Méliès também foi um dos primeiros a usar efeitos especiais em seus filmes de ficção. Como tinha formação de ilusionista, o diretor usou sua experiência para levar, no início do século, essas sensações às suas produções. Além disso, o francês também foi um dos primeiros a usar storyboards (desenhos que indicam como cada cena deve ser filmada) para projetar seus filmes e cenários. Em Paris, ele construiu um incrível estúdio de cinema todo envidraçado que era para aproveitar a luz do sol, pois as câmeras da época não captavam muito bem a luz.
Todos esses detalhes são mostrados em Hugo Cabret. É como se fôssemos transportados para aquela época e assistíssemos o making off daqueles filmes. É um tributo e uma homenagem ao cinema e a Méliès. O Artista, filme que foi indicado a 10 Oscar, também homenageia o cinema e, por isso mesmo, é forte concorrente de Hugo Cabret. Ao que tudo indica, os jurados da Academia gostam de premiar trabalhos que homenageiem a sétima arte. Eis um desses exemplos. Talvez o melhor já feito até hoje.
A aventura de Scorsese nos mundos infantil e 3D
A lista de obras-primas de Martin Scorsese parece não ter fim. Taxi Driver, A Última Tentação de Cristo, Os Bons Companheiros, Vivendo no Limite, Gangues de Nova Iorque, O Aviador, Os Infiltrados e Ilha do Medo. Sem contar com as 11 indicações ao Oscar que A Invenção de Hugo Cabret teve neste ano, os filmes de Scorsese já receberam 64 indicações e levaram 15 estatuetas. Como melhor diretor ele ganhou por Os Infiltrados, em 2006.
Até Hugo, a maioria dos filmes de Scorsese traziam temática adulta, de violência, suspense ou drama. Até hoje, ele nunca tinha se aventurado numa fábula infantil e em 3D. A impressão que dá é que Scorsese, depois de ver como o 3D estava sendo usado de forma comercial e não artística, apenas como pretexto para cobrar caro na entrada do cinema, teria resolvido fazer um grande filme com a moderna tecnologia e, de quebra, ainda homenagear a sétima arte. As 11 indicações ao Oscar parecem dizer: ‘É assim que se faz cinema infantil e em 3D”.
Mas o trabalho do diretor de 69 anos não se limita à ficção. Como documentarista, já mostrou os bastidores de um show dos Rolling Stones, em Shine a Light, além da intimidade do ex-beatle George Harrison, em Living in the Material World. Bob Dylan também já mereceu um documentário e as lentes de Scorsese.
Não é a toa, portanto, que o diretor seja considerado com um dos maiores diretores americanos de cinema ainda vivo, ao lado de Francis Ford Coppola, George Lucas, Brian De Palma e Steven Spielberg. Do Brasil, Scorsese admira o cineasta Glauber Rocha e até já colaborou com a restauração de alguma de suas obras.
Invasão alienígena domina a Rússia
Por Felipe Branco Cruz
O ator americano Emile Hirsch, de 26 anos, já provou seu talento ao interpretar o difícil papel de Christopher McCandless, no filme Na Natureza Selvagem (2007). Na ocasião, ele perdeu 18 quilos para representar a fase mais complicada da jornada de McCandless no Alasca.
O ator participou de filmes como Milk – A Voz da Igualdade (2007), em que teve papel de destaque. Portanto é de surpreender que Hirsch tenha aceitado embarcar num projeto como A Hora da Escuridão, que estreia hoje, segundo filme autoral do diretor Chris Gorak, que se notabilizou pela direção de arte de Clube da Luta (1999).
O longa, que também será lançado em 3D, conta a história de dois investidores do mundo digital que vão buscar recursos na Rússia. Lá, eles conhecem duas garotas numa casa noturna. Nessa mesma noite, estranhas luzes descem do céu e, ao pousar na cidade, começam a desintegrar todas as pessoas. Obviamente, os jovens conseguem escapar e o que se vê é uma sucessão de sequências cinematográficas já amplamente exploradas em outros filmes sobre invasões alienígenas. Como, por exemplo, carros abandonados, cidade às moscas e lixo pelas ruas.
O roteiro é pobre e, por isso mesmo, que é de se estranhar o porquê de Emile Hirsch, um ator já tarimbado em filmes densos e bem-elaborados, tenha aceitado um papel tão bobo. Se ignorar que este é mais um filme sobre invasão alienígena e se deixar levar pela diversão simples e pura, certamente o espectador não sairá frustrado com os efeitos especiais, que são, sem sombra de dúvida, eletrizantes.
Aliás, é aí que reside a maior qualidade do longa. Os aliens são invisíveis, portanto o diretor teve de se desdobrar para criar momentos de tensão e perseguições a seres que não podem ser vistos. Algumas dessas imagens lembram daquelas já vistas em O Predador (1987), cujo vilão também é invisível. O alien de A Hora da Escuridão é composto praticamente de energia e é mais fácil localizá-lo à noite, pois a energia do monstrengo acende as lâmpadas dos postes, os alarmes dos carros etc.
Apesar de ser uma invasão global, o filme acompanha essa devastação apenas pelos olhos dos protagonistas. Ficamos sabendo aos poucos que a destruição chegou a grandes cidades, como Nova York, Londres e Paris. Por serem formados basicamente de energia, a princípio parece ser praticamente impossível destruir os aliens. Aos poucos, no entanto, os sobreviventes vão descobrindo maneiras de utilizar essa energia contra os invasores.
A Hora da Escuridão não se trata de um primor cinematográfico, com grandes sacadas. O longa nem pretende reinventar os filmes de alienígenas. Mas consegue, no entanto, divertir e fazer valer o ingresso.
As piranhas estão soltas, de novo
Por: Felipe Branco Cruz
Piranha 3D é um daqueles filmes facilmente classificados como trash. Não dá para dizer que ele é bom, mas é justamente essa a intenção. Ele foi feito para ser ruim. Afinal de contas, o que esperar de um longa em que um faminto cardume de piranhas pré-históricas preso há milhares de anos embaixo de um lago é libertado após um terremoto e passa a atacar estudantes seminuas e atrizes pornô que estavam nas margens do lago naquele momento?
Mas não é só isso. O diretor Alexandre Aja reuniu um elenco, no mínimo, eclético. Estão incluídos aí Richard Dreyfuss, que ganhou o Oscar de melhor ator por sua atuação em Garota do Adeus, de 1977; Christopher Lloyd, o Doc Brown do filme De Volta Para o Futuro; Riley Steele, estrela do cinema pornô que ficou conhecida por sua atuação num filme que parodia Piratas do Caribe; Kelly Brook, modelo britânica, eleita em 2009 a mulher mais sexy do mundo pela revista More! e Eli Roth, que fez o Urso Judeu em Bastardos Inglórios e dirigiu a série de terror O Albergue. Como se não bastasse tanto ecletismo, o longa reduz o papel do vencedor do Oscar a apenas uma ponta e dá mais espaço para as gostosas e a atriz pornô em cenas para lá de calientes.
Mas a ideia era essa mesmo. Tanto é que o filme custou baratíssimo para os padrões americanos, apenas US$ 20 milhões e nos dois primeiros fins de semana de exibição nos cinemas mundiais já rendeu US$ 65 milhões.
O longa é um remake do filme homônimo, lançado em 1978. A diferença é que, no atual, o apelo é maior com a utilização do 3D. Detalhes como os litros de sangue jorrados pelos ataques das piranhas, pedaços de corpos destroçados e peitos siliconados ganham outra perspectiva com a tecnologia.
Peladas em 3D
Para os marmanjos, será um deleite apreciar, em 3D, as curvas da modelo Kelly Brook. Quando não está nadando pelada, a moça aparece em trajes sumários. Pelo menos, uma atriz se destaca mais pelo talento do que pelo corpo – e olha que ela também é bonita. Trata-se de Elisabeth Shue, indicada ao Oscar por sua atuação em Despedida em Las Vegas, de 1995, filme que deu o Oscar de melhor ator a Nicolas Cage. Elisabeth é a xerife Julie Forester, responsável pela segurança dos estudantes que estão no lago.
Os Smurfs estão de volta ao Brasil
Filha do criador dos Smurfs fala da volta dos
seres azuis à TV brasileira e do novo filme em 3D
Felipe Branco Cruz
Ela tem olhos azuis, cabelos loiros, fala mansa e é extremamente simpática. Exceto por sua pele, que não é azul, Véronique Culliford, a filha do cartunista belga e criador dos Smurfs, Pierre Culliford, o Peyo (morto em 1992), inspirou o pai a criar a personagem Smurfette, a única mulher que vive na vila dos Smurfs. Detalhe: ela nasceu no mesmo ano em que Peyo criou os Smurfs, em 1958. Nesta semana ela esteve no Brasil para preparar um retorno dos seres azuis à televisão brasileira, além do licenciamento e lançamento de diversos produtos com a marca Smurfs.
Em entrevista ao JT, na sede da empresa ITC, responsável pelo licenciamento da marca no País, a herdeira de Peyo adiantou também alguns detalhes sobre o filme dos Smurfs, que está sendo rodado em Nova York e deverá estrear em 3 de agosto de 2011. A produção, feita em parceira com a Columbia Pictures/Sony tem orçamento de US$ 100 milhões e será feita em tecnologia CGI, que mistura animação com personagens reais. Além disso, o longa será todo feito em 3D. A imagem de um desses personagens, o vilão Gargamel, interpretado por Hank Azaria, já vazou na internet (veja ao lado). O filme mostrará Gargamel perseguindo os Smurfs em sua vila quando eles caem em um buraco e vão parar no meio do Central Park, em Nova York. Além de Azaria, também estão no elenco Neil Patrick James, Jayma Mayes e Sofia Vergara. A direção ficou por conta de Raja Gosnell. A voz de Smurfette será dublada pela cantora Katy Perry.
“Cresci com eles. Na escola, minhas amigas achavam o máximo eu ser filha de Peyo”, diz ela. “Eles são azuis e brancos. Uma combinação incrível de cores. Eles são simpáticos e vivem em comunidade. São personagens universais porque cada pessoa consegue se reconhecer neles. Tem o bravo, o inteligente, o preguiçoso, o bagunceiro”, diz ela, justificando por que os Smurfs são tão famosos no mundo inteiro.
“O filme será completamente diferente dos desenhos da TV e dos quadrinhos. Fizemos alguns testes e tenho certeza de que os Smurfs são perfeitos para o formato 3D”, adianta. “Fiquei com receio porque não queria que eles saíssem da vila. Mas aprovei o resultado”, completa.
Os Smurfs, segundo seu criador, têm o tamanho de apenas três maçãs e vivem em uma vila no meio da floresta, dividindo tudo. Por causa disso, no passado, Peyo foi acusado de usar seus personagens como propaganda do comunismo. “Isso é uma besteira grande. Eu ouvia meu pai dizendo que odiava quando falavam isso para ele. Nunca tivemos nada a ver com partido comunista”. No Brasil o desenho dos Smurfs foi transmitido pela TV Globo até 1997. Atualmente, Véronique está em negociação com três canais de TV (cabo e aberta) para voltar a transmitir os desenhos no País. Seriam 272 episódios, 112 deles inéditos.
Os Smurfs tiveram grande sucesso no Brasil na década de 80 e quem tem entre 25 e 30 anos certamente se lembra da musiquinha de abertura e das aventuras vividas pelos personagens. Eles habitavam casinhas em forma de cogumelo no meio de uma floresta e eram liderados pelo Papai Smurf, o único que usava roupa vermelha, diferente dos outros. “Nunca dissemos onde a vila dos Smurfs estava localizada. Ela pode estar dentro de qualquer floresta, inclusive a Amazônia, por que não?”, diz Veronique.
‘Premonição 4′: Mortes assustadoras com efeito 3D
Por: Felipe Branco Cruz
Vários amigos estão se divertindo. De repente, acontece um acidente que mata todos eles. Mas não era verdade. Tratava-se de uma visão de um integrante mais sensitivo do grupo. Receoso com a intensidade da premonição, ele alerta a todos para saírem do local antes que seja tarde. Em seguida, o devastador acidente ocorre e eles são salvos. Dias depois, esses mesmos amigos morrem de formas trágicas, na mesma sequência que perderiam a vida caso não tivessem sido salvos. É a ‘Dona Morte’ vindo buscar um por um.
O enredo não é exatamente uma novidade. É que o longa que chega hoje aos cinemas é a quarta parte da franquia Premonição. A história é bem parecida com as anteriores. Mudam-se apenas os personagens, as situações e as mortes. A grande diferença é que desta vez tudo acontece em 3D.
Assim, detalhes simples como um parafuso que se solta de um carro de corrida e voa em direção ao público ou pregos que caem de uma obra ganham outra intensidade com o efeito da terceira dimensão. As trágicas mortes, com muito sangue e riqueza de detalhes, marca registrada da franquia, também ficam mais impressionantes. Infelizmente a história é sofrível e só vale a pena assisti-la se em 3D.



