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O paredão de Roger Waters
Por Felipe Branco Cruz
Nenhuma palavra, foto ou vídeo darão conta de explicar o show de Roger Waters, anteontem, no Estádio do Morumbi, para mais de 70 mil pessoas. O espetáculo audiovisual repleto de efeitos especiais será repetido hoje, às 21h, para um público menor, de 50 mil. Se você quiser ver o show, ainda dá tempo. Há poucos ingressos, mas para todos os setores. Esta será a última apresentação do baixista e ex-integrante do Pink Floyd no Brasil. Na semana passada, ele se apresentou em Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro.
Com apenas 15 minutos de atraso, o roqueiro surgiu no palco em meio a mil tiros de fogos de artifício e ao som da canção In The Flesh?, que abre o álbum The Wall, de 1979. O público, boquiaberto, ainda se recuperava do baque quando um avião sobrevoou a plateia para chocar-se contra parte do muro, levando as pessoas ao delírio. Tudo isso, potencializado por um sistema de som surround que dava a impressão real de que helicópteros, choros de crianças, explosões de bombas ou barulhos de tiros aconteciam em meio ao espetáculo.
Aos 68 anos, o roqueiro ergueu ao vivo um paredão, de 137 metros de largura por 11 de altura, para depois destruí-lo numa performática apresentação que celebra os 30 anos do disco The Wall. O show, aliás, conta apenas com as canções do álbum homônimo. Por isso, àqueles que gostam mais de Dark Side of The Moon, por exemplo, vale lembrar que Waters não vai além no repertório da banda – o que quer dizer, em resumo, que os fãs ficarão sem clássicos da carreira do Pink Floyd, como Time ou Money.
De The Wall, a canção mais conhecida do público, Another Brick in the Wall Part 2, teve acompanhamento do coro de crianças do Instituto Baccarelli e, a quarta a ser executada, foi também a que mais empolgou o público. Um boneco de dez metros de altura desafiava as crianças enquanto elas cantavam. “Olá São Paulo, estou muito feliz por estar aqui”, apresentou-se Waters.
Assim como nos shows anteriores no País, o músico homenageou o brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica no metrô de Londres em 2005. “Gostaria de dedicar este concerto a Jean Charles de Menezes, sua família e sua luta por verdade e justiça; e também a todas as vítimas do terrorismo de Estado em todo o mundo. Quando escrevi esse show, tinha apenas 35 anos”, disse, em um português claro. “Achava que era sobre mim. Não é sobre mim, mas sobre Jean e todos nós”, encerrou, em inglês. O mesmo discurso foi feito no Rio de Janeiro.
Dentre as mensagens passadas por Waters, duras críticas contra o terrorismo, capitalismo, imperialismo entre outros “ismos”. Símbolos do McDonald’s, da Shell e de outras multinacionais se misturavam a estrelas de Davi, crucifixos e outros símbolos, projetados no telão enquanto Waters desfiava solos no baixo. O show, de 2h30 de duração, teve ainda Mother, Hey You, Comfortably Numb e Run Like Hell.
O tradicional porco gigante que Waters solta na plateia veio com mensagens em português: “O novo código florestal vai matar o Brasil” e “Brasil é um país laico”. A apresentação foi encerrada às 22h, e a imensa muralha foi demolida ao som de Outside The Wall.
Deixando para trás qualquer ausência de hits, o que Waters fez no domingo e fará hoje se assemelha a uma ópera, lembra uma performance teatral. Transcende o conceito de um simples show.
Linda, loira e divertida
FELIPE BRANCO CRUZ
Rio de Janeiro
Uma sorridente Reese Witherspoon desembarcou esta semana no Rio de Janeiro para promover o filme Guerra é Guerra!, comédia romântica em que é disputada por dois espiões da CIA (interpretados por Chris Pine e Tom Hardy), que chega aos cinemas na sexta-feira. A atriz usava um bracelete que tinha o desenho do mosaico do calçadão de Copacabana. “Ganhei de presente”, disse. Em conversa com jornalistas, Reese contou que, em sua vida pessoal, não é de namorar, e sim “para casar”. A atriz não hesita em dizer que sua prioridade são os filhos, Ava Elizabeth, de 12 anos, e Deacon Phillippe, de 8, frutos do casamento com o ator Ryan Phillippe, de quem se separou em 2006 (hoje, está casada com o ator Jim Toth). Apesar do histórico em filmes românticos, a atriz contou que gostaria de fazer um blockbuster de ação. Confira trechos da conversa:
No longa, você tem de decidir entre dois pretendentes. Na vida real, quem escolheria?
É difícil, eles são tão diferentes. Hardy é fortão, com tatuagens, mas sensível. Pine é alto, lindo, todas o amam. A escolha depende do que você está buscando.
O filme não foi bem recebido pela crítica. Como lida com isso?
Não faço filme para críticos. Os filmes que assistia na infância nunca agradaram a eles. Não dou bola para o que escrevem do meu trabalho. Não é uma boa experiência ler críticas, podem te deixar mal.
Em sua produtora, Type A, você pretende fazer filmes que privilegiem mulheres. Que tipo de roteiro recebe?
É uma oportunidade para novos produtores e escritores. Não é fácil para uma mulher comandar um negócio em Hollywood. Recebo todo tipo de roteiro. Tenho três incríveis em mãos.
Sente inveja de alguma atriz?
Nunca invejo as mulheres, e sim os homens. Tipo, o Tom Cruise em Missão Impossível 4. Eu assisti e pensei: “queria ter feito esse filme”. Ou Jack Nicholson. Ele é incrível. Quando entrava no set, era um silêncio absoluto. É um mito.
Sua personagem aparece linda em algumas cenas e, em outras, como se tivesse acabado de acordar.Incomodou aparecer assim?
Não. Para ficar linda eu preciso acordar 2h30 antes, é tão difícil. Eu apareci como sou, desarrumada, que é bem mais fácil (risos).
O que mudou mais sua vida: filhos ou um Oscar?
Definitivamente os filhos. Eles são parte da minha vida. O problema do Oscar é o depois. Você fica com esse peso nas costas, sem saber que papel pegar para ficar à altura de uma atriz com Oscar.
Como concilia o trabalho e a vida pessoal com dois filhos?
Quando eles eram pequenos, iam comigo aos sets. Agora, quero que tenham rotinas no colégio e com amigos. Se trabalho longe, tento voltar todo fim de semana. Tomei a decisão de ser mãe e estou satisfeita. Minha filha estava vendo Legalmente Loira enquanto eu estava na cozinha. De repente, ela aparece e diz que o filme era muito chato. É esquisito para eles me verem na TV. Eles dizem que eu não sou uma mãe igual as outras.
E como é ver filmes com eles?
Quando vi Forrest Gump com eles comecei a chorar. Um deles disse: “por que você está chorando? Você é atriz, sabe que é de mentira.”
Você se casou novamente. Como são seus relacionamentos?
Eu não namoro. Eu caso. Eu não saio muito, não tenho muitos encontros. Me casei, depois me separei. Agora me casei de novo.
Se não fosse atriz, o que seria?
Médica, que é a carreira dos meus pais. Acho que seria ótima, levo jeito para cuidar de crianças.
O que achou do Brasil?
É lindo. As pessoas daqui são realmente lindas. Já estou planejando as próximas férias no Brasil.
Uma mocinha entre dois agentes da CIA
Comédia romântica estrelada por Reese Witherspoon, Guerra é Guerra!, estreia nesta sexta-feira e cumpre a missão de divertir sem entediar o espectador. A atriz interpreta Lauren Scott, uma garota disputada por dois agentes da CIA e melhores amigos: Foster (Chris Pine) e Tuck (Tom Hardy). Para conquistá-la, os dois usarão recursos de alta inteligência para sabotar um o encontro amoroso do outro, numa divertida disputa repleta de boas sacadas. Reese Witherspoon esteve no Brasil no fim de semana para divulgar o filme e falou com o JT (leia mais ao lado).
É impossível não comparar o roteiro com a história em quadrinhos Spy Vs Spy, publicado mensalmente na revista Mad (inclusive no Brasil), em que dois espiões idênticos vivem tentando sabotar um ao outro. A única diferença entre eles é a cor de suas roupas, branca e preta. Os produtores, inclusive, cogitaram batizar o filme de Espião Versus Espião, que acabou sendo o subtítulo do longa.
No filme também é assim. Na maior parte da projeção, FDR Foster usa roupas claras e Tuck, escuras. Para estragar com o encontro amoroso do concorrente, eles utilizam armas como dardos com tranquilizantes, disparam alarmes de incêndio, além de utilizarem imagens de satélite, grampos telefônicos e câmeras escondidas para espionar cada passo alheio.
Depois de fazerem uma busca minuciosa na vida de Lauren e descobrirem todos os gostos da garota, os dois agentes fazem uso dessas informações para conquistá-la. A jovem, naturalmente, fica cada vez mais dividida entre os dois pretendentes que parecem ser tão perfeitos.
O longa é dirigido por McG, de 44 anos. O diretor ganhou notoriedade com As Panteras (2000) e o recente Exterminador do Futuro: A Salvação (2009). Mas Guerra é Guerra!, também tem cenas de ação de ritmo frenético, sempre com bom humor. Em entrevistas à imprensa internacional, McG disse que o filme faz uma mistura entre Ethan Hunt (o agente de Missão Impossível) e James Bond (007). Em Guerra é Guerra! vale a dica dada por Reese, durante sua passagem pelo Brasil. “É um filme bom para levar a namorada. Tem dois caras fortes cheio de armas e uma mulher que consegue ficar com os dois. Tem ação para homens, e romance para as mulheres.”
Sherlock Holmes, o retorno
Por Felipe Branco Cruz
Rio de Janeiro
O clima noir da velha, suja e cinzenta Londres continua o mesmo no segundo filme de um dos detetives mais famosos do mundo: Sherlock Holmes. A direção também é a mesma, a cargo do ex-marido da Madonna, o inglês Guy Ritchie. Detalhes que deram certo no primeiro filme também foram mantidos, como o sarcasmo, as excelentes cenas de luta e os efeitos especiais, assim como a dupla central, que volta a ser vivida pelos atores Robert Downey Jr.(Holmes) e Jude Law (Dr. Watson).
Com elementos como esses – e apoiado no sucesso que foi o primeiro filme da franquia –, Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras consegue ser ainda melhor do que o anterior. Para divulgar o filme no Brasil, Robert Downey Jr. esteve no Rio ontem e anteontem para falar com a imprensa e com os fãs (leia mais abaixo). “Ao ler os livros de Sherlock Holmes, você precisa se sentir como uma testemunha. Senão, fica impossível explicar o que está acontecendo. Como, por exemplo, achar graça de um corpo morto na sua frente”, afirmou o ator americano, ao falar sobre como é intercalar momentos de drama com humor no longa.
Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras está fazendo tanto sucesso quanto o primeiro. O segundo capítulo da franquia estreou em dezembro em primeiro lugar nas bilheterias dos Estados Unidos. A parte 2 já arrecadou US$ 265 milhões em todo o mundo, sem contar com os US$ 140 milhões apenas nas salas de cinema americanas. O filme irá estrear nesta sexta-feira ainda em outros 25 países, incluindo o Brasil, e por isso os números deverão aumentar ainda mais. O primeiro filme arrecadou US$ 524 milhões.
O roteiro foi inspirado na obra O Problema Final, em que Holmes enfrenta o maior criminoso da Europa, o professor James Moriarty, tão inteligente quanto o detetive. O longa recria a cena da suposta morte do detetive, quando os dois caem das Cataratas de Reichenbach, na Suíça. A cena é ligeiramente diferente em relação ao livro, mas contar se Guy Ritchie decidiu matar ou salvar Holmes e o vilão estragaria a surpresa final, como explica Downey Jr. “Algumas pessoas na Warner Bros. queriam que o Moriarty não morresse e voltasse num novo filme. E eu disse: ‘Não, de novo não’. Mas há algumas lutas que não devemos comprar. O livro e a adaptação são complementares.”
A participação do irmão de Holmes, Mycroft (interpretado por Stephen Fry), que trabalha no serviço secreto britânico, é um dos destaques do filme. Segundo Holmes, seu irmão é mais inteligente do que ele, só que preguiçoso demais para deixar o escritório e investigar em campo. A cena dos irmãos confabulando soluções para os enigmas são impagáveis.
O diretor, no entanto, abusou do bullet time (efeito em câmera lenta que ficou famoso em Matrix) para retratar os momentos de luta. O efeito acaba se tornando cansativo, porque, antes de cada embate, Holmes repassa mentalmente e em câmera lenta os movimentos que fará na luta. Se no primeiro filme o recurso auxiliou na dinâmica da história, nesta segunda parte, Ritchie pesou na mão e exagerou. O ator, no entanto, defende a técnica. “Eu e Guy somos amantes das artes marciais. Nessas cenas, Holmes parece um polvo, cheio de braços.”
A atriz sueca Noomi Rapace também merece atenção, na pele da cigana Madam Simza Heron. A atriz de 32 anos ganhou notoriedade após interpretar a hacker Lisbeth Salander na adaptação sueca da trilogia Millennium. A saga ganhará adaptação também em Hollywood, mas com outra atriz no papel de Lisbeth e com Daniel Craig no papel principal. Em Sherlock Holmes, a personagem de Noomi é essencial para o sucesso da investigação.
Outro ponto que poderá gerar críticas são as modificações feitas na história original. Apesar de recriar cidades europeias como Londres e Paris, não é possível afirmar que o filme seja uma adaptação fiel ao livro de Sir Conan Doyle. De fato, James Moriarty é retratado como o grande vilão dos livros, mas, assim como Sherlock Holmes, ele recebeu um tratamento hollywoodiano para ficar, digamos, cool e moderno. “Acho que 95% de Holmes, eu me inspirei em Conan Doyle; os outros 5% são meus. O Holmes de Doyle não demonstra reações, ele é frio”, disse Downey Jr. “Eu tentei colocar um pouco mais de ação nele.”
Entrevista:
Robert Downey Jr., de 46 anos, chega animado para a entrevista com o JT, no Copacabana Palace, na manhã de ontem. Com óculos escuros, camiseta branca com uma jaqueta de couro por cima e tênis, o ator parece bastante à vontade no calor carioca, a despeito do frio do ar-condicionado dentro do hotel. Para beber, ele pede um café duplo sem açúcar que toma em dois goles. Amigo do diretor Guy Ritchie e do ator Jude Law, Downey Jr. conversa sobre o novo filme da franquia mas fala também como é encarar outro herói, o Homem de Ferro, adaptação dos quadrinhos da Marvel. Fã de artes marciais, o ator revelou que fará em breve exame para a faixa marrom de Wing Chun (arte marcial chinesa) e que Guy Ritchie em breve será faixa preta de jiu jitsu. Confira:
Seus personagens têm um lado sério e um lado de humor fortes. Como encara essas duas facetas?
Amo cinema. Todos os personagens que eu fiz eu me diverti. Acho que lendo os livros de Sherlock Holmes, você precisa se sentir como uma testemunha daquilo, se não fica impossível explicar o que está acontecendo. Como, por exemplo, achar graça daquele corpo morto na sua frente. Há um contraste de drama. Eu quero infundir nos projetos que eu faço algo engraçado, inteligente, que fuja do aspecto negro e, claro, fazer mais dinheiro.
Oscar, Globo de Ouro, entre outros prêmios, importam para você?
Quando você é jovem, prêmios parecem mais importantes do que eles realmente são. Eles te dão prestígio. Para mim, o que importa é a qualidade de vida fora do entretenimento. É isso que importa.
O roteiro modificou a história original do livro. O que achou disso?
Algumas pessoas na Warner Bros queriam que vilão Moriarty não morresse e voltasse num novo filme. E eu disse: “Não, de novo não”. Mas há algumas lutas que não devemos comprar. O livro e a adaptação são complementares. Trata-se essencialmente de um jogo de xadrez entre Holmes e Moriarty. Se você prestar atenção no livro há uma chave de braço que Holmes dá em Moriarty que é essencialmente um golpe de jiu-jitsu. Mas Holmes é especialista em bartitsu (uma arte marcial criada na Inglaterra no final do século 19).
Você citou Jiu Jitsu. Você treina jiu jitsu?
Guy Ritchie é faixa marrom de jiu jitsu e vai fazer teste para a preta em breve. Eu faço Wing Chun (arte marcial chinesa) e vou fazer prova para a faixa marrom também em breve. Somos dois amantes das artes marciais. No primeiro Sherlock, uma coisa que amamos eram aquelas cenas de lutas que ele demostrava sua habilidade de lutas. Parece que ele é um polvo, cheio de braços. Me sentia com Guy Ritchie como colegas de exército.
E vocês já estão pensando em mais uma continuação?
Estamos escrevendo. Mas nunca se sabe , não é?
Você está em duas franquias. Como se desliga do Tony Stark (Homem de Ferro) para fazer Sherlock Holmes?
Acho que tenho muito sorte. É realmente uma vantagem poder fazer esses dois personagens. E eu acho que consigo. É como nascer de novo cada vez que faço um filme dessas duas franquias. E quero mais!
No longa, Holmes discute com Watson se o que eles têm é uma parceria ou um relacionamento. Com Jude Law, você tem uma parceria ou um relacionamento?
Eles brincam, não é? Holmes diz é um relacionamento e Watson responde: “É uma parceria. Parceria!”. É uma coisa engraçada de dizer. Holmes quer ser mais importante que a noiva de Watson. Para o público, ele é mais importante. Mas, como o público reagirá ao saber que existe essa terceira pessoa na relação? Em 2009 quando fizemos o elenco, muitos nomes foram sugeridos. Jude Law foi citado e dizemos: “É claro que tem de ser ele”. Ele é durão, bonito e capaz de quebrar esse esterótipo de médico chato que Watson tem. Guy Ritchie e eu nos divertimos no set. Jude também se divertia, mas ele é gentleman inglês. E quando fugíamos da história de Conan Doyle, Jude nos lembrava de como Watson deveria ser, porque ele conhece a fundo os livros.
A Revista Time disse que você é uma 100 pessoas mais influentes do mundo…
De que ano?
Há três anos. O que acha disso?
Eu acho que eu sou uma das 100 pessoas mais influentes do mundo todos os dias (risos). Mas isso é na minha vida. Provavelmente 99% das pessoas do mundo não tem noção que eu existo.
Você disse que acha que o Homem de Ferro 3 pode ser o melhor filme da série. Porque acha isso? Foi porque mudou o diretor?
Não. Jon Favreau é ótimo. Somos como irmãos. Já tem mais de cinco anos que a série começou e temos muitos elementos para explorar. O novo diretor, Shane Black, com o qual eu trabalhei em Beijos e Tiros (2005) – aliás esse foi um dos filmes que eu adorei trabalhar, mas foi um fracasso de bilheteria – então, Black é culto e ele é um dos melhores que eu conheço. O roteiro é um dos melhores que já li também. Não só porque é um filme do Homem de Ferro, é porque o roteiro e o filme serão bons mesmo.
Quanto de Conan Doyle você usou para fazer Sherlock e quanto veio de você?
Acho que 95% é de Doyle e 5% é meu. Holmes não demonstra reações. Ele é frio, e eu tentei colocar um pouco disso dele.
Para ele, nada é impossível
Por: Felipe Branco Cruz
Missão Impossível 4: Protocolo Fantasma, que estreia na quarta-feira, dia 21, é de tirar o fôlego e só fica atrás do primeiro filme da franquia. Tudo é grandioso no longa dirigido por Brad Bird (de Ratatouille, de 2007, e Os Incríveis, de 2004), e produzido por J. J. Abrams (de Lost e que dirigiu Missão Impossível 3) e, claro, estrelado por Tom Cruise. A começar pelas locações em Moscou e Dubai, além de primorosos efeitos especiais, que fizeram, por exemplo, o Kremlin explodir.
O filme fica bem mais emocionante para quem tiver a oportunidade de assisti-lo na gigantesca tela Imax (em São Paulo, disponível apenas no Espaço Unibanco Pompeia), já que diversas cenas de ação foram filmadas no formato. Mesmo não sendo 3D, em Imax, somos transportados para dentro da superprodução.
A trama principal pode ser resumida praticamente da mesma forma que os outros três títulos anteriores: um terrorista maluco quer destruir o mundo. Ninguém consegue detê-lo. A agência IMF é a única capaz. Algo dá errado e Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe precisam cumprir uma missão impossível para salvar o mundo. Traições, explosões, lindas mulheres, carros incríveis e apetrechos tecnológicos inimagináveis pontuam cada sequência. Pronto, temos o resumo do filme.
Mas o que faz Missão Impossível 4 melhor do que os outros são as cenas de ação incríveis. “Fizemos um seguro de vida para Tom Cruise, apesar de ele não ter pedido isso”, diz o produtor Bryan Burk, que conversou com a imprensa brasileira anteontem, no Rio de Janeiro. Ele veio ao País junto com Tom Cruise, a atriz Paula Patton e o diretor Brad Bird para divulgar o longa. “Não sabíamos se iríamos ficar conhecidos por matar Tom Cruise ou por fazer um filme espetacular”, completa o produtor, referindo-se ao fato de o astro ter dispensado dublês nas cenas mais perigosas, e até mesmo quando escalou o prédio Burj Khalifa, o mais alto do mundo, com 828 metros de altura e 160 andares. “Eu produzi e atuei neste filme. Foi desafiador tanto física quanto mentalmente realizá-lo. Mas eu estava preparado”, disse anteontem o ator Tom Cruise, que visitou o Brasil pela quarta vez.
Kremlin pelos ares
Vale destacar a espetacular explosão do Kremlin, em Moscou, como um dos pontos altos do longa. Em seguida, temos a vertiginosa cena de Ethan Hunt escalando o Burj Khalifa. E quem acompanha a série sabe: como sempre, algo dá errado. Ethan despenca do 100º andar, mas consegue se segurar (é claro que ele não morre), deixando tudo ainda mais tenso. Ainda em Dubai, outra cena memorável é a de uma perseguição a pé e em carros caríssimos quase às cegas – em meio a uma faraônica tempestade de areia.
Na Índia, Ethan e sua equipe têm de enfrentar o milionário Brji Nath, interpretado pela estrela de Bollywood, Anil Kapoor (que fez o apresentador do programa Quem Quer Ser Um Milionário?, no filme homônimo de 2008). Por fim, como se não bastasse, temos uma ogiva nuclear atravessando o mundo a caminho de São Francisco, na Califórnia.
No elenco, Paula Patton interpreta a bela agente Jane Carter; Jeremy Renner (conhecido por Guerra ao Terror, de 2008) dá vida ao agente William Brandt; e o humorista inglês Simon Pegg faz o papel do expert em computação Benji Dunn. Eles formam a equipe que auxilia Ethan Hunt. Pegg dá ao personagem humor e leveza que rendem boas risadas. O surpreendente humor refinado do roteiro, aliás, transparece entre as cenas de ação, deixando o longa mais harmonioso. “Quis dar um tom de Os Caçadores da Arca Perdida (1981) ao longa”, diz o diretor, fazendo menção ao clássico de Indiana Jones, de Steven Spielberg, justificando as piadas. “Tudo o que imaginei num filme de ação eu consegui colocar neste.”
A atriz Paula Patton (leia mais sobre ela abaixo) faz seu primeiro papel num filme blockbuster. Para isso, ela contou que treinou kickboxing e capoeira. “Adorei o papel. É um sonho que virou realidade”, contou a atriz. “Jane é uma grande personagem feminina. A cena de ação que mais gostei é a que acontece em Dubai”, completou Paula, que também desfilou –e embelezou – o tapete vermelho, anteontem, no Rio.
‘Bond Girl’ de Cruise, Paula Patton treinou capoeira
Em seu primeiro papel em um filme de ação, a atriz americana Paula Patton, de 36 anos, é uma das boas surpresas do longa. A atriz é responsável por um toque de charme dentro de um filme repleto de explosões.
Dentre seus outros trabalhos em Hollywood, o mais recente com grande repercussão foi no drama ‘Preciosa – Uma História de Esperança’ (2009), que recebeu seis indicações ao Oscar.
Antes, Paula atuou em ‘Déjà Vu’ (2006) e também na comédia romântica ‘Hitch – Conselheiro Amoroso’ (2005), contracenando com Will Smith. Para o papel da agente Jane, Paula disse que chegou a treinar até capoeira. No longa, a atriz faz uma femme fatale, uma mulher extremamente habilidosa e linda. O papel lembra o das ‘Bond Girls ‘. Em uma cena, ela surge deslumbrante para um baile de gala em Mumbai, onde tenta seduzir um ricaço indiano, dono de um satélite capaz de detonar uma bomba nuclear.
Trilha famosa
O badalado DJ holandês Tiësto, de 42 anos, é o responsável pela nova versão do famoso tema do ‘Missão Impossível’, composta originalmente por Lalo Schifrin. No passado, as bandas U2 e Limp Bizkit fizeram suas versões para o tema. Em turnê com os atores do filme, Tiësto também veio ao Brasil anteontem e discotecava enquanto os atores passavam pelo tapete vermelho, no Rio de Janeiro. “É um tema muito famoso, então, não o modifiquei, apenas dei minha cara a ele”, disse o DJ.
No Rio, Tom Cruise divulga novo filme
Por: Felipe Branco Cruz
Do Rio de Janeiro
Por volta das 20h de ontem, cerca de 4,5 mil fãs se aglomeravam no charmoso Cinépolis Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, para aguardar a passagem do ator Tom Cruise, da atriz Paula Patton, do diretor Brad Bird (de Os Incríveis e Ratatouille) e do produtor Bryan Burk pelo tapete vermelho. Eles vieram para a capital fluminense para divulgar o filme Missão Impossível – Protocolo Fantasma, que estreia no Brasil na quarta-feira.
Nem a forte chuva que caiu à tarde e encharcou o tapete (que foi prontamente trocado por outro) esfriou os fãs. Parte do público foi escolhida por meio de uma promoção da Coca-Cola, que patrocinou o filme. Outra parte foi selecionada em fã-clubes.
Por volta das 20h30, Tom Cruise pisou no tapete vermelho enquanto o produtor e DJ holandês Tiësto animava a plateia. Ele assina a versão remixada do tema do filme. O ator passou cerca de 45 minutos atendendo aos fãs e dando autógrafos até chegar à área de imprensa, onde falou com os jornais e TVs.
No longa, Tom Cruise dispensou dublês nas cenas em que aparece escalando o Burj Dubai, em Dubai, o maior prédio do mundo. “Não sei se iríamos ficar conhecidos como aqueles que mataram o Tom Cruise ou como aqueles que fizeram um super filme”, disse o produtor Bryan Burk, mais cedo, durante a coletiva com a imprensa no Copacabana Palace.
Mais tarde, Tom Cruise afirmou que o filme foi desafiador para ele, tanto como ator quanto como produtor. “Treinei muito artes marciais”, contou. “Para mim, é um privilégio fazer esse tipo de papel. Vou continuar a participar de filmes de ação, mas não sei se meu próximo filme do gênero será Missão Impossível.” Do Rio, Tom Cruise, que estava viajando por vários países para promover o filme, voltará para os Estados Unidos.
As aventuras do Gato latino
Por Felipe Branco Cruz
A nova animação da Dreamworks, Gato de Botas, que estreia amanhã, é, assim como Shrek, uma mistura de lendas e histórias infantis. Presente nos filmes Shrek 2 e Shrek Terceiro, o felino dublado por Antonio Banderas interage com João, do pé-de-feijão, a Gansa dos Ovos de Ouro e também com um desconhecido personagem no Brasil, porém famoso nas cantigas de ninar dos países anglófonos: o ovo falante Humpty Dumpty. “O Gato de Botas não é uma continuação de Shrek. Criamos um universo próprio para ele”, afirmou Antonio Banderas.
O ator espanhol visitou o Brasil junto com a mexicana Salma Hayek (que dubla a gata Kitty Pata Mansa), o diretor Chris Miller e o cofundador da Dreamworks Jeffrey Katzenberg no mês passado, e os quatro conversaram com a imprensa no Rio de Janeiro. “O Brasil tem quase 3 mil salas de cinema. É um mercado que não podemos ignorar”, disse Katzenberg, justificando a viagem. Banderas e Salma fazem as vozes dos dois gatos protagonistas em espanhol. Banderas também dubla em italiano. Na versão brasileira, a responsabilidade ficou por conta dos dubladores Alexandre Moreno (Gato de Botas) e Mirian Fisher (Pata Mansa).
Da história original do Gato de Botas, fábula do garoto que ganha um bichano como herança do pai, não há nenhuma referência. Aliás, no filme, o Gato não tem dono, é criado num asilo de uma pequena vila espanhola. “Até pensamos em contar a história do Gato como na fábula. Mas percebemos que poderíamos nos afastar desse mundo e criar o nosso próprio”, disse o diretor Chris Miller. “Na fábula original, o Gato é francês. O nosso é espanhol.”
As características marcantes do Gato, como seu carregado sotaque espanhol, a esperteza e a boa índole, serviram como inspiração para criar o universo onde ele habita: uma Espanha antiga, semelhante à descrita por Miguel de Cervantes em Dom Quixote. A proposta do longa é mostrar o passado do Gato, antes de viajar para a Terra de Tão, Tão Distante, onde vive Shrek. “O Gato é um amigo leal, mas também um canalha”, brincou Banderas.
Criado num asilo, o Gato faz amizade com o ovo falante Humpty Dumpty, que sonha em achar os feijões mágicos que os levariam até o castelo do gigante, nas nuvens. Lá, eles encontrariam os ovos de ouro que são botados por uma gansa. Na história original do Ovo Falante, Humpty Dumpty se equilibra num muro, pendendo cada hora a um lado. É assim a amizade do Ovo com o Gato, instável e cheia de traições. Já a gata Kitty Pata Mansa, dublada por Salma Hayek, é tão esperta e hábil com espadas quanto o Gato. Juntos, vão ajudar o Ovo Falante a roubar os feijões mágicos das mãos dos bandidos Jack e Jill. “Gosto da personagem porque ela não é melodramática. É ela quem salva o Gato. Pata Mansa é o contrário do clichê da mocinha, é um modelo de heroína para as meninas”, contou Salma.
O enredo pode parecer louco, mas, de forma curiosa, assim como em Shrek, tudo se encaixa. Gato de Botas é divertido, cheio de boas sacadas. É impossível não se apaixonar por Pata Mansa ou não dar boas gargalhadas com os desengonçados trejeitos do Ovo Falante. Outro destaque são os efeitos especiais. “O filme foi concebido para ser 3D”, disse Chris Miller. Duas cenas impressionam pela qualidade: uma é o encontro de Gato de Botas e Pata Mansa, num impagável duelo de dança. Outra, de tirar o fôlego, é a plantação dos feijões mágicos que brotam rumo ao céu. “No próximo filme, quem sabe Pata Mansa não dançará um samba com o Gato?”, gracejou Salma na visita ao Rio.
O resultado é mais uma animação primorosa da Dreamworks, com grandes chances de levar um Oscar pelos recursos tecnológicos. “Há quase dez anos interpreto o Gato de Botas. Adorei fazê-lo novamente”, concluiu Banderas.
Entrevista com Antonio Banderas
O espanhol Antonio Banderas, de 51 anos, dá voz ao Gato de Botas há quase dez anos, desde o segundo filme da franquia Shrek, de onde o personagem surgiu. Segundo oator, a empatia com o público foi tão grande que gerou essa demanda por um filme ‘solo’. O ator, então, dubla o gato em inglês, italiano e espanhol. Na sua língua materna, Banderas imprimiu no Gato um sotaque de Málaga, cidade onde nasceu.“Um sotaque sibilado, bastante tradicional”, definiu.
‘Gato de Botas’ é uma grande aventura. Qual foi a maior aventura da sua vida?
Foi sair da minha casa, em Málaga, aos 10 anos. Depois, provavelmente fazer um salto aos Estados Unidos e até Hollywood. Era impensável para um ator espanhol ir para os Estados Unidos. Até havia atores latinos, como Andy Garcia e Anthony Quinn. Mas a Espanha tinha um grande complexo de inferioridade. Ingleses, alemães, franceses, todos se davam bem. Éramos um país com ditadura. Partir para os Estados Unidos sem falar inglês foi a minha maior aventura.
Você disse que há um sotaque de Málaga no seu personagem?
Sim, mas apenas na minha dublagem espanhola. Quando falo em inglês, o sotaque que os americanos percebem é de um espanhol falando inglês. Naturalmente eu já tenho sotaque ao falar inglês. O acento malaguenho é sibilado. Em italiano, faço uma coisa mais natural, como uma pessoa falando italiano com sotaque espanhol.
Podemos assisti-lo nos cinemas brasileiros em ‘A Pele QueHabito’. Como foi o reencontro com Pedro Almodóvar após 20 anos?
Foi fortíssimo e difícil, graças a Deus. Foi muito difícil porque Almodóvar foi caminhar em terrenos onde estão a verdade artística. Foi um trabalho incrível para mim. Até agora eu não sei exatamente o que foi esse filme. Ainda estou absorvendo o resultado.
O que pode dizer sobre trabalhar novamente com Salma Hayek?
Temos química. Não é físico, não é matemático, não é algo de pensar. Se pensarmos muito, isso se perde. Numa relação humana, não pensamos: “como funcionamos? O que podemos apresentar? Quanto dinheiro vamos ganhar?” Não pensamos assim. Simplesmente vamos. Já tínhamos nos divertido muito em A Balada do Pistoleiro (1995).
E quanto a gatos, tem algum?
Tenho dois em Los Angeles, dois em Aspen e cinco cachorros. Os gatos se chamam Penny Lane, Maxell, Domino, Lucy. Oscães são Velvet, Jack, Eliot, Lula e Skilot.
Como vê o cinema espanhol atualmente?
Na minha visão, a situação da Espanha hoje é dramática. Somos vítimas de uma crise. Teremos eleições gerais e o partido conservador deve ganhar. Se fazíamos entre 60 e 70 produções por ano, vamos passar a fazer 30. E com essa crise, vai ser muito difícil seguir produzindo cinema na Espanha. Um milhão de pessoas vivem do cinema lá e eles vão sofrer com isso. O que é muito curioso é que neste momento há muitos talentos na Espanha. E não só lá, mas em toda a Europa. Mas é uma situação catastrófica. O cinema espanhol precisa do governo. É difícil ter um mercado doméstico como nos Estados Unidos. Nós não nos autoproduzimos.
‘Gato de Botas’ vem de um conto de fadas. Qual o seu preferido?
Peter Pan.
Entrevista com Salma Hayek
Esta é a primeira vez que a atriz mexicana Salma Hayek, de 45 anos, dubla um personagem de animação. Mas antes de emprestar a voz, ela ajudou o diretor Chris Miller a forjar a personalidade da gata Pata Mansa. Famosa em sua terra natal, ela teve de começar do zero quando ingressou em Hollywood, e fez até figuração.
O reconhecimento viria em 1995, com A Balada do Pistoleiro, justamente ao lado de Antonio Banderas, parceiro também em Gato de Botas. A familiaridade com contos de fadas, então, vem da infância. “Esperei 40 anos por meu príncipe encantado, vestido de azul e montado num cavalo branco”, diz ela, casada com o bilionário francês François Henri Pinault.
Como foi sair de Vera Cruz, sua cidade natal no México, e ir para os Estados Unidos?
Fui com uma grande inocência e muitas ilusões. Não estavam fazendo muitos filmes no México, então parecia lógico ir fazer cinema nos Estados Unidos. Eu não falava inglês, não tinha green card, fui sem conhecer ninguém, sem casa. Entrei na prestigiosa escola de Stella Adler (1901-1992). Estudei com ela. Comecei minha carreira como figurante, depois de ser uma grande estrela no meu país. Pouco a pouco fui subindo. Então veio A Balada do Pistoleiro (1995), com Banderas. E Depois veio Frida (2002) que mudou tudo. Foi uma missão de algo que deveria fazer.
Como foi dublar Pata Mansa?
Minha personagem é uma gatinha agressiva, que não se intimida. Banderas e eu temos uma dinâmica de trabalho muito natural e isso nos deu confiança desde o início.
É seu primeiro trabalho como dubladora?
Não havia nada para dublar porque não havia desenho. No meu caso, o diretor não me deu nenhum roteiro. Eu não sabia como era o personagem. Sabia que a gata seria tão forte quanto o do Antonio. Eles estavam criando. Chris Miller dizia: “O que acha que ela diria agora? ” Então isso não foi dublagem. Criamos uma atitude para ela e esse processo levou dois anos e meio. Para dublar para o espanhol, foram quatro horas.
Você tem um sítio. Cria muitos animais lá?
Muitos! Tenho uma gata, dez cachorros, cinco periquitos, quatro alpacas, cinco cavalos, dez galinhas e dois porcos.
Como vê o cinema mexicano atualmente?
O cinema mexicano está pressionando o governo para que 30% das salas nacionais exibam filmes feitos no México. É uma batalha.
‘Gato de Botas’ é inspirado no universo das histórias infantis. De qual tem mais lembranças?
A que mais me pegou foi Bambi. Fiquei muito traumatizada, até hoje vou a psicólogo (risos). Pinóquio também. Além disso, estou há 40 anos esperando meu príncipe encantado (risos).
Entrevista: Chris Miller
Chris Miller, de 36 anos, já é um veterano no ramo de animação. Ele foi roteirista dos filmes do Shrek e diretor do penúltimo título da franquia. Ele nem bem estreou com Gato de Botas e revelou que já pensa numa continuação. “Seria algo do tipo James Bond. Cada filme, uma aventura”, disse. Antonio Banderas já manifestou interesse em participar da sequência. Miller começou a carreira como roteirista em 1998 na Dreamworks. Desde então, trabalhou em diversas áreas, como desenhista e dublador.
Foi importante ter uma atriz que falasse espanhol para interpretar a gata?
Não foi algo consciente, nem foi com Antonio Banderas em Shrek. Ele criou essa persona. E com base nisso, veio o mundo espanhol, latino, num lugar de fantasia como o de Dom Quixote. É um tipo de conto de fadas latino. Teve influência mexicana, flamenca, latina, de tango e coisas do sudoeste dos Estados Unidos. Misturamos todas as expressões. O nome de Salma veio naturalmente.
Tecnicamente como você vê o 3D aplicado a esse filme?
Queríamos fazer desde o começo. O personagem pede um filme em 3D. Ele é pequeno, então podemos trabalhar com os tamanhos. Criamos uma experiência em que fãs podem imergir na história.
O filme mistura muitos contos de fadas. Por que colocar todas essas referências?
A história faz um link com o universo de Shrek ao misturar vários contos. Mas queríamos ter certeza de que seria uma mistura diferente da feita em Shrek. Escolhemos as histórias imaginando as que poderiam ter a ver com o Gato de Botas. Em Shrek, tudo é mágico.
Você tem um personagem de conto de fadas favorito?
Monty Python. Mas esses não têm nada a ver com o filme (risos).
‘Gato de Botas’ terá, então, uma continuação? Tem fôlego para fazer a mesma carreira de Shrek?
Sim. Ele seria construído como um James Bond. Seriam varias aventuras contínuas. Mas precisamos pensar em boas histórias, é claro.
Registro da passagem de Paul McCartney pelo Rio de Janeiro
Vídeo oficial da passagem da Turnê Up and Coming pelo Rio de Janeiro em 2011. Acompanhe entrevistas com patrocinadores e responsáveis pela vinda de Paul McCartney ao Brasil, imagens de bastidores e trechos dos dois shows realizados no estádio do Engenhão. Há também depoimentos de fãs e membros da equipe internacional de Macca. Um registro histórico! Confira!
A visão do Brasil por meio de quatro estrangeiros
Por Felipe Branco Cruz
Além do longa Onde Está a Felicidade?, foram exibidos também os curtas-metragens Café Turco (de Thiago Luciano) e Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida (Denise Marchi). O destaque entre esses filmes, foi o documentário A Cidade Imã, de Ronaldo German. Nele, o diretor mostra como quatro imigrantes: Bruce Henri (nascido em Nova York e criado na Espanha), Idriss Boudrioua (França), David Chew (Inglaterra) e Masako Tanaka (Japão) que decidiram morar no Rio de Janeiro depois de se apaixonarem pela cidade e pela música brasileira.
Um dos pontos mais interessantes do documentário é a visão que o estrangeiro tem do Rio de Janeiro. Masako, de todos eles, é a que está a menos tempo no Brasil (menos de dez anos), enquanto os outros três já vivem no país há mais de 30 anos. O deslumbramento, no entanto, continua o mesmo. Seja com a beleza, com a música e com os cariocas.
Além da música, o documentário mostra o cotidiano dessas pessoas, a família que eles formaram no Brasil e o trabalho que eles desenvolvem por aqui. “É a música que me alegre e me conforta longe do meu país”, disse, bastante emocionada, a japonesa Masako. “No Japão nossos pais não nos abraçam. Muito diferente do Brasil, onde a gente dá beijinhos no rostos até de desconhecidos”, completou.
Idriss é saxofonista, David é músico clássico e toca violoncelo, Masako canta samba e bossa nova, além de tocar percussão (inclusive nos desfiles das escolas de samba na Sapucaí) e Bruce é multiinstrumentista e produtor cultural. O longa também conta as dificuldades que os personagens enfrentaram, tanto de língua até a adaptação aos costumes do Brasil. “Ninguém chega no horário. Agora estou sabendo lidar com isso”, disse Idriss.
A violência carioca também está presente. Três deles já foram assaltados na cidade. “Não fiz um filme promocional do Rio de Janeiro. E eu tive fundamental o dia-a-dia dos personagens. Como é a família deles, etc. Mas não poderia deixar de tratar o caos da cidade, inclusive a violência”, diz o diretor.
Trata-se de um longa singelo, que mostra como a cidade, mesmo com seus problemas, é capaz de encantar e atrair, como um verdadeiro imã, pessoas do mundo inteiro. “Não acho que este filme é sobre nós, imigrantes, e sim sobre como a cidade do Rio de Janeiro é linda”, disse Bruce.
Rio emociona Jim Carrey
Pela primeira vez no País, ator que veio lançar o longa ‘Os Pinguins do Papai’
fala de sua empolgação em conhecer a cidade que o encanta desde a infância
FELIPE BRANCO CRUZ
RIO DE JANEIRO
Uma semana depois de receber os atores Josh Duhamel e Rosie Huntington-Whiteley e o diretor Michael Bay, que vieram ao Brasil para divulgar o filme Transformers: O Lado Oculto da Lua, agora foi a vez de Jim Carrey, 49 anos,visitar o Rio de Janeiro para divulgar seu novo longa: Os Pinguins do Papai, que estreia nesta sexta-feira. No filme, ele é um empresário que herda seis pinguins e tem de cuidar deles em seu apartamento em Nova York (leia mais abaixo).
Carrey chegou ao País no domingo. Ontem, concedeu entrevista coletiva no Copacabana Palace, onde ficou hospedado. Hoje, o ator nascido no Canadá deverá participar da pré-estreia no Cinépolis Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas, também no Rio. “Toda vez que encontrava um brasileiro, me perguntavam por que ainda não tinha vindo pra cá. Quando me contaram que eu viria agora, fiquei muito empolgado”, disse o ator.
Bem-humorado, ele chegou ao local da entrevista fazendo graça e dançando. “Da próxima vez que vier ao Brasil, quero visitar a Amazônia, ir ao coração da floresta”, declarou. Carrey revelou, ainda, que, antes de voltar para os Estados Unidos, gostaria de visitar o Pão de Açúcar e a praia de Ipanema. “Quero ver se eu acho essa tal garota de Ipanema que vocês tanto cantam”.
O ator frisou que desde criança tem vontade de visitar o Rio. “Quando estava na escola, fiz uma maquete da cidade para um trabalho. Domingo, quando estava no Cristo Redentor, lembrei disso”, contou. “No momento em que me virei para olhar a estátua, os turistas ficaram em silêncio. Quando me virei novamente, vi vários flashes das câmeras e rostos felizes atrás delas. Foi lindo”.
Este não é o primeiro filme no qual Carrey atua ao lado de animais. Em Ace Ventura (1994), por exemplo, o ator contracenou com golfinhos. Desta vez, são aves e robôs. “Tive de andar com várias sardinhas e pedaços de peixe no bolso. Só assim para os pinguins me seguirem”, revelou. Além dos animais reais, foram usados pinguins robôs. “Como celulares e aparelhos eletrônicos provocavam interferências nos robôs, foi mais fácil com os animais reais”. De acordo com Carrey, a maioria das crianças adora pinguins. “Acho que é porque eles são estranhos. São animais deslocados. São pássaros, mas não sabem voar. Sabem nadar, mas não são peixes”, disse o ator. “Acho que os pinguins despertam nas crianças a reflexão de que você pode ser legal, mesmo sendo diferente. Ninguém consegue ficar infeliz perto de um pinguim”.
Mais engraçado
O longa é baseado no livro homônimo, lançado em 1938. Carrey disse que modificou o roteiro, para deixar o longa com sua cara e mais engraçado. “O livro traz uma boa ideia. Mas queria dar meu toque pessoal e deixar o filme ainda mais leve, indicado para as crianças mais novas”.
Carrey também falou sobre a nova experiência que vive na esfera pessoal. Ele se tornou avô no ano passado, quando sua filha Jane, 24 anos, deu à luz seu primeiro neto, Jackson Riley Santana. “Ele nasceu na mesma maternidade que minha filha. Ser avô é uma emoção profunda. Estou redescobrindo o mundo. Vejo as coisas com outros olhos”, contou.
O ator revelou que não gosta de continuações de seus filmes, apesar de ter feito Ace Ventura 2 (1995). “Achei estranho ver outros atores interpretando o papel que já foi meu nas continuações de Debi e Loide e Todo Poderoso”, disse, se referindo a Eric Christian Olsen e Steve Carell, respectivamente. “Muitas pessoas me pedem uma nova continuação de Debi e Loide. Estou pensando seriamente.”
Depois de contracenar com o brasileiro Rodrigo Santoro em O Golpista do Ano (2009), os dois ficaram amigos e ontem almoçaram juntos. “Combinamos de nos encontrar na próxima vez em que ele visitar Los Angeles. Rodrigo Santoro é um talento, uma pessoa formidável”, disse Carrey.
Humor com marca registrada do ator
Os Pinguins do Papai, que estreia dia 1º de julho, tem a marca registrada do humor de Jim Carrey. Suas caras e bocas dão o tom desta comédia focada no público infanto-juvenil. Carrey é Popper, corretor ganancioso que deseja comprar um imóvel dentro do Central Park, Nova York, e construir um grande empreendimento.
A dona do imóvel, interpretada pela diva Angela Lansbury, só irá vender para quem tiver um coração puro. E Popper, definitivamente, não é essa pessoa. “A Angela é uma superatriz. Quero chegar à idade dela (85 anos) tendo o mesmo amor pela profissão que ela tem”, disse Carrey. Popper vive em conflito com os filhos – uma garota (interpretada por Ophelia Lovibond) e um garoto (Maxwell Perry Cotton), que vê de 15 em 15 dias porque eles moram com a mãe (Carla Gugino). Depois que seu pai morre, ele recebe de herança um pinguim, já que o velho Popper era um viajante apaixonado pelo Polo Sul. Ele tenta, de todos os meios, doar o animal. Tudo em vão. Dias depois, mais um carregamento chega à casa de Popper com outras cinco aves. “Sempre tive vontade de interpretar com pinguins”, brinca Carrey.
A presença desses animais é a deixa para que o carrancudo Popper passe a ser mais atencioso com os filhos. Além disso, ele acaba se afeiçoando aos novos amigos e transforma seu apartamento num verdadeiro iglu, com direito até a pista de gelo na sala. “Nunca senti tanto frio na vida. Foi um dos invernos mais rigorosos de Nova York”, diz o ator. Tamanha confusão irá despertar a ira do síndico e do gerente do zoo da cidade, que quer levar as aves para lá.
Cheio de graça
O filme é inspirado no livro homônimo do casal Richard e Florence Atwater, lançado em 1938 e publicado no Brasil pela editora Intrínseca. A história, no entanto, é bem diferente. No livro, Popper é um pintor de paredes que sonha explorar a Antártica e ama pinguins. Como ele fica sem dinheiro porque gasta tudo cuidando da dúzia de pinguins que recebe de presente de um almirante, ele e as aves partem numa viagem pelos EUA se apresentando pelo país.
Os Pinguins do Papai é mais um longa na vasta lista de comédias protagonizadas por Jim Carrey, que inclui filmes como O Máscara (1994), O Mentiroso (1997) e Sim, Senhor (2008). Seu jeito de fazer humor, com gestos expansivos e feições exageradas, são os mesmos de longas como Debi e Loide (1994) e Eu, Eu Mesmo e Irene (2000). Até em papéis dramáticos, o ator faz graça, como aconteceu em O Golpista do Ano (2009), no qual contracenou com Rodrigo Santoro.
Rio recebe a nova musa de ‘Transformers’
FELIPE BRANCO CRUZ
RIO DE JANEIRO
O terceiro filme da série Transformers não contará mais com Megan Fox, de 25 anos. Mas terá Rosie Huntington-Whiteley, 24, eleita a mais sexy do mundo pela revista Maxim, como a nova namorada do protagonista. E pelas curvas que a inglesa exibiu ontem, durante a coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, o público masculino não vai ter do que reclamar. A atriz, seu colega de elenco Josh Duhamel, 38, e o diretor Michael Bay, 46, aportaram no sábado no Rio de Janeiro, para a primeira exibição mundial de Transformers – O Lado Oculto da Lua, ocorrida no domingo, e para a série de entrevistas com a imprensa.
“Escolhemos o Brasil e em seguida iremos à Rússia porque são dois mercados emergentes que não podemos ignorar”, disse Bay. Embora o filme não tenha nenhuma cena rodada no Rio, o diretor capitulou à beleza local e não descarta recorrer ao cenário no futuro: “Estou fascinado com o modo como as montanhas encontram o mar. Já imagino belos filmes sendo feitos aqui”.
Rosie, que também é modelo da marca de lingerie Victoria’s Secret, chegou ontem usando um vestido de ousada transparência, do estilista americano Michael Kors. Talvez uma estratégia para mostrar que ela é tão bonita quanto Megan Fox. “Sou modelo e estou acostumada a comparações de beleza na passarela. Nunca pensei que a estava substituindo e sim, ocupando um novo lugar. Minha personagem é nova ”, explica a atriz. No longa, ela vive Carly Miller, namorada do protagonista Sam Witwicky (Shia LaBeouf, 25).
Segundo o jornal Daily Mail, Megan teria sido demitida a pedido de Steven Spielberg, produtor do filme, por ter acusado Michael Bay de agir como um nazista no set. Em conversa com o JT, o ator Josh Duhamel desconversou quando questionado sobre essa notícia. Disse apenas que Megan não soube lidar com a fama repentina e não acredita que Rosie corra o mesmo risco. “Ela já está acostumada com a fama das passarelas. E é mais madura que Megan”, disse.
Rosie não soube dizer se Transformers terá mais continuações, mas afirmou que já tem contrato com a Paramount para outro filme. “Meu sonho é ser uma Bond girl. Cresci com os filmes de James Bond.” A atriz disse, ainda, que é amiga da modelo brasileira Alessandra Ambrosio e já trabalhou com Gisele Bündchen. “Gisele é linda e muito simpática. Ela é a referência para todas as modelos.”
Josh, que aproveitou o fim de semana para passear pelo Rio, lembrou do filme que fez em 2006, Turistas, em que a cidade é retratada como um lugar violento. “Se ofendemos os brasileiros, peço desculpas. Venho sempre ao Brasil e amo este País”, justificou-se.
Homem na Lua
Transformers 3 recria as histórias da chegada do homem à Lua e do acidente nuclear da usina de Chernobyl (leia mais abaixo). O astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, faz uma ponta no longa. “Levei cinco minutos para convencê-lo. Depois ele me deu seu livro e pediu para fazer um filme sobre ele. Buzz falou da Lua com tanto amor que tive certeza de que o homem realmente esteve lá”, disse Bay.
O segundo longa da série, de 2009, recebeu várias críticas dos fãs. Bay se justificou. “Foi na época da greve dos roteiristas. E eu não queria demitir 2 mil pessoas que trabalhavam conosco. Tentei compensar fazendo este novo filme muito melhor”, disse. O longa, com 143 minutos, abusa dos efeitos especiais e da tecnologia 3D, com qualidade comparável à de Avatar. “Spielberg me convenceu a fazer em 3D. Quero sempre usar o que há de melhor”.
O marido de Rosie, o ator Jason Statham, 44, deu dicas para ajudar a atriz a se proteger nas cenas violentas. “Num dia em que eu estava cheia de hematomas liguei para ele. Jason me enviou umas proteções finas, que não apareceram sob as roupas.”O elenco e o diretor embarcariam ontem para a Rússia num jatinho particular.
Crítica do filme:
Mais impressionante ainda, na versão 3D
A viagem do homem à Lua não teve nada a ver com a corrida espacial que opunha EUA e União Soviética. O que motivou os americanos a enviarem o foguete Apolo 11 ao satélite natural da Terra foi a desconfiança de que lá estivesse estacionada uma nave alienígena. Pelo menos é essa a versão que o longa Transformers – O Lado Oculto da Lua conta. Recriar a história da conquista espacial deu um sabor especial ao filme, que ainda diz que o acidente nuclear em Chernobyl foi obra de uma raça alienígena de robôs inteligentes que vivem em nosso planeta. A estreia está prevista para 1º de julho.
A guerra entre os clãs dos Autobots e dos Decepticons, que parecia ter acabado, com a vitória dos Autobots, continua neste novo filme. Os robôs, depois de destruírem seu planeta, o Cybertron, encontram abrigo na Terra e aqui continuam suas batalhas. Se nos primeiros filmes os terráqueos achavam que os dois clãs eram seus inimigos, neste há uma aliança com dos humanos com os Autobots, na luta para combater a proliferação nuclear no mundo.
O longa está mais denso e sombrio e com efeitos especiais ainda mais impressionantes. “Uma das cenas mais difíceis de fazer foi quando Sam Witwicky (Shia LaBeouf) é jogado para fora do Chevrolet Camaro, enquanto o carro se transformava no robô Bumblebee”, revela o diretor Michael Bay. Durante a exibição do longa, no Rio, a cena arrancou aplausos da plateia. Bay acompanhou a exibição.
O grande destaque do filme são os efeitos 3D – ver os carros se transformando em robôs gigantes impressiona. No meio disso tudo, Sam tem de administrar um conturbado namoro com a estonteante Carly (Rosie Huntington-Whiteley). Os soldados humanos são comandados pelo coronel William Lennox (Josh Duhamel).
“Aceitei esse papel porque sabia que ele mudaria minha vida”, disse Rosie. “Foi muito intenso e eu interpretei com grandes artistas.” É o caso dos coadjuvantes de peso como John Malkovich, Patrick Dempsey, Frances McDormand e Ken Jeong. Nos momentos de maior tensão, dois pequenos robôs, com suas piadas, ajudam a deixar as cenas mais leves. John Malkovich e Ken Jeong, que vivem funcionários de uma empresa de tecnologia, também fazem papéis cômicos. John Turturro segue como o atrapalhado Agente Simmons, que ficou bilionário escrevendo livros sobre suas aventuras com os robôs.
O resgate de Wilson Baptista
FELIPE BRANCO CRUZ
As músicas de Wilson Baptista (1913-1968) foram tão importantes para o samba brasileiro quanto as de seus contemporâneos, como Noel Rosa, Ari Barroso ou Herivelto Martins. Mas o sambista nunca recebeu a mesma atenção que os outros. Agora, pelas mãos do pesquisador Rodrigo Alzuguir, de 38 anos, o compositor teve sua obra resgatada por meio de uma peça teatral e do CD O Samba Carioca de Wilson Baptista, no qual suas músicas são interpretadas por grandes cantores da música brasileira. Alguns, inclusive, tiveram contato com o próprio Baptista. “Elza Soares e Wilson das Neves foram alguns dos que conheceram o sambista”, diz Alzuguir.
A peça foi exibida no Rio de Janeiro e em breve será encenada em São Paulo. O disco já está nas lojas, lançado pelo selo Biscoito Fino. Nele, Elza Soares interpreta Artigo Nacional e Wilson das Neves, Essa Mulher tem Qualquer Coisa na Cabeça. Marcos Sacramento, Céu, Zélia Duncan, Nina Becker, Mart’nália e Teresa Cristina são outros participantes do disco, que no total tem 20 músicas. “A Zélia Duncan gravou o samba inédito Que Malandro Você é!. Eu encontrei somente a letra dessa música numa revista antiga da década de 60. Depois, num acervo de uma viúva de um parceiro de Wilson, achei as notas musicais. Essas notas se encaixavam perfeitamente na letra”, revela o pesquisador. O álbum é acompanhado de um disco extra com a trilha sonora do espetáculo de teatro.
Polêmicas
Para o pesquisador, há pelo menos dois motivos que fizeram com que a obra de Baptista caísse no esquecimento. O primeiro por culpa do próprio sambista. “Ele foi o pior inimigo dele mesmo. Nunca organizou sua obra e gastou todo o dinheiro com viagens e mulheres. Ele foi o oposto de Ataulfo Alves, por exemplo, que deixou sua obra toda catalogada”, diz. Segundo, porque ele criou uma polêmica com Noel Rosa. “Na época, foi apenas uma brincadeira entre amigos. Anos mais tarde, um radialista fez um especial sobre Noel e resgatou a polêmica, só que de maneira aumentada. O que era uma brincadeira foi interpretado como algo sério”.
A história envolvia composições deles. Lenço no Pescoço, de Wilson, falava dos malandros da época. Noel teria respondido com uma outra música acusando Wilson de ser folgado. “A partir daí, passaram a se atacar por meio de sambas”, explica o pesquisador. “Na época, não teve a menor importância, mas foi no programa do radialista Almirante, nos anos 50, que a polêmica retornou, 20 anos depois”. Segundo Alzuguir, o sambista também era acusado de não trabalhar. “É uma incoerência dizer que uma pessoa que dedicou a vida à música nunca trabalhou. Ele foi um dos que mais compôs nesse período, foram quase 700 músicas. Mas na época, ser compositor não era um trabalho e sim um hobby.”
O pesquisador conta que decidiu pesquisar Batista porque sempre foi um apaixonado pela música brasileira do início do século 20. “A minha ideia era escrever uma biografia. Já tenho bastante material para isso. Mas o projeto musical acabou vindo antes”, diz.
A reinvenção de Paul McCartney
Por: Felipe Branco Cruz
Fonte: Jornal da Tarde
Aos 68 anos, Paul McCartney continua dando o que falar. Está noivo da empresária nova-iorquina Nancy Shevell, de 51 anos, e frequentemente tem dito que pretende lançar novos discos. Com um legado incontestável, é alvo de inúmeras biografias. Por isso, a pergunta que se faz é: o que um novo livro poderia acrescentar à história do músico, principalmente com sua veemente recusa em colaborar com a obra?
Quem responde é o jornalista americano Peter Ames Carlin, autor de Paul McCartney – Uma Vida, lançado recentemente no Brasil. “Paul nunca fala para biógrafos, com a única exceção de Barry Miles, que é amigo dele desde os anos 1960 e lançou a obra Many Years From Now”, explica. “Cada biógrafo tenta focar uma parte específica da complexidade que é o personagem. Na minha, explorei como ele se reinventou após o fim dos Beatles, renegando seu passado. Agora, no século 21, de como ele se tornou o embaixador dos Beatles para os mais jovens.”
O autor inicia o livro com a descrição de um show que Paul fez em Liverpool, sua cidade natal, no dia em que fez 66 anos. A partir dessa apresentação, Carlin conta sobre os ancestrais do músico, descendentes de irlandeses que imigraram para a cidade para trabalhar.
Apesar de não ter entrevistado Paul, Carlin acompanhou durante quase dois anos os passos do músico e baseou sua pesquisa em documentos da época, além de entrevistas com pessoas próximas do ex-Beatle, como os músicos do Wings. Mas nem todo esse levantamento impediu que a obra fosse criticada por não ter novas informações. “Acho que o coração deste livro captura seu amadurecimento e as raízes de sua criatividade”, diz.
As 400 páginas da obra, no entanto, não se aprofundam na história de Paul. Trata-se de um livro para quem ainda não conhece a trajetória do músico e funciona como uma excelente porta de entrada para aqueles que querem conhecer melhor a biografia do artista. “A vida de Paul se torna muito mais excitante depois do fim dos Beatles. Imagine alguém aos 27 anos, que pertenceu a uma das maiores bandas do mundo, ter de se reinventar?”
Dicotomia criativa
Na obra, o autor afirma ainda que a parceria com John Lennon promoveu uma dicotomia capaz de fazer aflorar a criatividade de ambos. Mesmo depois da morte de John, Paul teve de lidar com o mito e a sombra do amigo. A influência da mãe de Paul na vida do músico também é tratada pelo autor, já que ela morreu quando ele tinha apenas 14 anos. Aliás, foi a morte da mãe de Lennon, alguns anos depois, que ajudou a dupla a ficar ainda mais próxima. “A morte dela inspirou uma profunda paixão pelo seu trabalho”, analisa o escritor americano.
O livro termina com os desdobramentos da batalha judicial que Paul enfrentou, em 2008, para se separar de sua ex-mulher Heather Mills, que ganhou o direito a receber 24 milhões de libras com o fim do casamento. A nova namorada de Paul, e agora noiva, Nancy Shevell, também é citada, mas de forma bem superficial.
Carlin não é nenhum novato no ramo das biografias. É de sua autoria também Catch a Wave, sobre a história de Brian Wilson, dos Beach Boys. E há dois anos ele trabalha na biografia de Bruce Springsteen, prevista pera ser publicada em 2012. Paul McCartney – Uma Vida mereceu pelo menos um elogio que vale ser salientado, feito por Bob Spitz, autor de uma das mais importantes biografias dos FabFour, The Beatles: “Carlin faz um retrato franco e revelador por trás do mito de Paul McCartney.”A declaração é parte do texto que está na contracapa.
‘Como concorrer com os Beatles?’
Peter Carlin tentou entrevistar Paul McCartney, mas ele não quis conversa. O autor foi atrás de outras fontes e escreveu uma biografia focada na carreira do músico após o fim dos Beatles.
O que esta biografia tem de diferente em relação a outras sobre Paul McCartney?
Tem novas perspectivas até então desconhecidas (ou pouco conhecidas), além de histórias e insights sobre a vida de Paul. É o primeiro livro que trata de sua carreira solo com o mesmo cuidado e respeito que foi feito com os Beatles.
Por que você não entrevistou Paul para escrever o livro?
Tentei, mas a posição dele é definitiva. Ele não fala com biógrafos, a não ser que tenha algum contrato com eles, como fez com Barry Miles, autor de Many Years from Now e amigo de longa data.
Se Paul McCartney lhe desse 20 minutos para um rápido bate-papo, que perguntas você faria?
Perguntaria sobre sua relação com a música: como ele se sente quando ouve uma canção que realmente o comove, como se sente quando está imerso em seu processo criativo.
Como é escrever sobre uma pessoa viva e produtiva?
Espero que o livro fique desatualizado e que Paul continue a trabalhar, criar e construir mais coisas. A vida continua e o homem trabalha, trabalha, trabalha. Mesmo assim, a essência do livro capta seu crescimento e as raízes de sua criatividade.
Você acredita que a maior dificuldade de Paul é competir com o seu próprio legado?
Claro que sim. Como alguém poderia tentar concorrer com os Beatles? Só porque você foi um deles – um dos dois membros-chave, na verdade – a coisa não fica mais fácil. Imagine acordar aos 27 anos e perceber que você já fez o trabalho mais importante de sua vida? Que você mudou o mundo de duas ou três maneiras distintas e não importa o que você faça, será sempre comparado com o que você fez quando era jovem? Isso é difícil.
O que podemos esperar de Paul McCartney nos próximos anos?
Mais do mesmo, suspeito. Mais músicas, álbuns, performances. O homem vive, respira e transpira música. É sua expressão de vida. Ele só vai parar quando seu coração parar de bater. E espero que isso demore muito tempo.
Um Show que vai deixar saudades
Por: Felipe Branco Cruz
Rio de Janeiro
O público carioca encantou Paul McCartney nos dois shows que o ex-beatle fez no Rio de Janeiro anteontem e domingo. Tanto é que ele escreveu uma carta aberta agradecendo à plateia pelo carinho (leia ao lado). “De repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho”, escreveu. Ele se referia à apresentação de domingo, quando a plateia, depois de ter combinado pela internet, levantou vários cartazes com os dizeres “na na”, do refrão de Hey Jude.
No segundo dia, Paul trocou cinco das 22 canções exibidas em cada show. Ele abriu a apresentação com Magical Mistery Tour, diferente de domingo, quando começou com Hello, Goodbye. Depois tocou Coming Up, do álbum McCartney II, além de I Saw Her Standing Here, dos Beatles, que também não estavam no set de domingo. Ao contrário do atraso de 15 minutos do show de domingo, na segunda a apresentação começou exatamente às 21h30 e acabou à 0h de terça-feira. O público foi o mesmo da noite anterior, de 45 mil pessoas.
Aos cariocas, Paul ensaiou frases em português que agradaram em cheio. “Já falo português carioca”, disse. Depois ele apontou para si mesmo, bateu no peito e afirmou: “Carioca, carioca!”.
O repertório contou ainda com uma série de tirar o fôlego, que in cluía sucessos dos Beatles e da carreira, como All my Loving, Got to Get Into my Life, Long and Winding Road, Blackbird, Something, Eleanor Rigby, Paperback Writer, A Day in the life e Live and Let Die.
Abraços e autógrafos
No final do show, as jovens Laura, Carolina, Julia e Mariana subiram ao palco para abraçar o ídolo e ganharem autógrafos. “Elas precisavam de um abraço”, disse Paul quando elas desceram. Mais cedo, durante a passagem de som, por volta das 15h, três fãs também tiveram contato com Paul. Para a fluminense Raphaela Giffoni, de 28 anos, o ex-beatle cantou Happy Birthday, em homenagem ao aniversário da jovem. “Foi emocionante. Não tenho nem palavras”, disse. “Muita gente queria estar no meu lugar. Eu estava com um cartaz escrito em inglês pedindo um abraço de aniversário”, disse. Raphaela também assistiu aos shows de Porto Alegre e São Paulo, no ano passado. A argentina Micaella recebeu um autógrafo na barriga, e a ex-editora executiva do JT, Lúcia Camargo Nunes ganhou um autógrafo no braço. As duas disseram que irão tatuar a assinatura do ídolo. Mais cedo, o ex-beatle tinha velejado pela baía de Guanabara, num dia de muito sol. Logo depois do show, ele foi direto para o Aeroporto Internacional Tom Jobim. Uma passagem pelo Brasil para deixar o público e também Paul McCartney com saudades.
Leia abaixo na íntegra o texto escrito por Paul McCartney sobre os shows no Rio de Janeiro
“Estar no Rio foi fantástico desde o minuto que pousamos. A multidão em volta do hotel era “bananas” (maluca). Eles eram loucos e a atmosfera foi crescendo até fazermos os shows. Eu amo o Brasil. Eu amo o fato que eles amam música, é uma nação muito musical. Eu se eu amo música e eles amam música, então é uma conexão natural. Fãs de todas as idades estavam nos shows. Tinha um enorme grupo de fãs jovens, que eu amo, e também tinha seus pais e até seus avós. Então era uma enorme variação de idade. O entusiasmo pela minha música era simplesmente sensacional. Todos nós da banda curtimos esse momento maravilhoso e nós agradecemos aos fãs por tornarem tudo tão excitante.
Quando tocamos “Hey Jude” e pedi a plateia para cantar “na na na na’s”, de repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho. Ele poderiam ter apenas vindo ao show e assistido, mas eles se falaram antes para criar este momento tão especial. Ele se conectaram uns com os outros, depois conectaram-se conosco e com a equipe inteira. Todos se sentiram unidos. Foi muito excitante e emocionante ver que as pessoas se importam tanto.”
Paul McCartney
Confira o setlist do show de segunda-feira:
1) Magical Mistery Tour
2) Jet
3) All my Loving
4) Coming Up
5) Got to Get You Into my Life
6) Sing the Changes
7) Let me Roll It
8) Long and Winding Road
9) 1985
10) Let me In
12) And I Love Her
13) Blackbird
14) Here Today
15) Dance Tonight
16) Mrs Vandebilt
17) Eleanor Rigby
18) Something
19) Band on the run
20) Ob-la-di, Ob-la-da
21) Back in the USSR
22) I’ve Got a Feeling
23) Paperback Writer
24) A Day in Life/ Give Peace a Chance
25) Let It Be
26) Live and Let Die
27) Hey Jude
Bis 1
28) Day Tripper
29) Lady Madonna
30) I Saw Her Standing There
Bis 2
31) Yesterday
32) Helter Skelter
33) Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
34) The End
Paul McCartney empolga o Rio de Janeiro
FELIPE BRANCO CRUZ
Rio de Janeiro
Inaugurado em 2007, o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, no Rio de Janeiro, passou anteontem pelo primeiro grande teste como sendo palco para grandes shows. Até então, o estádio só tinha sido utilizado para jogos de futebol. E a estreia não poderia ser com um convidado melhor: o ex-Beatle Paul McCartney. A apresentação foi assistida por cerca de 45 mil pessoas. O show marcou também o retorno de Paul McCartney ao Rio, 21 anos depois de ele ter cantado no Maracanã, para 184 mil pessoas. Ontem, Paul fez um show extra no Engenhão, que, diferentemente do Morumbi, se mostrou um local de fácil acesso, com uma estação de trem em frente ao estádio. O ponto negativo do Engenhão foi sua péssima acústica, já que o espaço não foi projetado para ser palco de shows.
Mas, assim como nos shows que o ex-Beatle fez no ano passado em Porto Alegre e São Paulo, sua apresentação foi impecável, com 2 horas e 35 minutos de duração e repleta de sucessos. O público retribuiu o carinho de Paul, soltando bolas coloridas durante o refrão de Give Peace a Chance e levantando cartazes com “na-na-na”, durante o refrão de Hey Jude, deixando o cantor visivelmente surpreso. “Isso foi incrível”, ele disse, no palco. O show foi aberto com Hello Good Bye, um clássico dos Beatles. Simpático, Paul falou em português: “E aí cariocas! Boa noite Brasil!”. E disse: “Hoje, vou tentar falar em português. Mas vou falar mais em inglês”. Durante a apresentação, ele fez homenagens aos ex-colegas de banda. Para John Lennon, cantou Here Today. Para George Harrison, McCartney escolheu Something.
O show foi intercalado com momentos em que cantava canções mais lentas, como Yesterday e Hey Jude, com outras mais agitadas, como Helter Skelter e Live and Let Die. Paul deixou de fora a canção My Love, que ele cantou nos shows do ano passado. A explicação é que agora o músico está noivo de Nancy Shevell, 51 anos, e pode não pegar bem cantar uma canção que ele sempre dedicava à ex-mulher, Linda, que morreu de câncer. Tanto Paul quanto o público foram impecáveis anteontem. No ano passado, o cantor declarou que a apresentação de São Paulo tinha sido a melhor da turnê. Mas após os shows no Rio e do esforço da plateia para agradar ao ex-Beatle, vai ficar difícil decidir onde ele se sentiu mais querido.
Confira o set-list do show de domingo:
1 – Hello, Goodbye
2 – Jet
3 – All My Loving
4 – Letting Go
5 – Drive My Car
6 – Sing The Changes (The fireman song)
7 – Let Me Roll It
8 – The Long and Winding Road
9 – 1985
10 – Let’em In
11 – I’ve Just Seen a Face
12 – And I Love Her
13 – Blackbird
14 – Here Today
15 – Dance Tonight
16 – Mrs. Vandebilt
17 – Eleanor Rigby
18 – Something
19 – Band on The Run
20 – Ob-la-di, Ob-la-da
21 – Back in The USSR
22 – I’ve Got a Feeling
23 – Paperback Writer
24 – A Day in Life/ Give Peace a Chance
25 – Let it Be
26 – Live and Let Die
27 – Hey Jude
Bis 1
28 – Day Tripper
29 – Lady Madonna
30 – Get Back
Bis 2
31 – Yesterday
32 – Helter skelter
33 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
34 – The End
Slash com rock na veia
Por: Felipe Branco Cruz
Do Rio de Janeiro
Slash povoa o imaginário de qualquer garoto que, nas décadas 1980 e 1990, sonhou em ser um rockstar. Ao lado de seu ex-parceiro, Axl Rose, no Guns N’ Roses, a dupla personificava o estereótipo de ídolo do rock com atitudes desafiadoras, abuso de drogas e um visual realmente marcante. Esse visual era caracterizado pelos shorts e calças apertadas de Axl e pelas roupas rasgadas e uma indefectível cartola apoiada sobre a vasta cabeleira de Slash.
E foi assim, com duas horas de atraso, mas sem deixar sua cartola de lado (a mesma que ele usou no Rock in Rio 2, de 1991), que Slash entrou, ontem, às 16 horas, numa sala do hotel Sheraton, no bairro carioca do Leblon, para falar à imprensa de sua turnê pelo Brasil e do lançamento de seu primeiro disco solo, batizado simplesmente de Slash. Ontem, ele faria show no Rio de Janeiro; hoje, se apresenta no HSBC Brasil, em São Paulo, e amanhã segue para Curitiba, para show no Master Hall.
O artista vestia uma camiseta com a estampa do Mickey e da Minnie e usava óculos escuros. Mostrava-se descontraído, sorridente e o primeiro tema levantado foi o Brasil.
“Um dos momentos mais marcantes que tive foi durante o Rock in Rio 2. Tocamos para muitas pessoas. Foi inesquecível. Foi a primeira vez que viemos para a América do Sul. Depois do Rock in Rio, eu vi que o público brasileiro é incrível”, disse o guitarrista, que na época integrava o Guns N’ Roses.
Slash também contou que quando esteve por aqui, em 1991 e em 2007, foi procurar cobras em locais como a floresta da Tijuca, no Rio. O guitarrista é fanático por esses animais, tanto que diz ter ficado muito chateado quando soube do incêndio ocorrido no Instituto Butantã, em São Paulo, em maio de 2010, que resultou na destruição de uma coleção com mais de 80 mil cobras. Ele comentou também que saltou de paraquedas na cidade e achou a paisagem incrível. Da música brasileira, citou apenas o Sepultura. “Não conheço muito mais”.
Investida solo
O álbum chega ao mercado depois de uma saga de 23 anos do guitarrista que, durante esse período, atuou em bandas como o Guns N’ Roses, Slash’s Snakepit e Velvet Revolver. O disco conta com a participação especial de músicos como Ozzy Osbourne, Fergie, Ian Astbury, Chris Cornell e Dave Grohl.
No show de hoje, ele será acompanhado no vocal por Myles Kennedy, da banda Alter Bridge, e terá como apoio os músicos Todd Kerns (baixo), Brent Fitz (bateria) e Bobby Schneck (guitarra base).”Acho que Myles Kennedy incrível. Ele é um dos únicos que achei que poderia cantar todas as músicas que gravei no disco”, diz.
Se Slash seguir o repertório do show que ele fez na última segunda-feira, em Santiago, no Chile, os fãs do Guns N’ Roses podem esperar por grandes sucessos (veja o box) como Nightrain, Rocket Queen, Civil War, e clássicos como Sweet Child O’ Mine, Patience e Paradise City. O guitarrista deverá tocar também músicas de suas outras bandas como Mean Bone, do Slash’s Snakepi, e Slither, do Velvet Revolver.
Brigas e drogas
Slash, que neste ano disse à imprensa americana que voltaria ao Guns caso Axl Rose lhe pedisse desculpas, não tocou no assunto da briga. Antes da entrevista, os repórteres foram avisados que ele se recusaria a falar sobre o tema.
Slash deixou o grupo em 1996 e até hoje não tem uma relação amigável com Axl. Duff McKagan e Matt Sorum, também ex-Guns, continuam amigos de Slash. Os dois também são integrantes da banda Velvet Revolver, que Slash formou depois do Guns. A banda, no entanto, está parada, já que o vocalista Scott Weiland deixou o grupo para voltar a cantar com o Stone Temple Pilots.
Os tempos de loucura, segundo o guitarrista, também ficaram para trás. Hoje ele afirma que está completamente limpo. “Conheço bem os efeitos das drogas. Sei exatamente o que elas fazem com a gente”. Slash atualmente usa um marcapasso por causa do abuso de drogas no passado. “Minha onda agora é apenas o rock”.




























