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E a maré trouxe um sobrevivente
Por Felipe Branco Cruz
Marcel Marx (André Wilms) é um pária. Ele vive num bairro muito pobre próximo ao porto de Le Havre, na França, e trabalha como engraxate. Na vizinhança, dá calote no bar e na padaria, mas só o faz porque não tem dinheiro. Nada disso, porém, o impede de ajudar o garoto Idrissa (Blondin Miguel), um imigrante ilegal africano recém-chegado à cidade.
O longa O Porto, que estreou nos cinemas esta semana, aborda de maneira singela um tema espinhoso hoje na Europa: a adequação de imigrantes em seus novos destinos. Dirigido pelo finlandês Aki Kaurismäki, o longa recebeu no ano passado cinco indicações à Palma de Ouro no Festival de Cannes. Antes de virar engraxate, Marx era um escritor. Não se sabe, porém, se foi uma crise de inspiração ou a econômica que levou esse homem a abandonar suas ambições literárias.
A vida de Marx se resume à estação de trem, onde engraxa sapatos; a rua de sua casa, onde estão também o bar e a padaria à qual ele deve dinheiro; e a casa, que mais parece um barraco de favela. Marx vive com a mulher, Arletty (Kati Outinen), e, até encontrar o garoto, sua pacata rotina se encerrava ao chegar a casa na hora do jantar.
O garoto despertará nesse senhor o interesse em ajudar alguém mais necessitado do que ele. Marx abriga Idrissa em sua casa, onde ele se esconde do incansável delegado Monet, que está determinado a deportá-lo. Idrissa desembarca na cidade junto com seus pais dentro de um contêiner, que é descoberto pela polícia. As autoridades chamam as pessoas que se submetem a uma travessia dessa de “mortas-vivas”. A família é resgatada para a deportação, mas o garoto consegue fugir e encontra Marx em seu caminho.
Como se não bastasse ter de cuidar do garoto, a mulher de Marx sofre de uma doença terrível. Quando o médico informa o diagnóstico a Arletty, diz, em tentativa de consolo, que “milagres acontecem”. Mas a mulher pobre e sem recursos também carece de esperança: “Não na minha vizinhança”, ela responde.
O longa, com um ar de filme B, reúne atuações teatrais. A vida do velho engraxate, então, sofre uma reviravolta. Marx terá de abrir mão de seu trabalho para acompanhar a mulher ao hospital; para ajudar o jovem Idrissa, vai até se arriscar a ser preso. Um dos momentos mais marcantes é quando Marx decide viajar a uma cidade vizinha, onde fica a prisão para os imigrantes ilegais, atrás da família de seu refugiado. Lá, ele descobre que o problema da imigração é muito maior do que ele pensava. De forma sutil, o longa propicia boas risadas com diálogos abastecidos de um humor excêntrico – um bom exemplo é a cena em que Marx é interrogado pelo delegado de polícia e alega ser tio de Idrissa. O delegado não acredita, já que o jovem é negro. “Eu sou o albino da família”, suplica o engraxate.
Kaurismäki consegue emocionar o espectador sem apelar à saída fácil de carregar no drama de um sobrevivente e do futuro triste que se anuncia para o jovem imigrante. Através de Marx, a capacidade de ver além da própria condição e, apesar da precariedade, ajudar o próximo mais necessitado é uma verdadeira lição de vida.
A dura vida de uma imigrante em Paris
Por Felipe Branco Cruz
A maior preocupação da vida de Jean-Louis Joubert (Fabrice Luchini) se resume ao ovo cozido. Para seu dia ser perfeito, sua única exigência é que o ovo deva ficar três minutos e meio em água fervente para que fique duro por fora e macio por dentro. A sua empregada doméstica, uma senhora francesa, não está nem aí para o ovo de Joubert e fala isso para ele.
Ela é reclamona, não trabalha além do horário e não quer deixar a mulher de Joubert mudar a decoração do quarto onde a mãe falecida do patrão dormia.
É com essa premissa que somos apresentados ao ótimo As Mulheres do 6º Andar, longa francês do diretor Philippe Le Guay, que estreia hoje.
Ambientado na década de 1960, o enredo mostra que depois do impasse com a doméstica, Joubert decide demiti-la e contrata uma das novas imigrantes espanholas que moram no sexto andar do prédio. Comuns em Paris naquela época, esses andares eram chamados de “chambres de bonnes”. Elas foram para a França fugindo da ditadura de Franco.
Para a mulher de Joubert, elas são ótimas, não reclamam e até trabalham no domingo. A única exigência é ir à missa, às 6 da manhã! A escolhida para trabalhar em sua casa é bela Maria (Natalia Verbeke), recém-chegada da Espanha e sobrinha de uma mulher que também mora no 6.º andar.
A diferença entre os andares é absurda. As imigrantes têm de dividir um banheiro imundo no corredor. Nos quartos, elas não têm lavabos nem aquecimento. Mesmo assim, são felizes. Essa felicidade começa a intrigar Joubert, que passa a conhecê-las melhor e vê sua vida mudar a partir de então.
Com um humor leve e boas sacadas, As Mulheres do 6º Andar é uma pedida certa para divertir, sem ter de recorrer à comédia pastelão. Como, por exemplo, na cena em que as mulheres se juntam para limpar um apartamento ao som da música Itsy bitsy teenie weenie yellow polka dot bikini, conhecida no Brasil pela versão Biquíni de bolinha amarelinha, famoso justamente na década de 1960. Ou ainda quando Joubert decide almoçar com as espanholas e comer paella. Na cena, ele é o único homem sentado à mesa e fica completamente constrangido com os comentários delas.
Joubert continuará achando que seu dia será perfeito se o ovo cozido estiver ao ponto. Mas perceberá também que há muitas outras coisas com que se preocupar além disso nesta deliciosa comédia francesa.
Românticos com gostinho de chocolate
Por: Felipe Branco Cruz
Românticos Anônimos é daquele tipo de filme para se ver numa data como hoje, antevéspera do Natal. Trata-se de uma comédia romântica ingênua, sem muitos dramas ou reviravoltas, onde tudo dá certo, fica lindo e nem por isso perde a graça. E o melhor, com sabor de chocolate. A produção belgo-francesa conta a história de duas pessoas extremamente tímidas e, ao mesmo tempo, completamente apaixonadas. Por chocolate.
Jean-René (interpretado por Benoît Poelvoorde) é o dono de uma fábrica da iguaria que está prestes a falir. Angélique Delange (Isabelle Carré) é uma exímia chef chocolatier que procura emprego na fábrica de Jean-René. Mas em vez de fazer chocolate, é designada como representante de vendas. Nesta típica comédia francesa, os dois tentam tratar de sua timidez de formas diferentes. Angélique frequenta semanalmente o grupo dos ‘Românticos Anônimos’, que funciona como o dos Alcoólicos, onde pessoas se reúnem para compartilhar dificuldades. Já Jean-René se trata com um psicólogo, que vive lhe passando tarefas que o obrigam a socializar.
Na primeira delas, o dono da fábrica precisa convidar alguém para jantar e a escolhida é justamente Angélique. O encontro, obviamente, é um desastre completo, mas serve para aproximar o casal. Contudo, leva tempo até que comecem a se entender no trabalho e a produzir chocolate juntos.
Mesmo porque Jean-René não sabe que Angélique é uma exímia chocolateira. Ela é tão tímida que tem vergonha até de assumir a autoria de suas iguarias. Isso é um entrave em sua vida pessoal, mas o pior é que se Angélique não conseguir superar esse trauma, a fábrica de Jean-René pode falir. Esse risco talvez seja o fato mais dramático do longa. Entre uma cena e outra, o espectador se diverte com o trabalho dos quatro funcionários da empresa e com as paranoias de outros participantes do grupo ‘Românticos Anônimos’.
Nessa trama tão fofa, talvez um ponto negativo seja a maneira espalhafatosa como são demonstradas as fobias sociais dos personagens. Tudo é tão exagerado que é até difícil acreditar no que acontece. Um bom exemplo é o fato de Jean-René constantemente deixar Angélique falando sozinha, pois não suporta a vergonha de ficar de frente com ela. Protagonista do longa, o ator belga Poelvoorde, de 47 anos, é uma celebridade em seu país, tendo feito quase 30 longas. Já a francesa Isabelle Carré, 40, também tem extensa carreira, com mais de 40 produções.
A direção ficou a cargo de Jean-Pierre Améris, que imprimiu à história leveza jovial e boa fluidez. Tão certa quanto a diversão com o romance travado do casal, é a vontade louca de comer chocolate que vai bater na saída do cinema.
Mesmo com tantos problemas, no fim da vida Brown gozava de boa reputação no meio artístico, fazendo shows e indo a programas de TV. Na antevéspera de seu último Natal, Brown foi ao dentista, que reparou que o cantor aparentava cansaço e fraqueza, e o aconselhou a ir ao hospital. No dia seguinte, uma pneumonia foi detectada.
O cantor, que nunca reclamava de problemas de saúde e relutava em cancelar apresentações, foi internado. Ele esperava, até então, receber alta a tempo de cumprir seus shows de réveillon, em Nova York e New Jersey. No dia de Natal, no entanto, teria dito ao amigo Charles Bobbit, que sentia que “estava indo embora” aquela noite.
Humor francês para tratar de temas espinhosos
Por: Felipe Branco Cruz
Na visão de Bahia Benmahmoud (interpretado por Sara Forestier) o mundo é dividido em duas partes: dos fascistas e dos de esquerda. Já Arthur Martin (Jacques Gamblin) é apenas mais um na multidão, mas com tendências políticas ligadas à direita. Os dois irão formar um incomum casal no longa francês Os Nomes do Amor, do diretor Michel Leclerc.
De uma forma leve, e com o tradicional e refinado humor do cinema francês, o filme aborda temas espinhosos, como antissemitismo, pedofilia, xenofobia, política, guerra, imigração e até o medo de uma gripe aviária. Assim como nos filmes de Jean-Pierre Jeunet (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), os primeiros 15 minutos de projeção são dedicados a apresentar um perfil nada ortodoxo dos personagens.
Desta forma, o espectador passa a conhecer Arthur Martin, um homem de nome comum, que possui milhares de homônimos na França. Seu nome também é o mesmo de uma famosa marca de eletrodomésticos do país. Seus avós judeus morreram na guerra e falar do assunto é tabu na família.
Já Bahia é filha de uma ex-hippie e de um imigrante argelino. Não há, em toda a França, um nome igual ao seu – apesar deste nome ser frequentemente confundido com o de uma brasileira. Bahia leva ao pé da letra a máxima hippie “faça amor, não faça guerra” e, usando o sexo como arma, tenta convencer os fascistas a mudarem de lado. Para ela, o comum Arthur Martin também é de direita. É assim que os dois se conhecem.
Enquanto a tempestuosa relação do casal se desenvolve, o filme aborda a xenofobia que tomou conta da Europa. Apesar de os dois serem franceses, seus ancestrais não nasceram no país. Eis um dos grandes dilemas atuais da Europa: ser receptiva aos imigrantes e seus filhos ou expulsá-los. No fim da contas, como dizem os dois personagens: “Somos todos mestiços”.
De uma forma geral, o enredo de Os Nomes do Amor gira em torno dos dilemas do casal e acompanha a trajetória de vida deles desde o início dos anos 90 até a eleição de Nicolas Sarkozy. O filme trata também do colonialismo francês no norte da África e das eleições presidenciais de Jacques Chirac e do atual presidente francês Sarkozy. Mas é importante destacar que todos os temas são tratados de maneira leve.
Um dos pontos negativos para os brasileiros talvez seja a falta de intimidade com a política francesa, já que Arthur Martin é eleitor do ex-primeiro ministro da França Lionel Jospin, do partido socialista. Ou seja, Martin não seria uma pessoa tão de direita quanto Bahia gosta de pintá-lo. O político faz uma participação especial interpretando ele mesmo.
Outro ponto que merece atenção é o exagero em certas passagens do filme. Há um momento que Bahia se distrai ao falar no telefone e sai de casa completamente nua. O absurdo da situação diverte e pode ser creditado ao fato de Bahia se sentir uma mulher livre de qualquer amarra. Mas sair andando pelada pela rua porque esqueceu de colocar a roupa é difícil de acreditar.
Já é lugar-comum criticar a tradução dos nomes dos filmes estrangeiros para o português. Mas, no caso de Os Nomes do Amor, a melhor tradução seria Os Nomes dos Outros, como é no original. Desta forma, o título faz referência aos sobrenomes árabes e europeus como forma de distinguir uns dos outros, coisa que acontece o tempo inteiro no filme e também na Europa.
O longa já tinha sido exibido no Brasil dentro do festival Varilux de Cinema Francês. Este ano, ganhou o prêmio César – espécie de Oscar do cinema francês – de melhor roteiro e melhor atriz (Sara Forestier). Para quem gosta de cinema europeu e do ácido humor francês, Os Nomes do Amor é um prato cheio.
A visão do Brasil por meio de quatro estrangeiros
Por Felipe Branco Cruz
Além do longa Onde Está a Felicidade?, foram exibidos também os curtas-metragens Café Turco (de Thiago Luciano) e Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida (Denise Marchi). O destaque entre esses filmes, foi o documentário A Cidade Imã, de Ronaldo German. Nele, o diretor mostra como quatro imigrantes: Bruce Henri (nascido em Nova York e criado na Espanha), Idriss Boudrioua (França), David Chew (Inglaterra) e Masako Tanaka (Japão) que decidiram morar no Rio de Janeiro depois de se apaixonarem pela cidade e pela música brasileira.
Um dos pontos mais interessantes do documentário é a visão que o estrangeiro tem do Rio de Janeiro. Masako, de todos eles, é a que está a menos tempo no Brasil (menos de dez anos), enquanto os outros três já vivem no país há mais de 30 anos. O deslumbramento, no entanto, continua o mesmo. Seja com a beleza, com a música e com os cariocas.
Além da música, o documentário mostra o cotidiano dessas pessoas, a família que eles formaram no Brasil e o trabalho que eles desenvolvem por aqui. “É a música que me alegre e me conforta longe do meu país”, disse, bastante emocionada, a japonesa Masako. “No Japão nossos pais não nos abraçam. Muito diferente do Brasil, onde a gente dá beijinhos no rostos até de desconhecidos”, completou.
Idriss é saxofonista, David é músico clássico e toca violoncelo, Masako canta samba e bossa nova, além de tocar percussão (inclusive nos desfiles das escolas de samba na Sapucaí) e Bruce é multiinstrumentista e produtor cultural. O longa também conta as dificuldades que os personagens enfrentaram, tanto de língua até a adaptação aos costumes do Brasil. “Ninguém chega no horário. Agora estou sabendo lidar com isso”, disse Idriss.
A violência carioca também está presente. Três deles já foram assaltados na cidade. “Não fiz um filme promocional do Rio de Janeiro. E eu tive fundamental o dia-a-dia dos personagens. Como é a família deles, etc. Mas não poderia deixar de tratar o caos da cidade, inclusive a violência”, diz o diretor.
Trata-se de um longa singelo, que mostra como a cidade, mesmo com seus problemas, é capaz de encantar e atrair, como um verdadeiro imã, pessoas do mundo inteiro. “Não acho que este filme é sobre nós, imigrantes, e sim sobre como a cidade do Rio de Janeiro é linda”, disse Bruce.
A triste história da sul-africana Saartjie Baartman
‘Venus Negra’, longa que estreia hoje, conta a vida
da escrava sul-africana exibida como um animal
Por: FELIPE BRANCO CRUZ
A vida de Saartjie Baartman (1789-1815) foi trágica, para dizer o mínimo, do dia em que nasceu até sua morte, 26 anos depois. Sua história está retratada nas duas horas e 40 minutos de Vênus Negra, que estreia hoje. Nascida na África do Sul na tribo Khoisan, ela foi feita escrava pelos colonos holandeses. Antes, porém, como parte dos costumes de sua tribo, sofreu uma alteração na genitália, chamada de Cortina da Vergonha, que deixou os pequenos lábios com 10 cm de comprimento a partir da vagina (imaginando que ela esteja em pé). Como boa parte das mulheres de sua tribo, Saartjie tinha imensas nádegas, hipertrofia conhecida como esteatopigia.
Os pais da jovem africana morreram quando ela era criança e aos 19 anos Saartjie foi então levada para Londres por Hendrick Cezar, irmão de seu proprietário, com a justificativa de que eles fariam muito dinheiro se apresentando em circos de horrores. A escrava era exibida como um ser meio humano, meio macaco, domado na parte mais selvagem da África. Nestes shows, dançava como um animal e, por um pagamento extra, o público era convidado a tocar suas nádegas.
Grupos de defesas dos negros da época conseguiram proibir o show na Inglaterra, o que levou seu dono a vendê-la a um francês como escrava e prostituta. Na França, ela foi ainda mais humilhada, e as apresentações ficaram ainda mais agressivas. Em Paris, cientistas do Museu de História Natural requisitaram ao dono de Saartjie que ela fosse alugada para estudos. Os cientistas fizeram vários desenhos de seu corpo, tiraram suas medidas e observaram seus costumes como se ela fosse um animal exótico. Por fim, doente e viciada em álcool, foi obrigada a se prostituir até morrer de doenças venéreas e pneumonia.
O longa recria com detalhes todas as mazelas da vida de Saartjie, inclusive as degradantes apresentações. Após sua morte, seu corpo foi doado à Escola Real de Medicina, onde foi feito um molde em gesso. Ela foi dissecada e seus órgãos (inclusive genitais) exibidos em aulas. Hoje, seus restos mortais estão enterrados na África do Sul.
Destaque para a brilhante interpretação da estreante Yahima Torres, atriz de origem cubana que imprime um realismo perturbador à personagem principal.
A história de Saartjie talvez seja um dos mais tristes exemplos do que o homem branco foi capaz de fazer contra os negros.
O incrível acidente de Allan McNish’s nas 24 horas de Le Mans
Menos de uma hora depois do início da corrida das 24 horas de Le Mans, o Audi R18 TDI de Allan McNish esbarrou na Ferrari 458 Italia, perdeu o controle e foi de encontro a grade de proteção. O mais incrível disso tudo é que ninguém se feriu, apesar das impressionantes imagens.
Assista abaixo o vídeo:
Viva a Terrinha!
É hoje, ora pois! O grande jogo de futebol. Portugal X França, nas meias-finais.
Como o Brasil só nos deu decepção, agora é a vez de ter alguma alegria nesta Copa do Mundo. Viva Portugal.
Na foto: Eu no trabalho (fábrica francesa da Peugeot Citroën) mostrando à todos, que mesmo em fábrica francesa o pessoal torce por Portugal, o pá!







