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A história da primeira presidenta

Por: Felipe Branco Cruz

Em seu discurso de posse, no dia 1º de janeiro de 2011, a presidente Dilma Rousseff citou o escritor João Guimarães Rosa. O texto, que está no romance Grande Sertão: Veredas, diz assim: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Veio daí o título que o jornalista Ricardo Batista do Amaral deu para a biografia sobre a presidente, batizada deA vida quer é coragem. A trajetória de Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil (editora Primeira Pessoa).

O autor foi repórter de política em Brasília durante 25 anos e trabalhou também como assessor da Casa Civil e da campanha de Dilma. A partir deste contato próximo com a presidente, o autor apresenta ao leitor histórias de bastidores, as reações de Dilma ao descobrir que estava com câncer e, mais tarde, quando foi eleita. Além disso, traz fotos inéditas de Dilma da época em que ela estava presa pela ditadura. Na mais icônica delas, Dilma, então aos 22 anos, está sentada, aguardando para dar depoimento. Ao fundo, dois oficiais escondem os rostos para não aparecerem nas fotos.

“Decidi escrever este livro logo depois da eleição, para ajudar, especialmente os mais jovens, a compreender a eleição da primeira presidenta num contexto político mais amplo do que os limites da campanha eleitoral”, explica o autor. “Para isso, considerei necessário apresentar a trajetória política e pessoal da presidenta, entrelaçando-a com o tempo político que ela e sua geração viveram”.

A obra é aberta com Dilma Rousseff, ainda ministra do governo Lula, recebendo uma ligação em Belo Horizonte. Do outro lado da linha, o médico Roberto Kalil confirmava a suspeita da doença. Ao desligar, a única coisa que se ouviu da futura candidata foi: “A vida não é fácil. Nunca foi”. Uma semana depois, após confirmar todos os exames, Dilma anunciaria que iniciaria tratamento.

Além disso, a obra traz entrevistas em que Dilma conta como foram as torturas que sofreu durante a ditadura – pau de arara, choques, surra de palmatória, além de passar fome e frio. “Para escrever o livro, entrevistei pessoas que acompanharam a trajetória de Dilma. Utilizei um depoimento que a então candidata deu a jornalistas da campanha, sobre sua infância e juventude, e a entrevista que ela concedeu em 2008 ao cineasta Silvio Tendler, na qual faz um balanço da luta contra a ditadura”, continua o autor. “Reproduzi a única entrevista em que ela falou detalhadamente sobre tortura, concedida em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf”. Mesmo tendo trabalhado com Dilma, o autor não considera a biografia autorizada, mas um livro-reportagem. “Toda a responsabilidade pelas informações e opiniões é do autor”, diz.

No livro, o autor usa a forma feminina da palavra presidente, como a própria Dilma se refere, como presidenta. “O uso da forma feminina é considerado correto no português; falo sobre isso no último capítulo. Se ela é pouco utilizada, talvez seja porque nunca tivemos uma presidenta da República em nosso País. “

O resultado cumpre o que o autor se propôs, que é apresentar Dilma aos jovens. Mais do que isso, ele ajuda o leitor a entender quem foi essa mulher que lutou contra a ditadura e se tornou a primeira a ascender a esse patamar.

O gênio e louco Steve Jobs

Por: Felipe Branco Cruz

Poucos dias depois da morte de Steve Jobs, aos 56 anos, em 5 de outubro, em decorrência de complicações de um câncer, o jornalista Walter Isaacson anunciou que lançaria a biografia do fundador da empresa de tecnologia Apple. Isaacson já trabalhou na CNN, na revista Time, e escreveu as biografias de Benjamin Franklin, Albert Einstein e Henry Kissinger. A rapidez com que a obra foi lançada espanta, principalmente, porque é autorizada pelo próprio Jobs. A impressão é de que o criador do iPod e iPhone deixou tudo preparado para que o livro fosse lançado assim que ele morresse.

Em menos de uma semana, sua biografia vendeu quase 400 mil exemplares apenas nos Estados Unidos. Pouco tempo depois de publicada no exterior, em inglês, chega ao Brasil, pela Companhia das Letras, a versão em português, batizada apenas de Steve Jobs. Um dos motivos pelos quais Jobs aceitou fazer a biografia, segundo explicações de Isaacson, foi para que seus quatro filhos, Lisa, Reed, Erin e Eve, o conhecessem melhor, já que ele teria passado mais tempo trabalhando do que com a família. Ao todo, o autor se encontrou 40 vezes com o biografado, além de telefonemas e troca de e-mails.

Resumir a vida do presidente da Apple não é uma tarefa fácil. Isaacson conta, em seu livro, que Jobs tinha a capacidade de criar o que as pessoas próximas dele chamavam de “campo de distorção da realidade”. Quando queria provar algo ou cobrar algum novo produto, Jobs passava por cima de regras, prazos e orçamentos, criando o tal “campo de distorção da realidade”. Por causa disso, por vezes, o autor teve dificuldades em saber se o que ele falava era verdade ou mentira.

Steve Jobs fundou a Apple em 1976, junto com seu amigo Steve Wozniak, quando tinha 20 anos, na garagem de sua casa. Aos 25, tornou-se milionário. Aos 30, foi demitido da própria empresa. Depois, ajudou a criar a Pixar e revolucionou o cinema de animação. Em 1997, voltaria à Apple, que estava quase falida, para transformá-la na empresa mais valiosa do mundo. Nela, criou o iPod, o iPad e o iPhone, revolucionou a indústria da música e da telefonia, e reinventou o modo como lidamos com o computador.

Isaacson mostra que, apesar de genial, Jobs poderia ser uma pessoa bastante cruel e vingativa, mesmo com os amigos de longa data, como é o caso do Wozniak. Jobs também achava que certas regras não se aplicavam a ele. Seus carros nunca eram emplacados e ele sempre estacionava na vaga de deficientes físicos. Para ele, o mundo era dividido em pessoas geniais e em estúpidas.

Dentre as revelações mostradas no livro, está a relação de amor e ódio que nutriu durante toda a sua vida por Bill Gates, presidente da Microsoft. “Ele nunca inventou nada”, disse Jobs sobre Gates. Outra é o fato de Jobs, que é filho adotivo, nunca ter conhecido seu pai verdadeiro. Seu pai biológico trabalhava como garçom e chegou a comentar com amigos que “aquele pessoal da Apple frequentava o bar. Às vezes, até Steve Jobs aparecia”, sem saber que um dos homens mais ricos do mundo era seu filho. Anos mais tarde, ele descobriria a verdade. Quem lhe contou foi sua filha e irmã de Jobs, Mona Simpson, que também foi adotada, mas por outra família.

No Brasil livro que desvendou Bob Dylan

Por: Felipe Branco Cruz

Antes que qualquer crítico de música desse pela importância do sujeito franzino, arredio, de voz anasalada, poesia correndo nas veias e um talento colossal, chamado Robert Allen Zimmerman – que depois se eternizaria como Bob Dylan –, o jornalista Robert Shelton (1926 -1995) já havia sacado tudo.

De olho na cena musical de Nova York nos anos 60, foi Shelton o primeiro a reconhecer a força do rapaz vindo de Minneapolis, cheio de ideais e inconformismo. A amizade entre os dois se consolidou e o crítico de música popular do New York Times deu andamento à sua obra maior, No Direction Home – A Vida e a Música de Bob Dylan. O livro, que consumiu 20 anos da vida de Shelton e lançado nos Estados Unidos em 1986, chega finalmente ao Brasil.

O calhamaço de quase 800 páginas foi atualizado com informações dos últimos 20 anos da vida de Dylan, hoje com 70 anos. A obra foi acrescida da discografia completa do cantor e compositor e de uma análise de suas músicas, além de 16 páginas de fotos. Há, também, alguns manuscritos de Shelton que nunca foram publicados.

A obra é considerada, com razão, a mais importante e completa sobre Bob Dylan. Robert Shelton foi o único escritor a contar com total colaboração do músico, com passe livre para entrevistar os pais, o irmão, os amigos e ex-namoradas de Dylan. O que se lê, no entanto, não é um livro chapa branca. Trata-se de uma vasta e profunda pesquisa englobando praticamente toda a vida do cantor. “Estou confiando em você. A única razão por eu estar aqui é porque sei que você é o cara”, disse Bob Dylan a Shelton. Dentre os entrevistados, estão, ainda, a musa Suze Rotolo (1943/2011), a loira bonita que aparece de braços dados com o músico na capa do álbum The Freewheelin (1963). Apaixonados, a escritora e o menestrel namoraram de 1961 a 1964. “Eu não conseguia tirar os olhos dela”, declarou Dylan.

Grande amizade
A confiança do gênio tímido no repórter se deu em função da primeira crítica que Shelton publicou sobre o músico em 1961, intitulada Bob Dylan: Um Cantor de Folk com Estilo Distinto. A apresentação que deslumbrou Shelton aconteceu no Gerde’s Folk City, um café em Greenwich Village, Nova York. Dylan tinha apenas 20 anos. “O artigo de Robert Shelton, sem a menor dúvida, criou a carreira de Dylan”, decla Suze Rotolo no livro. Mesmo assim, Robert Shelton nunca se considerou o descobridor de Dylan. “Ele descobriu a si mesmo”, escreveu o autor. O fato é que, um mês após a publicação do artigo de Shelton, o produtor John Hammond, da gravadora Columbia, contratou Dylan mesmo sem ouvi-lo. Antes disso, o músico teria sido recusado por três outras gravadoras.

A vida de Shelton se confunde com a história de Dylan. Os dois foram muito amigos. Em alguns trechos da biografia, por exemplo, Shelton descreve fatos que viveu com o músico. No prefácio há, inclusive, uma pequena biografia de Shelton. Ao misturar sua história com a de Dylan, o autor deixa a biografia ainda mais saborosa. A justificativa dos editores para relançar a obra foi o fato de estarem celebrando o 50º aniversário da crítica de Shelton publicada no Times. A edição também coincide com o aniversário de 70 anos de Dylan, completados em 24 de maio.

A biografia mostra que Bob Dylan influenciou inclusive os Beatles. Há uma reprodução de uma reportagem publicada na década de 60, em que John Lennon afirma ter se inspirado nas canções de Dylan para compor I’m Loser, lançada no álbum Beatles for Sale (1964). Dentre outras histórias, Dylan teria apresentado a maconha ao quarteto inglês. Até então, os Beatles só tinham experimentado anfetaminas.

Uma das linhas mestras do livro são as mudanças pelas quais o músico passou. Segundo Shelton, Dylan, como artista, morreu e ressuscitou várias vezes. Como nos momentos em que largou o violão para usar a guitarra e depois voltou para o violão. Ou a fase das drogas, o vício em heroína e o desejo de se suicidar. Por fim, da conturbada relação que Dylan teve com a religião, ora afirmando ser um cristão fervoroso, ora negando a existência de Deus.

A reinvenção de Paul McCartney

Por: Felipe Branco Cruz
Fonte: Jornal da Tarde

Aos 68 anos, Paul McCartney continua dando o que falar. Está noivo da empresária nova-iorquina Nancy Shevell, de 51 anos, e frequentemente tem dito que pretende lançar novos discos. Com um legado incontestável, é alvo de inúmeras biografias. Por isso, a pergunta que se faz é: o que um novo livro poderia acrescentar à história do músico, principalmente com sua veemente recusa em colaborar com a obra?

Quem responde é o jornalista americano Peter Ames Carlin, autor de Paul McCartney – Uma Vida, lançado recentemente no Brasil. “Paul nunca fala para biógrafos, com a única exceção de Barry Miles, que é amigo dele desde os anos 1960 e lançou a obra Many Years From Now”, explica. “Cada biógrafo tenta focar uma parte específica da complexidade que é o personagem. Na minha, explorei como ele se reinventou após o fim dos Beatles, renegando seu passado. Agora, no século 21, de como ele se tornou o embaixador dos Beatles para os mais jovens.”

O autor inicia o livro com a descrição de um show que Paul fez em Liverpool, sua cidade natal, no dia em que fez 66 anos. A partir dessa apresentação, Carlin conta sobre os ancestrais do músico, descendentes de irlandeses que imigraram para a cidade para trabalhar.

Apesar de não ter entrevistado Paul, Carlin acompanhou durante quase dois anos os passos do músico e baseou sua pesquisa em documentos da época, além de entrevistas com pessoas próximas do ex-Beatle, como os músicos do Wings. Mas nem todo esse levantamento impediu que a obra fosse criticada por não ter novas informações. “Acho que o coração deste livro captura seu amadurecimento e as raízes de sua criatividade”, diz.

As 400 páginas da obra, no entanto, não se aprofundam na história de Paul. Trata-se de um livro para quem ainda não conhece a trajetória do músico e funciona como uma excelente porta de entrada para aqueles que querem conhecer melhor a biografia do artista. “A vida de Paul se torna muito mais excitante depois do fim dos Beatles. Imagine alguém aos 27 anos, que pertenceu a uma das maiores bandas do mundo, ter de se reinventar?”

Dicotomia criativa
Na obra, o autor afirma ainda que a parceria com John Lennon promoveu uma dicotomia capaz de fazer aflorar a criatividade de ambos. Mesmo depois da morte de John, Paul teve de lidar com o mito e a sombra do amigo. A influência da mãe de Paul na vida do músico também é tratada pelo autor, já que ela morreu quando ele tinha apenas 14 anos. Aliás, foi a morte da mãe de Lennon, alguns anos depois, que ajudou a dupla a ficar ainda mais próxima. “A morte dela inspirou uma profunda paixão pelo seu trabalho”, analisa o escritor americano.

O livro termina com os desdobramentos da batalha judicial que Paul enfrentou, em 2008, para se separar de sua ex-mulher Heather Mills, que ganhou o direito a receber 24 milhões de libras com o fim do casamento. A nova namorada de Paul, e agora noiva, Nancy Shevell, também é citada, mas de forma bem superficial.

Carlin não é nenhum novato no ramo das biografias. É de sua autoria também Catch a Wave, sobre a história de Brian Wilson, dos Beach Boys. E há dois anos ele trabalha na biografia de Bruce Springsteen, prevista pera ser publicada em 2012. Paul McCartney – Uma Vida mereceu pelo menos um elogio que vale ser salientado, feito por Bob Spitz, autor de uma das mais importantes biografias dos FabFour, The Beatles: “Carlin faz um retrato franco e revelador por trás do mito de Paul McCartney.”A declaração é parte do texto que está na contracapa.

‘Como concorrer com os Beatles?’
Peter Carlin tentou entrevistar Paul McCartney, mas ele não quis conversa. O autor foi atrás de outras fontes e escreveu uma biografia focada na carreira do músico após o fim dos Beatles.

O que esta biografia tem de diferente em relação a outras sobre Paul McCartney?
Tem novas perspectivas até então desconhecidas (ou pouco conhecidas), além de histórias e insights sobre a vida de Paul. É o primeiro livro que trata de sua carreira solo com o mesmo cuidado e respeito que foi feito com os Beatles.

Por que você não entrevistou Paul para escrever o livro?
Tentei, mas a posição dele é definitiva. Ele não fala com biógrafos, a não ser que tenha algum contrato com eles, como fez com Barry Miles, autor de Many Years from Now e amigo de longa data.

Se Paul McCartney lhe desse 20 minutos para um rápido bate-papo, que perguntas você faria?
Perguntaria sobre sua relação com a música: como ele se sente quando ouve uma canção que realmente o comove, como se sente quando está imerso em seu processo criativo.

Como é escrever sobre uma pessoa viva e produtiva?
Espero que o livro fique desatualizado e que Paul continue a trabalhar, criar e construir mais coisas. A vida continua e o homem trabalha, trabalha, trabalha. Mesmo assim, a essência do livro capta seu crescimento e as raízes de sua criatividade.

Você acredita que a maior dificuldade de Paul é competir com o seu próprio legado?
Claro que sim. Como alguém poderia tentar concorrer com os Beatles? Só porque você foi um deles – um dos dois membros-chave, na verdade – a coisa não fica mais fácil. Imagine acordar aos 27 anos e perceber que você já fez o trabalho mais importante de sua vida? Que você mudou o mundo de duas ou três maneiras distintas e não importa o que você faça, será sempre comparado com o que você fez quando era jovem? Isso é difícil.

O que podemos esperar de Paul McCartney nos próximos anos?
Mais do mesmo, suspeito. Mais músicas, álbuns, performances. O homem vive, respira e transpira música. É sua expressão de vida. Ele só vai parar quando seu coração parar de bater. E espero que isso demore muito tempo.

A (não tão) doce história da mãe da Barbie

Publicado hoje no Jornal da Tarde

Livro narra a trajetória de Ruth Handler, criadora da boneca que foi afastada da própria empresa

Por: Felipe Cruz

Há 51 anos, a americana Ruth Handler, décima filha de imigrantes judeus poloneses, percebeu que “as meninas pequenas só querem ser garotas maiores” e criou a boneca Barbie. As bonecas que existiam até então eram simples imitações de bebês. Barbie era diferente. Ela poderia ser qualquer coisa: ginasta, atleta olímpica, candidata à presidência, sereia, princesa, etc. Hoje, o brinquedo é vendido em mais de 150 países e sucesso incontestável de vendas.

A história de Barbie toda menina conhece. Ainda desconhecida era a história da criadora da boneca, agora contada nas páginas do livro Barbie & Ruth, escrito pela biógrafa Robin Gerber. “Ruth foi uma mulher à frente de seu tempo”, diz Robin, por telefone, ao JT. “Ela criou um ícone.”

A história de Ruth é bem mais trágica do que sua boneca loira sugere. Empresária agressiva, ela fundou a Mattel, uma das maiores fabricantes do mundo. Na década de 70, Ruth e seu marido perderam o controle da companhia e foram afastados. Anos depois, a criadora de Barbie descobriu que tinha um tumor, teve uma das mamas extraídas e, por fim, acabou morrendo de câncer em 2002.

A boneca, segundo a autora, teria sido criada por Ruth com inspiração em sua filha, Barbara. O namorado da boneca também veio de fonte familiar, e foi batizado com o nome de seu filho morto em 1994, Ken. “É uma ironia. Os meninos sempre mexeram com as meninas dizendo que o Ken era gay. E de fato ele era. Apesar de, na vida real, ele ter sido casado e ter tido filhos, ele foi um gay enrustido”, garante a autora. O Ken real morreu de aids e só assumiu para a mãe que era homossexual pouco antes de morrer. “Ele nunca saiu do armário.”

Detalhes como esses são descritos no livro, que detalha ainda a luta de Ruth contra o câncer e a disputa judicial que a retirou do controle da Mattel.

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