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Uma grande loucura em alto mar
Por Felipe Branco Cruz
De Las Vegas*
Um pirata azarado do século 19, cujo grande sonho é ganhar o cobiçado prêmio Pirata do Ano, é o personagem principal da animação em 3D Piratas Pirados!, que estreia nesta sexta-feira (11). O longa é produzido pelo tradicional estúdio inglês Aardman, fundado em 1973 por Peter Lord e David Sproxton. Dentre os trabalhos mais conhecidos do estúdio estão A Fuga das Galinhas (2000) e Wallace & Gromit em A Batalha dos Vegetais, que ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2006.
Acompanhado de um bando de fiéis e loucos seguidores, o pirata Capitão (sim, esse é o nome dele, dublado por Hugh Grant), terá de enfrentar os terríveis Black Bellamy (Jeremy Piven) e Cutlass Liz (Salma Hayek) na disputa pelo cobiçado prêmio. Além disso, os oceanos não são seguros para a navegação, pois a Rainha Vitória (Imelda Staunton) sonha em exterminar piratas do mundo. O filme é baseado no livro de Gideon Defoe, The Pirates! in an Adventure with Scientists.
O diretor Peter Lord e o ator Hugh Grant receberam o JT em Las Vegas, onde contaram sobre como produziram o filme e se divertiram no processo. A técnica utilizada, de stop-motion (onde cada movimento dos personagens, feitos de massinha de modelar, é filmado quadro a quadro) é a mesma que deu ao estúdio o Oscar em 2006, por Wallace & Gromit, produzido por Lord. O diretor levou à entrevista o boneco original do pirata Capitão, usado nas filmagens, de 30 cm de altura e totalmente maleável. “Optamos pelo 3D por motivos comerciais, mas fiquei feliz em experimentar essa opção”, comentou. Como resultado, os bonecos ganharam uma dimensão mais real. “Na telona, fica mais verossímil de que eles tenham o tamanho de atores reais”, diz Lord.
Este foi o primeiro trabalho de Hugh Grant com animação. O ator já tinha sido convidado, pela própria Aardman, para dar voz a Roddy, de Por Água Abaixo (2006). Mas o papel acabou com Hugh Jackman. “O roteiro de Piratas Pirados! foi um dos mais engraçados que já li. Um humor bastante inglês”, diz. “E é incrível não me preocupar com meu rosto. Não precisei acordar às 4h da manhã para fazer maquiagem”.
No roteiro, o pirata Capitão navega pelos oceanos e encontra, em suas aventuras, o histórico HMS Beagle, que levou Charles Darwin (dublado por David Tennant) a fazer suas explorações e descobertas científicas ao redor do mundo. Darwin, que é mostrado como um nerd chato, decide ajudar Capitão apenas porque percebe que ele tem em seu navio um exemplar raríssimo da ave dodô (extinta em 1681). Ou seja, tratava-se do último exemplar de uma ave exótica, e uma chance para Darwin se tornar famoso. Para o Capitão, no entanto, seu dodô não passava de um papagaio um tanto diferente.
O tom satírico dado a personagens históricos se estende à Rainha Vitória, uma mulher descontrolada que só fica satisfeita cortando cabeças de piratas. “Não sei se a rainha Elizabeth II ficou ofendida por apresentarmos a Rainha Vitória de uma forma não tão adorável. Mas acho que ela nem viu o filme”, diz o diretor. Apesar de o enredo mostrar o pirata Capitão como um homem inocente, com gestos e ações voltados ao público infantil, a animação é repleta de piadas de duplo sentido, que só serão captadas pelos mais velhos na plateia. Para Grant, algo que não compromete a diversão geral. “As crianças entendem a situação, mesmo se não entendem uma piada por completo”, disse. “Quando namorava Elizabeth Hurley, em 1997, fomos ver Austin Powers. As crianças riam muito, mesmo sem captar a relação com James Bond no filme”.
Divertido, inocente, com ótimas sacadas, o filme tem grandes chances de fazer sucesso de bilheteria, assim como aconteceu com A Fuga das Galinhas, que rendeu US$ 224 milhões em todo o mundo. Peter Lord admite que está ansioso por uma continuação, também em 3D, baseada em outros livros de Defoe. “Tudo vai depender do primeiro filme”.
Hugh Grant, sempre mal comportado
O ator britânico Hugh Grant, de 51 anos, ficou famoso pelas participações em comédias românticas como Quatro Casamentos e um Funeral (1994), Um Lugar Chamado Notting Hill (1999), O Diário de Bridget Jones (2001), entre outros, mas sucessos no cinema disputam atenção da mídia com sua agitada vida pessoal.
Recentemente, Grant divulgou o nome de sua primeira filha, Tabitha, nascida no fim do ano passado e fruto de breve relacionamento com a atriz chinesa Tinglan Hong, de 32 anos. E pôs em dúvida se os anos de badalação ficaram, mesmo, para trás. “A paternidade é incrível, mas não mudou minha vida”, disparou o ator em a entrevista em Las Vegas.
Grant e Tinglan acordaram que a guarda da criança seria da mãe. Nos anos 90, o ator namorava a bela atriz Elizabeth Hurley e a longa relação dos dois, de mais de dez anos, naufragou quando após um escândalo. Em 1995, ele foi preso em Hollywood após ter sido flagrado fazendo sexo em lugar público com a garota de programa Divine Brown. Nos anos 2000, Grant namorou a socialite Jemina Khan. Terminaram em 2007.
Engajado na política, Grant fez duras críticas ao partido conservador e à mídia inglesa, que grampeou seus números de telefones para obter furos jornalísticos. A campanha de Grant vai, inclusive, contra o primeiro-ministro David Cameron, que nada teria feito para impedir os grampos. “Temos de denunciar isso. É muito perigoso ficarmos calados”, disse o ator. “Os jornais são ligados ao partido conservador. A solução é mudar o governo”, falou. Constante alvo de paparazzi, Grant resumiu: “A imprensa sempre me atacou de forma furiosa, porque eu nunca me comportei”.
* O jornalista viajou a convite da Sony
Entrevista: Ronnie Von
Por: Felipe Branco Cruz
Em uma aconchegante casa do Morumbi, em São Paulo, vive o niteroiense Ronnie Von, de 67 anos. “Não repare na bagunça. Me mudei para cá há uma semana”, diz ele, conhecido como Príncipe, apelido que ganhou de Hebe Camargo nos anos 60, quando arrebatava os corações das “bonitinhas”. Ronnie reina há quatro décadas na TV – só de programa Todo Seu, na Gazeta, lá se vão oito anos. Multifacetado, é apresentador, dono de uma agência de publicidade, botânico, aviador, formou-se em economia. Ainda assim, continua sendo lembrado por sua carreira como cantor. Ele falou ao JT.
Billi Pig – Uma história sem pé nem cabeça
Por Felipe Branco Cruz
Uma história sem pé nem cabeça, personagens sem função alguma e piadas sem graça transformaram a produção nacional Billi Pig, que acaba de estrear nos cinemas, em um filme entediante. A premissa até parecia boa: juntar vários tipos de personagens picaretas e fazê-los interagir para ver o circo pegar fogo. Mas não funcionou.
Na trama, Grazi Massafera vive Marivalda, uma aspirante a atriz, sem talento, que tem alucinações com um porco de brinquedo que fala com ela (a voz do bicho é dublada pela própria atriz). Seu marido Wanderley (Selton Mello) é dono de uma pequena agência de seguros no bairro de Marechal Hermes, no Rio. Quando a filha do dono de uma boca de fumo de São Cristóvão é baleada e fica em coma, o traficante Boca (Otávio Muller) vai buscar um milagre com Roberval, um padre tarado, vizinho de Wanderley, interpretado por Milton Gonçalves. Wanderley é quem negocia o pagamento do milagre entre o padre e o traficante.
Preta Gil está no elenco como Generosa, dona de uma funerária. A personagem não tem função alguma na história a não ser fazer piadas mórbidas. Há tantos elementos jogados no filme, fora de contexto, que é difícil citar todos. Para se ter uma ideia da variada fauna, há até um pato azul fosforescente e um show de Arlindo Cruz durante uma feijoada.
O diretor José Eduardo Belmonte justificou toda essa bagunça como uma homenagem às chanchadas brasileiras. O problema é que o resultado ficou aquém do talento de Belmonte, conhecido por filmes como A Concepção (2005) e Se Nada Mais Der Certo (2008). Nem a presença de atores conhecidos, como Grazi Massafera, Selton Mello e Milton Gonçalves, salvam este longa.
ENTREVISTA: SELTON MELLO
‘Eu pensei: aonde isso vai chegar? ‘
Com Billi Pig, Selton Mello está em cartaz em três filmes. Com data marcada para o próximo longa, ele não dispensa voltar às novelas após mais de 10 anos. O ator e cineasta fala de carreira e de contracenar com Grazi:
Pensa em voltar às novelas?
Dei azar. Me ofereceram dois personagens, um era mais novo que eu e outro teria três mulheres. Mas eu neguei. Eu acabei de fazer uma série em que tinha duas mulheres. Agora três? Eu gostei muito de fazer A Cura (seriado) e fiquei animado em fazer novela, não faço há mais de dez anos. Estou procurando…
Seus papéis no cinema são complexos. É proposital?
Sempre busquei essa pluralidade. Desde O Auto da Compadecida (1998), tento intercalar algo comercial com coisas radicais, como O Cheiro do Ralo.
A Mulher Invisível vai voltar?
Esse ano, não. Luana Piovani vai ter filho em breve. E acho que já se esgotou. Talvez eu possa fazer outra série da Globo, mas tenho outro filme para a mesma época. Gosto muito do poder de comunicação da TV. Cresci na TV. Normalmente me chamam para fazer comédia, mas gosto de fazer drama e é raro fazer.
E qual é seu novo filme?
É um projeto com uma dupla de diretores que assinam como ’300 ml’. Eles dirigiram um curta-metragem que fiz com Seu Jorge chamado Tarantino’s Mind. O longa se chama Soundtrack. O filme será rodado na Patagônia, falado em inglês. Também terá Seu Jorge e atores gringos. É um drama muito louco, rodado todo na neve, e se passa numa base onde estão pessoas do mundo todo. Eu interpreto um artista plástico. A ideia é filmar em agosto.
Como define a relação com cinema?
É o lugar que encontrei para me expressar. Tem atores que gostam de teatro, outros de TV. Eu me expresso melhor no cinema.
Mais uma vez, há mais de um filme seu em cartaz: O Palhaço, Reis e Ratos e Billi Pig…
Isso me desagrada um pouco. Fiz Reis e Ratos em 2009… O ponto positivo é que Billi Pig, O Palhaço e Reis e Ratos não têm a ver um com o outro. Estou achando que estou exposto demais e isso não me agrada. Mas são trabalhos honestos, então, tudo bem.
Com qual personagem você se identifica mais?
Mais com o Palhaço.
Falando nele, acha que vivemos uma tendência de resgatar o passado no cinema?
Faz sentido. O Palhaço conversa diretamente com O Artista e com A Invenção de Hugo Cabret. Estamos com saudade de algo que não sabemos o que é. Vivemos uma época doida, sempre estamos ligados nas redes sociais. O sucesso do Palhaço é falar de valores humanos. O Artista e Hugo Cabret também. Falamos a mesma língua.
Por que quis fazer Billi Pig?
Eu queria muito trabalhar com o (diretor José Eduardo) Belmonte. Ele é um diretor que eu admiro. Gosto muito de Se Nada Mais Der Certo.
Como foi contracenar com a Grazi?
Foi maravilhoso. A Grazi é humilde e queria aprender como se faz. E isso é nobre, não é qualquer atriz que tem essa disponibilidade. Ela foi uma ótima parceira. Aliás, uma das coisas que eu mais gosto no filme é a Grazi.
Houve muito improviso?
Grande parte do que eu digo no filme saiu da minha cabeça. Uma liberdade que até assustava. Eu improvisava e depois pensava: aonde isso vai chegar?
ENTREVISTA: GRAZI MASSAFERA
‘Trabalhar com Selton foi um mestrado’
Grazi Massafera faz sua estreia no cinema em um papel que remete às suas origens – Marivalda é uma aspirante a atriz que conversa com um porquinho de brinquedo, também dublado por ela. Grávida de seis meses, a atriz falou do receio de trabalhar com o diretor José Eduardo Belmonte, do apoio do marido Cauã Reymond e de seu amado sotaque:
No filme, sua personagem almeja um prêmio. Você se considera uma pessoa ambiciosa?
Para mim, o prêmio é o trabalho. A oportunidade de fazer um bom papel é o mais importante. É claro que, depois, realizado esse desejo, o prêmio é a constatação de que deu certo.
É sua estreia no cinema, e numa comédia. Difícil?
Bastante. A Marivalda tem um resgate da inocência. Eu puxei coisas da minha vida, da minha infância. Eu lidava com o rir de si mesmo em casa. Meu pai gostava muito dos Trapalhões. Agora, fazer isso virar um personagem é difícil, é brincar com coisa séria. Trabalhar com o Selton foi tipo um mestrado.
Você teve alguma orientação para atuar no cinema?
Meu marido (o ator Cauã Reymond) fez vários filmes no ano passado e eu observei os momentos dele em cena. Em casa, vi muita coisa com ele. Selton me deu dicas. Tive confiança no Zé (José Eduardo Belmonte, diretor) e fui tentando acertar. Tenho críticas em relação ao meu trabalho, mas me identifiquei.
Você passa texto em casa com o Cauã?
Eu morro de vergonha, não consigo. Depois do trabalho pronto, peço para ele assistir. Porque a minha visão é de público. Por meio do Cauã, tenho a possibilidade de ler muitos roteiros. E somos muitos sinceros um com outro. Mas não falamos só de trabalho, senão fica chato.
Belmonte pediu para você assistir a algum filme?
Não, mas eu vi filmes da Jayne Mansfield (sex symbol dos anos 50 e estrela de filmes B), Jennifer Jones e da própria Marilyn Monroe. A Marivalda tem um pouco disso. Achei legal essa coisa da loira meio bagaceira. Da novela Desejo Proibido (2007), eu tirei um pouco da Marilyn, que tem uma ingenuidade mais sensual. Vejo coisas e vou tentando dar o meu jeitinho.
Você interpretou uma caipira na TV e agora também em Billi Pig. Qual seu próximo desafio?
Queria fazer algo mais pesado, mais visceral. Um drama.
Um personagem com câncer terminal?
Que horror! Não, coisas do submundo. Tenho vontade de me jogar num papel mais visceral. Tem problemas na nossa vida que a gente deixa virar um câncer, mas não quero interpretar alguém com câncer.
Como conheceu o diretor José Eduardo Belmonte?
O Zé me chamou para fazer Se Nada Mais Der Certo (de 2008, protagonizado por Cauã Reymond). Na época, eu nem conhecia o Cauã, estava na novela Páginas da Vida. Eu assisti ao filme A Concepção e fiquei chocada. Estava acostumada com Sessão da Tarde. Pensei: ‘Meu Deus, não quero trabalhar com esse cara’. Por ironia do destino, conheci o Cauã e ele foi trabalhar justamente em Se Nada Mais Der Certo. Fui ao set algumas vezes acompanhar o Cauã e conheci melhor o trabalho do Zé. Ele trabalha sem vaidades.
Você ainda tem um sotaque forte. Faz algum trabalho com fonoaudiólogo para disfarçá-lo?
Não vejo isso como um problema. Eu amo meu sotaque.
Linda, loira e divertida
FELIPE BRANCO CRUZ
Rio de Janeiro
Uma sorridente Reese Witherspoon desembarcou esta semana no Rio de Janeiro para promover o filme Guerra é Guerra!, comédia romântica em que é disputada por dois espiões da CIA (interpretados por Chris Pine e Tom Hardy), que chega aos cinemas na sexta-feira. A atriz usava um bracelete que tinha o desenho do mosaico do calçadão de Copacabana. “Ganhei de presente”, disse. Em conversa com jornalistas, Reese contou que, em sua vida pessoal, não é de namorar, e sim “para casar”. A atriz não hesita em dizer que sua prioridade são os filhos, Ava Elizabeth, de 12 anos, e Deacon Phillippe, de 8, frutos do casamento com o ator Ryan Phillippe, de quem se separou em 2006 (hoje, está casada com o ator Jim Toth). Apesar do histórico em filmes românticos, a atriz contou que gostaria de fazer um blockbuster de ação. Confira trechos da conversa:
No longa, você tem de decidir entre dois pretendentes. Na vida real, quem escolheria?
É difícil, eles são tão diferentes. Hardy é fortão, com tatuagens, mas sensível. Pine é alto, lindo, todas o amam. A escolha depende do que você está buscando.
O filme não foi bem recebido pela crítica. Como lida com isso?
Não faço filme para críticos. Os filmes que assistia na infância nunca agradaram a eles. Não dou bola para o que escrevem do meu trabalho. Não é uma boa experiência ler críticas, podem te deixar mal.
Em sua produtora, Type A, você pretende fazer filmes que privilegiem mulheres. Que tipo de roteiro recebe?
É uma oportunidade para novos produtores e escritores. Não é fácil para uma mulher comandar um negócio em Hollywood. Recebo todo tipo de roteiro. Tenho três incríveis em mãos.
Sente inveja de alguma atriz?
Nunca invejo as mulheres, e sim os homens. Tipo, o Tom Cruise em Missão Impossível 4. Eu assisti e pensei: “queria ter feito esse filme”. Ou Jack Nicholson. Ele é incrível. Quando entrava no set, era um silêncio absoluto. É um mito.
Sua personagem aparece linda em algumas cenas e, em outras, como se tivesse acabado de acordar.Incomodou aparecer assim?
Não. Para ficar linda eu preciso acordar 2h30 antes, é tão difícil. Eu apareci como sou, desarrumada, que é bem mais fácil (risos).
O que mudou mais sua vida: filhos ou um Oscar?
Definitivamente os filhos. Eles são parte da minha vida. O problema do Oscar é o depois. Você fica com esse peso nas costas, sem saber que papel pegar para ficar à altura de uma atriz com Oscar.
Como concilia o trabalho e a vida pessoal com dois filhos?
Quando eles eram pequenos, iam comigo aos sets. Agora, quero que tenham rotinas no colégio e com amigos. Se trabalho longe, tento voltar todo fim de semana. Tomei a decisão de ser mãe e estou satisfeita. Minha filha estava vendo Legalmente Loira enquanto eu estava na cozinha. De repente, ela aparece e diz que o filme era muito chato. É esquisito para eles me verem na TV. Eles dizem que eu não sou uma mãe igual as outras.
E como é ver filmes com eles?
Quando vi Forrest Gump com eles comecei a chorar. Um deles disse: “por que você está chorando? Você é atriz, sabe que é de mentira.”
Você se casou novamente. Como são seus relacionamentos?
Eu não namoro. Eu caso. Eu não saio muito, não tenho muitos encontros. Me casei, depois me separei. Agora me casei de novo.
Se não fosse atriz, o que seria?
Médica, que é a carreira dos meus pais. Acho que seria ótima, levo jeito para cuidar de crianças.
O que achou do Brasil?
É lindo. As pessoas daqui são realmente lindas. Já estou planejando as próximas férias no Brasil.
Uma mocinha entre dois agentes da CIA
Comédia romântica estrelada por Reese Witherspoon, Guerra é Guerra!, estreia nesta sexta-feira e cumpre a missão de divertir sem entediar o espectador. A atriz interpreta Lauren Scott, uma garota disputada por dois agentes da CIA e melhores amigos: Foster (Chris Pine) e Tuck (Tom Hardy). Para conquistá-la, os dois usarão recursos de alta inteligência para sabotar um o encontro amoroso do outro, numa divertida disputa repleta de boas sacadas. Reese Witherspoon esteve no Brasil no fim de semana para divulgar o filme e falou com o JT (leia mais ao lado).
É impossível não comparar o roteiro com a história em quadrinhos Spy Vs Spy, publicado mensalmente na revista Mad (inclusive no Brasil), em que dois espiões idênticos vivem tentando sabotar um ao outro. A única diferença entre eles é a cor de suas roupas, branca e preta. Os produtores, inclusive, cogitaram batizar o filme de Espião Versus Espião, que acabou sendo o subtítulo do longa.
No filme também é assim. Na maior parte da projeção, FDR Foster usa roupas claras e Tuck, escuras. Para estragar com o encontro amoroso do concorrente, eles utilizam armas como dardos com tranquilizantes, disparam alarmes de incêndio, além de utilizarem imagens de satélite, grampos telefônicos e câmeras escondidas para espionar cada passo alheio.
Depois de fazerem uma busca minuciosa na vida de Lauren e descobrirem todos os gostos da garota, os dois agentes fazem uso dessas informações para conquistá-la. A jovem, naturalmente, fica cada vez mais dividida entre os dois pretendentes que parecem ser tão perfeitos.
O longa é dirigido por McG, de 44 anos. O diretor ganhou notoriedade com As Panteras (2000) e o recente Exterminador do Futuro: A Salvação (2009). Mas Guerra é Guerra!, também tem cenas de ação de ritmo frenético, sempre com bom humor. Em entrevistas à imprensa internacional, McG disse que o filme faz uma mistura entre Ethan Hunt (o agente de Missão Impossível) e James Bond (007). Em Guerra é Guerra! vale a dica dada por Reese, durante sua passagem pelo Brasil. “É um filme bom para levar a namorada. Tem dois caras fortes cheio de armas e uma mulher que consegue ficar com os dois. Tem ação para homens, e romance para as mulheres.”
A volta de Max Cavalera
Por Felipe Branco Cruz
Com ajuda dos fãs, o Soulfly, liderado pelo ex-vocalista do Sepultura Max Cavalera, volta ao Brasil para divulgar seu novo disco, Enslaved, o oitavo da banda fundada há 15 anos. Ontem, o grupo se apresentou em Goiânia e hoje é a vez de São Paulo, no Via Marquês. No domingo, sobe ao palco do Circo Voador, no Rio. Os fãs, por meio de financiamento coletivo, compraram cotas de patrocínio que bancaram a turnê nacional.
“Achei super legal o movimento deles, principalmente, porque faz 12 anos desde a última vez que nos apresentamos no Brasil”, diz Max, que conversou com o JT por telefone, de sua casa em Phoenix, nos EUA. “Tocamos em lugares muito ocultos da China e Sibéria, e nada de voltar para o Brasil.” A apresentação na capital paulista terá sabor especial para o vocalista e guitarrista. “O Iggor (seu irmão, ex-baterista do Sepultura) vai participar do show e meu filho Zyon, de 18 anos, também”, contou ele.
Na última semana, Max foi diagnosticado com paralisia em um nervo facial. A doença, de causa desconhecida, deixou metade do rosto do vocalista sem movimento. A assessoria de imprensa do grupo informou que Max está bem e sendo tratado com antibióticos. O vocalista se recupera bem e o show desta noite está confirmado. A última apresentação que o Soulfly fez aqui no Brasil foi no festival Abril Pro Rock, em 2000. O músico, no entanto, já se apresentou no País com sua outra banda, o Cavalera Conspiracy, junto com Iggor, abrindo o show do Iron Maiden no estádio do Morumbi, no início do ano passado, e também no festival SWU de 2010.
No repertório da apresentação, estarão sucessos de todos os oito discos do Soulfly, além de músicas do Cavalera Conspiracy e do Sepultura até o disco Roots, de 1996. “Vai ser um show tipo Greatest Hits”, diz Max.
A participação do filho Zyon não será inédita. Max conta que já chegou a cogitar integrar o garoto à banda. “Ele é um bom baterista, mas o David Kinkade (baterista oficial do grupo) tem uma pegada mais death metal”, explica. A ligação do adolescente com a carreira do pai é longa. Quando ele ainda estava na barriga da mãe, as batidas do coração de Zyon foram usadas na abertura de Chaos A.D., álbum do Sepultura, lançado em 1993.
Naturalizado americano, Max se atualiza sobre as notícias daqui por meio do irmão Iggor. “Sei que o Palmeiras está uma merda”, diz. Mas a distância parece deixá-lo imune aos fenômenos da música sertaneja pop. Quando questionado sobre o fenômeno Michel Teló, sensação das rádios e dos programas de TV, ele pergunta, curioso: “Que tipo de música ele faz?”.
Sem previsão de voltar a morar no Brasil, o músico planeja temporadas por aqui no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro – lá nasceu o disco Beneath the Remains, do Sepultura, em 1989. “Esse álbum nos lançou internacionalmente”, lembra. “De dia, uma banda pop gravava. Depois, gravávamos madrugada adentro.” Outra alternativa para passar mais tempo no Brasil, diz Max, é fazer nova turnê, desta vez por cidades como Belo Horizonte, Manaus, Recife, Natal e Porto Alegre. “O show em São Paulo é só o começo do meu reencontro com o Brasil.”
O vocalista adiantou detalhes da autobiografia A Boy From Brazil, que está preparando. “Vou falar da morte do meu pai, do começo do Sepultura e de tudo que rolou depois”, conta. A obra terá prefácio assinado por Dave Grohl, do Foo Fighters, além de entrevistas com Ozzy Osbourne, Slayer e Sean Lennon (filho de John Lennon), além do próprio Grohl. Andreas Kisser, atual guitarrista do Sepultura, porém, não está nesse rol. Da ex-banda, os únicos entrevistados serão Jairo Guedes (primeiro guitarrista do grupo) e o irmão Iggor. “Não tenho contato com Andreas. Mas não é nada contra a banda. Não existe guerra. Já passou muito tempo”, diz ele. “Ainda tenho a esperança de um retorno da formação original. Mas, por enquanto, não existe nenhuma conversa.”
A voz gutural que é reconhecida em todo o mundo
Assim que deixou o Sepultura, em 1997, após desentendimentos com os integrantes da banda, inclusive com seu irmão Iggor, Max fundou o Soulfly nos Estados Unidos. Logo em seguida, a banda recebeu críticas elogiosas ao novo som, uma mescla daquilo que Max vinha desenvolvendo no Sepultura, com elementos que remetiam
a um heavy metal mais tribal, world music e música brasileira, tendo como influência bandas como Nação Zumbi, e as gringas Deftones e Limp Bizkit. O som do Soulfly, no entanto, não tem nada a ver com essas bandas. Ele está muito mais próximo do death metal do que qualquer outra coisa.
O último álbum da banda, Enslaved, que Max está promovendo no Brasil, foi lançado neste ano e segue a linha tribal, da qual a banda se afastou um pouco nos últimos discos.
Se no Brasil Max Cavalera é pouco conhecido fora do âmbito dos fãs, no exterior, sua voz gutural ecoa com mais força e ele é considerado um dos grandes nomes do heavy metal mundial.
O adorável humor irlandês
Por Felipe Branco Cruz
O filme O Guarda é um daqueles exemplos de produções de baixo orçamento que conquistam o público com um roteiro bem elaborado, ótimos diálogos e, principalmente, humor refinado. No caso, inclusive, um humor negro, que desfia piadas politicamente incorretas. O longa feito na Irlanda e com produção inglesa é uma joia rara. Infelizmente, por aqui o longa só foi exibido durante poucas semanas e em apenas uma sala no Rio de Janeiro , sem conseguir espaço nas salas paulistanas. Em março, a Sony lança o título em DVD (por enquanto somente para locação).
A qualidade do longa foi reconhecida internacionalmente – ganhou um prêmio de menção honrosa no Festival de Berlim no ano passado, uma indicação no Bafta (o Oscar inglês) por melhor roteiro original e uma no Globo de Ouro, como melhor ator de comédia ao protagonista, Brendan Gleeson. O ator irlandês bonachão interpreta o sargento Gerry Boyle, que contracena com o americano Don Cheadle, o agente do FBI Wendell Everett.
Cheadle recentemente interpretou o personagem Máquina de Guerra no segundo filme da franquia Homem de Ferro. O ator conversou com o JT por telefone e disse que só aceitou fazer O Guarda porque se divertiu muito lendo o roteiro (leia abaixo a entrevista).
O roteiro acompanha a rotina bucólica de trabalho do policial em uma pequena cidade da Irlanda onde quase toda a população não fala inglês, mas gaélico irlandês. As ocorrências para as quais é chamado se resumem a acidentes de trânsito e brigas de bar, e o sargento nem se preocupa em resolvê-los.
Um dia, porém, um rapaz é encontrado morto, com uma página da bíblia enfiada na boca e um vaso de flor entre as mãos. O crime atrai a atenção do policial do FBI Wendell Everett (Cheadle), que está na cidade investigando uma possível rota do tráfico internacional de drogas.

Politicamente incorreto
A primeira cena do longa dá bons indícios do que se esperar do filme. Um carro em alta velocidade passa pela viatura de Boyle, impassível. Somente quando escuta o barulho doa capotagem, o policial se mobiliza. Vai até o local do acidente e vê os corpos dos jovens que estavam no carro – estão todos mortos. Inabalável, Boyle tira do bolso de um deles alguns comprimidos de ecstasy e umas trouxinhas de cocaína e os guarda eu seu próprio bolso.
A primeira reunião entre os policiais irlandeses e americanos para discutir o assassinato do outro jovem é impagável. Nela, é despejada todo tipo de piada politicamente incorreta sobre americanos. Numa delas, Boyle diz: “Eu achava que todos os traficantes de drogas fosse negros.”
Enquanto Everett usa métodos científicos, Boyle tem como principal informante um garoto de bicicleta. Numa outra cena igualmente impagável, o americano precisa ouvir uma testemunha, mas Boyle se recusa a ajudá-lo, pois é seu dia de folga – nesses dias, ele sai com prostitutas.
Em comum, os dois homens da lei têm apenas o senso de justiça, já que todos os outros policiais do caso acabam subornados por bandidos. Entre boas sacadas, o enredo se desenrola a partir da investigação, até um desfecho realmente surpreendente.
‘Eu ri muito quando li esse roteiro’
O ator americano Don Cheadle, indicado ao Oscar de Melhor Ator por Hotel Ruanda (2004) forma com Brendan Gleeson uma improvável e hilária dupla em O Guarda. Seu personagem, o agente do FBI Everett, é alvo de piadas de humor negro e frequentemente é discriminado pelos irlandeses por sua origem. Tudo isso só ajudou Cheadle a aceitar o papel nesta modesta produção. O ator, que também pode ser visto em Homem de Ferro 2, conversou com o JT pelo telefone, de Culver City. Confira:
O que você acha do humor negro britânico?
É um humor muito mais sarcástico que o americano. E bem mais engraçado, na minha opinião.
Por que decidiu fazer o filme?
Ri muito quando li o roteiro pela primeira vez. Eu lia e ria. Foi o que me fez decidir. Trata-se de uma história interessante, com bons personagens que têm uma ótima relação.
Você se divertiu fazendo este filme?
Sim, me diverti muito. Brendan é um cara sensacional. E o diretor John Michael McDonagh tinha uma visão muito clara do que queria. É um diretor que pedia que colaborássemos com sugestões. E o resultado muito engraçado; é um tesouro, com ótimo diálogos.
Foi difícil entender o sotaque irlandês?
Para mim, foi como ir a um lugar selvagem, com pessoas que não entendem bem inglês. Mas eu consegui pegar o jeito rapidamente e passei a entendê-los muito bem. Mas a relação com eles vai além do sotaque, eles têm atitudes diferentes, formas de se relacionar diferentes, e por aí vai. Mas depois de um mês convivendo com eles eu já estava habituado. Eles são um povo com um senso de humor muito apurado.
Você foi indicado ao Oscar por Hotel Ruanda (2004) mas não levou a estatueta. O que você acha que falta para ganhar o Oscar?
Eu fui indicado na categoria de melhor ator. Acho que, talvez quando for indicado por um papel coadjuvante, então eu ganhe. Mas não fiz muitos filmes que poderiam ser indicados ao Oscar…
Entrevista: Nicolas Cage – O Motoqueiro Fantasma 2
Por Felipe Branco Cruz
Nicolas Cage, de 48 anos, mais uma vez vai encarnar no cinema Johnny Blaze, alter ego do personagem dos quadrinhos do Motoqueiro Fantasma, no filme Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança, que estreia amanhã. A despeito das críticas que massacraram o primeiro filme da franquia, Cage disse não se preocupar com a opinião dessas pessoas. “Crítico é um grupo de pessoas frustradas”, diz ele. O novo filme será lançado em 3D e trará impressionantes efeitos especiais. Um chamariz e tanto para os fãs de quadrinhos. O ator conversou com o Estado anteontem, por telefone, de Los Angeles. Nesta entrevista, Cage comentou ainda sobre um boato que afirma que ele é um vampiro de 140 anos. Além disso, o ator revelou que treinou Jiu-jítsu com Royce Gracie e que quer vir ao Brasil participar de algum festival de cinema.
Por que o personagem do Motoqueiro Fantasma é importante para você?
O Motoqueiro Fantasma foi o primeiro quadrinho que eu li na infância, quando tinha apenas 8 anos. Os quadrinhos da Marvel têm heróis que são realmente monstruosos como, por exemplo, o Hulk. A imagem de uma caveira flamejante numa motocicleta nunca saiu da minha cabeça. Nunca consegui imaginar algo mais assustador do que esse personagem que usa as forças do mal para o bem. Quando jovem, era difícil lidar com esse dualismo. Nós vivíamos num mundo de preto no branco quando o bom e o ruim eram bem definidos. Não existia meio-termo. Ninguém poderia ficar em cima do muro. O Motoqueiro conseguiu misturar isso como nunca tinha visto.
Você acha que existem semelhanças entre o Motoqueiro Fantasma e o Milton, de Fúria sobre Rodas?
Eles são dois personagens supernaturais que vieram de outra dimensão. O Motoqueiro Fantasma era um homem que se corrompeu e vai para o inferno. A grande diferença é que Johnny Blaze (o motoqueiro) está vivo e Milton é um morto que fugiu do inferno. São duas formas diferentes de atuação. Ao interpretar um homem morto, eu não tenho sentimentos. Enquanto o Motoqueiro sente a dor da transformação em caveira flamejante. Tenho que interpretar esses sons e movimentos.
Como foi acampar e gravar numa floresta mal assombrada?
Algumas filmagens aconteceram numa floresta da Romênia, que é considerada pelas pessoas que moram por lá como assombrada. Muitos acreditam nisso, eu inclusive. Eu quis ir lá especialmente por causa dessa história.
Você já ganhou um Oscar por Despedida em Las Vegas (1995) e na sua carreira fez ótimos filmes. Recentemente tem escolhido papéis que foram duramente criticados. Você concorda com essas críticas?
Eu não concordo com os críticos. O trabalho dos críticos é criticar. Na minha opinião, eles podem falar o que quiserem. Mas eu não vou ouvir o que eles têm a dizer.
E com relação às críticas de que a primeira parte de Motoqueiro Fantasma foi uma adaptação ruim? Acha que esta segunda parte é melhor?
Elas são diferentes. O Espírito de Vingança é bom porque pega a essência original das histórias em quadrinhos. O primeiro filme não conseguiu isso, mas também é bom. Escute bem: as críticas são formadas por um grupo bem pequeno de pessoas frustradas que só sabem criticar. Mas eles não são o povo. Eu não estou interessado nessas opiniões e nunca vou mudar minha honestidade profissional. Deixe que façam e digam o que quiserem. Não acredito neles quando dizem que o filme de Mark Steven Johnson (diretor do primeiro filme) não é bom. E a despeito disso, estou muito feliz em fazer o Motoqueiro Fantasma de novo. Eu simplesmente não escuto o que eles têm a dizer e acho que a maioria das pessoas também não.
Qual é a principal razão para você aceitar um papel no cinema?
Aceito quando acho que posso interpretá-lo honestamente. Quero fazer parte de algo sincero. Nesses trabalhos quero aprender novas formas de atuar, novos processos de criação ou algo no roteiro que me dê alguma experiência de vida. Se isso acontece, então posso atuar de forma honesta.
E sobre as adaptações de quadrinhos para o cinema, qual gosta mais?
Acho que a primeira adaptação de quadrinhos de heróis importante para o cinema foi o Super-Homem. Ele se tornou a mitologia contemporânea de milhares de pessoas. É uma mitologia comparada ao que foi a grega ou nórdica para as pessoas daquela época. Vejo policiais usando os logos do Batman e Super-homem debaixo de seus uniformes. Isso os inspira de alguma forma.
Você já afirmou que teria sido convidado a participar dos filmes Matrix e O Senhor dos Anéis, mas não fez por falta de tempo. Arrepende-se da decisão?
Não, não me arrependo. Vi todos os filmes do Senhor dos Anéis e Matrix. Amei esses filmes. E se tivesse feito, não me divertiria tanto como fã, como quando estou vendo um filme que fiz. Eu não vejo meus filmes como espectador.
Já veio ao Brasil? O que sabe sobre ele?
Infelizmente nunca fui ao Brasil. Sei que vocês têm uma comunidade muito entusiasmada de cineastas. Vocês fazem ótimo filmes. Anos atrás comecei a lutar Jiu-jítsu com Royce Gracie. Ele sempre falou muito do Brasil para mim. Não treino mais Jiu-jítsu, mas algum dia quero ir aí. Vocês têm ótimos festivais de cinema por aí, não têm?
Temos sim. Você pretende vir participar de algum deles?
Talvez eu possa ir no próximo. Eu definitivamente gostaria também de gravar no Brasil e com cineastas brasileiros. Acho que aprenderia muito como ator.
E essa história que circula na internet que você não é humano e sim um vampiro?
As pessoas poderiam escolher qualquer pessoa para dizerem que é um vampiro, mas me escolherem como próxima vítima. Isso não me chateia. Então vamos manter o mistério.
Eterna luta do bem contra o mal
Se no primeiro filme do Motoqueiro Fantasma, lançado em 2007, boa parte da projeção foi dedicada a explicar a gênese desse personagem meio humano meio demônio, nesta segunda parte a ação é contínua. Feito em 3D, Motoqueiro Fantasma 2: Espírito de Vingança promete impressionar com os efeitos especiais que transformam a cabeça de Nicolas Cage numa assustadora caveira flamejante, assim como mostrada nos HQs.
Johnny Blaze é um famoso piloto de motos que faz acrobacias. Após fazer um pacto com o demônio e ser amaldiçoado, Blaze passa a usar essa maldição para combater o mal e também evitar que ele seja arrastado para o inferno. Nesta segunda parte, dirigida por Mark Neveldine, o Motoqueiro está escondido numa floresta da Europa oriental quando é recrutado por uma seita secreta para evitar que um garoto seja transformado no anticristo. O Motoqueiro acredita que, a partir desta boa ação, quem sabe, ele consiga se livrar da maldição e voltar a ser humano novamente.
O personagem original foi criado pelo desenhista Mike Ploog, e pelos escritores Roy Thomas e Gary Friedrich. Sua primeira aparição foi no quadrinho Marvel Spotlight 05, em agosto de 1972. Assim como no filme, nos quadrinhos, Blaze sofria dores lancinantes e psicológicas sempre que se transformava no Motoqueiro Fantasma. Dentre os principais vilões, estão todos os tipos de demônios, como o filho de Mefisto, Blackheart.
Sherlock Holmes, o retorno
Por Felipe Branco Cruz
Rio de Janeiro
O clima noir da velha, suja e cinzenta Londres continua o mesmo no segundo filme de um dos detetives mais famosos do mundo: Sherlock Holmes. A direção também é a mesma, a cargo do ex-marido da Madonna, o inglês Guy Ritchie. Detalhes que deram certo no primeiro filme também foram mantidos, como o sarcasmo, as excelentes cenas de luta e os efeitos especiais, assim como a dupla central, que volta a ser vivida pelos atores Robert Downey Jr.(Holmes) e Jude Law (Dr. Watson).
Com elementos como esses – e apoiado no sucesso que foi o primeiro filme da franquia –, Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras consegue ser ainda melhor do que o anterior. Para divulgar o filme no Brasil, Robert Downey Jr. esteve no Rio ontem e anteontem para falar com a imprensa e com os fãs (leia mais abaixo). “Ao ler os livros de Sherlock Holmes, você precisa se sentir como uma testemunha. Senão, fica impossível explicar o que está acontecendo. Como, por exemplo, achar graça de um corpo morto na sua frente”, afirmou o ator americano, ao falar sobre como é intercalar momentos de drama com humor no longa.
Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras está fazendo tanto sucesso quanto o primeiro. O segundo capítulo da franquia estreou em dezembro em primeiro lugar nas bilheterias dos Estados Unidos. A parte 2 já arrecadou US$ 265 milhões em todo o mundo, sem contar com os US$ 140 milhões apenas nas salas de cinema americanas. O filme irá estrear nesta sexta-feira ainda em outros 25 países, incluindo o Brasil, e por isso os números deverão aumentar ainda mais. O primeiro filme arrecadou US$ 524 milhões.
O roteiro foi inspirado na obra O Problema Final, em que Holmes enfrenta o maior criminoso da Europa, o professor James Moriarty, tão inteligente quanto o detetive. O longa recria a cena da suposta morte do detetive, quando os dois caem das Cataratas de Reichenbach, na Suíça. A cena é ligeiramente diferente em relação ao livro, mas contar se Guy Ritchie decidiu matar ou salvar Holmes e o vilão estragaria a surpresa final, como explica Downey Jr. “Algumas pessoas na Warner Bros. queriam que o Moriarty não morresse e voltasse num novo filme. E eu disse: ‘Não, de novo não’. Mas há algumas lutas que não devemos comprar. O livro e a adaptação são complementares.”
A participação do irmão de Holmes, Mycroft (interpretado por Stephen Fry), que trabalha no serviço secreto britânico, é um dos destaques do filme. Segundo Holmes, seu irmão é mais inteligente do que ele, só que preguiçoso demais para deixar o escritório e investigar em campo. A cena dos irmãos confabulando soluções para os enigmas são impagáveis.
O diretor, no entanto, abusou do bullet time (efeito em câmera lenta que ficou famoso em Matrix) para retratar os momentos de luta. O efeito acaba se tornando cansativo, porque, antes de cada embate, Holmes repassa mentalmente e em câmera lenta os movimentos que fará na luta. Se no primeiro filme o recurso auxiliou na dinâmica da história, nesta segunda parte, Ritchie pesou na mão e exagerou. O ator, no entanto, defende a técnica. “Eu e Guy somos amantes das artes marciais. Nessas cenas, Holmes parece um polvo, cheio de braços.”
A atriz sueca Noomi Rapace também merece atenção, na pele da cigana Madam Simza Heron. A atriz de 32 anos ganhou notoriedade após interpretar a hacker Lisbeth Salander na adaptação sueca da trilogia Millennium. A saga ganhará adaptação também em Hollywood, mas com outra atriz no papel de Lisbeth e com Daniel Craig no papel principal. Em Sherlock Holmes, a personagem de Noomi é essencial para o sucesso da investigação.
Outro ponto que poderá gerar críticas são as modificações feitas na história original. Apesar de recriar cidades europeias como Londres e Paris, não é possível afirmar que o filme seja uma adaptação fiel ao livro de Sir Conan Doyle. De fato, James Moriarty é retratado como o grande vilão dos livros, mas, assim como Sherlock Holmes, ele recebeu um tratamento hollywoodiano para ficar, digamos, cool e moderno. “Acho que 95% de Holmes, eu me inspirei em Conan Doyle; os outros 5% são meus. O Holmes de Doyle não demonstra reações, ele é frio”, disse Downey Jr. “Eu tentei colocar um pouco mais de ação nele.”
Entrevista:
Robert Downey Jr., de 46 anos, chega animado para a entrevista com o JT, no Copacabana Palace, na manhã de ontem. Com óculos escuros, camiseta branca com uma jaqueta de couro por cima e tênis, o ator parece bastante à vontade no calor carioca, a despeito do frio do ar-condicionado dentro do hotel. Para beber, ele pede um café duplo sem açúcar que toma em dois goles. Amigo do diretor Guy Ritchie e do ator Jude Law, Downey Jr. conversa sobre o novo filme da franquia mas fala também como é encarar outro herói, o Homem de Ferro, adaptação dos quadrinhos da Marvel. Fã de artes marciais, o ator revelou que fará em breve exame para a faixa marrom de Wing Chun (arte marcial chinesa) e que Guy Ritchie em breve será faixa preta de jiu jitsu. Confira:
Seus personagens têm um lado sério e um lado de humor fortes. Como encara essas duas facetas?
Amo cinema. Todos os personagens que eu fiz eu me diverti. Acho que lendo os livros de Sherlock Holmes, você precisa se sentir como uma testemunha daquilo, se não fica impossível explicar o que está acontecendo. Como, por exemplo, achar graça daquele corpo morto na sua frente. Há um contraste de drama. Eu quero infundir nos projetos que eu faço algo engraçado, inteligente, que fuja do aspecto negro e, claro, fazer mais dinheiro.
Oscar, Globo de Ouro, entre outros prêmios, importam para você?
Quando você é jovem, prêmios parecem mais importantes do que eles realmente são. Eles te dão prestígio. Para mim, o que importa é a qualidade de vida fora do entretenimento. É isso que importa.
O roteiro modificou a história original do livro. O que achou disso?
Algumas pessoas na Warner Bros queriam que vilão Moriarty não morresse e voltasse num novo filme. E eu disse: “Não, de novo não”. Mas há algumas lutas que não devemos comprar. O livro e a adaptação são complementares. Trata-se essencialmente de um jogo de xadrez entre Holmes e Moriarty. Se você prestar atenção no livro há uma chave de braço que Holmes dá em Moriarty que é essencialmente um golpe de jiu-jitsu. Mas Holmes é especialista em bartitsu (uma arte marcial criada na Inglaterra no final do século 19).
Você citou Jiu Jitsu. Você treina jiu jitsu?
Guy Ritchie é faixa marrom de jiu jitsu e vai fazer teste para a preta em breve. Eu faço Wing Chun (arte marcial chinesa) e vou fazer prova para a faixa marrom também em breve. Somos dois amantes das artes marciais. No primeiro Sherlock, uma coisa que amamos eram aquelas cenas de lutas que ele demostrava sua habilidade de lutas. Parece que ele é um polvo, cheio de braços. Me sentia com Guy Ritchie como colegas de exército.
E vocês já estão pensando em mais uma continuação?
Estamos escrevendo. Mas nunca se sabe , não é?
Você está em duas franquias. Como se desliga do Tony Stark (Homem de Ferro) para fazer Sherlock Holmes?
Acho que tenho muito sorte. É realmente uma vantagem poder fazer esses dois personagens. E eu acho que consigo. É como nascer de novo cada vez que faço um filme dessas duas franquias. E quero mais!
No longa, Holmes discute com Watson se o que eles têm é uma parceria ou um relacionamento. Com Jude Law, você tem uma parceria ou um relacionamento?
Eles brincam, não é? Holmes diz é um relacionamento e Watson responde: “É uma parceria. Parceria!”. É uma coisa engraçada de dizer. Holmes quer ser mais importante que a noiva de Watson. Para o público, ele é mais importante. Mas, como o público reagirá ao saber que existe essa terceira pessoa na relação? Em 2009 quando fizemos o elenco, muitos nomes foram sugeridos. Jude Law foi citado e dizemos: “É claro que tem de ser ele”. Ele é durão, bonito e capaz de quebrar esse esterótipo de médico chato que Watson tem. Guy Ritchie e eu nos divertimos no set. Jude também se divertia, mas ele é gentleman inglês. E quando fugíamos da história de Conan Doyle, Jude nos lembrava de como Watson deveria ser, porque ele conhece a fundo os livros.
A Revista Time disse que você é uma 100 pessoas mais influentes do mundo…
De que ano?
Há três anos. O que acha disso?
Eu acho que eu sou uma das 100 pessoas mais influentes do mundo todos os dias (risos). Mas isso é na minha vida. Provavelmente 99% das pessoas do mundo não tem noção que eu existo.
Você disse que acha que o Homem de Ferro 3 pode ser o melhor filme da série. Porque acha isso? Foi porque mudou o diretor?
Não. Jon Favreau é ótimo. Somos como irmãos. Já tem mais de cinco anos que a série começou e temos muitos elementos para explorar. O novo diretor, Shane Black, com o qual eu trabalhei em Beijos e Tiros (2005) – aliás esse foi um dos filmes que eu adorei trabalhar, mas foi um fracasso de bilheteria – então, Black é culto e ele é um dos melhores que eu conheço. O roteiro é um dos melhores que já li também. Não só porque é um filme do Homem de Ferro, é porque o roteiro e o filme serão bons mesmo.
Quanto de Conan Doyle você usou para fazer Sherlock e quanto veio de você?
Acho que 95% é de Doyle e 5% é meu. Holmes não demonstra reações. Ele é frio, e eu tentei colocar um pouco disso dele.
Os Muppets estão de volta
Por: Felipe Branco Cruz
Caco, o sapo, já é um senhor de quase 60 anos, mas continua em plena forma. Miss Piggy, sua eterna namorada, é claro, não revela a idade. Um dos casais mais emblemáticos do show business está de volta no filme Os Muppets, que estreia nesta sexta-feira (leia a entrevista com eles abaixo). A Disney, detentora dos direitos dos Muppets, decidiu não traduzir mais nenhum nome de seus personagens para o português, portanto, não estranhe se no filme Caco for chamado de Kermit.
Criados nos anos 50 por Jim Henson, os Muppets começaram como personagens do Vila Sésamo e ganharam o próprio programa nos anos 70. Nessa mesma década, a atração passou a ser transmitida também no Brasil. Na década de 90, uma versão em desenho animado, o Muppet Babies, foi exibida no programa da Mara Maravilha, no SBT. Distantes da TV por quase uma década, quem explica por que ficaram tanto tempo assim longe da tela é o próprio Caco, que veio a São Paulo para divulgar o filme e recebeu a reportagem do JT num hotel de São Paulo. “Na verdade, nunca paramos. Gravamos discos, fizemos especiais, entre outras coisas”, disse Caco. Miss Piggy foi entrevistada em Los Angeles, pelo repórter do Grupo Estado Luiz Carlos Merten. Durante a conversa da reportagem com o sapo de bom coração, realidade e fantasia se misturaram. É que mesmo vendo o profissional responsável por manipular o boneco, quando Caco começa a falar, é difícil não entrar na onda e interagir com o Muppet, como se ele fosse de carne e osso.
O longa conta a história de Walter, um muppet, irmão de Gary (Jason Segel), um humano. Walter é um dos maiores fãs dos Muppets e sonha em vê-los de volta. Os dois viajam para Los Angeles, junto com Mary (Amy Adams), a noiva de Gary. Lá, descobrem que Tex Richman (Chris Cooper) quer perfurar um poço de petróleo em plena Hollywood Boulevard, onde fica o teatro dos Muppets. Walter decide ajudá-los reunindo todo o grupo, inclusive Gonzo, Miss Piggy e Animal, para um Teleton. Fofo e com um roteiro inocente, Os Muppets é repleto de números musicais. Um prato cheio para conquistar novos fãs e encher de nostalgia os mais velhos.
Como é de praxe, há participações especiais que vão desde o vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl, até a namorada de Justin Bieber, Selena Gomez. Todos interpretando a si próprios. Selena, que tem 19 anos, não chegou a ver Muppets na TV e brinca com isso no longa. “Não sei quem são vocês, mas meu agente disse que seria bom para mim participar do filme”, diz ela, na sua única fala no filme.
Entrevista: Caco, o Sapo
‘Sempre acreditei que eu e Piggy ficaríamos juntos’
Finalmente, você e Miss Piggy vão viver juntos?
Sempre acreditei que ficaríamos juntos para sempre. Mas nossa relação tem de ser revista a cada hora. Fale comigo daqui a uma hora e eu vou dizer como estamos.
O relacionamento de vocês é assim porque Piggy é uma garota muito instável?
É porque ela foi criada num estábulo (uma brincadeira com as palavras em inglês unstable, que significa instável, e estable, estábulo). Ela é muito temperamental e gosta que suas vontades sejam feitas na hora. Mas é muito doce.
E como seria o filho de vocês?
Seria assustador! Acho que o nosso filho se chamaria Frigs (mistura das palavras frog, sapo, com pig, porco). Sou um anfíbio e ela é um mamífero.
No filme, vocês fazem piadas com vocês mesmos.
Sim. Fazemos isso. Nós chamamos de “quebrando a quarta parede”. Conversamos com o público. Gosto de fazer referência ao próprio filme dentro do filme.
Como são as participações especiais de atores de carne e osso?
É sempre divertido. Temos Dave Grohl, Jim Parson, Selena Gomez, Whoopi Goldberg, Jack Black. Mas foi bom também atuar com Jason Segel, Chris Cooper, Amy Adams, Emily Blunt e Rashida Jones. Sempre falo da Rashida, mas não conte para a Miss Piggy. A personagem de Rashida me maltrata muito no filme. Rashida é filha de Quincy Jones! Isso não é legal? Depois de 30 anos com Miss Piggy, me sinto atraído por mulheres fortes como Rashida.
Nossa! E se Miss Piggy souber dessa atração?
Espero que ela nunca saiba. A Miss Piggy é uma estrela e não se mistura. Ela só faz suas cenas separada de outras atrizes, ela usa chroma key. Tomara que Miss Piggy nunca saiba.
Como vocês pretendem conquistar o público mais novo, que não conhece vocês?
Na verdade, o filme nos mostra como se fôssemos ultrapassados. Mas, há 12 anos, estamos trabalhando sem parar. O pessoal da década de 70, 80 e 90 já apresentou os Muppets aos filhos.
Como vê a diferença entre os Muppets e os filmes digitais?
Se eu fosse o Shrek, você não estaria conversando aqui comigo. Você nunca me conheceria. Se fizermos outro filme e eu voltar ao Brasil, vou lembrar de você porque nós conversamos ao vivo. Sapos têm boa memória.
Entrevista Miss Piggy
Por Luiz Carlos Merten, de Los Angeles
‘Fiz o filme porque a produção me deixou ficar com os sapatos’
Estive no Hollywood Boulevard, encontrei a estrela de Caco na Calçada da Fama, mas não a sua. A senhora não tem?
Veja como são as pessoas. Não sabem reconhecer o verdadeiro glamour. Caco é um bom rapaz, mas daí a acharem que é um astro, isso é um reflexo da mediocridade dominante. O dia em que o brilho for reconhecido nesta indústria, eles darão minha estrela, a moi.
Glamour, residência em Paris. O que a senhora está vestindo?
Chama-se vestido, meu bem.
Não, eu quero saber a grife.
E lá isso importa? Que eu use, isso sim é importante. Não importa o tecido, o corte, a elegância c’est moi.
O que a fez aceitar a ideia de um novo filme?
O fato de ele haver sido feito especialmente para moi e também porque a produção me deixou ficar com todos os sapatos que uso. São lindos.
Caco diz que o verdadeiro sentido da volta dos Muppets é a vitória da amizade. O que acha disso?
Concordo. Amizade, mas com glamour.
A história de amor de vocês é platônica. Caco surgiu nos anos 1950, está ficando idoso, mesmo que se mantenha bem. Qual é o futuro de vocês?
O Caco pode ficar sentado na lagoa, caçando moscas e vai achar que a vida é perfeita, desde que tenha amigos. Eu quero muito mais, sou cosmopolita. Amigos, sim, mas os sapatos, um passeio de limo. Moi, o que quero é diversão.
Ozzy Osbourne: loucura sob controle
Por: Felipe Branco Cruz
Conhecido como “O Príncipe das Trevas”, Ozzy Osbourne, 62 anos, sabe como agradar o público. No show que ele fará hoje, às 21h30, na Arena Anhembi, provavelmente a única música nova a ser interpretada será Let Me Hear You Scream, do disco, Scream.
As outras 14 canções do repertório deverão ser clássicos pinçados a dedo para levar ao delírio os fanáticos por heavy-metal. Foi assim a apresentação dele na última quarta-feira, em Porto Alegre, quando cantou, entre outras, Bark at the Moon, War pigs, Iron man e Paranoid.
As canções também foram as mesmas interpretadas no show que ele fez na segunda-feira, no Chile. Depois de São Paulo, Ozzy fará apresentações em Brasília (no dia 5), no Rio de Janeiro (dia 7) e Belo Horizonte (dia 9).
Ontem, em entrevista coletiva, concedida em São Paulo, o cantor disse que, em 40 anos de carreira, é muito difícil montar um repertório que agrade a todos. “Se fosse colocar todas as músicas, minha apresentação duraria cinco dias. Mas sempre fazemos alguma coisa diferente”, declarou.
O show apostará nas composições da carreira solo, feitas entre 1980 e 1990, e nas melhores músicas de sua ex-banda, Black Sabbath, compostas entre 1969 e 1978. “Há chances de eu voltar a cantar com o Black Sabbath. Só não sei quando e como”.
O vocalista chegou ao local da entrevista caminhando com dificuldade, muito distante da imagem que passou no show de Porto Alegre, quando passou quase 1h30 correndo e pulando pelo palco. Ele estava com as unhas pintadas de preto e usava dois anéis em formato de caveira.
A idade, ao que parece, só é notada quando o cantor tem de participar de compromissos burocráticos – como entrevistas coletivas. O roqueiro, no entanto, foi simpático e até fez piadas. “Só agora percebo o quanto estou velho.
Quando olho para a plateia e vejo jovens e crianças ao lado de senhores gritando juntos”, disse. Ele comentou também sobre uma coluna no jornal The Times, na Inglaterra, onde dá dicas amorosas. “Eu achei que não fosse saber responder.
Mas eu sei tudo. Os leitores me falam: ‘Tenho uma mulher e não aguento mais transar com ela’. E eu respondo: ‘Largue sua esposa e arrume uma namorada’”.
Até a morte
No show de São Paulo, o público poderá esperar por brincadeiras de Ozzy, já que ele joga água e espuma nos fãs, com o auxílio de baldes e de uma mangueira. O vocalista prometeu, ainda, que voltará ao Brasil no ano que vem e disse que só vai parar de cantar quando morrer.
“Hoje, eu controlo a minha loucura. Parei de beber, fumar e usar drogas. Mas nunca vou parar de tocar”. Esta é a quarta vez que ele se apresenta por aqui, e a primeira vez que toca em Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte.
Da primeira edição do Rock in Rio, em 1985, Ozzy guarda boas recordações. “Lembro muito bem desse dia. Foi um dos maiores palcos em que já cantei. Os brasileiros são apaixonados por música”.
Nessa turnê brasileira, a banda de Ozzy é formada por Rob Blasko Nicholson (baixo), Tommy Clufetos (bateria) e Adam Wakeman (filho de Rick Wakeman, que já participou de alguns álbuns do Black Sabbath na década de 70).
Para substituir Zakk Wylde na guitarra, (que acompanhou Ozzy durante 20 anos), foi convidado o músico novato Gus G. “Escolho pessoas desconhecidas para tocar comigo porque eles têm fome de tocar”, disse Ozzy, que continua com fome de levar seus fãs à loucura. Mas sem perder o controle.
Entrevistas com Serguei, o Divino do Rock
Na terça-feira saiu no jornal O Globo, na coluna Gente Boa, mais uma entrevista com o roqueiro mais velho do país, Serguei. As entrevistas com esse cara são sempre muito engraçadas. Há um mês, o Giba Amendola, nosso colega lá na redação do Jornal da Tarde, também fez uma entrevista surreal com Serguei. Aproveito para reproduzir as duas entrevistas aqui e, no final, publicar um video com a entrevista que Jô Soares fez com o músico. Vale a pena.
Entrevista ao jornalista Gilberto Amendola, no Jornal da Tarde
Aos 77 anos, Serguei só quer saber de “sexo e doideira”
Aos 77 anos, Sérgio Augusto Bustamante, o Serguei, afirma que só quer saber de “sexo e doideira”. O roqueiro, conhecido por ter tido um affair com a cantora Janis Joplin, voltou aos holofotes em impagáveis chamadas para o Prêmio Multishow, que será realizado no dia 24 de agosto. Em entrevista ao JT, ele fala de sexo, drogas e, é claro, rock and roll. Confira:
Você se sente na moda outra vez?
A internet renovou o meu público. Tenho 77 anos de vida e 45 de rock ‘n roll. Sou muito festejado, muito feliz. Tenho muitos fãs, ganho muito beijo na boca.77 anos! Você, Mick Jagger, Keith Richards, Iggy Pop… O Rock é o segredo da imortalidade?
Tô na pilha do rock. Eu tenho 25 anos. Meu corpo tem 77. Eu, não.O que você acha das bandas de rock atual? Fresno, NXZero…
Fico desapontado. Esses garotos… Acho que são bons do ponto de vista instrumental, mas não variam. Todas as bandas são absolutamente iguais. Não têm estilo. Rock é estilo de vida e atitude.Muito careta?
Todos arrumadinhos e de olhos pintados, como os beatniks faziam na década de 70. Eles se dizem emo. Que diabo eu vou saber o que é emo… O que fazem é pop. Não é rock. Eu não aprecio o trabalho daqueles cuja arte consiste em copiar os outros.As letras são muito ‘mimimi’?
Pra mim é pagode em ritmo de rock. As letras são muito chatas: “Você me abandonou, me deixou”. Uma charopada.O que falta?
Sei lá. Eu não gosto do pessoal do banquinho… Isso começou com os estudantes universitários querendo se profissionalizar na música. Acho chato. Dessa turma, só escapava o Gonzaguinha. Eu não vejo arte, força ou atitude nisso aí. O artista você conhece no palco.Qual foi sua maior loucura ?
Foi no Rock in Rio 2. Eu me atirei de cima do palco. Cantei um tributo à memória de Janis Joplin, meti o pé na cerca, fui lá embaixo e cantei ‘Summertime’ no meio da galera. Me joguei em cima do povo. Ninguém me sacaneou. Ninguém me machucou.O rock te deixou muitas marcas?
Eu protestei muito pra você poder falar comigo. Em 1967, durante a Ditadura sanguinária do Médici, eu protestei contra a falta de liberdade de expressão, que é a coisa mais sagrada que um homem pode ter. Pouca gente sabe, mas, em 1967, eu tive de fazer um show à força em Brasília, na inauguração do Teatro Nacional. Na ocasião, botei uma jaqueta, cheia de medalhas das três forças armadas e cantei na cara do Médici. Eu gritava “rock and roll” ! (ele fala aos gritos), na cara do ditador.Foi uma vida de muitas paixões?
Eu sou um tipo bissexual. Amei duas pessoas na minha vida. Eu tinha uma garota chamada Glorinha, que fiquei desesperado quando me largou. Depois, conheci um garotão motociclista. A gente ficou junto um tempo, mas não me dei bem. Eu não transava esse negócio de drogas. Ele transava.Peraí, você nunca usou drogas?
Uma vez, Janis Joplin saiu do banheiro enrolada na toalha. Ela tava chapada e eu disse pra ela: “Sua voz é linda. Mas você vai nos deixar cedo por causa dessas porcarias. Larga esse LSD, cocaína, maconha. Nós somos espíritos. O corpo é só uma máquina. Quando ela começar a enguiçar, nós batemos a porta e vamos embora”. Quando ela morreu, eu chorei muito.Mas você nunca usou drogas?
Nunca curti drogas. Acho a maior babaquice. Sou muito vaidoso. Fumei maconha uma vez e me senti leso. Minhas energias indo embora por causa dessa porcaria. Eu preservo a minha máquina. Eu já tenho cocaína, maconha e tudo o que você imaginar dentro da cabeça.Ah, tá. Agora, diz. Você pegou a Janis Joplin mesmo?
Éramos amigos. E rolava um sexo, sim, uma doideira. Eu era meio inibido com a Janis… Uma vez, ela me intimou durante uma festa num hotel, em São Francisco. Ela esticou os braços e me chamou. Eu disse que não iria transar com ela, porque ela era um mito. Aí, ela ficou brava e me falou que mito era Jimmy Hendrix. Até desfilei no São Paulo Fashion Week com uma camiseta com a frase: ‘Eu comi a Janis Joplin’ (foto à esquerda).A AIDS deu uma tesourada neste comportamento libertário?
Adoro sexo. Mas uso preservativo, e isso me revolta. Fico puto com essa geração do computador, que vive anestesiada. O cara quer trepar, e trepa com o computador. A melhor coisa é andar em Copacabana ou na Av. Paulista, olhar nos olhos das pessoas, sair. O resto é mecânico. Quero saber de sentimento. O mundo perdeu o brilho. Ficou tudo vulgar e sem vida.Você já tomou Viagra?
Não. Nos anos 70, não tinha disso. Tem muito jovem de 18 e 20 anos que toma por curtição e depois fica broxa de verdade. Eu não tomo e sou muito rock and roll.E política? Já sabe em quem vai votar para presidente este ano?
Ainda não. A Dilma é fantoche do Lula. E não curto muito o Serra. Mas não quero pensar nisso. Pago todos os meus impostos em dia. No mais, é só sexo e doideira.
Entrevista a jornalista Cleo Guimarães, na coluna Gente Boa, do O Globo
“É tudo muito igual, bicho”
Serguei está de volta. Depois de um tempo longe dos holofotes, (“me abandonaram”, diz), o roqueiro de bocão à la Mick Jagger e Steven Tyler ataca a cena do rock brasileiro atual e mete o pau nas principais atrações do Prêmio Multishow de Música Brasileira, do qual participa, na próxima terça-feira.
Você aparece nas propagandas do Multishow na TV criticando bandas adolescentes. Acha mesmo todas ruins?
Vi todas as bandas que participam do prêmio num clipe e, quando acabou, perguntei: ‘Não estão repetidas?’. Bicho, é absolutamente tudo igual! Uma xaropada só.Será que você não tem pouca paciência para ouvir bandas e cantores novos?
Vou dar um exemplo: agora inventaram o samba rock. Samba rock, bicho! Ah, me dá um break, é demais pra minha cabeça. Samba é sagrado. Rock também. Cada um na sua.E os novos compositores? Tem algum que te agrade?
Não suporto a ‘turma do banquinho’. É uma epidemia de compositores que resolvem cantar. Pessoas que não são artistas, não conhecem o palco. Sentam num banquinho, pegam o violão e ficam cantando com aquela vozinha… (cantarola, com a voz bem fina). Essa turma do banquinho é um saco. O cara tem que ter atitude no palco, pô!Você acha que entre essas bandas jovens tem alguém talentoso? Conhece o Fiuk?
Olha, Beatles têm um estilo, Rolling Stones têm outro, que é diferente de The Who… Todos têm estilo… Peraí…Qual era a pergunta mesmo?Sobre as bandas jovens e o filho do Fabio Jr.
É que eu tô com uns problemas de memória, bicho. Esqueço mesmo. Pois é. O filho do Fábio Junior, eu amo o Fábio Junior… Bom, quando eu encotrar com o filho dele, vou dar um beijinho na testa do menino e pedir pra tirar uma foto com ele pra botar no museu do rock. Ele é muito bonito, e eu me ajoelho diante de tanta beleza.E o rock brasileiro? Deve ter alguém bom. Ou não?
O problema é que quase todas as bandas de rock brasileiro estão fazendo letra de pagode em ritmo de rock. É aquele tal de ‘meu amor, você me deixou… gatinha, que saudade…’ (cantarola). Pô, bicho, que mela cueca mais chato. Mas tem um grupo que eu gostei, tem um nome diferente, alguma coisa com móveis…Móveis coloniais de Acaju?
Móveis coloniais de Acaju. Nome maluco… É a única novidade atual. O guitarrista é o maior barato. Eles têm presença no palco, as letras são muito benfeitas. Finalmente um estilo novo, um rock‘n’ roll alegre.E entre as mulheres, de quem você gosta?
Adoro Clementina de Jesus, Elizeth Cardoso, Angela Maria. Hebe Camargo cantava pra caramba, sabia?Alguém mais atual?
O problema é que a turma do banquinho está cheia de mulher também, ha ha ha. Tem uma menina muito boa, que toca um violão bem grande. Esqueci o nome dela. Sabe que eu tenho problema de memória, né? Já te falei isso?Já. É verdade que você é um dos recordistas de participações no ‘Programa do Jô’?
Fui nove vezes. Na última, quanto mais eu não lembrava o que queria falar, mais a plateia aplaudia. Muito doido!
Veja o vídeo da entrevista ao Jô Soares
Entrevista: Zeca Camargo
Em entrevista exclusiva, o apresentador revela que já pensou em ter filhos, fala de religião, da paixão pela dança e diz que prefere viajar a entrevistar celebridades
Por: Felipe Branco Cruz
O apresentador do Fantástico (TV Globo), Zeca Camargo, que na semana passada assumiu o comando da série Megacidades, contabiliza mais uma volta ao mundo e, em seu passaporte, já não há espaço para tantos carimbos. Filho do médico Saul de Ávila Camargo (que morreu há dois anos) e de Maria Inês de Brito, o jornalista conta nesta entrevista o ‘fora’ que levou quando tentou tietar Michael Stipe (vocalista do R.E.M) e de sua apreciação por Kelly Key. Ele também conversa sobre as viagens que fez pelo mundo e a série que acabou de estrear.
A trilha sonora que originou ‘Crepúsculo’
Muse, banda que inspirou saga de vampiros,
fala ao JT e diz que deve se apresentar no Brasil
Por: Felipe Branco Cruz
A banda britânica Muse, que lançou recentemente seu quinto álbum de estúdio, The Resistance, disse em entrevista por telefone ao JT que pretende fazer novo show no Brasil. Mas a apresentação ainda deve demorar: a previsão é agosto de 2011. “Nossa turnê internacional é extensa, mas pode ser que consigamos ir ao Brasil no final deste ano. A América do Sul é um ótimo lugar”, disse o baixista Christopher Wolstenholme, o Chris. A banda se apresentou por aqui em 2008. Sua próxima parada é o Festival Rock In Rio, em 27 de maio, em Lisboa, Portugal.
O grupo ganhou o status de queridinho dos fãs de Crepúsculo, após a autora Stephanie Meyer declarar-se fã e agradecer à banda num dos seus livros. Ela disse que as músicas do Muse serviram de inspiração para escrever a série. A canção I Belong To You, single do novo álbum, também estará na trilha sonora do terceiro filme da série Crepúsculo. “Acho ótimo saber que influenciamos a Stephanie. É legal essa interação com diferentes meios e mídias. Ela é uma escritora que se inspira em música”, fala Chris. “São diferentes formas de arte, uma complementando a outra. Não é comum um escritor usar música como inspiração. Acho que tivemos sorte.”
O primeiro single de trabalho do disco foi Uprising, que traz na letra os versos: “They will not force us / They will not degrade us / We will be victorious” (algo como: Eles não irão nos forçar / Eles não irão nos degradar / Nós vamos ser vitoriosos). A música tem bateria marcante, com linhas de baixo bem definidas, combinando com a voz incisiva do vocalista Matthew Bellamy.
I Belong To You, no entanto, certamente combina mais com o clima vampiresco de Lua Nova, a começar pela introdução feita ao piano. A letra, apesar de não falar diretamente sobre vampiros, deixa a dúvida no ar quando afirma “I can’t find the words to say / When I’m confused / I travel half the world to say / You are my muse” (Na tradução livre: Eu não consigo encontrar palavras pra dizer / Quanto eu estou confuso / Eu viajo meio mundo pra dizer / Você é minha musa).
Chris também falou sobre o tema do tabaco. Ele, que já foi viciado, largou o cigarro quando as proibições ficaram mais severas. “Parei porque é difícil fumar na Inglaterra. Não se pode fumar em lugar fechado. Mas acho legal as pessoas pararem de fumar”, diz.
Outro tema caro à banda são seus shows. Suas apresentações ao vivo costumam ser elogiadas. “O que faz um show ser bom é pensar na plateia. Temos de agradá-la. Mas o importante é você ter bons amigos ao seu lado. Se não tiver boa energia, não dá. E eu toco com os melhores.”
Inri Cristo X Papa Bento XVI
É cada coisa que me aparece… confira!
39) Qual a sua opinião sobre o novo papa?
INRI CRISTO: “Na condição de judeu circuncidado, a princípio não teria nada a declarar sobre um ex-soldado nazista que se apresenta ao mundo como sucessor de Pedro. Não obstante, homenageando o bom humor dos meus filhos integrantes da família simiesca, só me resta ironizar. Deduzo que o Sumo Pontífice da proscrita igreja romana (meretriz do Apocalipse c.17), ao incorporar o transmigrado kajowo João Paulo II, em arroubos de nostalgia dos tempos em que servia o regime nazista, dirá aos fiéis: “Em nome do Pai, do Führer e do Espírito Santo”. E é óbvio que me sinto honrado em ser excluído, pois aos olhos de meu PAI e a meus olhos até o título que ele ostenta é falso. Como pode ele, dizendo-se meu representante, “representante de Cristo”, admitir que o chamem de papa (cujo significado oriundo do grego e latim quer dizer pai) se eu disse há dois mil anos: “A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é vosso PAI, o que está nos céus” (Mateus c.23 v.9)?
Não acredita? Confira a entrevista completa no site oficial do Inri. www.inricristo.org.br
A propósito, está escrito no site do Inri Cristo que se eu divulgar a sua palavra eu serei abençoado. Ele diz: “Todo e qualquer filho de DEUS que acessar esta página e a divulgar será agraciado com bênçãos do céu”. Ufa! Agora eu já posso dormir em paz.



















