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Toda a verdade da Tropicália

Por Felipe Branco Cruz

Um dos maiores documentaristas do Brasil, Eduardo Coutinho será homenageado na 17ª edição do festival É Tudo Verdade, que começa amanhã e vai até o dia 1º de abril. Sete filmes e dois debates com a participação do cineasta estão na programação, incluindo após a exibição do clássico Cabra Marcado Para Morrer, de 1984 (leia mais abaixo). O evento será aberto amanhã, somente para convidados, com a exibição de Tropicália, de Marcelo Machado, que explora o movimento cultural desencadeado no final da década de 60 por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Os Mutantes. Para o público em geral, o longa será reexibido às 21h, na sexta-feira, no CineSesc. Todas as sessões do festival são gratuitas. Além do CineSesc (Rua Augusta, 2.075), o evento também ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112), Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207) e MIS (Av. Europa, 158).

“O documentário histórico cultural marca a história do cinema documental brasileiro. Estamos descobrindo novas narrativas para contar essas histórias”, diz o criador do festival Amir Labaki. De fato, Tropicália foi feito de uma forma totalmente nova para os padrões documentais nacionais. Não há praticamente nenhuma cena em que os entrevistados aparecem. Ouve-se apenas as vozes dos envolvidos enquanto imagens psicodélicas explodem na tela a todo instante. Há ainda um vasto arquivo de filmes de época dos tropicalistas nos festivais da Record, fazendo participações em TVs estrangeiras e em seus shows. Destaque para uma rara cena de 1970 de Gilberto Gil e Caetano Veloso, no festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, durante o exílio da dupla.

O festival acontecerá simultaneamente no Rio de Janeiro. Amanhã, o filme que abrirá a mostra na capital carioca será Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, dirigido por Pedro Bial e Heitor D’Alincourt. Entre 10 e 15 de abril, o É Tudo Verdade voltará a ser exibido em Brasília e, em maio, pela primeira vez em Belo Horizonte. “Temos ótimos documentaristas mineiros. Será uma boa oportunidade de levarmos o festival para lá”, afirma Labaki.

Por aqui, ao todo, serão exibidos 80 filmes, sendo que 25 deles terão estreia mundial no festival. Os longas são originários de 27 países. A Argentina será representada pelo cineasta Andrés Di Tella que, assim como Coutinho, também ganhou uma retrospectiva. A mostra especial apresentará seis longas, um curta e um média-metragem de Andrés. Entre eles, o inédito Golpes de Machado, que conta a história do cineasta experimental Claudio Caldini.

Da programação, destacam-se também títulos que repercutiram no exterior, como é o caso do ganhador do Oscar de curta-metragem deste ano, Saving Face, do diretor paquistanês Sharmeen Obaid-Chinoy. O curta conta a história do cirurgião plástico Dr. Mohammad Jawad, que reconstrói o rosto de mulheres que sofreram ataques com ácido. Outros dois títulos que valem atenção são China Peso-Pesado, de Yung Chang, e O Beijo de Putin, de Lise Birk Pedersen. Ambos foram projetados no festival de Sundance, sendo que o segundo levou o prêmio de melhor fotografia. Em China Peso-Pesado, o diretor acompanha adolescentes do interior do país que são recrutados para serem atletas olímpicos.

Ainda no festival, será realizada a competição brasileira de longas e médias-metragens, que apresentará sete filmes inéditos. O vencedor ganhará R$ 110 mil e o troféu CPFL Energia, criado por Carlito Carvalhosa. Na competição de curta-metragens, o ganhador levará R$ 10 mil e também um troféu.

Festival presta homenagem a Eduardo Coutinho
Produzido em 1962, o documentário Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho, teve de ser interrompido após o golpe de 1964. Só em 82 voltou a ser rodado, com os mesmos técnicos, locais e personagens de antes. Em 84, foi finalmente lançado. O longa é hoje considerado um dos clássicos do cinema documentário brasileiro e conta a história de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba assassinado em 1962.

Na época, os policiais da ditadura interromperam as filmagens e prenderam parte da equipe, acusando-os de comunismo. O longa original está sendo restaurado pela Cinemateca, mas uma outra cópia, não restaurada, estará na programação do É Tudo Verdade, dentro da retrospectiva Coutinho: O Caminho até Cabra, que homenageará o documentarista.

Dentro da retrospectiva, serão exibidos ainda os filmes Coutinho Repórter, Crônica de um Verão, Exu, Uma Tragédia Sertaneja, O Pistoleiro da Serra Talhada, Seis Dias de Ouricuri e Theodorico – O Imperador do Sertão.

‘Febre do Rato’ vence em Paulínia

O diretor Cláudio Assis e o ator Irandhyr Santos com seus prêmios

O diretor Cláudio Assis e o ator Irandhyr Santos com seus prêmios

Por Felipe Branco Cruz

Febre do Rato, polêmico longa-metragem do diretor pernambucano Cláudio Assis, foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Paulínia, recebendo oito prêmios Menina de Ouro, inclusive o de Melhor Filme. Selton Mello, diretor, ator e roteirista de O Palhaço, levou o prêmio de melhor Diretor de Ficção e melhor Roteiro (em parceria com Marcelo Vindicatto). O Palhaço também ganhou nas categorias de melhor Figurino e melhor Ator Coadjuvante (Moacyr Franco). Antes de os mestres de cerimônia Rubens Ewald Filho e Marina Person indicarem os premiados, foi exibido o longa Assalto ao Banco Central, do ator e diretor Marcos Paulo, que não concorreu e tem previsão de estreia para a próxima semana (leia matéria à direita).

“Não faço filme para ganhar prêmio. Faço filme para conquistar o público”, disse Cláudio Assis, num dos vários discursos que fez enquanto recebia seus prêmios. Com uma mensagem anarquista, o filme de Assis tem fortes cenas de sexo, nu frontal, exagero de palavrões e violência. Muitas dessas cenas poderiam ficar de fora do longa, sem alterar em nada a história. Mesmo assim, a qualidade técnica da obra é incontestável. Tanto que Febre do Rato ganhou também nas principais categorias técnicas, como Montagem, Fotografia e Direção de Arte. As atuações de Nanda Costa e Irandhyr Santos lhes renderam os prêmios de melhor Atriz e melhor Ator. Eles interpretam o casal Eneida e Zizo.

Voto popular
Um dos pontos mais emocionantes da entrega dos prêmios foi quando Moacyr Franco, 74 anos, ganhou na categoria melhor Ator Coadjuvante. Franco aparece em apenas uma cena, de dois minutos, no filme O Palhaço. Sua atuação, no entanto, é tão marcante que mereceu o prêmio. Selton Mello lembrou que, em toda a carreira de Moacyr Franco, esta é a primeira vez que ele fez um filme. “Ele é meu ídolo. Desde criança, eu e meu pai assistíamos a seus programas na TV”, disse Selton.

O público também elegeu seus melhores filmes por meio do voto popular. Onde Está a Felicidade?, de Carlos Alberto Riccelli, com Bruna Lombardi no elenco, levou o prêmio popular de melhor Filme. “O voto do público é o melhor que se pode ter”, disse Bruna Lombardi. “Cresci com o cinema. Sempre convivi com essa magia”, completou. O documentário À Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas, que aborda o projeto da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, comoveu o público e levou o prêmio popular de Melhor Documentário.

Durante o evento, os organizadores anunciaram as datas do próximo festival, que será realizado entre 21 e 28 de julho de 2012. Neste ano, o evento recebeu um público estimado de 27 mil pessoas. “É um número altíssimo, se considerarmos que Paulínia tem uma população de quase 80 mil habitantes”, disse o secretário de Cultura,Emerson Alves. “Este foi o festival em que mais tivemos a participação da população”, lembrou o prefeito José Pavan Junior.

(O repórter viajou a convite da organização do festival)

Confira o resultado completo:

FILMES DE LONGA METRAGEM
• Melhor Filme Ficção (R$ 250 mil) – “Febre do Rato”, Cláudio Assis
• Melhor Documentário (R$ 100 mil) – “Rock Brasília”, Vladimir Carvalho
• Melhor Diretor Ficção (R$ 35 mil) – Selton Mello, “O Palhaço”
• Melhor Diretor Documentário (R$ 35 mil) – Maíra Bühler e Matias Mariani, “Ela Sonhou Que eu Morri”
• Melhor Ator (R$ 30 mil) – Irandhyr Santos, “Febre do Rato”
• Melhor Atriz (R$ 30 mil) – Nanda Costa, “Febre do Rato”
• Melhor Ator Coadjuvante (R$ 15 mil) – Moarcir Franco, “O Palhaço”
• Melhor Atriz Coadjuvante (R$ 15 mil) – Maria Pujalte, “Onde está a felicidade?”
• Melhor Roteiro (R$ 15 mil) – Selton Mello e Marcelo Vindicatto, “O Palhaço”
• Melhor Fotografia (R$ 15 mil) – Walter Carvalho, “Febre do Rato”
• Melhor Montagem (R$ 15 mil) – Karen Harley, “Febre do Rato”
• Melhor Som (R$ 15 mil) – Gabriela Cunha, Daniel Turini e Fernando Henna, “Trabalhar Cansa”
• Melhor Direção de Arte (R$ 15 mil) – Renata Pinheiro, “Febre do Rato”
• Melhor Trilha Sonora (R$ 15 mil) – Jorde Du Peixe, “Febre do Rato”
• Melhor Figurino (R$ 15 mil) – Kika Lopes, “O Palhaço”
• Especial do Júri (R$ 35 mil) – “Trabalhar Cansa”, de Marco Dutra e Juliana Rojas

CURTAS REGIONAIS
• Melhor Filme (R$ 25 mil) – “Argentino”, Diego da Costa
• Melhor Direção (R$ 15 mil) – Diego da Costa, “Argentino”
• Melhor Roteiro (R$ 10 mil) – Caue Nunes e Maurício de Almeira, “3×4″

CURTAS NACIONAIS
• Melhor Filme (R$ 25 mil) – Carlos Nader, “Tela”
• Melhor Direção (R$ 15 mil) – Gabriela Amaral Almeida, “Uma Primavera”
• Melhor Roteiro (R$ 10 mil) – Gustavo Suzuki, “O Pai Daquele Menino”

JÚRI POPULAR
• Melhor Longa Ficção (R$ 25 mil) – Carlos Alberto Riccelli, “Onde Está a Felicidade?”
• Melhor Documentário (R$ 15 mil) – Damià Puig, “À Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas”
• Melhor Curta Nacional (R$ 5 mil) – Thiago Luciano, “Café Turco”
• Melhor Curta Regional (R$ 5 mil) – Diego da Costa, “Argentino”

JÚRI DA CRÍTICA
• Melhor Longa Ficção – Claudio Assis, “Febre do Rato”
• Melhor Documentário – Lucia Murat, “Uma Longa Viagem”
• Melhor Curta Nacional – Carlos Nader, “Tela”

Um assalto a banco histórico

Parte do elenco e equipe reunida em Paulínia para a estreia de 'Assalto ao Banco Central'

Parte do elenco e equipe reunida em Paulínia para a estreia de 'Assalto ao Banco Central'

Por Felipe Branco Cruz

No início deste ano, o diretor e ator Marcos Paulo descobriu que estava com câncer no esôfago. Na última semana, ele ficou internado no Rio de Janeiro para tratar do câncer. Mesmo assim, o diretor fez questão de participar do lançamento de seu filme Assalto ao Banco Central, no Festival de Cinema de Paulínia. O longa foi exibido anteontem, durante o encerramento do evento, e tem previsão de estreia para a semana que vem. “Estrear em Paulínia é uma vitória pessoal para mim”, disse Marcos. “Lidar com essa doença durante o filme foi algo que me ajudou, porque eu não lembrava dela o dia inteiro. Ia para o hospital, fazia o tratamento de radio e quimioterapia e voltava ao trabalho”.

O longa é baseado num dos maiores assaltos a banco do mundo, em Fortaleza, em 2005, quando os bandidos levaram R$167 milhões do Banco Central. Lima Duarte subiu ao palco antes da exibição e fez graça com o público. “Vocês sabem quanto pesa R$167 milhões? São 3,5 toneladas. É o típico caso de roubar e não poder carregar”, disse o ator.

O enredo mostra como um grupo de bandidos alugou uma casa e criou uma empresa de fachada apenas para construir um túnel que levasse ao banco. Há, ainda, o núcleo policial, liderado pelos atores Lima Duarte e Giulia Gam. “Hoje, a maioria dos atores é da internet. Eu tenho outra formação. Acho que o policial que eu fiz combina com essa formação”, disse Lima. O filme, porém, não retrata o que realmente aconteceu. “Nunca tivemos a pretensão de contar a história real. Nunca iríamos saber exatamente o que ocorreu”, disse Marcos Paulo. “Minha área de atuação é a ficção”. Embora tenha cenas de ação, o longa também tem momentos de humor, muitos deles protagonizados por Lima Duarte. “Os bandidos só conseguiram fazer o que fizeram porque tudo é um grande deboche no Brasil”, disse o diretor. No longa, os criminosos são liderados por Barão, interpretado por Milhem Cortaz, que se associa a Mineiro (Eriberto Leão).

A trilha sonora conta com a participação de Gabriel O Pensador, e do guitarrista Chris Pitman, da nova formação do Guns N’ Roses, que escreveu as músicas com André Moraes.

Cláudio Assis choca com novo filme

O diretor pernambucano Cláudio Assis, que exibiu o longa "Febre do Rato"
O diretor pernambucano Cláudio Assis, que exibiu o longa “Febre do Rato”

Por Felipe Branco Cruz

O mais novo filme do diretor pernambucano Cláudio Assis, Febre do Rato, que encerrou anteontem a mostra competitiva do Paulínia Festival de Cinema, ajudou a alimentar ainda mais fama de polêmico que ele cultivou desde o longa Amarelo Manga (2003), no qual dava um close nas partes íntimas da personagem Lígia, de Leona Cavalli. Assis foi convidado a subir ao palco para apresentar o filme e, aos berros, disse ser um cineasta que não faz concessões e mandou os medíocres irem tomar naquele lugar. Depois agradeceu a todos que participaram do longa. Nas atrizes, atores e produtores que o acompanharam no palco, distribuiu selinhos na boca. Inclusive nos mestres de cerimônias Rubens Ewald Filho e Marina Person.

O filme, todo em preto e branco, é ambientado no Recife, às margens do Rio Capibaribe. Irandhir Santos (o Fraga, de Tropa de Elite 2) interpreta o poeta anarquista Zizo, dono de um jornalzinho chamado Febre do Rato. O nome remete a uma expressão popular do Nordeste usada para designar quem está fora de controle. O longa será distribuído pela Imovision, mas ainda não tem data de estreia no circuito comercial. “Pra mim, poesia foi e sempre será em preto e branco. É uma questão de atitude e unanimidade entre todos da equipe”, justificou o diretor.

Verborrágico, Zizo é um poeta nato que sempre tem versos na ponta da língua para declamar em qualquer situação. Cercado por pessoas que estão à margem da sociedade, circula pelas decadentes ruas do Recife Antigo, munido de um carro de som, gritando para quem quiser ouvir palavras de ordem contra tudo e contra todos. Os amigos de Zizo são interpretados por Matheus Nachtergaele, Juliano Cazaré e Vitor Araújo, entre outros.

Repleta de cenas de nudez, sexo e palavrões, a história mostra uma turma desprendida de amarras sociais e familiares. Zizo, por exemplo, é conhecido entre os amigos por só transar com mulheres velhas dentro de uma caixa d’água. Sua vida muda depois que ele conhece e se apaixona pela jovem Eneida (Nanda Costa). A estudante passará a frequentar o círculo de amizades de Zizo e, consequentemente, sua vida. “Acho que o filme foi uma forma de traduzir o Recife, com todo seu sentimento”, disse Assis.

A exibição no festival desencadeou uma espécie de catarse coletiva, potencializada pela ótima fotografia, em preto e branco, dos lugares mais pobres e feios da capital pernambucana. Mas que, nas lentes de Walter Carvalho, diretor de fotografia, ganharam uma dimensão épica e bela. Algumas canções da trilha sonora são assinadas por Jorge Du Peixe (integrante do Nação Zumbi), dando um clima de mangue beat.

Depois de uma cena forte em que três homens aparecem nus, se entrelaçando na cama com uma mulher, Cláudio Assis soltou um berro durante a projeção, dizendo: “Isso que é cinema, p…!”. E arrancou aplausos da plateia.

Tabu
Forte, intenso e chocante. Talvez essas três palavras resumam bem o que se viu anteontem no Theatro Municipal de Paulínia. “A nudez foi tratada com tanta naturalidade durante as filmagens que foi tranquilo fazer o longa”, disse a atriz Mariana Nunes. “A partir do momento em que eu vesti a roupa da personagem, não tive nenhum problema em tirar a roupa”, completou a outra atriz, Nanda Costa.

“É muito bobo e medíocre. Ficamos aqui discutindo a nudez. Quase fomos presos porque estávamos gravando nus. Todo mundo acha legal ver a nudez na televisão e no cinema não?”, questionou o diretor, referindo-se a um episódio que ocorreu durante as filmagens. “Pagamos para a prefeitura para que fechassem as ruas durante as filmagens e mesmo assim veio a polícia para nos prender”.

A Febre do Rato, sem sombra de dúvidas, foi o longa que mais chamou atenção, seja por seu apuro estético ou por sua vocação nata para chocar.

(O repórter viajou a convite da organização do festival)

Assista Cláudio Assis dando beijos na boca de toda a equipe e dos mestres de cerimônia Rubens Ewald Filho e Marina Person

Assista ao trailer do filme

Documentário com jeito de panfleto

A Índia Juma, personagem do documentário ''À Margem do Xingu"
A Índia Juma, personagem do documentário ”À Margem do Xingu”

Por Felipe Branco Cruz

Independentemente da opinião do público sobre a construção da hidrelétrica em Belo Monte, no Pará, cerca de 100 espectadores deixaram a sala de projeção durante a exibição do documentário À Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas. O filme assume postura claramente contra a construção da hidrelétrica e o motivo de as pessoas abandonarem a sala não eram porque eram a favor da construção. O motivo era o filme mesmo, feito de forma quase amadora, com entrevistas redundantes e extremamente tendencioso. Um exemplo claro disso foi quando o diretor espanhol Damià Puig decide ouvir as vozes contra a construção da usina. Eram bêbados e desocupados que jogavam baralho num bar.

“Sei que vão ter críticos contra o filme. Mas o mais importante é que vocês puderam ouvir as nossas vozes não consideradas”, disse o diretor. “Tentamos procurar entrevistar pessoas a favor da usina. Mas ninguém queria falar com a gente. Nem a Funai, nem o governo. Ainda mais para nós, que produzimos esse filme sem recursos”, destacou o diretor. “A primeira coisa que fizemos foi ir ao Ibama, mas ninguém nos atendeu”.

De fato, há diversos problemas com a construção da hidrelétrica. Famílias e tribos indígenas terão de ser removidas, não há garantias de que o governo irá indenizar essas pessoas e, claro, há o impacto ambiental. O lago que se formará com o represamento do rio Xingu alagará uma área de floresta nativa nunca estudada pelo homem. Tudo isso é mostrado no filme, mas de uma forma tendenciosa. O longa seria mais convincente e, talvez, mais realista se fosse feito de outra forma. “É um filme datado, quase que perecível. É um tema urgente que tratamos”, diz o produtor Rafael Salazar.

Opiniões tendenciosas
O filme mostra o lado das “vozes não consideradas”. Esse é o ponto de partida, porque, segundo os produtores, as “vozes consideradas” já têm espaço garantido. Por isso, os produtores focaram as entrevistas apenas em índios e moradores ribeirinhos. “As ‘vozes consideradas’ dizem que, se Belo Monte não for construído, o Brasil irá parar. Não é verdade. Não podemos considerar que uma obra com tantos problemas técnicos seja feita”, declara o engenheiro da USP Francisco del Moral Hernandez, que também participou do documentário. “Os recursos hídricos da região amazônica são o pau-brasil da nossa época”, completa Hernandez.

A visão do diretor espanhol, apesar de ter sido auxiliado por uma equipe brasileira, contaminou o documentário, que soa como algo panfletário. Uma pena, pois tudo que diz respeito à construção de Belo Monte merece uma discussão séria e isenta. Num dos momentos do filme, há uma entrevista com a jovem índia Juma. Ela aparece chorando porque teve de ir para a escola e deixar sua tribo. Uma cena que em nada acrescenta à discussão da construção da hidrelétrica. “Há 30 anos lutamos contra a construção dessa usina. Tivemos grandes represálias e discriminações. Por várias vezes, pensamos que não iríamos terminar este filme”, diz a índia Juma. O assunto é importante. Mas o filme perdeu uma ótima oportunidade de tratá-lo com inteligência.

A vida de presos estrangeiros no Brasil

A diretora e o diretor do documentário Ela Sonhou Que Eu Morri

A diretora e o diretor do documentário Ela Sonhou Que Eu Morri

Por: Felipe Branco Cruz

Os 75 minutos de duração do documentário Ela Sonhou Que Eu Morri, exibido anteontem no Festival de Cinema de Paulínia, são preenchidos com entrevistas feitas com estrangeiros presos no Brasil, seja por contrabando ou por tráfico de drogas. A direção é de Maíra Bühler e Matias Mariani. “Começamos a pesquisar sobre o documentário a partir da comunidade nigeriana que tem em São Paulo. Descobrimos que existem duas penitenciárias na cidade para abrigar os ilegais”, diz a diretora, Maíra.

Os presos estão detidos na penitenciária feminina da capital, que fica numa parte do Carandiru que ainda não foi demolida. “Lá, as presas estrangeiras dividem espaço com as brasileiras”. A outra, Penitenciária Cabo PM Marcelo Pires da Silva, só abriga estrangeiros homens e fica no interior do estado, na cidade de Itaí. Ao todo são 1300 homens detidos. “Foi uma reivindicação dos presos, que não queriam se misturar com facções criminosas brasileiras”, diz Matias Mariani.

A ideia do documentário é mostrar a globalização de uma maneira invertida, apresentando histórias de vida de pessoas de países ricos e pobres, presas por crimes internacionais. Há desde personagens supostamente presos por ingenuidade – como uma mulher que diz achar que estava trazendo diamantes mas, na realidade, era cocaína – até pessoas que, num ato desesperado para conseguir dinheiro, aceitaram trazer drogas em suas bagagens.

São interessantes histórias de vida que tiveram um final trágico. Dentre elas, há a de um comerciante líbio que descobriu que sua mulher estava com câncer de mama, a de um soldado mercenário que lutou em guerras civis na África do Sul, a de um jovem eslovaco viciado em jogo, a de um jovem bibliotecário espanhol apaixonado por uma garota e a da mãe húngara que confundiu diamantes com cocaína, entre outras. Ao todo, são oito histórias de vida. Um dos pontos fracos é que os nomes dos personagens não são citados em nenhum momento. “Preferimos não expor os nomes deles”, diz a diretora.

Se as histórias que eles contam são interessantes, o documentário peca ao mostrar apenas a entrevista dessas pessoas, numa sala fechada da cadeia. Não há uma busca por seus familiares ou uma investigação para apurar se o que eles contam é verdade. “A gente queria narrar esse confinamento. Até porque os presos estrangeiros ficam mais tempo sem receber visita. Achamos que traria essa experiência prisional”, explica a diretora. Assim como não há a versão das autoridades brasileiras sobre o problema ou explicações sobre como eles foram presos. “O mais importante era entrevistar os presidiários”, completa. O documentário apresenta apenas as histórias e as lembranças de cada um desses presos. Sejam elas verdade ou não.

Mistura de Almodóvar com Paulo Coelho

A atriz Bruna Lombardi durante o Festival de Cinema de Paulínia

A atriz Bruna Lombardi durante o Festival de Cinema de Paulínia

Por Felipe Branco Cruz

O visual é kitsch, com diversos matizes de vermelho e azul, remetendo à estética dos filmes do diretor espanhol Pedro Almodóvar. Depois de perceber que sua vida está um desastre, pessoal e profissionalmente, a chef de cozinha Teodora (Bruna Lombardi) decide buscar sua espiritualidade numa viagem pelo místico caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. É assim, misturando cores de Almodóvar com auto-ajuda de Paulo Coelho, que se desenrola o longa Onde Está a Felicidade?, exibido anteontem no Festival de Cinema de Paulínia. O filme é dirigido pelo ator Carlos Alberto Riccelli, marido de Bruna Lombardi, que, além de protagonista, também é produtora do longa. “Eu quero leveza nesse novo filme. O outro longa que fizemos (O Signo da Cidade, de 2008) foi muito denso. As pessoas choravam”, disse Bruna. “Pensei que eu teria de ter equilíbrio no universo. Agora, é a hora de fazer um monte de gente rir. Daí, resolvi escrever essa comédia”, completou ela.

A comédia agradou ao público que gargalhou do início ao fim da projeção, de 110 minutos. O humor fácil, que trata da velha e batida guerra dos sexos, comprovou que ainda é a melhor forma de fazer o brasileiro rir. Na história, Teodora decide dar uma guinada em sua vida após flagrar o marido, Nando (Bruno Garcia), com quem está casada há 11 anos, fazendo sexo virtual com uma desconhecida. Nando é comentarista de futebol num canal de TV e Teodora tem um programa sobre receitas de pratos afrodisíacos para esquentar a relação. Mais clichê, impossível. “A piada tem de ser uma consequência natural de uma cena”, explicou Bruna.

A produção do longa é uma parceria entre Brasil e Espanha, e conta com a atriz espanhola Marta Larralde. Ela interpreta Milena, uma amiga de Teodora na Espanha e que a ajudará fazer o Caminho de Santiago. Do Brasil, um grande amigo de Teodora a acompanha nessa viagem: Zeca (Marcello Airoldi), produtor do seu programa e que quer aproveitar a trilha para produzir um piloto para uma nova atração na TV.

Durante o Caminho, os três irão se envolver em diversas situações insólitas, mas com grandes chances de fazer o público rir. Nessa viagem, eles irão adotar um leitão, se esbaldar numa vinícola e participar de festas estranhas promovidas pelos peregrinos. Enquanto isso, no Brasil, o marido de Teodora também irá buscar sua redenção, fazendo terapias orientais. A todo momento, piadas batidas sobre a diferença entre homem e mulher são jogadas no meio da história. “Jamais me passou pela cabeça fazer o Caminho de Santiago de forma solene. Acho que é na leveza que conseguimos encontrar a espiritualidade”, destacou o diretor Carlos Alberto Riccelli.

Também atuam no longa o casal de humoristas Marcelo Adnet e Dani Calabresa, Dan Stulbach, Luis Miranda, Sandra Corveloni, entre outros. As belíssimas imagens do Caminho de Santiago de Compostela e a trilha sonora são pontos positivos do longa. Parte da trilha foi composta pelo próprio Carlos Alberto Riccelli e interpretada por artistas como Adriana Calcanhotto e Gilberto Gil. (O repórter viajou a convite da organização do festival).

A visão do Brasil por meio de quatro estrangeiros

Os personagens do filme Cidade Imã com o diretor ao centro
Os personagens do filme Cidade Imã com o diretor ao centro

Por Felipe Branco Cruz

Além do longa Onde Está a Felicidade?, foram exibidos também os curtas-metragens Café Turco (de Thiago Luciano) e Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida (Denise Marchi). O destaque entre esses filmes, foi o documentário A Cidade Imã, de Ronaldo German. Nele, o diretor mostra como quatro imigrantes: Bruce Henri (nascido em Nova York e criado na Espanha), Idriss Boudrioua (França), David Chew (Inglaterra) e Masako Tanaka (Japão) que decidiram morar no Rio de Janeiro depois de se apaixonarem pela cidade e pela música brasileira.

Um dos pontos mais interessantes do documentário é a visão que o estrangeiro tem do Rio de Janeiro. Masako, de todos eles, é a que está a menos tempo no Brasil (menos de dez anos), enquanto os outros três já vivem no país há mais de 30 anos. O deslumbramento, no entanto, continua o mesmo. Seja com a beleza, com a música e com os cariocas.

Além da música, o documentário mostra o cotidiano dessas pessoas, a família que eles formaram no Brasil e o trabalho que eles desenvolvem por aqui. “É a música que me alegre e me conforta longe do meu país”, disse, bastante emocionada, a japonesa Masako. “No Japão nossos pais não nos abraçam. Muito diferente do Brasil, onde a gente dá beijinhos no rostos até de desconhecidos”, completou.

Idriss é saxofonista, David é músico clássico e toca violoncelo, Masako canta samba e bossa nova, além de tocar percussão (inclusive nos desfiles das escolas de samba na Sapucaí) e Bruce é multiinstrumentista e produtor cultural. O longa também conta as dificuldades que os personagens enfrentaram, tanto de língua até a adaptação aos costumes do Brasil. “Ninguém chega no horário. Agora estou sabendo lidar com isso”, disse Idriss.

A violência carioca também está presente. Três deles já foram assaltados na cidade. “Não fiz um filme promocional do Rio de Janeiro. E eu tive fundamental o dia-a-dia dos personagens. Como é a família deles, etc. Mas não poderia deixar de tratar o caos da cidade, inclusive a violência”, diz o diretor.

Trata-se de um longa singelo, que mostra como a cidade, mesmo com seus problemas, é capaz de encantar e atrair, como um verdadeiro imã, pessoas do mundo inteiro. “Não acho que este filme é sobre nós, imigrantes, e sim sobre como a cidade do Rio de Janeiro é linda”, disse Bruce.

Meu País é um filme singelo e delicado

O elenco do filme Meu País em frente ao Theatro Municipal de Paulínia

O elenco do filme Meu País em frente ao Theatro Municipal de Paulínia

Por Felipe Branco Cruz

O longa que fechou o sábado no Paulínia Festival de Cinema foi o singelo e delicado Meu País, do diretor André Ristum, que tem no elenco os atores Rodrigo Santoro, Cauã Reymond e Débora Falabella. Santoro interpreta Marcos, que vive na Itália e tem de voltar ao Brasil quando seu pai (interpretado pelo ator Paulo José) morre.

No País, ele reencontra o irmão Tiago, que não quer saber de cuidar dos negócios da família e gasta boa parte do dinheiro em jogos de cartas clandestinos. No velório do pai, Marcos é procurado por um misterioso médico que dá a notícia que eles têm uma irmã, que nasceu fora do casamento. A jovem, interpretada por Débora Falabella, está internada numa clínica de tratamento pois sofre de problemas mentais.

Para interpretar essa garota, Débora destacou que sua personagem deveria entrar na história de maneira delicada. “Ela é uma mulher com mentalidade de uma garota de 5 anos”, contou a atriz.
Com a chegada da nova irmã, os irmãos terão de superar as desavenças pessoais e terão de aprender a conviver com as diferenças e dificuldades que a doença dela traz. Para o diretor André Ristum, o longa trata, principalmente, do distanciamento que o pai tinha dos filhos e, com uma narrativa delicada, mostra uma emocionante busca pela aceitação e amor pelo outro. “O elemento principal e que junta os filhos é morte do pai”, analisa o diretor.

O personagem de Santoro se muda para a Itália, onde se casa.Em boa parte do longa, o ator fala em italiano. “Meu pai nasceu na Itália. Mas tive de aprender a falar o idioma. Foi um desafio”, destacou Santoro.

O Palhaço, filme de Selton Mello, vai de Fellini a Didi Mocó

O ator e diretor Selton Mello, do filme O Palhaço

O ator e diretor Selton Mello, do filme O Palhaço

Por Felipe Branco Cruz
Renato Aragão, o Didi dos Trapalhões, e os filmes do italiano Federico Fellini foram as inspirações para que Selton Mello dirigisse e atuasse em O Palhaço, exibido em Paulínia na sexta-feira. “É inevitável a referência de Fellini. Ele filmou, de forma definitiva, o teatro”, disse o ator. “Tenho uma ligação afetiva com Os Trapalhões. Didi é nosso Charles Chaplin”, definiu Selton.

O longa conta a história do pai Valdemar (Paulo José) e do filho Benjamin (Selton Mello) que formam a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré. Benjamim não tem identidade ou comprovante de residência. Sua vida é administrar o decadente circo Esperança e percorre o interior de Minas Gerais com apresentações. O palhaço vive um dilema pois não se acha engraçado, e não tem certeza se quer ficar trabalhando no circo pelo resto da vida.

O filme é ambientado nos anos 80 – segundo Selton, a época da juventude da qual sente saudade. A trajetória do palhaço passa por Passos, sua cidade natal, que ele quis homenagear. “É um filme bonito, sobre redenção e volta ao lar”, pontua Selton. Na história, Benjamin é um palhaço deprimido. Segundo o ator, como a maioria dos palhaços. “Há uma anedota antiga sobre palhaços que diz: ‘Um homem deprimido vai se consultar. O médico recomenda que ele vá ao circo rir de um palhaço que tem lá. O paciente, então, responde que é esse palhaço’”.

O elenco tem atores como Moacyr Franco, Sérgio Loredo (o Zé Bonitinho) e Luiz Pereira Neto (o Ferrugem). “Moacyr me confidenciou que, aos 74 anos, foi a primeira vez que atuou no cinema”. Este é o segundo filme de Selton Mello – o primeiro foi Feliz Natal (2008). “Me senti mais livre para explorar referências. O primeiro filme você sempre quer fazer com sua cara, mas nem sempre fica do jeito que você quer.”

A história de uma guerra fratricida

Fernando Morais, Vicente Amorim e Tsuyoshi Ihara durante os debates

Fernando Morais, Vicente Amorim e Tsuyoshi Ihara durante os debates

Por Felipe Branco Cruz

O filme Corações Sujos, de Vicente Amorim, abriu na noite de anteontem o Paulínia Festival de Cinema de 2011. Os humoristas Leandro Hassum e Marcius Melhem foram os mestres-de-cerimônia. Numa espécie de stand-up comedy, os dois improvisaram piadas com os convidados e autoridades. O Theatro Municipal, com capacidade para 1,5 mil pessoas, estava lotado. Neste ano serão distribuídos R$ 800 mil em prêmios. O longa de Amorim, no entanto, por ter aberto o festival, não está concorrendo. Amorim também já dirigiu Um Homem Bom (2008), longa que tem como ator principal o americano Viggo Mortensen.

Corações Sujos conta a história de um grupo de imigrantes japoneses que após o término da Segunda Guerra Mundial foi morar em cidades como Oswaldo Cruz, Bastos e Presidente Prudente, interior de São Paulo. Apesar do fim do conflito, a lei que vigorava ainda segregava os japoneses, proibidos de se reunir, publicar jornais ou hastear a bandeira. Um grupo passou então a duvidar da rendição do Japão e da morte do imperador e criou o Shindô Remmei (Liga do Caminho dos Súditos), organização que matava japoneses que acreditavam na derrota do país na guerra. Estabeleceu-se um conflito fratricida que entre janeiro de 1946 e fevereiro de 1947 tirou a vida de 23 imigrantes.

A história, embora baseada em fatos reais narrados no livro de Fernando Morais, não é exatamente igual à obra literária. “Fizemos um recorte para mostrar apenas um pequeno núcleo de imigrantes em uma cidade, já que o livro mostra a organização como um todo no Brasil”, diz Amorim.

Mais do que contar esta verdadeira guerra no Brasil, o longa narra a história de amor entre o fotógrafo Takahashi e sua esposa Miyuki. A relação de ambos se deteriora a partir do momento em que ele decide se juntar ao grupo e se tornar um assassino. Com uma boa narrativa e cuidadosa fotografia, talvez o único ponto negativo do longa seja a trilha sonora excessivamente melodramática, assinada por Akihiko Matsumoto. Por vezes, a música fica mais em evidência do que as próprias cenas. “Não tenho vergonha de emocionar o público. Trata-se de uma história trágica que precisava dessa trilha”, justifica o diretor.

Boa parte da projeção é falada em japonês. “Não tivemos dificuldades em nos entender no set”, lembra o ator Tsuyoshi Ihara, que interpreta Takahashi. Para a pré-estreia vieram Tsuyoshi Ihara, Takako Tokiwa (Miyuki), além de outros atores japoneses. Muitos já atuaram em filmes de Hollywood. Tsuyoshi, por exemplo, trabalhou em Cartas de Iwo Jima (2006), de Clint Eastwood. Segundo os organizadores, foram inscritos 394 títulos, mas somente 27 foram selecionados para concorrer ao prêmio, sendo 12 longas e 15 curtas. Até a próxima quinta-feira (14) serão exibidos por dia um documentário, um curta regional, um curta nacional e um longa-metragem.

Rita Lee aquece a noite gelada
Depois da abertura, Rita Lee subiu ao palco anteontem para abrir o Paulínia Fest. Ontem foi a vez de Caetano Veloso e Seu Jorge. Hoje, Gilberto Gil e Vanessa da Mata encerram o festival de música. Sob medida para agradar ao público, a apresentação de Rita Lee teve clássicos como Saúde, Agora Só Falta Você, Ti-Ti-Ti, Desculpe o Auê, Banho de Espuma, Doce Vampiro, Ovelha Negra e Lança Perfume. “Vamos dançar e nos esquentar nesta noite fria”, convocou ela. A temperatura chegou à mínima de 7C.

O repórter viajou a convite da organização do festival.

Cinema nacional faz temporada em Paulínia

Cena do filme "Corações Sujos" que abre o festival de Paulínia de 2011

Cena do filme "Corações Sujos" que abre o festival de Paulínia de 2011

Por: Felipe Branco Cruz

Histórias como a de japoneses que imigraram para o Brasil e ainda acreditam na vitória do Japão durante a Segunda Guerra Mundial (Corações Sujos), o incrível assalto milionário a um banco em Fortaleza (Assalto ao Banco Central), ou ainda sobre um deprimido palhaço de circo (O Palhaço), são alguns dos temas dos filmes que serão exibidos entre hoje e 14 de julho no Festival de Cinema de Paulínia. A cidade fica a 114 km da capital paulista e nos últimos anos se tornou um dos principais polos cinematográficos do País.

De acordo com a Secretaria de Cultura da cidade, a expectativa é de que 50 mil pessoas visitem o município e assistam aos 29 longas, curtas e documentários exibidos. No ano passado, o público foi de 30 mil pessoas. Ao todo, serão oito longas-metragens, cinco dos quais produzidos em Paulínia. A entrada para todas as sessões é grátis, mas é preciso retirar os ingressos com antecedência.

Para o secretário de Cultura de Paulínia, Emerson Alves, a qualidade dos curtas merece destaque. “Selecionamos 15 curtas, três produzidos na região. Temos vários diretores estreantes e talentosos”, garante. Paralelamente ao evento será realizado também o Paulínia Fest, com shows de Rita Lee (hoje), Caetano Veloso e Seu Jorge (amanhã). Sábado é a vez de Gilberto Gil e Vanessa da Mata (leia mais ao lado).

Os destaques do festival, no entanto, são os longas-metragens. Hoje, às 20h, em sessão para convidados, será exibido Corações Sujos, do diretor Vicente Amorim. O filme é uma adaptação do livro homônimo de Fernando Morais. Outro destaque é O Palhaço, com Selton Mello no papel principal e na direção. O longa será exibido amanhã, às 21h. Atores como Rodrigo Santoro, Giulia Gam, Bruna Lombardi, Debora Fallabela e Cauã Raymond são presenças confirmadas. Todos os filmes serão exibidos no Teatro Municipal.

O festival premiará os melhores filmes e o júri, segundo o secretário de Cultura, foi pensado para ser o mais eclético possível: a atriz e diretora Denise Espíndola Weinberg, o diretor Sérgio Rezende, crítica de cinema Isabela Boscov, a fotógrafa Heloísa Passos e o documentarista Gustavo Rosa de Moura. “É um júri plural e eclético”, garante Emerson Alves.

O impacto do festival na economia local ainda é pequeno. “Precisamos aumentar nossa capacidade hoteleira. Mas o impacto para a cultura e divulgação da cidade como polo cinematográfico é imenso”, diz Alves. Ao todo, a cidade espera movimentar entre R$2 e R$ 3 milhões. Só de convidados e jornalistas serão mais de 700 pessoas. “Aguardamos um grande público vindo de São Paulo. Dá para vir assistir o filme e voltar no mesmo dia”, afirma o secretário.

Shows de Rita Lee e Caetano Veloso
Simultaneamente à realização do festival de cinema, a cidade receberá também o Paulínia Fest, festival de música que começa hoje com Rita Lee e Addictive TV, que se apresentarão num espaço ao lado do Teatro Municipal. Os shows começarão somente depois da exibição do último filme da noite, por volta das 23h. Amanhã Caetano Veloso e Seu Jorge farão os shows. E, no sábado, Gilberto Gil e Vanessa da Mata encerram as apresentações. Ao contrário do festival de cinema, a entrada para os shows será paga e custará entre R$240 a R$100.

O secretário de Cultura de Paulínia, Emerson Alves, destacou que a escolha das atrações privilegia o caráter cultural do evento. “Vão se apresentar os maiores nomes da MPB, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, associados com os novos artistas”, diz.

Esta é a terceira edição do festival de música e durante a madrugada também haverá a performance de DJs. Os ingressos podem ser comprados pelo site www.ingressorapido.com.br ou pelo tel.: 4003-1212. Mais informações no site www.pauliniafest.com.br.

DIVIRTA-SE:
Festival de Cinema de Paulínia.
De hoje até o dia 14 de julho, no Teatro Municipal. Av. Prefeito José Lozano Araújo, 1.515. Parque Brasil, 500. Grátis. Tel.: (19) 3933-2140.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
Para ver a programação completa, clique aqui: http://www.culturapaulinia.com.br/todaprogramacao.php

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