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Billi Pig – Uma história sem pé nem cabeça
Por Felipe Branco Cruz
Uma história sem pé nem cabeça, personagens sem função alguma e piadas sem graça transformaram a produção nacional Billi Pig, que acaba de estrear nos cinemas, em um filme entediante. A premissa até parecia boa: juntar vários tipos de personagens picaretas e fazê-los interagir para ver o circo pegar fogo. Mas não funcionou.
Na trama, Grazi Massafera vive Marivalda, uma aspirante a atriz, sem talento, que tem alucinações com um porco de brinquedo que fala com ela (a voz do bicho é dublada pela própria atriz). Seu marido Wanderley (Selton Mello) é dono de uma pequena agência de seguros no bairro de Marechal Hermes, no Rio. Quando a filha do dono de uma boca de fumo de São Cristóvão é baleada e fica em coma, o traficante Boca (Otávio Muller) vai buscar um milagre com Roberval, um padre tarado, vizinho de Wanderley, interpretado por Milton Gonçalves. Wanderley é quem negocia o pagamento do milagre entre o padre e o traficante.
Preta Gil está no elenco como Generosa, dona de uma funerária. A personagem não tem função alguma na história a não ser fazer piadas mórbidas. Há tantos elementos jogados no filme, fora de contexto, que é difícil citar todos. Para se ter uma ideia da variada fauna, há até um pato azul fosforescente e um show de Arlindo Cruz durante uma feijoada.
O diretor José Eduardo Belmonte justificou toda essa bagunça como uma homenagem às chanchadas brasileiras. O problema é que o resultado ficou aquém do talento de Belmonte, conhecido por filmes como A Concepção (2005) e Se Nada Mais Der Certo (2008). Nem a presença de atores conhecidos, como Grazi Massafera, Selton Mello e Milton Gonçalves, salvam este longa.
ENTREVISTA: SELTON MELLO
‘Eu pensei: aonde isso vai chegar? ‘
Com Billi Pig, Selton Mello está em cartaz em três filmes. Com data marcada para o próximo longa, ele não dispensa voltar às novelas após mais de 10 anos. O ator e cineasta fala de carreira e de contracenar com Grazi:
Pensa em voltar às novelas?
Dei azar. Me ofereceram dois personagens, um era mais novo que eu e outro teria três mulheres. Mas eu neguei. Eu acabei de fazer uma série em que tinha duas mulheres. Agora três? Eu gostei muito de fazer A Cura (seriado) e fiquei animado em fazer novela, não faço há mais de dez anos. Estou procurando…
Seus papéis no cinema são complexos. É proposital?
Sempre busquei essa pluralidade. Desde O Auto da Compadecida (1998), tento intercalar algo comercial com coisas radicais, como O Cheiro do Ralo.
A Mulher Invisível vai voltar?
Esse ano, não. Luana Piovani vai ter filho em breve. E acho que já se esgotou. Talvez eu possa fazer outra série da Globo, mas tenho outro filme para a mesma época. Gosto muito do poder de comunicação da TV. Cresci na TV. Normalmente me chamam para fazer comédia, mas gosto de fazer drama e é raro fazer.
E qual é seu novo filme?
É um projeto com uma dupla de diretores que assinam como ’300 ml’. Eles dirigiram um curta-metragem que fiz com Seu Jorge chamado Tarantino’s Mind. O longa se chama Soundtrack. O filme será rodado na Patagônia, falado em inglês. Também terá Seu Jorge e atores gringos. É um drama muito louco, rodado todo na neve, e se passa numa base onde estão pessoas do mundo todo. Eu interpreto um artista plástico. A ideia é filmar em agosto.
Como define a relação com cinema?
É o lugar que encontrei para me expressar. Tem atores que gostam de teatro, outros de TV. Eu me expresso melhor no cinema.
Mais uma vez, há mais de um filme seu em cartaz: O Palhaço, Reis e Ratos e Billi Pig…
Isso me desagrada um pouco. Fiz Reis e Ratos em 2009… O ponto positivo é que Billi Pig, O Palhaço e Reis e Ratos não têm a ver um com o outro. Estou achando que estou exposto demais e isso não me agrada. Mas são trabalhos honestos, então, tudo bem.
Com qual personagem você se identifica mais?
Mais com o Palhaço.
Falando nele, acha que vivemos uma tendência de resgatar o passado no cinema?
Faz sentido. O Palhaço conversa diretamente com O Artista e com A Invenção de Hugo Cabret. Estamos com saudade de algo que não sabemos o que é. Vivemos uma época doida, sempre estamos ligados nas redes sociais. O sucesso do Palhaço é falar de valores humanos. O Artista e Hugo Cabret também. Falamos a mesma língua.
Por que quis fazer Billi Pig?
Eu queria muito trabalhar com o (diretor José Eduardo) Belmonte. Ele é um diretor que eu admiro. Gosto muito de Se Nada Mais Der Certo.
Como foi contracenar com a Grazi?
Foi maravilhoso. A Grazi é humilde e queria aprender como se faz. E isso é nobre, não é qualquer atriz que tem essa disponibilidade. Ela foi uma ótima parceira. Aliás, uma das coisas que eu mais gosto no filme é a Grazi.
Houve muito improviso?
Grande parte do que eu digo no filme saiu da minha cabeça. Uma liberdade que até assustava. Eu improvisava e depois pensava: aonde isso vai chegar?
ENTREVISTA: GRAZI MASSAFERA
‘Trabalhar com Selton foi um mestrado’
Grazi Massafera faz sua estreia no cinema em um papel que remete às suas origens – Marivalda é uma aspirante a atriz que conversa com um porquinho de brinquedo, também dublado por ela. Grávida de seis meses, a atriz falou do receio de trabalhar com o diretor José Eduardo Belmonte, do apoio do marido Cauã Reymond e de seu amado sotaque:
No filme, sua personagem almeja um prêmio. Você se considera uma pessoa ambiciosa?
Para mim, o prêmio é o trabalho. A oportunidade de fazer um bom papel é o mais importante. É claro que, depois, realizado esse desejo, o prêmio é a constatação de que deu certo.
É sua estreia no cinema, e numa comédia. Difícil?
Bastante. A Marivalda tem um resgate da inocência. Eu puxei coisas da minha vida, da minha infância. Eu lidava com o rir de si mesmo em casa. Meu pai gostava muito dos Trapalhões. Agora, fazer isso virar um personagem é difícil, é brincar com coisa séria. Trabalhar com o Selton foi tipo um mestrado.
Você teve alguma orientação para atuar no cinema?
Meu marido (o ator Cauã Reymond) fez vários filmes no ano passado e eu observei os momentos dele em cena. Em casa, vi muita coisa com ele. Selton me deu dicas. Tive confiança no Zé (José Eduardo Belmonte, diretor) e fui tentando acertar. Tenho críticas em relação ao meu trabalho, mas me identifiquei.
Você passa texto em casa com o Cauã?
Eu morro de vergonha, não consigo. Depois do trabalho pronto, peço para ele assistir. Porque a minha visão é de público. Por meio do Cauã, tenho a possibilidade de ler muitos roteiros. E somos muitos sinceros um com outro. Mas não falamos só de trabalho, senão fica chato.
Belmonte pediu para você assistir a algum filme?
Não, mas eu vi filmes da Jayne Mansfield (sex symbol dos anos 50 e estrela de filmes B), Jennifer Jones e da própria Marilyn Monroe. A Marivalda tem um pouco disso. Achei legal essa coisa da loira meio bagaceira. Da novela Desejo Proibido (2007), eu tirei um pouco da Marilyn, que tem uma ingenuidade mais sensual. Vejo coisas e vou tentando dar o meu jeitinho.
Você interpretou uma caipira na TV e agora também em Billi Pig. Qual seu próximo desafio?
Queria fazer algo mais pesado, mais visceral. Um drama.
Um personagem com câncer terminal?
Que horror! Não, coisas do submundo. Tenho vontade de me jogar num papel mais visceral. Tem problemas na nossa vida que a gente deixa virar um câncer, mas não quero interpretar alguém com câncer.
Como conheceu o diretor José Eduardo Belmonte?
O Zé me chamou para fazer Se Nada Mais Der Certo (de 2008, protagonizado por Cauã Reymond). Na época, eu nem conhecia o Cauã, estava na novela Páginas da Vida. Eu assisti ao filme A Concepção e fiquei chocada. Estava acostumada com Sessão da Tarde. Pensei: ‘Meu Deus, não quero trabalhar com esse cara’. Por ironia do destino, conheci o Cauã e ele foi trabalhar justamente em Se Nada Mais Der Certo. Fui ao set algumas vezes acompanhar o Cauã e conheci melhor o trabalho do Zé. Ele trabalha sem vaidades.
Você ainda tem um sotaque forte. Faz algum trabalho com fonoaudiólogo para disfarçá-lo?
Não vejo isso como um problema. Eu amo meu sotaque.
O Brasil na visão dos americanos
Uma pena que aqui no Brasil o povo ainda não veja o país desta forma. Mas trata-se de uma reportagem reveladora do nosso país e que deveríamos nos levar mais a sério.
Ano Novo: Governo Novo
No segundo dia do ano, aproveito para blogar e, mais do que fazer uma listinha com as promessas para 2011, quero fazer pelo menos uma promessa para esse blog: Vou tentar (eu disse tentar) manter uma coluna semanal de opinião. É isso. Toda semana, lá pela quarta ou quinta-feira, vou publicar minha opinião sobre algum assunto específico da semana. E para a estreia dessa nova promessa, quero falar sobre a posse de Dilma Rousseff na presidência do Brasil.
Não votei na Dilma, mas confesso que fiquei emocionado com a posse. Confesso ainda (aproveitando o clima de renovação que o reveillon traz) que começo 2011 confiante no governo. Não muito, é claro, mas confiante. Temos de reconhecer que a nossa democracia está madura e eleger a primeira mulher presidenta (como Dilma gosta de dizer) é um passo e tanto. Hoje, dia 2 de janeiro, ela merece meus aplausos.
Mas não vou ficar aplaudindo como um bobo. Tem muita gente no país que aplaude tudo que o PT faz. Uns alienados. Temos que reconhecer (e isso vale para qualquer corrente ideológica) os pontos positivos e negativos. Neste momento, a balança está pendendo para o lado da Dilma. Vamos ver até quando. Votei em Lula na primeira eleição, em 2002. Não votei na segunda porque ele perdeu minha confiança. A sucessão de escândalos em seu governo minou meu voto. Tantos escândalos causou em mim uma decepção tão grande que refletiu no meu voto. E, esse ano, não quis dá-lo a Dilma.
A eleição, no entanto, agora é passado. Ela venceu, assumiu e disse em seu discurso que estende a mão para a oposição. Pois bem, é com esse sentimento que entro no ano de 2011. Entro o ano com um sentimento de esperança que a primeira mulher presidenta vá fazer um bom governo. E, se ela seguir o que disse no discurso: “que será rigorosa com os desvios” então o Brasil caminhará bem e crescerá ainda mais.
O que eu não gostei muito na cobertura da imprensa foi o alarde que fizeram a respeito da mulher do Michel Temer, a Marcela Temer, que tem 42 anos a menos que seu marido, é formada em direito e já foi miss. Michel Temer tem outros quatro filhos. O mais velho, tem quase o dobro da idade de Marcela. A moça roubou a cena. E roubou por dois motivos: porque é bonita e porque é mais nova que Temer. Aposto que ficou na cabeça das pessoas pelo menos uma pergunta: ela casou com ele por interesse?
Vivemos um momento excelente no país. Não podemos deixar a bola cair. A imprensa, pelo menos ontem e hoje, foi só elogios para Dilma (ontem e hoje eu li aqui na redação quase todos os grandes jornais. Acompanhei toda a cobertura pela TV). A imprensa foi tão condescendente que tratou com certa elegância o fato do vice-presidente ter uma mulher tão nova. Será que Marcela Temer sabe o que a aguarda no futuro? Vou fazer uma aposta: até o final do mandato de Dilma aparecerão escândalos envolvendo a vice-primeira-dama. Traições de ambas as partes? Fihos bastardos? Golpe do Baú? A imprensa é cruel e temas como esses sempre serão explorados. Aposto ainda que aparecerão também escândalos no governo Dilma. Ele nem bem começou e um de seus ministros, o do Turismo, já está sendo chamado nos corredores de Ministro do Turismo Sexual (veja aqui porque)
Por enquanto o clima é de trégua entre governo e imprensa. Essa trégua possibilitará que os primeiros dias da nova governante sejam bons. Vamos aproveitar.
Quico do Chaves fazendo o moowalk do Michael Jackson
O verdadeiro Quico do Chaves esteve no Brasil e o resultado foi esse aí. Sensacional!
Universitários superstar
Montar clipe caseiro virou moda na internet.
O tal do Lip Dub já faz sucesso nas faculdades
Por: Felipe Branco Cruz
No escritório, o colega ao lado batuca na mesa enquanto escuta uma música nos fones de ouvido. De repente, solta um agudo que assusta metade dos funcionários. Ele estava “sentindo” a música e certamente pensando que cantava tão bem quanto seu artista favorito, até deixar escapar o tal grito. Foi assim que o americano Jakob Lodwick, de 28 anos (leia a entrevista ao lado), teve a sacada para gravar o primeiro Lib Dub, em 2006 (abreviatura em inglês para “dublagem de lábios”).
Fazer um Lip Dub não requer grandes conhecimentos de vídeo. Basta juntar uma turma de amigos, escolher uma canção de que todos gostem e que saibam de cor e filmar o grupo cantando como se estivesse em um videoclipe. A única, digamos, regra é que a gravação seja feita em apenas um take, ou seja, sem cortes.
Quatro anos depois do primeiro Lip Dub, a moda chega ao Brasil capitaneada pelos universitários. Pelo menos três turmas (todas de Comunicação Social) das faculdades Faccamp (Faculdade Campo Limpo Paulista), no interior de São Paulo, PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica), em Curitiba, no Paraná, e ESPM-RS (Escola Superior de Propaganda e Marketing), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, fizeram seus vídeos de dublagem musical no final do ano passado.
Em São Paulo, a turma da Trash 80’s organizou uma gravação no clube Caravaggio e o produtor musical André Moraes, que tem programa na MTV, também fez o seu.
A brincadeira ganhou tanta força na internet que dois sites passaram a reunir todos os vídeos produzidos pelo mundo: o Lip Dub University (www.universitylipdub.com) traz o trabalho de estudantes de faculdades tão distantes quanto Polônia, Canadá e França; e o Office Lib Dub (www.officelipdub.com), os feitos em escritórios.
No País, Hilário Pereira, de 26 anos, professor da Faccamp, deu a ideia aos alunos. Eles gravaram a música Santo Forte, da banda Ultramen. “Aproximadamente 50 alunos participaram, serviu como trabalho para a disciplina de Produção para TV”, explica. Na PUC-PR, a dublagem também incrementou as aulas. “Uma aluna me mostrou um desses vídeos. Achei a ideia ótima e organizamos uma aqui”, diz a professora de fotografia Fernanda Vilar.
Na ESPM do Rio Grande do Sul, os alunos do último ano fizeram Lip Dub para exibir a cantoria na festa de formatura. A música escolhida foi Don’t Stop Me Now, do Queen. “Inovamos na cerimônia”, diz o estudante Tiago Faccio, de 30 anos.
André Moraes, que apresenta na MTV o humorístico Beat It, investiu mais na dublagem musical. Junto com os funcionários de sua produtora, ele refez a música It’s My Life, do Bon Jovi, para produzir o vídeo. A produção que foi ao ar na MTV passeia por todas as salas da sua empresa. “É uma brincadeira despretensiosa. Parece que saímos todos do colégio e fomos nos divertir.”
Entrevista Jake Lodwick
O americano Jake Lodwick, de 28 anos, é um dos fundadores do site Vimeo (espécie de YouTube), vendido para outra empresa em 2006. Foi nesse site que ele postou e utilizou pela primeira vez a expressão Lip Dub.
Quando fez o primeiro Lib Dub?
Foi da música Endless Dream, do Apes & Androids. Fiz em dezembro de 2006, em Nova York. Quando você escuta a música com fones de ouvido não parece que você sabe toda a letra? Foi assim que me senti e quis mostrar para os outros.
Quais as dicas para fazer um Lib Dub de qualidade?
Todo mundo tem de saber toda a letra e gostar dela. Senão, vão parecer um monte de palhaços. Quando for editar, é importante sincronizar a voz. Tem de ser apenas um take e as pessoas têm de realmente estarem se divertindo. Alguém tem de assumir a direção para pode dizer ‘não’ quando uma ideia não for boa.
Qual é o melhor Lip Dub?
‘I Gotta Feeling’ (link ao lado) de estudantes canadenses.
Alguns Lip Dubs legais:
Hit na internet no ano passado, o vídeo do Lip Dub feito por 172 estudantes da Universidade de Quebec Montreal, no Canadá, usou a música ‘I Gotta Feeling’, do Black Eye Peas. Já foi visto por quase 5 milhões de pessoas.
A qualidade impressiona. O Lip Dub feito pelos alunos poloneses da faculdade de economia de Varsóvia dubla a música ‘Footloose’. Para fazê-lo foram necessárias duas semanas de preparação, 5 horas de ensaios e 4 de gravação.
Dirigido por Jake Lodwick quando seu novo escritório foi inaugurado, o Lip Dub da música ‘Flagpolle Sitta’, do Harvey Danger, foi o precursor dos vídeos feitos nos escritórios. Dá até vontade de participar.
No link: vimeo.com/173714




