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Entrevista: Ronnie Von

'Depois que fiquei sexagenário, vi que sem a TV estaria perdido'

‘Depois que fiquei sexagenário, vi que sem a TV estaria perdido’

Por:  Felipe Branco Cruz

Em uma aconchegante casa do Morumbi, em São Paulo, vive o niteroiense Ronnie Von, de 67 anos. “Não repare na bagunça. Me mudei para cá há uma semana”, diz ele, conhecido como Príncipe, apelido que ganhou de Hebe Camargo nos anos 60, quando arrebatava os corações das “bonitinhas”. Ronnie reina há quatro décadas na TV – só de programa Todo Seu, na Gazeta, lá se vão oito anos. Multifacetado, é apresentador, dono de uma agência de publicidade, botânico, aviador, formou-se em economia. Ainda assim, continua sendo lembrado por sua carreira como cantor. Ele falou ao JT.

Clique aqui para ler a entrevista completa

Top 5: Melhores shows que mais aproveitei na vida

Na semana passada fiz um post sobre os melhores shows que vi na vida. Não necessariamente eles foram os que mais me diverti ou aproveitei. Por isso, resolvi fazer esse novo post com os cinco melhores shows que mais aproveitei até hoje.

1) PAUL MCCARTNEY – 2011 e 2012

2) BAD RELIGION – 2011

3) AC/DC – 2009

4) GREEN DAY – 2010

5) NOFX – 2010

Malandro por excelência

Moreira da Silva (Ilustração: Carlinhos)

Moreira da Silva (Ilustração: Carlinhos)

Por Felipe Branco Cruz

Ao lado de Bezerra da Silva e Dicró, o sambista Moreira da Silva formava Os Três Malandros do Samba, em uma alusão satírica aos três grandes tenores (Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras). A união, inclusive, rendeu um disco do trio em 1995, quando Moreira já tinha 93 anos. O sambista morreu aos 98, em 6 de junho de 2000 e, se estivesse vivo, no dia 1º de abril, completaria 110 anos. Moreira nunca parou de cantar e mesmo em seu último ano de vida, fazia shows. Para celebrar a data, o selo Discobertas, do produtor Marcelo Fróes, remasterizou sua obra para lançar duas caixas (cada uma com quatro discos) com os oito primeiros álbuns da carreira do sambista, lançados pela gravadora Odeon entre 1958 e 1966. Uma preciosidade, já que os discos estavam fora de catálogo há anos. Este ano completam- se também 80 anos do primeiro lançamento fonográfico do cantor, o Ererê e Rei da Umbanda.

As caixas foram batizadas de O Último Malandro (com os discos O Último Malandro – 1958, A Volta do Malandro – 1959, Malandro em Sinuca – 1961 e Malandro Diferente – 1961) e O Tal Malandro (com O Tal… Malandro – 1962, O Último dos Moicanos – 1963, Morengueira 64 – 1964 e Conversa de Botequim – 1966).

Fróes conseguiu a autorização e a licença dos discos com a gravadora e também com a filha de Moreira, Marli. “Tive acesso às matrizes para deixar o som mais próximo do original”, explica o produtor. Dos clássicos de Moreira da Silva, as caixas trazem duas emblemáticas músicas do sambista, que é considerado o criador do estilo samba de breque. São elas O Rei do Gatilho e O Último dos Moicanos, com as quais ganhou o apelido que o acompanharia pelo resto da vida: Kid Morengueira.

Carioca da Tijuca, criado no Morro do Salgueiro, Moreira inspirou gerações de sambistas com suas músicas. E não só sambistas. “Quando nasci, ele já era velho”, diz Fróes, lembrando de uma conversa que teve com Gilberto Gil. “Era uma entidade do samba.” De terno branco e chapéu estilo panamá, Moreira personificava o estereótipo do malandro carioca. Tanto é que Chico Buarque o convidou para participar do álbum Ópera do Malandro, em 1979. “Moreira teve mais influência no imaginário coletivo do que o próprio Noel Rosa como malandro. Noel era mais boêmio, romântico. Moreira cantava histórias da bandidagem, do gatuno batedor de carteira, do jogo do bicho”, conta Fróes.

Ao contrário de outros ícones do samba, como Nelson Cavaquinho, Noel Rosa e Cartola, na opinião de Marcelo Fróes, Moreira da Silva ainda é pouco conhecido. “Ainda vai chegar o dia em que ele vai ser realmente valorizado. Moreira precisava ser tratado como grande mestre”, lamenta o produtor. “Muitas de suas canções eram politicamente incorretas. Quando o sambista nasceu, em 1902, a lei áurea tinha sido assinada há apenas 12 anos. Algumas de suas letras eram até racistas. O mundo de Moreira era completamente diferente do nosso”, explica.

É comum ouvir o sambista cantar sobre jogo do bicho, desavenças sendo resolvidas à bala, desilusões amorosas e, claro, do dia a dia do malandro na mesa de bar. “Pendura a conta no cabide” ou “Me traz uma média” foram gírias que, apesar de cantadas por Noel Rosa, ficaram famosas com ele.

O trabalho de restauração dos discos incluiu a reprodução fiel da arte da capa dos LPs e dos textos que a acompanhavam. Como, por exemplo, no álbum Conversa de Botequim, que explica a dinâmica das gravações em novembro de 1965.Naquela época, a música de grupos de fora, como os Beatles, dominava as paradas. O texto de capa era quase um manifesto: “Todos (os sambas) são lídimos representantes da fase áurea do samba, quando a influência da música norte-americana ainda não atuava sobre ele a ponto de deturpá-lo e transformá-lo no produto híbrido da fase atual”.

Em 1965, Moreira já tinha quase 40 anos de carreira e 63 de vida. Além de compor, o músico também foi um dos maiores intérpretes de Noel Rosa. Neste ano em que Moreira completaria 110 anos, vale a pena relembrar outro texto, agora publicado no encarte de O Tal… Malandro: “Este bom moço encampou dois grandes produtos nacionais: o samba de breque e as gírias. E ele chega ao ponto de criar a gíria da gíria!”.

Uma vida dividida entre o cinema e a música

Por Felipe Branco Cruz

A capa do primeiro disco da cantora e compositora Ava Rocha, de 32 anos, filha do cineasta Glauber Rocha (1939-1981), batizado de Diurno, é perturbadora. Quatro cabeças decapitadas repousam nas areias de uma praia deserta. O resultado remete ao icônico disco Secos & Molhados (1973) ou ao filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber. Mas Ava garante que não. “Foi uma ideia que veio do artista plástico Tunga. Mas se vocês acham que a capa se conecta a essas referências, acho bom, pois a fortalece”, diz ela.

A imagem da capa reflete o caráter experimental desse recém-lançado álbum de sua banda, a Ava, formada ainda por Rocha (voz), Daniel Castanheira (bateria, percussões, efeitos eletrônicos), Emiliano 7 (violão e efeitos) e Nana Carneiro da Cunha (violoncelo e vocais). Com voz marcante e timbres fortes, boa parte das músicas é interpretada pela cantora, que também assina quase todas as composições. O resultado é uma mistura de samba, MPB, música de cabaré e bossa nova.

O trabalho principal de Ava, no entanto, é o de cineasta. Mas uma coisa, segundo ela, não atrapalha a outra. “Nunca cantei profissionalmente, mas conheci os integrantes da banda e fomos fazendo experimentos. Quando percebemos, já tínhamos um repertório”, conta. Ava, no entanto, não gosta de classificar que tipo de música faz. “Está embutido de muitos gêneros. A recepção que estamos tendo no exterior também está sendo boa. Acho que fizemos um som universal.”

Para o disco de estreia, tudo foi pensado com cuidado. Inclusive o nome do álbum: Diurno. “Pensamos até em não dar nome”, diz. “Mas o conceito dele é forte e precisamos de um nome.” As músicas são contrastantes. “Tem um pouco de soturno, mas é muito luminoso.”

Além de letras próprias, Ava incluiu uma composição de seu avô, o poeta colombiano Jorge Gaitán Durtán, pai de sua mãe Paula Gaitán. O poema foi musicado por Ava e Emiliano 7.

O cinema, no entanto, não foi deixado de lado pela cantora. “As duas coisas estão ligadas”, ressalta. “Acabo criando músicas na hora da montagem dos meus filmes. Eu já fazia as trilhas, mas sem voz. Depois, comecei a cantar e percebi que poderia também atuar como cantora.”

Apesar de garantir não sentir pressão por seu pai ser Glauber Rocha, Ava concorda que ser filha de quem é ajuda a divulgar o disco. “As pessoas ficam interessadas. Acho isso natural. Mas não vai ser isso que vai definir que o disco é bom.”

Dentre suas referências, estão mestres como Tom Jobim, Caetano, Jards Macalé, Cartola e Zé Celso Martinez Corrêa. “O Zé é uma grande influência para mim. É um grande compositor, mas você só percebe isso se for assistir a uma de suas peças no Teatro Oficina. Comecei cantando lá e isso me marcou muito.”

As dores de João Gilberto

Por:  Roberta Pennafort
Fonte: Jornal da Tarde 

Geriatra e amigo de João Gilberto há cerca de dez anos, o médico Jorge Jamili garante: não é uma mera gripe que está tirando o cantor baiano dos palcos, mas também não é que ele tenha uma doença grave, que esteja sendo mantida em sigilo. A pressão psicológica que a turnê comemorativa de seus 80 anos lhe impõe é a responsável por prostrá-lo na cama de casa. Ou seja: João queria fazer os shows, mas o próprio corpo o está impedindo. Conforme a data foi se aproximando, o quadro foi piorando.

“Eu nunca o vi desse jeito. Há um mecanismo psicossomático dessa pressão que faz com que ele fique debilitado, debilitado mesmo, mais magro. Em todo idoso, as vias aéreas superiores e as articulações são o que sentem primeiro. A coluna reclama. Não é um piti, é real. Ele não é um excêntrico, um louco. Tem problemas físicos, sente muita dor. Se pudesse, não estaria assim”, disse ontem Jamili, fã do pai da bossa nova. “Não sei o quanto é físico e quanto é somatizado.”
Sem poder dar muitos detalhes, para não expor a intimidade do paciente, o geriatra – que costuma atendê-lo em sua casa, onde, em tempos melhores, cantam mantras juntos –, contou que ele tem duas hérnias. É uma na cervical e outra na lombar, e ambas doem muito quando ele faz shows, por causa da posição do violão e do estresse – João, sabe-se, é um perfeccionista, e precisa se sentir em sua melhor forma para se apresentar.

Trata-se da síndrome do escrivão, explicou Jamili, que acomete os braços e provoca espasmos quando a pessoa repete o movimento que lhe causa dor. “São problemas pertinentes à idade, não é tuberculose, câncer. Ele apresenta um temperamento, que todos conhecemos, que não tolera bem a pressão. E não é um senhor 100% saudável, não é da geração saúde. Por exemplo: eu já falei 2.800 vezes para que mude a alimentação (Jamili é nutrólogo e praticante da medicina ortomolecular), mas João só faz o que quer, é teimoso, como todo senhor de 80 anos.” O estado de saúde jamais permitiria que ele entrasse num avião para ir a São Paulo, tampouco que pegasse um carro até o Municipal, acrescentou.

Nos últimos shows no Japão, em 2006, contou, foi preciso muita conversa para que se convencesse a viajar. “Teve o mesmo problema. Há uma certa ilusão de que há relação entre o estado atual e a questão dos ingressos (parte encalhou por causa dos altos preços – em São Paulo, no Via Funchal, vão de R$ 500 a R$ 1 mil), mas não tem absolutamente nada a ver. No Japão, estava tudo lotado, o baque financeiro acabaria com sua vida, e ainda assim ele apresentou essa resistência. A cabeça dele não gira em torno de dinheiro.”

Parte do cachê já estava paga
Os produtores da turnê, que passaria por São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e Salvador, já contabilizam o prejuízo. “Uma parte do pagamento dele já tinha saído, então vamos ver com o senhor Aloisio Salazar (advogado de João) como fica isso.

O prejuízo é claro, mas não posso revelar de quanto”, disse, abatido, Maurício Pessoa, ontem. “É uma decepção total. Nós nunca imaginamos que isso fosse acontecer, tínhamos um contrato amarrado. Temos de acreditar no argumento da doença.”

Salazar não deu entrevista. Os custos iniciais da turnê eram de R$ 4,5 milhões, incluindo o cachê, os voos, acomodação da equipe e outros gastos. Nenhuma empresa quis patrociná-la, daí os ingressos a até R$ 1,4 mil. A Via Funchal, em São Paulo, onde João cantaria domingo, e o Theatro Municipal do Rio (show na quarta) não haviam recebido comunicado do cancelamento até o fechamento desta edição, assim como nenhuma nota explicativa sobre a devolução do dinheiro havia sido distribuída.

Em nota, produtores confirmam cancelamento da turnê
Uma nota oficial foi enviada à imprensa ontem à tarde pela OCP Comunicação e a Maurício Pessoa Produções confirmando a suspensão da turnê. As empresas se dizem surpresas pelas declarações de Cláudia Faissol, mãe da filha caçula de João Gilberto. “Os produtores foram surpreendidos pelas informações sobre a transferência da turnê para 2012 veiculadas na mídia, antes de serem comunicados pelo cantor”, diz o comunicado, que credita a suspensão a “evitar mais desgastes a público, casas de shows, equipes de produção etc.” Os produtores reforçam que os teatros/locais de compra farão os devidos ressarcimentos.

Na batida do New Order

Por Felipe Branco Cruz

O New Order, fundado em 1980 a partir dos três integrantes remanescentes do Joy Division, será a atração principal do Ultra Music Festival, que ocorre neste sábado, a partir das 16h, no Sambódromo do Anhembi. O New Order ajudou a ditar os rumos da música eletrônica nos anos 80, com hits como Bizarre Love Triangle, Temptation, Blue Monday, Ceremony e The Perfect Kiss. Após um desentendimento com o baixista Peter Hook, que deixou a banda há quatro anos, o grupo seguiu excursionando. Atualmente, Hook está em carreira solo, fazendo shows com músicas de sua antiga banda, o Joy Division. Hook, inclusive, se apresentou no Brasil em maio deste ano. Agora é a vez do New Order fazer festa para o público brasileiro.

Ao JT, por telefone, o baterista e tecladista Stephen Morris disse que os hits da banda serão o carro-chefe do show, mas não quis entrar em detalhes (leia entrevista abaixo). Certamente, Bizarre Love Triangle, Ceremony e Temptation estarão no repertório. Apesar da aparente cortesia com que os integrantes do New Order tratam publicamente Peter Hook, o mesmo não pode ser dito sobre ele. O baixista vem fazendo seguidas agressões verbais aos ex-colegas. Recentemente, chegou a dizer que eram todos “uns imbecis” e que o New Order, sem ele, seria uma espécie de Queen sem Freddie Mercury.

Além do New Order, que se apresenta às 21h30, atrações como Laidback Luke, Major Lazer, MSTRKRFT, Swedish House Mafia, Duck Sauce e 2 Many DJs, entre outros, se intercalarão em dois ambientes. O festival vem para substituir o Skol Beats, que era realizado pela mesma produtora, a XYZ Live. Ao todo serão 23 atrações nacionais e internacionais em 14 horas seguidas de música em cada um dos palcos.

Dentre os destaques da programação está a dupla Major Lazer, formada pelos DJs Diplo e Switch. Eles se apresentam à 1h30, no palco Arena. O som deles é uma mistura de reggae e outros ritmos caribenhos com funk e drum n’ bass. Vale a pena também aguardar até as 2h40 da madrugada para ver o MSTRKRFT (lê-se Masterkraft) no Palco Arena. A dupla canadense formada em 2005 já tocou com Usher e The Gossip.

O festival é realizado anualmente em Miami desde 2000, assim como em Nova York, Ibiza e Caribe. A meta, agora, é piscar as luzes do electropop por aqui com mais frequência e integrar o calendário oficial dos eventos de São Paulo.

Entrevista com Stephen Morris

‘Quero voltar a tocar Joy Division’

O baterista e tecladista Stephen Morris, de 54 anos, começou a carreira com o Joy Division, icônico grupo pós-punk. Quando a banda acabou, após a morte de Ian Curtis, junto com os remanescentes Peter Hook e Bernard Summer, ele fundou o New Order. Além da bateria tradicional, Morris incluiu ao som batidas computadorizadas. Por telefone, do Reino Unido, o músico conversou com o JT. E fez segredo sobre o show no Brasil. “Não temos o setlist definido”, disse. Mas destacou que trabalhou nas músicas antigas para deixá-las com novo frescor. Além disso, falou da relação com Hook e sua curiosa coleção de carros militares.

O New Order volta definitivamente ou é só uma turnê?
É uma boa questão. Se você não gosta de fazer algo, é melhor nem começar. Vamos ver o que vai dar.

A banda tem planos para compor novas músicas?
Talvez. É difícil. Gillian (Gilbert) e eu já sentamos para escrever. Queremos fazer coisas novas o mais rápido possível.

Vocês vieram ao Brasil em 2006. O que acharam do público?
Foi fantástico. A recepção do público brasileiro foi calorosa e inesquecível. A única coisa ruim foi o trânsito. Ficamos bastante tempo presos. É um trânsito que não acaba nunca. Chegamos a pensar que talvez fosse mais rápido ir andando. Até nos sugeriram alugar um helicóptero. Mas não fizemos isso.

Infelizmente, o trânsito não melhorou muito desde então.
Sério? Bom, então eu vou alugar uma bicicleta (risos).

Pelo fato de termos mais tecnologia hoje em dia, você acha que a música eletrônica tem mais influência nos jovens?
Música pop e tecnologia andam juntas, parceria antiga. Gostamos de sintetizadores. Acho que a música eletrônica hoje tem mais espaço, é algo grandioso. Mas é bom fazer música acústica também.

Você acha que o som do New Order é datado, muito anos 80?
Alguns discos que fizemos podem ser considerados, sim, o som dos anos 80. E isso é bom. Alguns dos sons que criamos, ninguém tinha usado antes. Para novos shows, passamos algum tempo adaptando nossas músicas antigas para que parecessem atuais hoje. Demos um novo frescor a elas.

Acredita que o público vai sentir falta de Peter Hook?
A banda sente falta dele. Obviamente, muitos fãs também vão. É assim que funciona. O que importa é que vamos nos divertir.

Alguma chance de ele voltar? Não no momento. Ele está ocupado com os projetos solos dele, do Joy Division.
Não tem vontade de tocar novamente músicas do Joy Division? Claro! São ótimas músicas. Eu tenho vontade, sim. Não desta vez, no Brasil. Mas quero voltar a tocá-las novamente.

Você também é ligado em assuntos militares. Tem até tem uma coleção de carros militares…
Sim! Eu tenho quatro veículos. Não são para andar nas ruas e não têm armas em funcionamento. Tenho um tanque com canhão, um caminhão de suprimentos, um caminhão blindado e um jipe.

Por que os comprou?
Eu me perguntei: o que aconteceu com os carros bacanas dos anos 40? Não se vê mais esse tipo de carro para vender, é mais fácil achar tanques. Então, pensei: ‘Que legal! Vou comprar um para mim’.

Onde você anda com eles?
São bons para andar em parques. Eles são lentos, não causam transtorno. Daria para andar no trânsito de São Paulo (risos).

Entrevista: Beth Carvalho


Após 15 anos sem um disco de inéditas, ela lança ‘Nosso Samba Tá na Rua’.
A cantora fala da vocação de madrinha e de como
superou a lesão que a deixou dois anos de cama

Por: Felipe Branco Cruz

A sambista mangueirense Beth Carvalho, de 65 anos, ganhou o título de madrinha do samba por descobrir talentos como Dudu Nobre, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e tantos outros. No ano passado, a cantora se recuperou, para alívio dos sambistas, de uma fissura do sacro, osso que fica na base da coluna vertebral, e a deixou por dois anos de cama. “Por pouco, não fiquei paralítica.” De volta à ativa, Beth acaba de lançar Nosso Samba Tá na Rua, o 36º álbum de sua discografia e o primeiro de inéditas depois de 15 anos. Após superar desavença com a antiga diretoria da Mangueira, a cantora e compositora carioca desfilou este ano e vai voltar em 2012. Ao JT, falou da polêmica com a escola de samba, seus problemas de saúde, Fidel Castro, de quem é admiradora, e, claro, de carnaval.

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Entrevista: Gloria Estefan

Por: Felipe Branco Cruz

A cubana Gloria Estefan, de 54 anos, ficou conhecida em todo o mundo depois que sua música Reach marcou o encerramento dos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996. Até chegar a esse ponto, porém, Gloria sofreu junto com sua família por serem imigrantes do país caribenho em Miami. Aos dois anos, foi levada pelos pais aos Estados Unidos. “Chegamos num apartamento que tinha uma placa que dizia: ‘Proibido crianças, animais e cubanos’”, lembra a cantora. “Hoje, tenho cidadania americana. Fui criada aqui”, diz ela, em Miami, de onde concedeu entrevista por telefone ao JT. A mistura de ritmos latinos à música eletrônica a consagrou, e a cantora já vendeu mais de 90 milhões de álbuns em todo o mundo. Seu novo trabalho, Miss Little Havana, é seu 26º álbum de estúdio e, mais do que nunca, traz canções para não deixar ninguém parado.

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A poderosa voz de Adele

O erro é quase imperdoável para um jornalista de cultura. Mas foi só nesta semana que parei para escutar Adele com a atenção que ela merece. Obviamente que antes de escutá-la com a devida atenção, eu já sabia de sua existência. Seu segundo álbum – 21 – há meses circula de mesa em mesa aqui na redação. Não ignorei o sucesso que ela está fazendo. Foi somente nessa semana, no entanto, que liguei os pontos: quer dizer que aquela voz poderosa com uma música completamente irresistível que é “Rolling In The Deep” é de Adele? Meu Deus!

E descobri Adele quase que por acaso em Los Angeles, no Hard Rock Café de Hollywood. Fui ao bar para tomar uma cerveja e comer aqueles tradicionais hambúrgueres big size deles. Naquele noite a jovem cantora californiana Courtney Chambers era a atração numa semana dedicada as vozes femininas da cidade. Eis que entre uma mordida e outra no sanduíche, percebo que Courtney senta-se no piano e toca “Someone Like You”, da Adele. Eu assumo. Não sabia que essa música era da Adele. É aí que entra a magia da música de Adele. Imediatamente a força da canção me chamou a atenção e eu passei a gravar com meu iPhone Courtney tocando (veja o vídeo abaixo). As únicas coisas que eu pensava eram: Que música é essa? Essa garota compôs essa incrível música e está aqui, tocando de graça num barzinho para pessoas que nem estão prestando atenção? Mas não. A música não era dela.

Só fui ligar os pontos depois. Nesta semana, navegando a esmo no YouTube, me deparo com o vídeo de Adele interpretando “Someone Like You” ao vivo no O2 Arena (o vídeo também está abaixo). Antes, eu tinha lido na revista Rolling Stone deste mês uma reportagem com a cantora. O texto dizia que Adele está conquistando aos poucos seu público. E a estratégia é esta que me conquistou. Eles querem que o público descubra Adele quase que por acaso e se perguntem: Mas que garota é essa? Na mesma hora me lembrei da música do Hard Rock Café e tudo passou a fazer sentido. A força da música me conquistou antes mesmo de eu conhecer sua intérprete. Daí para caçar os dois discos de Adele “19″ e “21″ perdidos aqui na redação foi um pulo. Desde então tenho escutado repetidamente Adele no meu iPod.

A música dela está em todas as rádios, populares e eruditas. Há reportagens sobre ela em todos os suplementos culturais. Além dela ter ganhado os prêmios mais importantes. Dentre eles o Grammy de revelação do ano de 2009. Ironicamente, em 2008 foi este prêmio foi entregue a Amy Winehouse. Há uma evidente semelhança entre os talentos das duas cantoras. Ambas representam a nova geração do soul inglês inspiradas em divas como Ella Fitzgerald e Etta James. Me parece também que Amy (morta aos 27) e Adele, que hoje tem 23, incorporaram inspirações pops vindas de Madonna e Michael Jackson.

Mas Adele tem personalidade própria. Até o momento não saíram outras notícias sobre ela que não seja para falar de sua música. Já Amy, bem… segundo a autópsia, ela morreu após ingerir muito álcool. Amy cantava que não queria reabiliatação e as letras de Adele geralmente versam sobre desilusões amorosas. Foi como Adele disse na entrevista para a Rolling Stone. Ela não está preocupada com badalações ou em ficar em primeiro lugar nas listas. Ela apenas quer fazer boa música. E está conseguindo.

A gostosa “Rolling In The Deep”

A poderosa “Someone Like You”

E o vídeo que eu fiz de uma cantora californiana interpretando Adele

Confira tradução de “Someone Like You”

Alguém Como Você

Eu ouvi dizer que você está estabilizado
Que você encontrou uma garota e está casado agora
Eu ouvi dizer que os seus sonhos se realizaram
Acho que ela lhe deu coisas que eu não dei

Velho amigo, por que você está tão tímido?
Não é do seu feitio se refrear ou se esconder da luz
Eu odeio aparecer do nada sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar

Eu tinha esperança de que você veria meu rosto
E que você se lembraria
De que pra mim não acabou

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você dizer:
“Às vezes o amor dura, mas, às vezes, fere”

Às vezes o amor dura, mas, às vezes, fere, é

Você saberia como o tempo voa
Ontem foi o momento de nossas vidas
Nós nascemos e fomos criados numa neblina de verão
Unidos pela surpresa dos nossos dias de glória

Eu odeio aparecer do nada sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar
Eu esperava que você veria meu rosto
E que você se lembraria
De que pra mim não acabou

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você dizer:
“Às vezes o amor dura, mas, às vezes, fere”

Nada se compara, nenhuma preocupação ou cuidado
Arrependimentos e erros, são feitos de memórias
Quem poderia ter adivinhado o gosto amargo
Que isso teria?

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para você
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você dizer:
“Às vezes o amor dura, mas, às vezes, fere”

Deixe para lá, eu vou achar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para vocês dois
Não se esqueça de mim, eu imploro
Vou lembrar de você dizer:
“Às vezes o amor dura, mas, às vezes, fere”

Às vezes o amor dura, mas, às vezes, fere, é

A visão do Brasil por meio de quatro estrangeiros

Os personagens do filme Cidade Imã com o diretor ao centro
Os personagens do filme Cidade Imã com o diretor ao centro

Por Felipe Branco Cruz

Além do longa Onde Está a Felicidade?, foram exibidos também os curtas-metragens Café Turco (de Thiago Luciano) e Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida (Denise Marchi). O destaque entre esses filmes, foi o documentário A Cidade Imã, de Ronaldo German. Nele, o diretor mostra como quatro imigrantes: Bruce Henri (nascido em Nova York e criado na Espanha), Idriss Boudrioua (França), David Chew (Inglaterra) e Masako Tanaka (Japão) que decidiram morar no Rio de Janeiro depois de se apaixonarem pela cidade e pela música brasileira.

Um dos pontos mais interessantes do documentário é a visão que o estrangeiro tem do Rio de Janeiro. Masako, de todos eles, é a que está a menos tempo no Brasil (menos de dez anos), enquanto os outros três já vivem no país há mais de 30 anos. O deslumbramento, no entanto, continua o mesmo. Seja com a beleza, com a música e com os cariocas.

Além da música, o documentário mostra o cotidiano dessas pessoas, a família que eles formaram no Brasil e o trabalho que eles desenvolvem por aqui. “É a música que me alegre e me conforta longe do meu país”, disse, bastante emocionada, a japonesa Masako. “No Japão nossos pais não nos abraçam. Muito diferente do Brasil, onde a gente dá beijinhos no rostos até de desconhecidos”, completou.

Idriss é saxofonista, David é músico clássico e toca violoncelo, Masako canta samba e bossa nova, além de tocar percussão (inclusive nos desfiles das escolas de samba na Sapucaí) e Bruce é multiinstrumentista e produtor cultural. O longa também conta as dificuldades que os personagens enfrentaram, tanto de língua até a adaptação aos costumes do Brasil. “Ninguém chega no horário. Agora estou sabendo lidar com isso”, disse Idriss.

A violência carioca também está presente. Três deles já foram assaltados na cidade. “Não fiz um filme promocional do Rio de Janeiro. E eu tive fundamental o dia-a-dia dos personagens. Como é a família deles, etc. Mas não poderia deixar de tratar o caos da cidade, inclusive a violência”, diz o diretor.

Trata-se de um longa singelo, que mostra como a cidade, mesmo com seus problemas, é capaz de encantar e atrair, como um verdadeiro imã, pessoas do mundo inteiro. “Não acho que este filme é sobre nós, imigrantes, e sim sobre como a cidade do Rio de Janeiro é linda”, disse Bruce.

O resgate de Wilson Baptista

FELIPE BRANCO CRUZ

As músicas de Wilson Baptista (1913-1968) foram tão importantes para o samba brasileiro quanto as de seus contemporâneos, como Noel Rosa, Ari Barroso ou Herivelto Martins. Mas o sambista nunca recebeu a mesma atenção que os outros. Agora, pelas mãos do pesquisador Rodrigo Alzuguir, de 38 anos, o compositor teve sua obra resgatada por meio de uma peça teatral e do CD O Samba Carioca de Wilson Baptista, no qual suas músicas são interpretadas por grandes cantores da música brasileira. Alguns, inclusive, tiveram contato com o próprio Baptista. “Elza Soares e Wilson das Neves foram alguns dos que conheceram o sambista”, diz Alzuguir.

A peça foi exibida no Rio de Janeiro e em breve será encenada em São Paulo. O disco já está nas lojas, lançado pelo selo Biscoito Fino. Nele, Elza Soares interpreta Artigo Nacional e Wilson das Neves, Essa Mulher tem Qualquer Coisa na Cabeça. Marcos Sacramento, Céu, Zélia Duncan, Nina Becker, Mart’nália e Teresa Cristina são outros participantes do disco, que no total tem 20 músicas. “A Zélia Duncan gravou o samba inédito Que Malandro Você é!. Eu encontrei somente a letra dessa música numa revista antiga da década de 60. Depois, num acervo de uma viúva de um parceiro de Wilson, achei as notas musicais. Essas notas se encaixavam perfeitamente na letra”, revela o pesquisador. O álbum é acompanhado de um disco extra com a trilha sonora do espetáculo de teatro.

Polêmicas
Para o pesquisador, há pelo menos dois motivos que fizeram com que a obra de Baptista caísse no esquecimento. O primeiro por culpa do próprio sambista. “Ele foi o pior inimigo dele mesmo. Nunca organizou sua obra e gastou todo o dinheiro com viagens e mulheres. Ele foi o oposto de Ataulfo Alves, por exemplo, que deixou sua obra toda catalogada”, diz. Segundo, porque ele criou uma polêmica com Noel Rosa. “Na época, foi apenas uma brincadeira entre amigos. Anos mais tarde, um radialista fez um especial sobre Noel e resgatou a polêmica, só que de maneira aumentada. O que era uma brincadeira foi interpretado como algo sério”.

A história envolvia composições deles. Lenço no Pescoço, de Wilson, falava dos malandros da época. Noel teria respondido com uma outra música acusando Wilson de ser folgado. “A partir daí, passaram a se atacar por meio de sambas”, explica o pesquisador. “Na época, não teve a menor importância, mas foi no programa do radialista Almirante, nos anos 50, que a polêmica retornou, 20 anos depois”. Segundo Alzuguir, o sambista também era acusado de não trabalhar. “É uma incoerência dizer que uma pessoa que dedicou a vida à música nunca trabalhou. Ele foi um dos que mais compôs nesse período, foram quase 700 músicas. Mas na época, ser compositor não era um trabalho e sim um hobby.”

O pesquisador conta que decidiu pesquisar Batista porque sempre foi um apaixonado pela música brasileira do início do século 20. “A minha ideia era escrever uma biografia. Já tenho bastante material para isso. Mas o projeto musical acabou vindo antes”, diz.

Bullet The Blue Sky

Duas versões fodas da mesma música.

A original do U2:

E o cover do Sepultura:

“Killing in the name” orquestrado

Muito bom isso. Ficou foda.

E a versão original:

Autenticada, a irmã de Fotocópia e Xerox

Patriarca de família do Recife teve ideia de dar nome aos filhos ao ver cartaz em cartório;
família diz não se incomodar com as inevitáveis piadas

Por: Eduardo Reina
Fonte: Estadão

Naquela manhã de 1974 no Recife, o sanfoneiro José Miguel Porfírio, mais conhecido como seu Moscou, grande animador de forrós, estava contente pelo nascimento do terceiro filho, o primeiro do segundo casamento. Tinha a ideia de batizá-lo com um nome diferente, que ninguém tivesse utilizado ainda. Ele entrou no cartório de registro civil, olhou na parede e viu um cartaz escrito “xerox e fotocópias autenticadas”. Decidiu usar as três palavras para nomear o recém-nascido e os filhos que poderiam ter no futuro.

Assim foi batizado o primogênito: Xerox Miguel Porfírio, hoje com 36 anos. Quatro anos depois, nasceu Autenticada Miguel Porfírio e depois veio ao mundo Fotocópia Miguel Porfírio, de 23 anos. Essa família recifense tem orgulho do nome diferenciado. O patriarca morreu no dia 11 de fevereiro.

Autenticada conta que seu nome abriu muitas portas na vida. Jornalista de formação e agora cantora gospel, acaba de lançar o segundo disco, voltado para crianças. A Luz conta histórias bíblicas para o público infantil. O CD chega ao Rio de Janeiro na próxima semana e depois, a São Paulo. “Como jornalista e como cantora, o nome Autenticada sempre me ajudou. Recebi muitos convites por causa do nome diferente.”

O primeiro trabalho – Ninguém Vai Calar Meu Canto – foi lançado em 2009, no Recife. São músicas evangélicas para o público adulto.

Ela já trabalhou como repórter de televisão no Recife. Mas se realizou mesmo cantando. Há cerca de dois anos, os produtores do primeiro disco até cogitaram trocar o nome da cantora. “Achavam que Autenticada poderia soar estranho.” Mas ela bateu o pé e hoje é reconhecida pelo nome de batismo.

 Saga continua com o sobrinho Carimbo
A cantora gospel Autenticada Miguel Porfírio acredita que seu nome vai popularizar-se em futuro breve e outras Autenticadas aparecerão Brasil afora. “Sou pioneira. Quando apareceram as primeiras pessoas com nomes diferenciados, como Socorro, Glória, Rosa, muita gente estranhou. Acho que logo vão se acostumar com Autenticada e outras mulheres também vão ser batizadas assim. É um nome forte e positivo, algo de bom.”

Agora, ela planeja ganhar o Brasil com seu trabalho gravado em CD. E seu nome estará vinculado a tudo. “Se mudasse de nome perderia minha personalidade. Ia ficar falsificada. Quero ser Autenticada mesmo. Trocando minha identidade teria de mudar meu jeito de ser”, enfatiza.

Constrangimentos. Nenhum dos três irmãos Porfírio – Autenticada, Fotocópia e Xerox – assume ter vivenciado um episódio muito constrangedor em consequência do nome estranho. Mas na escola ninguém escapou dos amigos.

“Todo começo de ano era aquela coisa. Estranhavam um pouco. Faziam aquelas piadinhas, mas depois cansavam e se acostumavam com nossos nomes. Eu não brigava com ninguém por causa disso. Meus irmãos também nunca me contaram ter passado por problemas”, conta Autenticada.

Ela não ficou chateada nem mesmo quando falaram, sem maldade, que era “tão bonita, mas tinha um nome desses”. Ela é loira, de olhos verdes. Até mesmo quando ia conhecer os pais de namorados e do futuro marido, alega não ter enfrentado problemas. “O nome pode até chocar em um primeiro momento. Mas depois passa.”

Tradição. A saga de seu Moscou, mesmo nome da banda de forró que o tornou conhecido no Recife, foi continuada por Xerox, também músico. Um de seus filhos foi batizado de Carimbo. As duas outras filhas dele receberam nomes exóticos: Shequira e Sherlaine.

E nem mesmo os dois primeiros filhos de seu Moscou, do primeiro casamento – Roque e Jaqueline -, ficaram distantes dos nomes exóticos. O mais velho, Roque, batizou sua filha, hoje com 13 anos, como Autêntica Valeska.

“Ele fez isso para me homenagear”, conta orgulhosa a tia Autenticada, que preferiu não seguir a tradição de seu Moscou. “Ia ficar meio cômico.” Suas duas filhas têm nomes fortes, mas comuns – até um pouco sem graça, diante do histórico familiar: Maria Vitória e Maria Valentina.

Mantra de vida

Entrevista: Nando Reis

O cantor e compositor não mediu palavras e defendeu posições polêmicas, como ser favorável ao aborto, ao casamento gay e à descriminalização da maconha

Por: Felipe Branco Cruz

O paulistano Nando Reis, 47 anos, lança na semana que vem seu novo trabalho Bailão do Ruivão, um álbum onde ele reúne canções bregas que o influenciaram, como Fogo e Paixão, do Wando, ou a lambada Chorando se Foi, da banda Kaoma. Para falar do disco, o cantor e compositor recebeu na última quinta, em sua nova casa no Pacaembu, a reportagem do JT. Nando não mediu palavras e o bate-papo rendeu. Entre outras coisas, defendeu posições polêmicas como ser favorável ao aborto, ao casamento gay e à descriminalização da maconha.

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O punk rock do politizado doutor Greg Graffin

Por: Felipe Branco Cruz

Não é surpresa para nenhum aluno da cadeira de Ciência da Vida, da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles) ver o nome do professor, o doutor em paleontologia evolucionária pela Cornell University, Greg Graffin, ser citado nos jornais. A diferença é que em vez de aparecer nas revistas científicas, Graffin está mais presente na Rolling Stone, Mojo ou outra publicação qualquer voltada para a música. Com 30 anos de carreira, comemorados este ano, o líder do Bad Religion divide seu tempo entre a universidade e os palcos, em shows de punk rock.

Nos últimos meses, no entanto, Graffin tem se dedicado mais à música do que à universidade, já que recentemente foi lançado, nos Estados Unidos, o 15º álbum da banda: The Dissent of Man. O trabalho segue a linha do último CD, New Maps of Hell, lançado há três anos. Amadurecido, com canções mais melódicas, além de harmonias bem construídas, o novo disco é exemplo do caminho que o doutor em paleontologia decidiu traçar para a sua banda: fidelizar os fãs mais antigos e conquistar novos adeptos do hardcore politizado que exibe em suas letras. No Brasil, o disco só chegará no início do ano que vem, mas o álbum pode ser comprado em sites de vendas, por R$ 69,90.

O álbum inicia com as faixas The Day The Earth Stalled, Only Rain e The Resist Stance. As três canções têm uma pegada mais pesada, bem ao estilo das composições dos primeiros discos, justamente para agradar aos fãs mais velhos. Mas o trabalho é mais do que isso. Depois de provar que sabe fazer o bom e velho punk-rock, o doutor Graffin parte para um experimentação em composições que alternam o hardcore melódico com pop e punk, com destaque para as canções Someone to Believe, Cyanide e Turn Your Back On Me. O disco termina com I Won’t Say Anything, uma balada pop perfeita para tocar nas rádios sem chocar nenhum ouvido mais sensível. Essa, aliás, é a canção mais destoante do álbum, por ser acústica e mais lenta.

Tese de doutorado
Nos Estados Unidos, o grupo lançou também uma edição de luxo do álbum, com LP de vinil e camiseta vintage com a arte da capa do disco. Os fãs ainda são presenteados com uma cópia autografada do livro Anarchy Evolution (Evolução da Anarquia, numa tradução livre), de autoria de Graffin, além de Evolution and Religion, (Evolução e Religião), reedição da tese de doutorado do vocalista. Um prato cheio para os fãs. Ao todo, foram feitas apenas mil cópias dessa edição. O material está à venda no site www.kingsroadmerch.com/bad-religion.

Apesar de lançar livros sobre anarquia e a história da evolução, as letras do Bad Religion não pregam a anarquia, a revolução ou a violência. Eles preferem utilizar a música para fazer críticas políticas e sociais.

É o caso da letra de The Resist Stance, incluída no novo disco, que diz: “Sementes de rebelião pairam do lado de fora da sua porta / Se você alimentá-las e regá-las elas irão crescer saudáveis. Mas para que? / E se a revolução não for o que está na loja? / Como você pode se importar mais?”.

Gaba, Gaba, Hey!

O baixista CJ Ramone faz show em São Paulo
tocando só músicas dos Ramones

Felipe Branco Cruz

CJ Ramone, baixista que integrou o Ramones de 1989 a 1996, já perdeu as contas de quantas vezes veio ao Brasil. “Já toquei no Brasil com os Ramones e depois com as minhas bandas: Los Gusaños e Bad Chopper. Agora, volto com minha carreira solo”, diz o músico por telefone ao JT. A atual turnê é feita para os fãs dos Ramones, já que CJ tocará apenas os sucessos da banda punk nova-iorquina. No set list, estarão sucessos como Blitzkrieg Bop, I Wanna Be Your Boyfriend, Endless Vacation e Poison Heart. Além, é claro, do clássico Spider Man, música tema do Homem-Aranha. Foi CJ, aliás, quem sugeriu à banda interpretar essa canção. “Sou fã de quadrinhos. Mostrei para o Johnny e ele gostou”, lembra ele.

Com composições rápidas de, no máximo, dois minutos, letras simples e acordes mais ainda, os Ramones conquistaram uma legião de fãs e influenciaram grupos musicais no mundo inteiro. CJ entrou para substituir Dee Dee Ramone, da formação original. Atualmente, dos Ramones só estão vivos os substitutos, porque da formação original todos já morreram: Joey, Johnny e Dee Dee. “As músicas de que mais gosto da banda são as gravadas no início da carreira, nos quatro primeiros álbuns. Antes mesmo de eu entrar para o grupo”, diz ele.

Amor pelo Brasil
São Paulo será a última cidade da turnê que CJ está fazendo pelo Brasil. Ele já se apresentou no Rio de Janeiro (dias 19 e 20), Novo Horizonte, interior de São Paulo (21) e Goiânia (anteontem). Ontem, tocaria em Brasília. “No Rio, cantaram todas as músicas. Mas o público em Novo Horizonte foi insano. Toda vez que venho ao Brasil é ótimo”, diz ele. “Adoraria morar aqui. Realmente gosto do País”.

Quando veio com sua antiga banda, Bad Chopper, CJ lembra que não tocou nenhuma música dos Ramones. “O público também não pediu. Acho legal essa consideração. Assim, apoiamos os outros membros do grupo. Não é legal você estar num grupo e tocar músicas da sua banda antiga. Por isso, agora volto para carreira solo só para tocar Ramones”.

O próximo disco solo de CJ será batizado com um nome em português: Reconquista. “Gosto da sonoridade dessa palavra”, diz. O músico explica que começará a trabalhar no álbum assim que voltar da turnê em Portugal, no final do ano. “Escolhi essa palavra porque com esse disco quero reconquistar o legado dos Ramones. Vou mostrar que a banda era grande e que as coisas não deveriam ter acabado como acabaram”, explica, lembrando da desavença que Johnny e Joey alimentaram secretamente do público durante quase todo o período da banda. “Eles não se falavam. Foi por causa de uma mulher”, diz. A mulher em questão era a namorada de Joey, que o largou para se casar com Johnny. “Tenho muito orgulho de ter feito parte dos Ramones”. Aos 44 anos, ele faz parte da velha guarda do punk e acha que o movimento sempre foi uma forma de liberar a raiva e a frustração. “O punk é do jeito de onde ele veio: um movimento da classe baixa e média. É o grito dessa classe”, diz.

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Quando um gênio faz cover de outro gênio

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