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Toda a verdade da Tropicália
Por Felipe Branco Cruz
Um dos maiores documentaristas do Brasil, Eduardo Coutinho será homenageado na 17ª edição do festival É Tudo Verdade, que começa amanhã e vai até o dia 1º de abril. Sete filmes e dois debates com a participação do cineasta estão na programação, incluindo após a exibição do clássico Cabra Marcado Para Morrer, de 1984 (leia mais abaixo). O evento será aberto amanhã, somente para convidados, com a exibição de Tropicália, de Marcelo Machado, que explora o movimento cultural desencadeado no final da década de 60 por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Os Mutantes. Para o público em geral, o longa será reexibido às 21h, na sexta-feira, no CineSesc. Todas as sessões do festival são gratuitas. Além do CineSesc (Rua Augusta, 2.075), o evento também ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112), Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207) e MIS (Av. Europa, 158).
“O documentário histórico cultural marca a história do cinema documental brasileiro. Estamos descobrindo novas narrativas para contar essas histórias”, diz o criador do festival Amir Labaki. De fato, Tropicália foi feito de uma forma totalmente nova para os padrões documentais nacionais. Não há praticamente nenhuma cena em que os entrevistados aparecem. Ouve-se apenas as vozes dos envolvidos enquanto imagens psicodélicas explodem na tela a todo instante. Há ainda um vasto arquivo de filmes de época dos tropicalistas nos festivais da Record, fazendo participações em TVs estrangeiras e em seus shows. Destaque para uma rara cena de 1970 de Gilberto Gil e Caetano Veloso, no festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, durante o exílio da dupla.
O festival acontecerá simultaneamente no Rio de Janeiro. Amanhã, o filme que abrirá a mostra na capital carioca será Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, dirigido por Pedro Bial e Heitor D’Alincourt. Entre 10 e 15 de abril, o É Tudo Verdade voltará a ser exibido em Brasília e, em maio, pela primeira vez em Belo Horizonte. “Temos ótimos documentaristas mineiros. Será uma boa oportunidade de levarmos o festival para lá”, afirma Labaki.
Por aqui, ao todo, serão exibidos 80 filmes, sendo que 25 deles terão estreia mundial no festival. Os longas são originários de 27 países. A Argentina será representada pelo cineasta Andrés Di Tella que, assim como Coutinho, também ganhou uma retrospectiva. A mostra especial apresentará seis longas, um curta e um média-metragem de Andrés. Entre eles, o inédito Golpes de Machado, que conta a história do cineasta experimental Claudio Caldini.
Da programação, destacam-se também títulos que repercutiram no exterior, como é o caso do ganhador do Oscar de curta-metragem deste ano, Saving Face, do diretor paquistanês Sharmeen Obaid-Chinoy. O curta conta a história do cirurgião plástico Dr. Mohammad Jawad, que reconstrói o rosto de mulheres que sofreram ataques com ácido. Outros dois títulos que valem atenção são China Peso-Pesado, de Yung Chang, e O Beijo de Putin, de Lise Birk Pedersen. Ambos foram projetados no festival de Sundance, sendo que o segundo levou o prêmio de melhor fotografia. Em China Peso-Pesado, o diretor acompanha adolescentes do interior do país que são recrutados para serem atletas olímpicos.
Ainda no festival, será realizada a competição brasileira de longas e médias-metragens, que apresentará sete filmes inéditos. O vencedor ganhará R$ 110 mil e o troféu CPFL Energia, criado por Carlito Carvalhosa. Na competição de curta-metragens, o ganhador levará R$ 10 mil e também um troféu.
Festival presta homenagem a Eduardo Coutinho
Produzido em 1962, o documentário Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho, teve de ser interrompido após o golpe de 1964. Só em 82 voltou a ser rodado, com os mesmos técnicos, locais e personagens de antes. Em 84, foi finalmente lançado. O longa é hoje considerado um dos clássicos do cinema documentário brasileiro e conta a história de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba assassinado em 1962.
Na época, os policiais da ditadura interromperam as filmagens e prenderam parte da equipe, acusando-os de comunismo. O longa original está sendo restaurado pela Cinemateca, mas uma outra cópia, não restaurada, estará na programação do É Tudo Verdade, dentro da retrospectiva Coutinho: O Caminho até Cabra, que homenageará o documentarista.
Dentro da retrospectiva, serão exibidos ainda os filmes Coutinho Repórter, Crônica de um Verão, Exu, Uma Tragédia Sertaneja, O Pistoleiro da Serra Talhada, Seis Dias de Ouricuri e Theodorico – O Imperador do Sertão.
O cinema da vida real em ascensão
Por: Felipe Branco Cruz
Basta olhar a grade de programação de cinemas para perceber que nunca tantos documentários brasileiros estrearam nas telonas. Os números comprovam. Em 2011, segundo dados do Filme B, portal sobre mercado de cinema no Brasil, foram lançados 45 documentários contra 58 longas-metragens de ficção – ou seja, quase metade dos lançamentos nacionais foram documentários. Em 2010 e 2009, os números foram semelhantes. Foram 47 longas de ficção ante 40 documentários em 2009, e 48 ficções versus 32 em 2010.
A produção nacional, inclusive, tem despertado o interesse no exterior. Em novembro passado, o International Documentary Film Festival Amsterdam, na Holanda, um dos mais importantes festivais do mundo, homenageou o cineasta Eduardo Coutinho, além de realizar uma mostra especial com 13 longas e seis curtas de nomes como João Moreira Salles e José Padilha. Há filmes para todos os gostos, que abordam desde assuntos inusitados, como a vida de pessoas que moram em coberturas nas praias do Nordeste do País, até mais sérios, como a legalização das drogas ou a vida de catadores de lixo.
Diante dessa constatação, a pergunta que fica é: o que leva tantos documentários a serem lançados nas salas brasileiras – e, consequentemente, esse mercado crescer ano a ano? Para respondê-la, fomos atrás de quem trabalha diretamente com o produto: os documentaristas brasileiros.
Amir Labaki, fundador e diretor do festival É Tudo Verdade credita o aumento dos documentários ao barateamento dos equipamentos. “Houve uma queda de custos e um aumento das fontes de financiamento, como editais específicos. Mas a televisão continua a ser a grande ausente nesta equação, com raras exceções”, destaca ele.
O barateamento das produções é um ponto unânime entre os documentaristas. A facilidade com que se filma e monta um documentário não se compara com a realidade no passado. Agora é possível até exibi-los de forma digital no cinema, sem a necessidade de convertê-lo para película. Evaldo Mocarzel, por exemplo, lançou em 2011 dois documentários nos cinemas: As Quebradeiras e À Margem do Lixo. O diretor destaca que não é correto esperar que um documentário seja um blockbuster. “Fiz um registro sobre quebradeiras de coco de babaçu da serra do Papagaio. Trata-se de um registro do Brasil profundo”, diz. “Meus filmes são vistos em escolas, bibliotecas, institutos, enfim, um público específico maior que o cinema. “
O documentarista Silvio Tendler calcula que seja quatro vezes mais barato fazer um documentário do que um longa de ficção. “Gasta-se com figurino, locações, cenários, atores. Quase nada disso o documentário precisa”, avalia. Toni Venturi diz que o número de documentários no cinema reflete uma distorção do mercado cinematográfico brasileiro. Para ele, pouco mais de 10% deles deveriam ser exibidos no cinema. “O local por excelência é a TV”, acredita. “De que adianta lançar documentário no cinema se o público dele não passa de mil pessoas? Na TV, esse público é maior.”
Com o projeto de lei 116/10, sancionado pela presidente Dilma Rousseff, que estabelece novas regras de oferta de TV por assinatura no Brasil, obrigando os canais a veicularem conteúdo nacional, a tendência é que os documentários migrem para a TV. “Não acho que vivemos um boom de documentário. Boom foi a lambada. O documentário veio para ficar”, diz Kiko Goifman. “As pessoas têm um interesse maior pelo real. Basta ver como o Big Brother faz sucesso. “
Mas de nada adiantarão o barateamento dos filmes e uma grande produção se a qualidade for baixa. É o que destaca Toni Venturi. “O que vale é o talento. Hoje, a falta de dinheiro não impede ninguém de produzir um filme. O que importa é se a pessoa pesquisou, investigou, pensou no seu documentário e não apenas pegou a câmera e filmou alguém.”
Cotidiano de grávidas na cadeia
Por Felipe Branco Cruz
Em certo momento do documentário Leite e Ferro, da cineasta Cláudia Priscilla, uma presidiária resume como é a vida de uma mulher grávida dentro da cadeia: “Quando a mulher criminosa está na rua, ela tem marido. Quando está presa, não tem. Porque o marido dela também é bandido e não pode ir visitá-la.”
O filme, premiado como melhor direção e melhor documentário no Festival de Cinema de Paulínia do ano passado, acompanha o dia a dia da maternidade na prisão, no Centro de Atendimento Hospitalar à Mulher Presa (CAHMP), em São Paulo. “A qualidade de vida aqui é melhor do que na cadeia, mas ainda não é boa”, diz uma delas. O que fica evidente no documentário é que nenhuma delas ali é inocente. Quase todas eram viciadas em drogas como crack e cocaína e algumas delas são portadoras do vírus HIV, quase sempre transmitido pelo companheiro bandido. “Tive dois filhos. O primeiro não pegou aids no parto. O segundo sim”, diz outra presidiária. “Quero amamentar meu filho, mas por ter aids, não posso”. As presas só podem ficar com os filhos recém-nascidos por quatro meses.
Outro ponto em comum entre as presas são as perdas de seus parceiros no crime. Muitas citam casos que ocorreram quando elas estavam soltas e, invariavelmente, começam suas histórias lembrando “o falecido”. Neste caso, não se trata de figura de linguagem: seus companheiros morreram na rua, vítimas de violência ou abuso de drogas.
Na ala onde estão, segundo elas, a situação é melhor do que nas outras prisões por onde já passaram. Quase todas relatam abusos policiais. Uma das internas conta que, grávida, chegou a ficar por três dias algemada no chão, ao lado de uma colega. “Eu sentia muitas dores, não dormi e nem tomava banho. Quando contei que estava grávida, o policial ainda me agrediu”.
Temática pesada
Num outro momento da projeção, uma das internas resolve fazer uma enquete: “Quem ali nunca tinha tido uma overdose”? Poucas. Segue-se então uma rodada de histórias de suas overdoses. Uma delas lembra que teve uma overdose ao mastigar dezenas de pedras de crack quando um policial pediu que ela entregasse a droga. “Minha boca formigava e queimava. Minha língua começou a enrolar. Achei que fosse morrer”.
Apesar das dificuldades, as presas tentam manter o ambiente descontraído e até agradável. Durante quase toda a projeção, entre uma história dramática e outra, elas contam piadas e brincam umas com as outras. “Tomei uma coronhada na cara e quebrei todos os meus dentes. Depois eu fiz uma prótese. Apanhei de novo e a prótese caiu da minha boca. Daí o policial passou com a viatura por cima dela”, lembra uma interna, mostrando a boca com poucos dentes.
Não se trata de um documentário leve. Em diversos pontos, o choque de realidade assusta quem desconhece o que se passa atrás das grades. Por outro lado, o filme escancara detalhes de um mundo dramático e que merece ser divulgado.
Documentário com jeito de panfleto
Por Felipe Branco Cruz
Independentemente da opinião do público sobre a construção da hidrelétrica em Belo Monte, no Pará, cerca de 100 espectadores deixaram a sala de projeção durante a exibição do documentário À Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas. O filme assume postura claramente contra a construção da hidrelétrica e o motivo de as pessoas abandonarem a sala não eram porque eram a favor da construção. O motivo era o filme mesmo, feito de forma quase amadora, com entrevistas redundantes e extremamente tendencioso. Um exemplo claro disso foi quando o diretor espanhol Damià Puig decide ouvir as vozes contra a construção da usina. Eram bêbados e desocupados que jogavam baralho num bar.
“Sei que vão ter críticos contra o filme. Mas o mais importante é que vocês puderam ouvir as nossas vozes não consideradas”, disse o diretor. “Tentamos procurar entrevistar pessoas a favor da usina. Mas ninguém queria falar com a gente. Nem a Funai, nem o governo. Ainda mais para nós, que produzimos esse filme sem recursos”, destacou o diretor. “A primeira coisa que fizemos foi ir ao Ibama, mas ninguém nos atendeu”.
De fato, há diversos problemas com a construção da hidrelétrica. Famílias e tribos indígenas terão de ser removidas, não há garantias de que o governo irá indenizar essas pessoas e, claro, há o impacto ambiental. O lago que se formará com o represamento do rio Xingu alagará uma área de floresta nativa nunca estudada pelo homem. Tudo isso é mostrado no filme, mas de uma forma tendenciosa. O longa seria mais convincente e, talvez, mais realista se fosse feito de outra forma. “É um filme datado, quase que perecível. É um tema urgente que tratamos”, diz o produtor Rafael Salazar.
Opiniões tendenciosas
O filme mostra o lado das “vozes não consideradas”. Esse é o ponto de partida, porque, segundo os produtores, as “vozes consideradas” já têm espaço garantido. Por isso, os produtores focaram as entrevistas apenas em índios e moradores ribeirinhos. “As ‘vozes consideradas’ dizem que, se Belo Monte não for construído, o Brasil irá parar. Não é verdade. Não podemos considerar que uma obra com tantos problemas técnicos seja feita”, declara o engenheiro da USP Francisco del Moral Hernandez, que também participou do documentário. “Os recursos hídricos da região amazônica são o pau-brasil da nossa época”, completa Hernandez.
A visão do diretor espanhol, apesar de ter sido auxiliado por uma equipe brasileira, contaminou o documentário, que soa como algo panfletário. Uma pena, pois tudo que diz respeito à construção de Belo Monte merece uma discussão séria e isenta. Num dos momentos do filme, há uma entrevista com a jovem índia Juma. Ela aparece chorando porque teve de ir para a escola e deixar sua tribo. Uma cena que em nada acrescenta à discussão da construção da hidrelétrica. “Há 30 anos lutamos contra a construção dessa usina. Tivemos grandes represálias e discriminações. Por várias vezes, pensamos que não iríamos terminar este filme”, diz a índia Juma. O assunto é importante. Mas o filme perdeu uma ótima oportunidade de tratá-lo com inteligência.
A vida de presos estrangeiros no Brasil
Por: Felipe Branco Cruz
Os 75 minutos de duração do documentário Ela Sonhou Que Eu Morri, exibido anteontem no Festival de Cinema de Paulínia, são preenchidos com entrevistas feitas com estrangeiros presos no Brasil, seja por contrabando ou por tráfico de drogas. A direção é de Maíra Bühler e Matias Mariani. “Começamos a pesquisar sobre o documentário a partir da comunidade nigeriana que tem em São Paulo. Descobrimos que existem duas penitenciárias na cidade para abrigar os ilegais”, diz a diretora, Maíra.
Os presos estão detidos na penitenciária feminina da capital, que fica numa parte do Carandiru que ainda não foi demolida. “Lá, as presas estrangeiras dividem espaço com as brasileiras”. A outra, Penitenciária Cabo PM Marcelo Pires da Silva, só abriga estrangeiros homens e fica no interior do estado, na cidade de Itaí. Ao todo são 1300 homens detidos. “Foi uma reivindicação dos presos, que não queriam se misturar com facções criminosas brasileiras”, diz Matias Mariani.
A ideia do documentário é mostrar a globalização de uma maneira invertida, apresentando histórias de vida de pessoas de países ricos e pobres, presas por crimes internacionais. Há desde personagens supostamente presos por ingenuidade – como uma mulher que diz achar que estava trazendo diamantes mas, na realidade, era cocaína – até pessoas que, num ato desesperado para conseguir dinheiro, aceitaram trazer drogas em suas bagagens.
São interessantes histórias de vida que tiveram um final trágico. Dentre elas, há a de um comerciante líbio que descobriu que sua mulher estava com câncer de mama, a de um soldado mercenário que lutou em guerras civis na África do Sul, a de um jovem eslovaco viciado em jogo, a de um jovem bibliotecário espanhol apaixonado por uma garota e a da mãe húngara que confundiu diamantes com cocaína, entre outras. Ao todo, são oito histórias de vida. Um dos pontos fracos é que os nomes dos personagens não são citados em nenhum momento. “Preferimos não expor os nomes deles”, diz a diretora.
Se as histórias que eles contam são interessantes, o documentário peca ao mostrar apenas a entrevista dessas pessoas, numa sala fechada da cadeia. Não há uma busca por seus familiares ou uma investigação para apurar se o que eles contam é verdade. “A gente queria narrar esse confinamento. Até porque os presos estrangeiros ficam mais tempo sem receber visita. Achamos que traria essa experiência prisional”, explica a diretora. Assim como não há a versão das autoridades brasileiras sobre o problema ou explicações sobre como eles foram presos. “O mais importante era entrevistar os presidiários”, completa. O documentário apresenta apenas as histórias e as lembranças de cada um desses presos. Sejam elas verdade ou não.
A vida num lugar calmo e de rara beleza
Por Felipe Branco Cruz
Localizado a 330 km de Belo Horizonte, a bela região de Ibitipoca é o tema do documentário Ibitipoca, Droba Pra Lá, do diretor Felipe Scaldini. O longa mostra como vivem as pessoas que moram nas redondezas do Parque Estadual do Ibitipoca, que tem uma área de 1488 hectares, localizado no município de Lima Duarte e a 3 quilômetros do arraial de Conceição do Ibitipoca. O local também serviu como locação para algumas cenas do filme O Palhaço, de Selton Mello. Segundo Felipe Scaldini, um dos fatores que mais o tocou fi a hospitalidade do povo mineiro. “Poderíamos ter rodado todo o filme sem gastar com hospedagem. Chegávamos para entrevistar uma pessoa e ela já oferecia um cafezinho, um pão de queijo, perguntava se queríamos dormir por lá”, conta o diretor. “Ibitipoca está mudando rapidamente e precisávamos retratar esse momento. Amanhã, será tudo diferente”.
E foi explorando essa simpatia, misturada com o jeitinho mineiro de falar, que Scaldini arrancou gargalhadas da plateia com declarações do tipo: “De noite, a gente vê muitas estrelas cadentes. Dizem que onde ela cai tem um pote de ouro. A gente procura mas não acha nada. Por isso que tem muita mina de ouro por aí”, dito por um matuto da região.
Além disso, o diretor vai atrás dos vilarejos mais isolados das redondezas para mostrar como eles estão perdendo habitantes. A maioria dos jovens deixou o lugar para viver nos grandes centros. Outros problemas apontados são o desmatamento e o grande fluxo de turistas no parque. Alguns moradores defendem esse turismo, pois atrai dinheiro para uma região pouco assistida pelo poder público. Por outro lado, o turismo também leva baderneiros e muita sujeira ao parque. “Talvez, essa seja a última geração de pessoas que vivem em Ibitipoca. Daqui a pouco, essa geração, com esse estilo de vida, vai acabar”, diz o diretor.
Mas o foco principal do documentário não é a denúncia pura e simples. Trata-se de uma visão quase poética de um mineiro sobre um dos inúmeros paraísos naturais que o estado de Minas Gerais possui. No longa, o diretor entrevista pessoas que nasceram e cresceram ali ou que escolheram o local como sua segunda casa.
A visão do Brasil por meio de quatro estrangeiros
Por Felipe Branco Cruz
Além do longa Onde Está a Felicidade?, foram exibidos também os curtas-metragens Café Turco (de Thiago Luciano) e Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida (Denise Marchi). O destaque entre esses filmes, foi o documentário A Cidade Imã, de Ronaldo German. Nele, o diretor mostra como quatro imigrantes: Bruce Henri (nascido em Nova York e criado na Espanha), Idriss Boudrioua (França), David Chew (Inglaterra) e Masako Tanaka (Japão) que decidiram morar no Rio de Janeiro depois de se apaixonarem pela cidade e pela música brasileira.
Um dos pontos mais interessantes do documentário é a visão que o estrangeiro tem do Rio de Janeiro. Masako, de todos eles, é a que está a menos tempo no Brasil (menos de dez anos), enquanto os outros três já vivem no país há mais de 30 anos. O deslumbramento, no entanto, continua o mesmo. Seja com a beleza, com a música e com os cariocas.
Além da música, o documentário mostra o cotidiano dessas pessoas, a família que eles formaram no Brasil e o trabalho que eles desenvolvem por aqui. “É a música que me alegre e me conforta longe do meu país”, disse, bastante emocionada, a japonesa Masako. “No Japão nossos pais não nos abraçam. Muito diferente do Brasil, onde a gente dá beijinhos no rostos até de desconhecidos”, completou.
Idriss é saxofonista, David é músico clássico e toca violoncelo, Masako canta samba e bossa nova, além de tocar percussão (inclusive nos desfiles das escolas de samba na Sapucaí) e Bruce é multiinstrumentista e produtor cultural. O longa também conta as dificuldades que os personagens enfrentaram, tanto de língua até a adaptação aos costumes do Brasil. “Ninguém chega no horário. Agora estou sabendo lidar com isso”, disse Idriss.
A violência carioca também está presente. Três deles já foram assaltados na cidade. “Não fiz um filme promocional do Rio de Janeiro. E eu tive fundamental o dia-a-dia dos personagens. Como é a família deles, etc. Mas não poderia deixar de tratar o caos da cidade, inclusive a violência”, diz o diretor.
Trata-se de um longa singelo, que mostra como a cidade, mesmo com seus problemas, é capaz de encantar e atrair, como um verdadeiro imã, pessoas do mundo inteiro. “Não acho que este filme é sobre nós, imigrantes, e sim sobre como a cidade do Rio de Janeiro é linda”, disse Bruce.
Assista ao trailer do documentário sobre Senna, que estreia em novembro
O documentário sobre a vida do tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna já tem data para estrear no País.
Batizado de “Senna”, o filme chega às telonas do Brasil no dia 12 de novembro, de acordo com a Paramount Pictures.
O primeiro país a exibir a película, porém, será o Japão. A estreia do documentário no oriente está agendada para 8 de outubro.
Confira o novo trailer de “Senna”.





