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Aos Mestres Com Carinho

Paul McCartney reverencia influências musicais em
disco que reúne clássicos da canção americana

Por: Felipe Branco Cruz
Fonte: Jornal da Tarde

A cena foi descrita pelo próprio Paul McCartney, de 69 anos, em entrevistas à imprensa internacional. Para ele, seu novo disco Kisses On The Bottom, que chega hoje ao Brasil – após lançamento mundial ontem –, é um daqueles CDs que “escutamos ao voltar do trabalho, com uma taça de vinho, ou uma xícara de chá”. De fato, o novo trabalho do ex-beatle, o 15º de sua carreira solo, é leve, intimista e simples. Para o repertório, ele escolheu gravar clássicos do jazz do início do século 20 e standards da música americana que eram cantados por seus pais nas noites de Ano Novo.

No álbum, há apenas duas canções inéditas compostas por Paul: My Valentine, escrita, segundo o próprio músico, num Dia dos Namorados chuvoso no Marrocos, com sua mulher Nancy Shevell. Nesta canção, Eric Clapton empresta sua guitarra para um certeiro solo. Sua outra música é Only Our Hearts, que conta com a gaita de Stevie Wonder.

A cantora e pianista Diana Krall também participa do disco como produtora, ao lado do produtor veterano Tommy LiPuma (que já trabalhou com nomes como Barbra Streisand e Miles Davis). Diana toca piano no álbum e cedeu os músicos de sua banda para gravarem também algumas canções.

Durante 50 minutos de audição, Paul brinda o ouvinte com emocionadas interpretações para 14 canções como It’s Only a Paper Moon, Always, My Very Good Friend the Milkman e Bye Bye Blackbird. O título do álbum, Kisses On The Bottom, faz referência à letra da música I’m Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter (gravada por Frank Sinatra em 1954, no seu álbum Swing Easy) – e que, se for traduzido ao pé da letra, significa‘Beijos no Traseiro’. Nele, Paul, que não lançava um disco de estúdio desde Memory Almost Full, de 2007, faz um trabalho singelo, despretensioso e que cumpre o que promete: homenagear os mestres do jazz que o influenciaram. De acordo com o músico, o trabalho foi a forma que ele encontrou para conciliar sua vocação musical com a vontade de descansar, conviver mais com a família e resgatar suas memórias. A sensação que se tem é a de estar ouvindo a trilha sonora de um filme de Woody Allen.

Sir Paul McCartney já é um senhor de quase 70 anos. Portanto, nada mais natural que queira desacelerar um pouco. O problema é que ele não desacelerou. Pelo contrário. Ainda para este ano, ele planeja lançar outro disco, só que desta vez de inéditas. Mas Paul não adiantou como será. Em entrevistas, ele brincou dizendo: “Talvez não seja pop, talvez seja rock, talvez psicodélico… Quem sabe?”.

Não é cover. É homenagem
Em Kisses On The Bottom, Paul não toca nenhum instrumento. O trabalho todo foi deixado para os amigos. No álbum, ele atua apenas como intérprete. “Há anos, eu queria tocar algumas velhas canções da geração dos meus pais”, disse o músico, em depoimento a jornalistas no exterior. “Não tive a impressão de ter tido um trabalho duro nesse disco.”

Não cabe também chamar este de um álbum de covers. Para Paul, é uma homenagem. Segundo o músico, essas canções foram usadas por ele e John Lennon como base de suas próprias canções. “Quando comecei a me interessar por composição, percebi quão estruturadas estas canções eram e aprendi muitas lições.”

Na próxima quinta, dia 9, ele será homenageado em Los Angeles, com uma estrela na Calçada da Fama. Até hoje, Paul era o único beatle que não tinha sua estrela em Hollywood. A estrela deverá ficar localizada próximo ao edifício da Capitol Records, onde Paul gravou este disco.

Clique aqui para ouvir o disco completo

Faixa a Faixa
1. I’m Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter
Piano, bateria e baixo. Composição clássica de uma banda de jazz.

2. Home (When Shadows Fall)
Nesta faixa, Paul mostra sua faceta crooner. Mas com uma voz quase sussurrada, não dá a potência necessária que a música pede.

3. It’s Only a Paper Moon
Como se estivesse numa festa, Paul brinca com os vocais fazendo falsetes e até assoviando. Esta é uma das canções mais animadas do disco.

4. More I Cannot Wish You
No começo, apenas violão e a voz de Paul dão o tom. Ele canta de forma lenta e compassada. Esta, talvez, exemplificaria bem o que Paul quis dizer com “ouvir enquanto toma um vinho ou chá”.

5. The Glory of Love
Feche os olhos e se imagine em um bar esfumaçado, à meia-luz, com um pequeno palco ao fundo. É essa a sensação que esta canção passa. Mas com Paul nos vocais.

6. We Three
Esta canção é puro jazz. Se você queria saber como seria se Paul McCartney um dia resolvesse ser cantor de jazz, este seria o exemplo perfeito.

7. Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive
Johnny Mercer, Aretha Franklin e Bing Crosby já interpretaram essa canção. Paul decidiu incluí-la no disco por não ser uma escolha óbvia.

8. My Valentine
Logo nos primeiros segundos da faixa, já é possível perceber os acordes da guitarra de Eric Clapton, que faz participação especial. A música foi composta por Paul em homenagem à sua mulher Nancy Shevell.

9. Always
Mais um exemplo em que Paul McCartney ataca de crooner. Mas como sua voz é mais aguda do que grave, a canção perde um pouco sua força.

10. My Very Good Friend the Milkman
Ao lado de It’s Only a Paper Moon, esta é uma das mais animadas canções do disco. Nela, Paul também assovia notas.

11. Bye Bye Blackbird
Um dos grandes standards americanos, esta canção ficou famosa na voz de Gene Austin, em 1926.

12. Get Yourself Another Fool
Eric Clapton também participa desta canção. Sua guitarra certeira dá o tom.

13. The Inch Worm
Esta música é quase uma aula de matemática, em que Paul declara seu amor por meio de somas e multiplicações.

14. Only Our Hearts
A música é outra declaração de amor de Paul, nesta que é a segunda canção composta por ele para este álbum, com participação de Stevie Wonder.

Enquanto sua guitarra gentilmente chorar…

Por: Felipe Branco Cruz

Poucos merecem a alcunha de deus da guitarra. Eric Clapton, de 66 anos, é um desses. Hoje, às 21h, no estádio do Morumbi, o guitarrista inglês provará, sem precisar provar nada para ninguém, por que seu nome está marcado no panteão dos gênios do instrumento, ao lado de Jimi Hendrix (1942-1970), George Harrison (1943-2001) e Stevie Ray Vaughan (1954-1990). Os três, aliás, foram grandes amigos de Clapton.

Embora seja conhecido da grande maioria do público por seus sucessos pop, como Tears In Heaven, Change The World e Blue Eyes Blue, Clapton não deve apresentar nenhuma dessas músicas hoje. A praia do guitarrista sempre foi o blues e seu repertório deve se manter no gênero. O show, aliás, faz parte da turnê de divulgação de seu último álbum, Clapton (2010), só com blues.

No repertório, porém, o público poderá esperar por I Shot The Sheriff, de Bob Marley, Crossroads e Badge, do, Cream, além da obra-prima Layla, composta por Clapton na época em que integrava a banda Derek and the Dominos. Deste álbum, ele deve apresentar também Key to the Highway. E, é claro, Cocaine, sucesso de sua carreira solo.

Se o show de hoje for semelhante ao que fez na segunda-feira, no Rio de Janeiro, Clapton deverá passar boa parte do show sentado, levantando-se apenas em alguns momentos. E assim como no HSBC Arena, o estádio do Morumbi terá parte de seu gramado loteado com cadeiras, com uma parcela do público também assistindo ao show sentado.

O cenário deve ser simples, sem frescura, nem telões de alta definição ou efeitos especiais. Apenas Clapton e seu instrumento. O músico deve se dirigir ao público raramente. As palavras podem não passar de um “boa noite”. A linguagem virá da guitarra e do violão. E essa certamente todo mundo vai entender. Nada disso deverá esfriar o público, que provavelmente acompanhará o ídolo, imitando seus solos em guitarras imaginárias.

No show de hoje, Clapton será acompanhado dos músicos Steve Gadd (bateria), Willie Weeks (baixo), Chris Stanton (teclado), e das cantoras Michelle John e Sharon White. A apresentação será aberta por Gary Clark Junior, de 27 anos, que faz um som inspirado no próprio Clapton, com mistura de soul, blues e rock. Clark Junior está sendo considerado pela crítica internacional como um dos melhores guitarristas da nova geração, sendo chamado de “o salvador do blues”. A maneira como toca também já foi comparada a Hendrix e Vaughan. O jovem começou a tocar ainda criança, aos 12 anos, e já se apresentou com B. B. King, Buddy Guy, Steve Winwood, Sheryl Crow, Jeff Beck e ZZ Top.

Um passado trágico
A genialidade de Clapton veio acompanhada de mais de 20 anos marcados por percalços e tragédias em sua vida pessoal. Como conta em Eric Clapton, A Autobiografia (2007, Editora Planeta do Brasil), o guitarrista enfrentou graves problemas com álcool e drogas e brigas com os ex-integrantes de suas bandas em meados dos anos 70. Dentre as passagens funestas, está o assassinato da mãe do baterista Jim Gordon. Num surto psicótico, Gordon a atacou a marretadas.

Outro capítulo, já nos anos 90, narra o acidente de helicóptero que vitimou o guitarrista Steve Ray Vaughan, que estava em turnê com Clapton. Em 1991, Conor, filho de 4 anos do músico com a modelo Lori Del Santo, morreu após cair da janela de um prédio. Foi nessa época triste que Clapton comporia Tears in Heaven e Circus Left Town, que se tornariam clássicos (mas não serão tocadas hoje).

Talvez a mais trágica passagem na vida de Clapton tenha sido seu amor por Pattie Boyd-Harrison, mulher de seu melhor amigo, o guitarrista dos Beatles George Harrison. Clapton sofria por amar a mulher do amigo. No fim das contas, Pattie acabou se separando de Harrison para ficar com Clapton. Foi com Layla, aliás, que ele a teria conquistado. E amizade entre os dois, apesar disso, sobreviveu. A vida de Clapton só voltaria a entrar nos eixos a partir de 1993, quando lançou o MTV Unplugged. E, quando se casou, mais tarde, em 99, com Melia McEnery.

Clapton vai atrás do ídolo, o baiano João Gilberto
Assim como Eric Clapton, o baiano João Gilberto também é considerado um gênio de seu instrumento. A diferença é que Clapton é astro da guitarra, João é o mestre do violão. Com sua inconfundível batida, criou o característico ritmo da bossa nova. Em entrevista ao ‘Jornal da Globo’, Clapton declarou que, há cinco anos, ficou impressionado ao assistir, em Londres, João Gilberto tocando sozinho no palco. Clapton disse que tinha achado a apresentação “fantástica”. “Foi uma noite maravilhosa”, disse o músico inglês.

O próximo passo de Clapton é tocar com João Gilberto. Ainda não há nada confirmado, mas é provável que o guitarrista divida o palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 19 de novembro, com o músico baiano.

O show faz parte da turnê comemorativa dos 80 anos de vida e 50 de carreira do brasileiro.

Eric Clapton tem afirmado regularmente que admira João Gilberto. Tanto é que Clapton tem intermediado que a gravadora EMI negocie com João Gilberto o relançamento dos três primeiros discos, da década de 60, que ajudaram a criar a Bossa Nova. Os fonogramas são de propriedade da gravadora e João até hoje nunca conseguiu comprá-los de volta.

REPERTÓRIO:
Repertório do show que Eric Clapton fez no dia 10 de outubro, no HSBC Arena, no Rio de Janeiro. O músico costuma alterar a sequência das canções, retirar ou incluir outras não programadas. Por isso, esta pode não ser exatamente a lista de músicas que ele apresentará hoje em São Paulo:

Going Down Slow
Key To The Highway
Hoochie Coochie Man
Old Love
I Shot The Sheriff
Driftin
Nobody Knows You When You’re Down And Out
Lay Down Sally
When Somebody Thinks You’re Wonderful
Layla
Badge
Wonderful Tonight
Before You Accuse Me
Little Queens Of Spades
Cocaine
Crossroads

Quando ela disse SIM!

Há quatro anos eu recebia o terceiro “sim” da garota mais linda e extraordinária que conheci, a Marcela. O primeiro foi dentro da fábrica da Peugeot Citröen, em Porto Real, em meados de 2006. Neste dia ela disse “sim” quando ofereci fones de ouvido para ouvir a tradução simultânea de um francês que falava sobre o mercado automotivo brasileiro. Nós não nos conhecíamos e mal sabíamos que, quatro anos depois, ela diria sim para uma viagem que faríamos para a França. Coincidência ou mais uma dessas travessuras do destino? Não sei. Só sei que naquele dia eu tremia e suava frio pois uma desconhecida, mas linda garota, tinha aceitado alguma coisa de mim.

O segundo “sim” veio no ano seguinte, em 21 de julho de 2007, quando, finalmente, criei coragem e a convidei para sair. Ela aceitou e nós nos beijamos pela primeira vez. Se eu desconfiava que ela seria a mulher da minha vida, depois daquele beijo, eu tive certeza. Finalmente, ela me deu seu terceiro “sim” no dia 11 de agosto de 2007, quando aceitou namorar comigo. Achei que fosse ter um ataque do coração, de tão forte que ele batia, quando Marcela mirou seus olhos em mim e com sua voz doce verbalizou aquilo que já dizia com os olhos.

Depois disso, o que mais ouvi dela foi a palavra “sim” e ela também ouviu muitos “sim” de mim também. Hoje damos um grande “sim” para a vida que passamos a construir juntos. Mas, o mais importante de todos os “sim”, viria três anos depois, no dia 26 de fevereiro de 2011, quando ainda mais nervoso ouvi da Marcela o “Sim” para nos casarmos e sim, para passarmos o resto da vida juntos. E, mais uma vez, sim, quase que tive outro treco de novo.

Agora, às vésperas de viajarmos para Paris, lembro daquele primeiro “sim” que ouvi da Marcela. Um sim para um simples fone de ouvido que, por meio de seus alto-falantes, se escutava a tradução do que dizia um executivo francês. Na próxima semana, quando estivermos na cidade mais linda do mundo, nem eu nem ela teremos fones de ouvido para traduzir o francês que escutaremos às margens do Sena ou num dos belos jardins da cidade. Mas não importa. Quando se ama de verdade uma pessoa, não é preciso tradução. Você entende o que ela quer dizer observando seu olhar, os gestos ou um toque.

Marcela te amo!
Feliz quatro anos de namoro.

Para ela, deixo a letra de uma das músicas mais bonitas dos Beatles:

A letra traduzida:

Algo na maneira em que ela se move,
Me atrai como nenhum outro amor
Alguma coisa em seu jeito me agrada

Eu não quero deixa-lá agora
Você sabe que acredito e muito

Algum lugar em seu sorriso, ela sabe
Que não preciso de outra
Algo em seu jeito que ela me mostra

Eu não quero deixa-lá agora
Você sabe que acredito e muito

Você me pergunta se meu amor vai crescer
Eu não sei, eu não sei
Fique por perto e você verá
Eu não sei, eu não sei

Alguma coisa em seu jeito, ela sabe
E tudo que tenho de fazer é pensar nela
Algo nas coisas que ela me mostra

Eu não quero deixa-lá agora
Você sabe que acredito e muito

Registro da passagem de Paul McCartney pelo Rio de Janeiro

Vídeo oficial da passagem da Turnê Up and Coming pelo Rio de Janeiro em 2011. Acompanhe entrevistas com patrocinadores e responsáveis pela vinda de Paul McCartney ao Brasil, imagens de bastidores e trechos dos dois shows realizados no estádio do Engenhão. Há também depoimentos de fãs e membros da equipe internacional de Macca. Um registro histórico! Confira!

Paul McCartney leu minha minha matéria

Ontem a Lúcia Camargo me mandou uma foto por e-mail com um comentário: “O Macca leu sua matéria”. Mas, como assim?! O que aconteceu foi o seguinte, depois do show que ele fez no dia 21 de novembro eu escrevi a crítica do show que foi publicada no JT no dia 22 de novembro. Nesse mesmo dia saiu também duas outras matérias minhas. A primeira sobre o relançamento da discografia completa do John Lennon e a outra sobre o relançamento das coletâneas Vermelha e Branca, dos Beatles.

Clique na foto para vê-la ampliada

O pessoal da produção do Paul McCartney deixou na mesa dele, no dia seguinte, as edições do Jornal da Tarde e do Estadão com as críticas do dia. Paul adora divulgar os bastidores das turnês e divulgou a foto acima com o rascunho do que ele iria dizer no show do dia 22. Inclusive a frase “Chove Chuva”, que ele escreveu no papel como “Shove Shooova”. E lá, entre tantos papeis, estava o jornal.

Abaixo a reprodução das páginas do Jornal da Tarde do dia 22 de novembro, que estava na mesa dele
(Clique nas imagem para ver em tamanho maior):

Leia as reportagens:

Albuns “Vermelho” e “Azul” são relançados

Lennon Definitivo

Para entrar para a história

 

Um Show que vai deixar saudades

Paul McCartney durante o show de segunda-feira, no Engenhão, no Rio de Janeiro

Paul McCartney durante o show de segunda-feira, no Engenhão, no Rio de Janeiro

Por: Felipe Branco Cruz
Rio de Janeiro

O público carioca encantou Paul McCartney nos dois shows que o ex-beatle fez no Rio de Janeiro anteontem e domingo. Tanto é que ele escreveu uma carta aberta agradecendo à plateia pelo carinho (leia ao lado). “De repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho”, escreveu. Ele se referia à apresentação de domingo, quando a plateia, depois de ter combinado pela internet, levantou vários cartazes com os dizeres “na na”, do refrão de Hey Jude.

No segundo dia, Paul trocou cinco das 22 canções exibidas em cada show. Ele abriu a apresentação com Magical Mistery Tour, diferente de domingo, quando começou com Hello, Goodbye. Depois tocou Coming Up, do álbum McCartney II, além de I Saw Her Standing Here, dos Beatles, que também não estavam no set de domingo. Ao contrário do atraso de 15 minutos do show de domingo, na segunda a apresentação começou exatamente às 21h30 e acabou à 0h de terça-feira. O público foi o mesmo da noite anterior, de 45 mil pessoas.

Aos cariocas, Paul ensaiou frases em português que agradaram em cheio. “Já falo português carioca”, disse. Depois ele apontou para si mesmo, bateu no peito e afirmou: “Carioca, carioca!”.

O repertório contou ainda com uma série de tirar o fôlego, que in cluía sucessos dos Beatles e da carreira, como All my Loving, Got to Get Into my Life, Long and Winding Road, Blackbird, Something, Eleanor Rigby, Paperback Writer, A Day in the life e Live and Let Die.

Abraços e autógrafos
No final do show, as jovens Laura, Carolina, Julia e Mariana subiram ao palco para abraçar o ídolo e ganharem autógrafos. “Elas precisavam de um abraço”, disse Paul quando elas desceram. Mais cedo, durante a passagem de som, por volta das 15h, três fãs também tiveram contato com Paul. Para a fluminense Raphaela Giffoni, de 28 anos, o ex-beatle cantou Happy Birthday, em homenagem ao aniversário da jovem. “Foi emocionante. Não tenho nem palavras”, disse. “Muita gente queria estar no meu lugar. Eu estava com um cartaz escrito em inglês pedindo um abraço de aniversário”, disse. Raphaela também assistiu aos shows de Porto Alegre e São Paulo, no ano passado. A argentina Micaella recebeu um autógrafo na barriga, e a ex-editora executiva do JT, Lúcia Camargo Nunes ganhou um autógrafo no braço. As duas disseram que irão tatuar a assinatura do ídolo. Mais cedo, o ex-beatle tinha velejado pela baía de Guanabara, num dia de muito sol. Logo depois do show, ele foi direto para o Aeroporto Internacional Tom Jobim. Uma passagem pelo Brasil para deixar o público e também Paul McCartney com saudades.

Leia abaixo na íntegra o texto escrito por Paul McCartney sobre os shows no Rio de Janeiro

“Estar no Rio foi fantástico desde o minuto que pousamos. A multidão em volta do hotel era “bananas” (maluca). Eles eram loucos e a atmosfera foi crescendo até fazermos os shows. Eu amo o Brasil. Eu amo o fato que eles amam música, é uma nação muito musical. Eu se eu amo música e eles amam música, então é uma conexão natural. Fãs de todas as idades estavam nos shows. Tinha um enorme grupo de fãs jovens, que eu amo, e também tinha seus pais e até seus avós. Então era uma enorme variação de idade. O entusiasmo pela minha música era simplesmente sensacional. Todos nós da banda curtimos esse momento maravilhoso e nós agradecemos aos fãs por tornarem tudo tão excitante.

Quando tocamos “Hey Jude” e pedi a plateia para cantar “na na na na’s”, de repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho. Ele poderiam ter apenas vindo ao show e assistido, mas eles se falaram antes para criar este momento tão especial. Ele se conectaram uns com os outros, depois conectaram-se conosco e com a equipe inteira. Todos se sentiram unidos. Foi muito excitante e emocionante ver que as pessoas se importam tanto.”

Paul McCartney

Confira o setlist do show de segunda-feira:

1) Magical Mistery Tour
2) Jet
3) All my Loving
4) Coming Up
5) Got to Get You Into my Life
6) Sing the Changes
7) Let me Roll It
8) Long and Winding Road
9) 1985
10) Let me In
12) And I Love Her
13) Blackbird
14) Here Today
15) Dance Tonight
16) Mrs Vandebilt
17) Eleanor Rigby
18) Something
19) Band on the run
20) Ob-la-di, Ob-la-da
21) Back in the USSR
22) I’ve Got a Feeling
23) Paperback Writer
24) A Day in Life/ Give Peace a Chance
25) Let It Be
26) Live and Let Die
27) Hey Jude

Bis 1
28) Day Tripper
29) Lady Madonna
30) I Saw Her Standing There

Bis 2
31) Yesterday
32) Helter Skelter
33) Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
34) The End

Os concorrentes dos Beatles

Por: Felipe Branco Cruz
Fonte: Jornal da Tarde

Quem viveu a década de 60 na Inglaterra provavelmente não gostava apenas de Beatles e Rolling Stones, como costuma-se imaginar. As cenas de histeria coletiva causadas pela Beatlemania, de fato, são marcantes. Mas os Beatles não eram onipresentes. Bandas como Gerry & The Pacemakers, Herman’s Hermits, The Yardbirds (de Eric Clapton), The Hollies, Dave Clark Five e The Swinging Blue Jeans, hoje ilustres desconhecidas do público, disputavam espaço nas rádios, nas paradas de sucesso e na preferência dos fãs tanto quanto os FabFour.

Eram grupos formados em Liverpool e Londres então apontados como representantes do Merseybeat (os de Liverpool) e Britpop ou Iê iê iê (bandas de Londres e outras cidades do país). Que tipo de som essas bandas faziam? Elas eram realmente boas? Para responder a essas perguntas, o pesquisador musical Marcelo Fróes teve acesso às gravações originais. O resultado pode ser conferido na coletânea Britpop – O Legítimo Pop Britânico dos Anos 60, dividida em três volumes e distribuída pela Discobertas.

Beatles e Rolling Stones foram os grupos que sobreviveram àquele efervescente período. Quase todos os seus contemporâneos terminaram suas atividades antes mesmo do icônico ano de 1969 – o ano do festival de Woodstock – acabar, quando os hippies tomaram o mundo. Foi então que surgiram bandas como Led Zeppelin, Pink Floyd, Queen e Deep Purple. No Brasil, o britpop foi, na década de 60, uma das peças fundamentais para o surgimento da Jovem Guarda. A Dave Clark Five Band ganhou visibilidade no País quando Jerry Adriani regravou Because, hit da banda que ganhou o nome de Porque.

Se por aqui essa presença se fazia de maneira mais tímida, no Reino Unido havia uma verdadeira briga por espaço. Os encartes da coletânea ajudam a ter uma dimensão do que foi aquele cenário. Além de exibirem fotos históricas e reproduções das capas de discos, trazem a posição que a canção ocupou no topo das paradas. A Dave Clark Five Band, por exemplo, se projetou para além do círculo nacional ao se apresentar no programa de TV americano Ed Sullivan Show, um dos mais importantes da época.

Lennon e McCartney
É interessante notar que as bandas que concorriam com os Beatles eram adeptas da moda dos terninhos e cortes de cabelo tipo moptop – justamente o estilo lançado pelos Beatles. Além disso, John Lennon e Paul McCartney compuseram canções para seus concorrentes, que eles mesmos nunca gravaram. Essas canções não estão na coletânea, mas há um caso curioso neste lançamento: I Saw Her Standing There. Sucesso dos Beatles, a música foi regravada por Duffy Power. Mas a versão do cantor não teve a mesma repercussão, e ficou como mais uma de seu repertório.

Herman’s Hermits é uma das bandas com maior hits na coletânea: sete. Eles estouraram em 1964 e até chegaram a gravar um filme bem ao estilo de Os Reis do Iê Iê Iê, dos Beatles – Mrs. Brown, You’ve Got a Lovely Daughter (1968), longa homônimo a um hit do grupo. Como músico substituto na guitarra, vale dizer, eles tinham Jimmy Page. A canção da banda que mais se destaca na coletânea é I’m Into Something Good.

A coletânea, enfim, traz os grandes hits daquela fase – como Here I Go Again (chegou a ocupar o 4º lugar na parada), For Your Love (3º lugar), The House of The Rising Sun (1º lugar) e The Hippy Hippy Shake (2º lugar). É um resumo com o que de melhor se produziu numa das épocas mais criativas da história da música.

Os passos de John Lennon em Nova York

No início de novembro tirei uma semana de folga lá do jornal e viajei para Nova York. Como já estava por lá e faltava apenas algumas semanas para completar 30 anos da morte de John Lennon, resolvi apurar como estava a cidade que abrigou o beatle durante nove anos. O resultado dessa curiosidade é a matéria abaixo, que acabou sendo publicada no dia 5 de dezembro no caderno de Variedades do Jornal da Tarde. Ah! O sujeito com uma jaqueta preta e gorro na cabeça sou eu posando de turista. Todas as fotos da matéria foram feitas por mim, exceto (obviamente) onde John Lennon aparece. Essas fotografias foram feitas por Allan Tannenbaum e gentilmente cedidas para essa reportagem.

CLIQUE AQUI PARA LER A REPORTAGEM COMPLETA

Trajetória dos Beatles pelas páginas do jornal Meia Hora

Lucas cresceu. Agora, ele é Beeshop

Vocalista do Fresno lança disco solo, com influências
de Queen e Beatles. E o resultado surpreende

Por: Felipe Branco Cruz

Não é adequado sair por aí tachando uma banda disso ou daquilo. Mas o fato é que a banda gaúcha Fresno tem um público cativo de jovens entre 15 a 20 anos. Ou seja, trata-se de uma banda cujo as músicas são feitas para adolescentes. Além disso, o som que eles fazem sofre um incômodo preconceito da crítica por ser considerado emo e pop demais. O que, de certo modo, não deixa de ser verdade.

Na contramão dessas críticas, o vocalista do Fresno, Lucas Silveira, 26 anos, lança este mês seu primeiro álbum solo: The Rise And Fall Of Beeshop. O trabalho surpreende pela maturidade musical e qualidade das canções. O próprio Lucas tenta explicar. “Não fiz um som alternativo. Coloquei nas músicas as influências que tenho e que não aparecem no Fresno, como Queen, Beatles e outras bandas das quais os críticos são fãs.”

Mais do que isso. O resultado desse álbum eleva Lucas a um novo patamar. Além dos rasgados elogios que vem recebendo, a crítica passou a enxergá-lo como músico e compositor que merece ser ouvido porque, provavelmente, dará alguma contribuição à música brasileira no futuro. A conclusão é de que ele deixou de ser uma promessa ou apenas mais um vocalista de banda adolescente para se firmar como alguém que tem – ou terá – algo a dizer.

A má notícia é que o Fresno ainda é o seu principal foco. “Fiz o trabalho solo no meu tempo livre. O Fresno nos colocou na mídia e a banda é minha principal ocupação.” Se para o ouvinte for difícil deixar os preconceitos musicais de lado, a saída é simples. Esqueça que Lucas é integrante do Fresno e que ele usa corte de cabelo tipo emo e roupas justas. Foque as atenções apenas no resultado do seu trabalho. Daí, vem a grata surpresa que o álbum reserva: boas canções. “Acho que esse disco cairá no gosto de quem não curte o Fresno”, diz o cantor.

Todas as músicas foram escritas em inglês e, de fato, é possível perceber influências de Queen, em A Night at the Opera, de 1975, e Beatles, em Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1967, nas canções Cookies e Driving All Night Long, respectivamente. Obviamente Lucas ainda tem muito a evoluir. O álbum não é revolucionário nem 100% bom. Há correções que devem ser feitas em alguns pontos. É o caso, por exemplo, das músicas Mr. Confusion ou Go On. O mérito, no entanto, permanece. Grande parte dos instrumentos foram tocados pelo próprio Lucas, com exceção dos violinos e da bateria. Do álbum, as canções How are you now?, Rockstars and Cigarretes e I Was Born in the 80’s, também merecem uma atenção especial.

The Beatles

I’m The Walrus

Não gosto desse negócio de ficar colocando letras de músicas nos blogs não. No entanto agora eu vou abrir uma brecha, pois essa música é muito surrealista. Cara, os Beatles quando fizeram ela deviam estar muito doidos de LSD. hehehehe.

A música se chama “I´m the walrus” que significa “Eu sou uma morsa”

Confira:

I’M THE WALRUS
(The Beatles)

I am he as you are he
as you are me and we are all together.
See how they run like pigs from a gun,
see how they fly
I’m crying.
Sitting on a cornflake
waiting for the van to come.
Corporation tee shirt,
stupid bloody Tuesday.
Man, you been a naughty boy,
you let your face grow long.

I am the eggman, they are the eggmen,
I am the walrus
Goo goo g’ joob.

Mister city p’liceman
sitting pretty little p’liceman in a row.
See how they fly like Lucy in the sky,
see how they run, I’m crying.
I’m crying. I’m crying. I’m crying.

Yellow matter custard
dripping from a dead dog’s eye.
Crab a locker fishwife
pornographic priestess.
Boy, you been a naughty girl,
you let your knickers down.

I am the eggman, they are the eggmen,
I am the walrus
Goo goo g’ joob.

Sitting in a English garden
waiting for the sun.
If the sun don’t come
you get your tan
from standing in the English rain.

I am the eggman, they are the eggmen,
I am the walrus
Goo goo g’ joob, goo goo goo g’ joob.

Expert texpert choking smokers
Don’t you think the joker laughs at you?
See how they smile like pigs in a sty,
see how they snied,
I’m crying.

Semolina pilchard
climbing up the Eiffel Tower
Elementary penguin singing Hare Krishna.
Man, you should have seen them
kicking Edgar Allan Poe.

I am the eggman, they are the eggmen,
I am the walrus
Goo goo g’ joob, g’ goo goo g’ joob.
Goo goo g’ joob, g’ goo goo g’ joob, goo goo.

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