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O cinema autoral de John Cassavetes

Por Felipe Branco Cruz

O cineasta americano John Cassavetes (1929-1989) será homenageado pela Cinemateca com uma mostra que tem início hoje e reúne seus cinco principais filmes lançados no Brasil. O diretor é conhecido como o pai do cinema independente americano, filmando com orçamentos reduzidos, e sempre com a mesma equipe de técnicos e atores. Pelo seu trabalho, Cassavetes, que também atuava, foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original, em 1968, por Faces, e de melhor diretor e melhor ator coadjuvante, em 1974, por Uma Mulher Sob Influência.

A mostra será aberta hoje, às 18h30, com a exibição de Sombras. O longa voltará a ser exibido na quinta-feira, às 20h30, e no sábado, às 21h. Será seguido, hoje, às 20h30, por Faces, que terá reexibições na sexta-feira, às 18h, e no domingo, às 14h30. Amanhã, às 17h30, será a vez de Uma Mulher Sob Influência, com reapresentações na sexta-feira, às 20h30, e no domingo, às 17h. Já na quarta-feira, às 20h30, a programação traz o longa A Morte de um Bookmaker Chinês, que poderá ser (re)visto no domingo, à 0h. O último a ser projetado será Noite de Estreia, na quinta-feira, às 18h, com reexibição no sábado, também às 18h.

Um dos destaques do ciclo, Sombras (1959) foi o primeiro filme do diretor. Mostra a história de uma mulher negra que se apaixona por um homem branco e tem de enfrentar o preconceito nos EUA. A atriz Gena Rowlands, que foi casada com Cassavetes, está no elenco de Faces, Uma Mulher Sob Influência e Noite de Estreia. Os três títulos são considerados obras-primas do cinema. Ben Gazzara, que morreu no dia 3 de fevereiro deste ano, é a estrela de A Morte de um Bookmaker Chinês, sobre um homem viciado em jogo e com dívidas com a máfia.

O paredão de Roger Waters

Por Felipe Branco Cruz

Nenhuma palavra, foto ou vídeo darão conta de explicar o show de Roger Waters, anteontem, no Estádio do Morumbi, para mais de 70 mil pessoas. O espetáculo audiovisual repleto de efeitos especiais será repetido hoje, às 21h, para um público menor, de 50 mil. Se você quiser ver o show, ainda dá tempo. Há poucos ingressos, mas para todos os setores. Esta será a última apresentação do baixista e ex-integrante do Pink Floyd no Brasil. Na semana passada, ele se apresentou em Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro.

Com apenas 15 minutos de atraso, o roqueiro surgiu no palco em meio a mil tiros de fogos de artifício e ao som da canção In The Flesh?, que abre o álbum The Wall, de 1979. O público, boquiaberto, ainda se recuperava do baque quando um avião sobrevoou a plateia para chocar-se contra parte do muro, levando as pessoas ao delírio. Tudo isso, potencializado por um sistema de som surround que dava a impressão real de que helicópteros, choros de crianças, explosões de bombas ou barulhos de tiros aconteciam em meio ao espetáculo.

Aos 68 anos, o roqueiro ergueu ao vivo um paredão, de 137 metros de largura por 11 de altura, para depois destruí-lo numa performática apresentação que celebra os 30 anos do disco The Wall. O show, aliás, conta apenas com as canções do álbum homônimo. Por isso, àqueles que gostam mais de Dark Side of The Moon, por exemplo, vale lembrar que Waters não vai além no repertório da banda – o que quer dizer, em resumo, que os fãs ficarão sem clássicos da carreira do Pink Floyd, como Time ou Money.

De The Wall, a canção mais conhecida do público, Another Brick in the Wall Part 2, teve acompanhamento do coro de crianças do Instituto Baccarelli e, a quarta a ser executada, foi também a que mais empolgou o público. Um boneco de dez metros de altura desafiava as crianças enquanto elas cantavam. “Olá São Paulo, estou muito feliz por estar aqui”, apresentou-se Waters.

Assim como nos shows anteriores no País, o músico homenageou o brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica no metrô de Londres em 2005. “Gostaria de dedicar este concerto a Jean Charles de Menezes, sua família e sua luta por verdade e justiça; e também a todas as vítimas do terrorismo de Estado em todo o mundo. Quando escrevi esse show, tinha apenas 35 anos”, disse, em um português claro. “Achava que era sobre mim. Não é sobre mim, mas sobre Jean e todos nós”, encerrou, em inglês. O mesmo discurso foi feito no Rio de Janeiro.

Dentre as mensagens passadas por Waters, duras críticas contra o terrorismo, capitalismo, imperialismo entre outros “ismos”. Símbolos do McDonald’s, da Shell e de outras multinacionais se misturavam a estrelas de Davi, crucifixos e outros símbolos, projetados no telão enquanto Waters desfiava solos no baixo. O show, de 2h30 de duração, teve ainda Mother, Hey You, Comfortably Numb e Run Like Hell.

O tradicional porco gigante que Waters solta na plateia veio com mensagens em português: “O novo código florestal vai matar o Brasil” e “Brasil é um país laico”. A apresentação foi encerrada às 22h, e a imensa muralha foi demolida ao som de Outside The Wall.

Deixando para trás qualquer ausência de hits, o que Waters fez no domingo e fará hoje se assemelha a uma ópera, lembra uma performance teatral. Transcende o conceito de um simples show.

Toda a verdade da Tropicália

Por Felipe Branco Cruz

Um dos maiores documentaristas do Brasil, Eduardo Coutinho será homenageado na 17ª edição do festival É Tudo Verdade, que começa amanhã e vai até o dia 1º de abril. Sete filmes e dois debates com a participação do cineasta estão na programação, incluindo após a exibição do clássico Cabra Marcado Para Morrer, de 1984 (leia mais abaixo). O evento será aberto amanhã, somente para convidados, com a exibição de Tropicália, de Marcelo Machado, que explora o movimento cultural desencadeado no final da década de 60 por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Os Mutantes. Para o público em geral, o longa será reexibido às 21h, na sexta-feira, no CineSesc. Todas as sessões do festival são gratuitas. Além do CineSesc (Rua Augusta, 2.075), o evento também ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112), Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207) e MIS (Av. Europa, 158).

“O documentário histórico cultural marca a história do cinema documental brasileiro. Estamos descobrindo novas narrativas para contar essas histórias”, diz o criador do festival Amir Labaki. De fato, Tropicália foi feito de uma forma totalmente nova para os padrões documentais nacionais. Não há praticamente nenhuma cena em que os entrevistados aparecem. Ouve-se apenas as vozes dos envolvidos enquanto imagens psicodélicas explodem na tela a todo instante. Há ainda um vasto arquivo de filmes de época dos tropicalistas nos festivais da Record, fazendo participações em TVs estrangeiras e em seus shows. Destaque para uma rara cena de 1970 de Gilberto Gil e Caetano Veloso, no festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, durante o exílio da dupla.

O festival acontecerá simultaneamente no Rio de Janeiro. Amanhã, o filme que abrirá a mostra na capital carioca será Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, dirigido por Pedro Bial e Heitor D’Alincourt. Entre 10 e 15 de abril, o É Tudo Verdade voltará a ser exibido em Brasília e, em maio, pela primeira vez em Belo Horizonte. “Temos ótimos documentaristas mineiros. Será uma boa oportunidade de levarmos o festival para lá”, afirma Labaki.

Por aqui, ao todo, serão exibidos 80 filmes, sendo que 25 deles terão estreia mundial no festival. Os longas são originários de 27 países. A Argentina será representada pelo cineasta Andrés Di Tella que, assim como Coutinho, também ganhou uma retrospectiva. A mostra especial apresentará seis longas, um curta e um média-metragem de Andrés. Entre eles, o inédito Golpes de Machado, que conta a história do cineasta experimental Claudio Caldini.

Da programação, destacam-se também títulos que repercutiram no exterior, como é o caso do ganhador do Oscar de curta-metragem deste ano, Saving Face, do diretor paquistanês Sharmeen Obaid-Chinoy. O curta conta a história do cirurgião plástico Dr. Mohammad Jawad, que reconstrói o rosto de mulheres que sofreram ataques com ácido. Outros dois títulos que valem atenção são China Peso-Pesado, de Yung Chang, e O Beijo de Putin, de Lise Birk Pedersen. Ambos foram projetados no festival de Sundance, sendo que o segundo levou o prêmio de melhor fotografia. Em China Peso-Pesado, o diretor acompanha adolescentes do interior do país que são recrutados para serem atletas olímpicos.

Ainda no festival, será realizada a competição brasileira de longas e médias-metragens, que apresentará sete filmes inéditos. O vencedor ganhará R$ 110 mil e o troféu CPFL Energia, criado por Carlito Carvalhosa. Na competição de curta-metragens, o ganhador levará R$ 10 mil e também um troféu.

Festival presta homenagem a Eduardo Coutinho
Produzido em 1962, o documentário Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho, teve de ser interrompido após o golpe de 1964. Só em 82 voltou a ser rodado, com os mesmos técnicos, locais e personagens de antes. Em 84, foi finalmente lançado. O longa é hoje considerado um dos clássicos do cinema documentário brasileiro e conta a história de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba assassinado em 1962.

Na época, os policiais da ditadura interromperam as filmagens e prenderam parte da equipe, acusando-os de comunismo. O longa original está sendo restaurado pela Cinemateca, mas uma outra cópia, não restaurada, estará na programação do É Tudo Verdade, dentro da retrospectiva Coutinho: O Caminho até Cabra, que homenageará o documentarista.

Dentro da retrospectiva, serão exibidos ainda os filmes Coutinho Repórter, Crônica de um Verão, Exu, Uma Tragédia Sertaneja, O Pistoleiro da Serra Talhada, Seis Dias de Ouricuri e Theodorico – O Imperador do Sertão.

A volta de Max Cavalera

Por Felipe Branco Cruz

Com ajuda dos fãs, o Soulfly, liderado pelo ex-vocalista do Sepultura Max Cavalera, volta ao Brasil para divulgar seu novo disco, Enslaved, o oitavo da banda fundada há 15 anos. Ontem, o grupo se apresentou em Goiânia e hoje é a vez de São Paulo, no Via Marquês. No domingo, sobe ao palco do Circo Voador, no Rio. Os fãs, por meio de financiamento coletivo, compraram cotas de patrocínio que bancaram a turnê nacional.

“Achei super legal o movimento deles, principalmente, porque faz 12 anos desde a última vez que nos apresentamos no Brasil”, diz Max, que conversou com o JT por telefone, de sua casa em Phoenix, nos EUA. “Tocamos em lugares muito ocultos da China e Sibéria, e nada de voltar para o Brasil.” A apresentação na capital paulista terá sabor especial para o vocalista e guitarrista. “O Iggor (seu irmão, ex-baterista do Sepultura) vai participar do show e meu filho Zyon, de 18 anos, também”, contou ele.

Na última semana, Max foi diagnosticado com paralisia em um nervo facial. A doença, de causa desconhecida, deixou metade do rosto do vocalista sem movimento. A assessoria de imprensa do grupo informou que Max está bem e sendo tratado com antibióticos. O vocalista se recupera bem e o show desta noite está confirmado. A última apresentação que o Soulfly fez aqui no Brasil foi no festival Abril Pro Rock, em 2000. O músico, no entanto, já se apresentou no País com sua outra banda, o Cavalera Conspiracy, junto com Iggor, abrindo o show do Iron Maiden no estádio do Morumbi, no início do ano passado, e também no festival SWU de 2010.

No repertório da apresentação, estarão sucessos de todos os oito discos do Soulfly, além de músicas do Cavalera Conspiracy e do Sepultura até o disco Roots, de 1996. “Vai ser um show tipo Greatest Hits”, diz Max.

A participação do filho Zyon não será inédita. Max conta que já chegou a cogitar integrar o garoto à banda. “Ele é um bom baterista, mas o David Kinkade (baterista oficial do grupo) tem uma pegada mais death metal”, explica. A ligação do adolescente com a carreira do pai é longa. Quando ele ainda estava na barriga da mãe, as batidas do coração de Zyon foram usadas na abertura de Chaos A.D., álbum do Sepultura, lançado em 1993.

Naturalizado americano, Max se atualiza sobre as notícias daqui por meio do irmão Iggor. “Sei que o Palmeiras está uma merda”, diz. Mas a distância parece deixá-lo imune aos fenômenos da música sertaneja pop. Quando questionado sobre o fenômeno Michel Teló, sensação das rádios e dos programas de TV, ele pergunta, curioso: “Que tipo de música ele faz?”.

Sem previsão de voltar a morar no Brasil, o músico planeja temporadas por aqui no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro – lá nasceu o disco Beneath the Remains, do Sepultura, em 1989. “Esse álbum nos lançou internacionalmente”, lembra. “De dia, uma banda pop gravava. Depois, gravávamos madrugada adentro.” Outra alternativa para passar mais tempo no Brasil, diz Max, é fazer nova turnê, desta vez por cidades como Belo Horizonte, Manaus, Recife, Natal e Porto Alegre. “O show em São Paulo é só o começo do meu reencontro com o Brasil.”

O vocalista adiantou detalhes da autobiografia A Boy From Brazil, que está preparando. “Vou falar da morte do meu pai, do começo do Sepultura e de tudo que rolou depois”, conta. A obra terá prefácio assinado por Dave Grohl, do Foo Fighters, além de entrevistas com Ozzy Osbourne, Slayer e Sean Lennon (filho de John Lennon), além do próprio Grohl. Andreas Kisser, atual guitarrista do Sepultura, porém, não está nesse rol. Da ex-banda, os únicos entrevistados serão Jairo Guedes (primeiro guitarrista do grupo) e o irmão Iggor. “Não tenho contato com Andreas. Mas não é nada contra a banda. Não existe guerra. Já passou muito tempo”, diz ele. “Ainda tenho a esperança de um retorno da formação original. Mas, por enquanto, não existe nenhuma conversa.”

A voz gutural que é reconhecida em todo o mundo
Assim que deixou o Sepultura, em 1997, após desentendimentos com os integrantes da banda, inclusive com seu irmão Iggor, Max fundou o Soulfly nos Estados Unidos. Logo em seguida, a banda recebeu críticas elogiosas ao novo som, uma mescla daquilo que Max vinha desenvolvendo no Sepultura, com elementos que remetiam

a um heavy metal mais tribal, world music e música brasileira, tendo como influência bandas como Nação Zumbi, e as gringas Deftones e Limp Bizkit. O som do Soulfly, no entanto, não tem nada a ver com essas bandas. Ele está muito mais próximo do death metal do que qualquer outra coisa.

O último álbum da banda, Enslaved, que Max está promovendo no Brasil, foi lançado neste ano e segue a linha tribal, da qual a banda se afastou um pouco nos últimos discos.

Se no Brasil Max Cavalera é pouco conhecido fora do âmbito dos fãs, no exterior, sua voz gutural ecoa com mais força e ele é considerado um dos grandes nomes do heavy metal mundial.

Na batida do New Order

Por Felipe Branco Cruz

O New Order, fundado em 1980 a partir dos três integrantes remanescentes do Joy Division, será a atração principal do Ultra Music Festival, que ocorre neste sábado, a partir das 16h, no Sambódromo do Anhembi. O New Order ajudou a ditar os rumos da música eletrônica nos anos 80, com hits como Bizarre Love Triangle, Temptation, Blue Monday, Ceremony e The Perfect Kiss. Após um desentendimento com o baixista Peter Hook, que deixou a banda há quatro anos, o grupo seguiu excursionando. Atualmente, Hook está em carreira solo, fazendo shows com músicas de sua antiga banda, o Joy Division. Hook, inclusive, se apresentou no Brasil em maio deste ano. Agora é a vez do New Order fazer festa para o público brasileiro.

Ao JT, por telefone, o baterista e tecladista Stephen Morris disse que os hits da banda serão o carro-chefe do show, mas não quis entrar em detalhes (leia entrevista abaixo). Certamente, Bizarre Love Triangle, Ceremony e Temptation estarão no repertório. Apesar da aparente cortesia com que os integrantes do New Order tratam publicamente Peter Hook, o mesmo não pode ser dito sobre ele. O baixista vem fazendo seguidas agressões verbais aos ex-colegas. Recentemente, chegou a dizer que eram todos “uns imbecis” e que o New Order, sem ele, seria uma espécie de Queen sem Freddie Mercury.

Além do New Order, que se apresenta às 21h30, atrações como Laidback Luke, Major Lazer, MSTRKRFT, Swedish House Mafia, Duck Sauce e 2 Many DJs, entre outros, se intercalarão em dois ambientes. O festival vem para substituir o Skol Beats, que era realizado pela mesma produtora, a XYZ Live. Ao todo serão 23 atrações nacionais e internacionais em 14 horas seguidas de música em cada um dos palcos.

Dentre os destaques da programação está a dupla Major Lazer, formada pelos DJs Diplo e Switch. Eles se apresentam à 1h30, no palco Arena. O som deles é uma mistura de reggae e outros ritmos caribenhos com funk e drum n’ bass. Vale a pena também aguardar até as 2h40 da madrugada para ver o MSTRKRFT (lê-se Masterkraft) no Palco Arena. A dupla canadense formada em 2005 já tocou com Usher e The Gossip.

O festival é realizado anualmente em Miami desde 2000, assim como em Nova York, Ibiza e Caribe. A meta, agora, é piscar as luzes do electropop por aqui com mais frequência e integrar o calendário oficial dos eventos de São Paulo.

Entrevista com Stephen Morris

‘Quero voltar a tocar Joy Division’

O baterista e tecladista Stephen Morris, de 54 anos, começou a carreira com o Joy Division, icônico grupo pós-punk. Quando a banda acabou, após a morte de Ian Curtis, junto com os remanescentes Peter Hook e Bernard Summer, ele fundou o New Order. Além da bateria tradicional, Morris incluiu ao som batidas computadorizadas. Por telefone, do Reino Unido, o músico conversou com o JT. E fez segredo sobre o show no Brasil. “Não temos o setlist definido”, disse. Mas destacou que trabalhou nas músicas antigas para deixá-las com novo frescor. Além disso, falou da relação com Hook e sua curiosa coleção de carros militares.

O New Order volta definitivamente ou é só uma turnê?
É uma boa questão. Se você não gosta de fazer algo, é melhor nem começar. Vamos ver o que vai dar.

A banda tem planos para compor novas músicas?
Talvez. É difícil. Gillian (Gilbert) e eu já sentamos para escrever. Queremos fazer coisas novas o mais rápido possível.

Vocês vieram ao Brasil em 2006. O que acharam do público?
Foi fantástico. A recepção do público brasileiro foi calorosa e inesquecível. A única coisa ruim foi o trânsito. Ficamos bastante tempo presos. É um trânsito que não acaba nunca. Chegamos a pensar que talvez fosse mais rápido ir andando. Até nos sugeriram alugar um helicóptero. Mas não fizemos isso.

Infelizmente, o trânsito não melhorou muito desde então.
Sério? Bom, então eu vou alugar uma bicicleta (risos).

Pelo fato de termos mais tecnologia hoje em dia, você acha que a música eletrônica tem mais influência nos jovens?
Música pop e tecnologia andam juntas, parceria antiga. Gostamos de sintetizadores. Acho que a música eletrônica hoje tem mais espaço, é algo grandioso. Mas é bom fazer música acústica também.

Você acha que o som do New Order é datado, muito anos 80?
Alguns discos que fizemos podem ser considerados, sim, o som dos anos 80. E isso é bom. Alguns dos sons que criamos, ninguém tinha usado antes. Para novos shows, passamos algum tempo adaptando nossas músicas antigas para que parecessem atuais hoje. Demos um novo frescor a elas.

Acredita que o público vai sentir falta de Peter Hook?
A banda sente falta dele. Obviamente, muitos fãs também vão. É assim que funciona. O que importa é que vamos nos divertir.

Alguma chance de ele voltar? Não no momento. Ele está ocupado com os projetos solos dele, do Joy Division.
Não tem vontade de tocar novamente músicas do Joy Division? Claro! São ótimas músicas. Eu tenho vontade, sim. Não desta vez, no Brasil. Mas quero voltar a tocá-las novamente.

Você também é ligado em assuntos militares. Tem até tem uma coleção de carros militares…
Sim! Eu tenho quatro veículos. Não são para andar nas ruas e não têm armas em funcionamento. Tenho um tanque com canhão, um caminhão de suprimentos, um caminhão blindado e um jipe.

Por que os comprou?
Eu me perguntei: o que aconteceu com os carros bacanas dos anos 40? Não se vê mais esse tipo de carro para vender, é mais fácil achar tanques. Então, pensei: ‘Que legal! Vou comprar um para mim’.

Onde você anda com eles?
São bons para andar em parques. Eles são lentos, não causam transtorno. Daria para andar no trânsito de São Paulo (risos).

Enquanto sua guitarra gentilmente chorar…

Por: Felipe Branco Cruz

Poucos merecem a alcunha de deus da guitarra. Eric Clapton, de 66 anos, é um desses. Hoje, às 21h, no estádio do Morumbi, o guitarrista inglês provará, sem precisar provar nada para ninguém, por que seu nome está marcado no panteão dos gênios do instrumento, ao lado de Jimi Hendrix (1942-1970), George Harrison (1943-2001) e Stevie Ray Vaughan (1954-1990). Os três, aliás, foram grandes amigos de Clapton.

Embora seja conhecido da grande maioria do público por seus sucessos pop, como Tears In Heaven, Change The World e Blue Eyes Blue, Clapton não deve apresentar nenhuma dessas músicas hoje. A praia do guitarrista sempre foi o blues e seu repertório deve se manter no gênero. O show, aliás, faz parte da turnê de divulgação de seu último álbum, Clapton (2010), só com blues.

No repertório, porém, o público poderá esperar por I Shot The Sheriff, de Bob Marley, Crossroads e Badge, do, Cream, além da obra-prima Layla, composta por Clapton na época em que integrava a banda Derek and the Dominos. Deste álbum, ele deve apresentar também Key to the Highway. E, é claro, Cocaine, sucesso de sua carreira solo.

Se o show de hoje for semelhante ao que fez na segunda-feira, no Rio de Janeiro, Clapton deverá passar boa parte do show sentado, levantando-se apenas em alguns momentos. E assim como no HSBC Arena, o estádio do Morumbi terá parte de seu gramado loteado com cadeiras, com uma parcela do público também assistindo ao show sentado.

O cenário deve ser simples, sem frescura, nem telões de alta definição ou efeitos especiais. Apenas Clapton e seu instrumento. O músico deve se dirigir ao público raramente. As palavras podem não passar de um “boa noite”. A linguagem virá da guitarra e do violão. E essa certamente todo mundo vai entender. Nada disso deverá esfriar o público, que provavelmente acompanhará o ídolo, imitando seus solos em guitarras imaginárias.

No show de hoje, Clapton será acompanhado dos músicos Steve Gadd (bateria), Willie Weeks (baixo), Chris Stanton (teclado), e das cantoras Michelle John e Sharon White. A apresentação será aberta por Gary Clark Junior, de 27 anos, que faz um som inspirado no próprio Clapton, com mistura de soul, blues e rock. Clark Junior está sendo considerado pela crítica internacional como um dos melhores guitarristas da nova geração, sendo chamado de “o salvador do blues”. A maneira como toca também já foi comparada a Hendrix e Vaughan. O jovem começou a tocar ainda criança, aos 12 anos, e já se apresentou com B. B. King, Buddy Guy, Steve Winwood, Sheryl Crow, Jeff Beck e ZZ Top.

Um passado trágico
A genialidade de Clapton veio acompanhada de mais de 20 anos marcados por percalços e tragédias em sua vida pessoal. Como conta em Eric Clapton, A Autobiografia (2007, Editora Planeta do Brasil), o guitarrista enfrentou graves problemas com álcool e drogas e brigas com os ex-integrantes de suas bandas em meados dos anos 70. Dentre as passagens funestas, está o assassinato da mãe do baterista Jim Gordon. Num surto psicótico, Gordon a atacou a marretadas.

Outro capítulo, já nos anos 90, narra o acidente de helicóptero que vitimou o guitarrista Steve Ray Vaughan, que estava em turnê com Clapton. Em 1991, Conor, filho de 4 anos do músico com a modelo Lori Del Santo, morreu após cair da janela de um prédio. Foi nessa época triste que Clapton comporia Tears in Heaven e Circus Left Town, que se tornariam clássicos (mas não serão tocadas hoje).

Talvez a mais trágica passagem na vida de Clapton tenha sido seu amor por Pattie Boyd-Harrison, mulher de seu melhor amigo, o guitarrista dos Beatles George Harrison. Clapton sofria por amar a mulher do amigo. No fim das contas, Pattie acabou se separando de Harrison para ficar com Clapton. Foi com Layla, aliás, que ele a teria conquistado. E amizade entre os dois, apesar disso, sobreviveu. A vida de Clapton só voltaria a entrar nos eixos a partir de 1993, quando lançou o MTV Unplugged. E, quando se casou, mais tarde, em 99, com Melia McEnery.

Clapton vai atrás do ídolo, o baiano João Gilberto
Assim como Eric Clapton, o baiano João Gilberto também é considerado um gênio de seu instrumento. A diferença é que Clapton é astro da guitarra, João é o mestre do violão. Com sua inconfundível batida, criou o característico ritmo da bossa nova. Em entrevista ao ‘Jornal da Globo’, Clapton declarou que, há cinco anos, ficou impressionado ao assistir, em Londres, João Gilberto tocando sozinho no palco. Clapton disse que tinha achado a apresentação “fantástica”. “Foi uma noite maravilhosa”, disse o músico inglês.

O próximo passo de Clapton é tocar com João Gilberto. Ainda não há nada confirmado, mas é provável que o guitarrista divida o palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 19 de novembro, com o músico baiano.

O show faz parte da turnê comemorativa dos 80 anos de vida e 50 de carreira do brasileiro.

Eric Clapton tem afirmado regularmente que admira João Gilberto. Tanto é que Clapton tem intermediado que a gravadora EMI negocie com João Gilberto o relançamento dos três primeiros discos, da década de 60, que ajudaram a criar a Bossa Nova. Os fonogramas são de propriedade da gravadora e João até hoje nunca conseguiu comprá-los de volta.

REPERTÓRIO:
Repertório do show que Eric Clapton fez no dia 10 de outubro, no HSBC Arena, no Rio de Janeiro. O músico costuma alterar a sequência das canções, retirar ou incluir outras não programadas. Por isso, esta pode não ser exatamente a lista de músicas que ele apresentará hoje em São Paulo:

Going Down Slow
Key To The Highway
Hoochie Coochie Man
Old Love
I Shot The Sheriff
Driftin
Nobody Knows You When You’re Down And Out
Lay Down Sally
When Somebody Thinks You’re Wonderful
Layla
Badge
Wonderful Tonight
Before You Accuse Me
Little Queens Of Spades
Cocaine
Crossroads

Paul McCartney leu minha minha matéria

Ontem a Lúcia Camargo me mandou uma foto por e-mail com um comentário: “O Macca leu sua matéria”. Mas, como assim?! O que aconteceu foi o seguinte, depois do show que ele fez no dia 21 de novembro eu escrevi a crítica do show que foi publicada no JT no dia 22 de novembro. Nesse mesmo dia saiu também duas outras matérias minhas. A primeira sobre o relançamento da discografia completa do John Lennon e a outra sobre o relançamento das coletâneas Vermelha e Branca, dos Beatles.

Clique na foto para vê-la ampliada

O pessoal da produção do Paul McCartney deixou na mesa dele, no dia seguinte, as edições do Jornal da Tarde e do Estadão com as críticas do dia. Paul adora divulgar os bastidores das turnês e divulgou a foto acima com o rascunho do que ele iria dizer no show do dia 22. Inclusive a frase “Chove Chuva”, que ele escreveu no papel como “Shove Shooova”. E lá, entre tantos papeis, estava o jornal.

Abaixo a reprodução das páginas do Jornal da Tarde do dia 22 de novembro, que estava na mesa dele
(Clique nas imagem para ver em tamanho maior):

Leia as reportagens:

Albuns “Vermelho” e “Azul” são relançados

Lennon Definitivo

Para entrar para a história

 

Slash com rock na veia

Por: Felipe Branco Cruz
Do Rio de Janeiro

Slash durante a coletiva (Foto: Felipe Branco Cruz)
Slash durante a coletiva (Foto: Felipe Branco Cruz)

Slash povoa o imaginário de qualquer garoto que, nas décadas 1980 e 1990, sonhou em ser um rockstar. Ao lado de seu ex-parceiro, Axl Rose, no Guns N’ Roses, a dupla personificava o estereótipo de ídolo do rock com atitudes desafiadoras, abuso de drogas e um visual realmente marcante. Esse visual era caracterizado pelos shorts e calças apertadas de Axl e pelas roupas rasgadas e uma indefectível cartola apoiada sobre a vasta cabeleira de Slash.

E foi assim, com duas horas de atraso, mas sem deixar sua cartola de lado (a mesma que ele usou no Rock in Rio 2, de 1991), que Slash entrou, ontem, às 16 horas, numa sala do hotel Sheraton, no bairro carioca do Leblon, para falar à imprensa de sua turnê pelo Brasil e do lançamento de seu primeiro disco solo, batizado simplesmente de Slash. Ontem, ele faria show no Rio de Janeiro; hoje, se apresenta no HSBC Brasil, em São Paulo, e amanhã segue para Curitiba, para show no Master Hall.

O artista vestia uma camiseta com a estampa do Mickey e da Minnie e usava óculos escuros. Mostrava-se descontraído, sorridente e o primeiro tema levantado foi o Brasil.

“Um dos momentos mais marcantes que tive foi durante o Rock in Rio 2. Tocamos para muitas pessoas. Foi inesquecível. Foi a primeira vez que viemos para a América do Sul. Depois do Rock in Rio, eu vi que o público brasileiro é incrível”, disse o guitarrista, que na época integrava o Guns N’ Roses.

Slash também contou que quando esteve por aqui, em 1991 e em 2007, foi procurar cobras em locais como a floresta da Tijuca, no Rio. O guitarrista é fanático por esses animais, tanto que diz ter ficado muito chateado quando soube do incêndio ocorrido no Instituto Butantã, em São Paulo, em maio de 2010, que resultou na destruição de uma coleção com mais de 80 mil cobras. Ele comentou também que saltou de paraquedas na cidade e achou a paisagem incrível. Da música brasileira, citou apenas o Sepultura. “Não conheço muito mais”.

Investida solo
O álbum chega ao mercado depois de uma saga de 23 anos do guitarrista que, durante esse período, atuou em bandas como o Guns N’ Roses, Slash’s Snakepit e Velvet Revolver. O disco conta com a participação especial de músicos como Ozzy Osbourne, Fergie, Ian Astbury, Chris Cornell e Dave Grohl.

No show de hoje, ele será acompanhado no vocal por Myles Kennedy, da banda Alter Bridge, e terá como apoio os músicos Todd Kerns (baixo), Brent Fitz (bateria) e Bobby Schneck (guitarra base).”Acho que Myles Kennedy incrível. Ele é um dos únicos que achei que poderia cantar todas as músicas que gravei no disco”, diz.

Se Slash seguir o repertório do show que ele fez na última segunda-feira, em Santiago, no Chile, os fãs do Guns N’ Roses podem esperar por grandes sucessos (veja o box) como Nightrain, Rocket Queen, Civil War, e clássicos como Sweet Child O’ Mine, Patience e Paradise City. O guitarrista deverá tocar também músicas de suas outras bandas como Mean Bone, do Slash’s Snakepi, e Slither, do Velvet Revolver.

Brigas e drogas
Slash, que neste ano disse à imprensa americana que voltaria ao Guns caso Axl Rose lhe pedisse desculpas, não tocou no assunto da briga. Antes da entrevista, os repórteres foram avisados que ele se recusaria a falar sobre o tema.

Slash deixou o grupo em 1996 e até hoje não tem uma relação amigável com Axl. Duff McKagan e Matt Sorum, também ex-Guns, continuam amigos de Slash. Os dois também são integrantes da banda Velvet Revolver, que Slash formou depois do Guns. A banda, no entanto, está parada, já que o vocalista Scott Weiland deixou o grupo para voltar a cantar com o Stone Temple Pilots.

Os tempos de loucura, segundo o guitarrista, também ficaram para trás. Hoje ele afirma que está completamente limpo. “Conheço bem os efeitos das drogas. Sei exatamente o que elas fazem com a gente”. Slash atualmente usa um marcapasso por causa do abuso de drogas no passado. “Minha onda agora é apenas o rock”.

Ozzy Osbourne: loucura sob controle

Por: Felipe Branco Cruz

Conhecido como “O Príncipe das Trevas”, Ozzy Osbourne, 62 anos, sabe como agradar o público. No show que ele fará hoje, às 21h30, na Arena Anhembi, provavelmente a única música nova a ser interpretada será Let Me Hear You Scream, do disco, Scream.

VEJA AQUI TRECHOS DA COLETIVA

As outras 14 canções do repertório deverão ser clássicos pinçados a dedo para levar ao delírio os fanáticos por heavy-metal. Foi assim a apresentação dele na última quarta-feira, em Porto Alegre, quando cantou, entre outras, Bark at the Moon, War pigs, Iron man e Paranoid.

As canções também foram as mesmas interpretadas no show que ele fez na segunda-feira, no Chile. Depois de São Paulo, Ozzy fará apresentações em Brasília (no dia 5), no Rio de Janeiro (dia 7) e Belo Horizonte (dia 9).

Ontem, em entrevista coletiva, concedida em São Paulo, o cantor disse que, em 40 anos de carreira, é muito difícil montar um repertório que agrade a todos. “Se fosse colocar todas as músicas, minha apresentação duraria cinco dias. Mas sempre fazemos alguma coisa diferente”, declarou.

O show apostará nas composições da carreira solo, feitas entre 1980 e 1990, e nas melhores músicas de sua ex-banda, Black Sabbath, compostas entre 1969 e 1978. “Há chances de eu voltar a cantar com o Black Sabbath. Só não sei quando e como”.

O vocalista chegou ao local da entrevista caminhando com dificuldade, muito distante da imagem que passou no show de Porto Alegre, quando passou quase 1h30 correndo e pulando pelo palco. Ele estava com as unhas pintadas de preto e usava dois anéis em formato de caveira.

A idade, ao que parece, só é notada quando o cantor tem de participar de compromissos burocráticos – como entrevistas coletivas. O roqueiro, no entanto, foi simpático e até fez piadas. “Só agora percebo o quanto estou velho.

Quando olho para a plateia e vejo jovens e crianças ao lado de senhores gritando juntos”, disse. Ele comentou também sobre uma coluna no jornal The Times, na Inglaterra, onde dá dicas amorosas. “Eu achei que não fosse saber responder.

Mas eu sei tudo. Os leitores me falam: ‘Tenho uma mulher e não aguento mais transar com ela’. E eu respondo: ‘Largue sua esposa e arrume uma namorada’”.

Até a morte
No show de São Paulo, o público poderá esperar por brincadeiras de Ozzy, já que ele joga água e espuma nos fãs, com o auxílio de baldes e de uma mangueira. O vocalista prometeu, ainda, que voltará ao Brasil no ano que vem e disse que só vai parar de cantar quando morrer.

“Hoje, eu controlo a minha loucura. Parei de beber, fumar e usar drogas. Mas nunca vou parar de tocar”. Esta é a quarta vez que ele se apresenta por aqui, e a primeira vez que toca em Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte.

Da primeira edição do Rock in Rio, em 1985, Ozzy guarda boas recordações. “Lembro muito bem desse dia. Foi um dos maiores palcos em que já cantei. Os brasileiros são apaixonados por música”.

Nessa turnê brasileira, a banda de Ozzy é formada por Rob Blasko Nicholson (baixo), Tommy Clufetos (bateria) e Adam Wakeman (filho de Rick Wakeman, que já participou de alguns álbuns do Black Sabbath na década de 70).

Para substituir Zakk Wylde na guitarra, (que acompanhou Ozzy durante 20 anos), foi convidado o músico novato Gus G. “Escolho pessoas desconhecidas para tocar comigo porque eles têm fome de tocar”, disse Ozzy, que continua com fome de levar seus fãs à loucura. Mas sem perder o controle.

Minha empreitada cinematográfica

Caros leitores deste humilde blog-monster. Resolvi me jogar no cinema. Já estou com dois filmes em produção. Um é nos moldes de Indiana Jones, passado em uma fazenda deserta na cidade de Bananal. O outro é uma comédia romântica, ambientada durante o carnaval do Rio de Janeiro de 2011. Veja abaixo o trailer dessas duas incríveis produções.

No escuro e de olhos bem vendados

Por: Gilberto Amendola
Fonte: Jornal da Tarde

Antes que pudesse me acostumar com a escuridão da sala, vendaram meus olhos. Depois, amarraram minhas mãos e pediram para que eu seguisse em frente (com cuidado). A primeira coisa que me veio à cabeça foi o parágrafo inicial de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”.

Mas vamos retroceder no tempo – mais especificamente ao exato momento em que um e-mail sobre a estreia de Kinema aportou na caixa de correio do JT. “Teatro sensorial! Ah, nãoooo!!!” Sim, porque “teatro sensorial” é um conceito que pode deixar qualquer um desconfiado, não é? Confesso, envergonhado, que tive medo de ser abandonado, sozinho, em um dark room, em companhia de um aprendiz da linguagem teatral de Zé Celso Martinez Correa.

E assim, munido de uma dúzia de receios (preconceitos?), fui para o espaço Del Gusta (óbvio, na Rua Augusta), uma espécie de lanchonete-balada que já deve ter tido seus dias de inferninho. É aqui que o espetáculo Kinema está sendo apresentado, sempre às quintas-feiras, a partir das 21h (o espectador pode chegar até às 23h).

Pois bem, aqui estou eu, olhos vendados, mãos amarradas e pensando no Coronel Aureliano Buendía. Juro que esperava um estampido qualquer, algo que confirmasse minha sensação de estar caminhando ao encontro de um pelotão de fuzilamento. Estava tenso. Em alerta. O que viria agora? Vão tirar a minha roupa? Socorro! Não grito, claro. Penso.

Alguém diz algo no meu ouvido. Um poema. Não reconheço o autor. Chuto Pablo Neruda, mas devo estar enganado. O medo ainda não me deixa prestar muita atenção no que está sendo dito. Deixo-me guiar. Tento relaxar os ombros. Duas notas mentais: primeiro, não vou ser fuzilado; segundo, não é o Zé Celso que está me guiando.

Resolvo entrar no jogo. A interação do ator-guia é tranquila (não invasiva). Embora completamente cego, me sinto seguro. O click da máquina fotográfica me desconcentra um pouco (“vão publicar isso no jornal, meu Deus!”). Continuo ouvindo textos sobre nascimento, caos e movimento. Dante? Shakespeare? Mão ao redor do meu pescoço. Medo outra vez.

O ator me entrega a outra pessoa. Agora, sou guiado por uma atriz. Toco nas mãos dela. É macia. Fico sem saber se devo ou não apertar sua mão (agora quem tem medo de ser invasivo sou eu). Ela me faz passar por uma espécie de labirinto. Nele, sinto que estou trespassando tecidos (ora mais suaves, ora mais ásperos).

Paro em um ponto qualquer. Agora, me fazem sentar numa cadeira de rodas (naquele momento eu não tinha ideia que era uma cadeira de rodas). Me levam pra passear. Correm com a cadeira. Vento no rosto. Gotas de água. Preso a uma cadeira de rodas, me sinto livre.

Outra atriz me pega pela mão. Ela me tira pra dançar. Rosto colado mesmo. A sensação é boa. Há quanto tempo eu não dançava assim? Mais texto ao pé do ouvido. Acho que agora é Fernando Pessoa. Deve ser.

Sou abraçado. Ninado. É a volta ao ninho, ao útero materno ou a outro clichê qualquer. Um momento quase terapêutico. Acho que a atriz me devolve para o primeiro ator. Ele me guia até a saída. Só tiram minha venda quando já estou do lado de fora. Sou recepcionado com um drink colorido – com vodca. Embora tenha perdido a noção do tempo, acho que a experiência durou uns 25 ou 30 minutos. Sobrevivi.

Golaço do Robinho

O golaço que o Robinho fez hoje contra o São Paulo, no seu retorno ao time.

A Situação do Metrô de São Paulo

É por essas e outras que todos que vivem em São Paulo amam essa cidade. Qual outro lugar do mundo você poderia sentir tamanho calor humano? A foto é de ontem, por volta das 19h, na Estação da Sé. Ela só ficou assim porque a chuva alagou uma estação e paralisou as linhas.

Estação da Sé Lotada

Estação da Sé Lotada

Casal sobrevive a deslizamento

Matéria publicada hoje no Jornal da Tarde

Por: Felipe Cruz

A noite prometia. O comerciante Fábio Costa Madeira, de 34 anos, conheceu na madrugada de ontem uma mulher na balada e a convenceu a conhecer sua casa, onde mora há quatro anos, na Rua Santo Egídio, n. 1001 (fundos), no bairro de classe média Santa Teresinha, zona norte. Por volta das 7h da manhã, o casal começou a ouvir estalos e sentiu o chão ceder.

“Só deu tempo de vestir a calça. Perdi documentos, eletrodomésticos, enfim, tudo”, diz ele. O muro de contenção, recentemente construído em uma obra no terreno vizinho, no número 989, cedeu e “sugou” a casa. A mulher foi levada em estado de choque para a AMA do Sítio Mandaqui. Eles não se feriram. “Escapei de morrer por pouco”, lembra. Eles ficaram presos na estreita faixa de terra que sobrou e foram resgatados pelos bombeiros.

O imóvel onde ele morava era alugado e pertencia à vizinha, a microempresária Alice Correa, de 59 anos, que também teve a casa interditada. “Ainda não sei para onde vou. Estou sem casa e trabalho, já que a minha pizzaria também foi interditada”, conta Alice.

Segundo o subprefeito de Santana/Tucuruvi, Hélio Rubens Figueiredo, aparentemente a empreiteira tinha autorização para construir no local. “O alvará deles (nº 2005/34998) está registrado na prefeitura. Temos de confirmar se está OK”, explica. O deslizamento encobriu uma retroescavadeira e ocorreu poucas horas antes de os operários começarem a trabalhar. No terreno será erguido um prédio residencial. O engenheiro responsável pela construção, Francisco Pucci Silva, garantiu que tem autorização para a obra. Sem explicar os motivos do deslizamento, Silva limitou-se a dizer que o muro de contenção que desabou “faz parte do processo construtivo da obra”. Os responsáveis pelo empreendimento informaram que encaminharão as vítimas para um hotel.

Show do AC/DC em São Paulo

Na Plateia

Na Plateia

Apoteose de Angus e a plateia no Morumbi
Apoteose de Angus e a plateia no Morumbi
Angus e seu solo

Angus e seu solo

Angus e a plateia

Angus e a plateia

AC/DC - palco grandioso, com um trem de seis toneladas

AC/DC - palco grandioso, com um trem de seis toneladas

Imagens do exato momento do apagão em SP

O SBT fez essas imagens.

Feliz Aniversário Marina!

Hoje é aniversário da menina mais inteligente e esperta que eu conheço: minha irmã Marina, que completa dois anos. Vai ter festinha, ela vai rir e brincar muito. E eu, o irmão coruja, vou ficar filmando, tirando fotos e babando. Esses dias, caminhando pelo centro de São Paulo, eis que encontro uma esquina em que o nome das ruas com o dia do meu aniversário (03 de dezembro) e o aniversário da Chuchu se encontram. Coincidência?

Marina, para você, que ainda não aprendeu a ler, mas que logo logo já estará lendo tudo, minha singela homenagem. Amo você!

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Madonna em São Paulo

Amanhã sai a matéria e hoje já está no ar o vídeo que fiz da Madonna em São Paulo. No portal do Estadão:

http://tv.estadao.com.br/videos,A-CHEGADA-DE-MADONNA-A-SAO-PAULO,77969,20,0.htm

Terminal Tietê

O relógio marcava 04h50 da manhã e eu desembarcava pela primeira vez no Terminal Rodoviário do Tietê. A cidade, apesar de grande, nunca me intimidou, entretanto nesses 22 anos era a primeira vez que ia para São Paulo de ônibus. Quando fui de avião e pousei no famigerado aeroporto de Congonhas me assustou o quão perto dos prédios os aviões passavam e pensei: “um dia vai dar merda”. Das outras vezes fui para lá de carro, sempre a passeio. Portanto, esta era, definitivamente, a primeira vez que ia para São Paulo. Com um agravante: estava sozinho na cidade grande.Outro detalhe: nunca fui a esmo para São Paulo, sempre ia com um destino definido e desta vez não foi diferente, também tinha um destino definido e sabia que para chegar lá obrigatoriamente eu teria que comprar um bilhete do metrô.Quando desci do ônibus lembrei-me da recomendação do meu pai: “leva um casaco, meu filho. Vai fazer frio”. E fez muito. Tá certo que o frio era mais pelo horário avançado da madrugada do que pela garoa gelada que insistia em cair. Mas mesmo assim o frio era cortante e cruel. “Mas, não é São Paulo a cidade da garoa”?

Passageiros dormindo a espera do ônibus (ou não)

Passageiros dormindo a espera do ônibus (ou não)

A grandeza do terminal Tietê me fez lembrar também daquelas clássicas matérias jornalísticas que mostram retirantes nordestinos desembarcando em São Paulo a procura de uma vida melhor e a primeira imagem real que eles têm da cidade é justamente do terminal Tietê. Muita gente estranha, muita confusão e mais do que nunca o clichê batido cabe novamente aqui: “Mais solitário que um paulistano”. Acho que a grandeza provoca essa impressão de pequenez em você e acabamos nos sentindo solitários.

Andando pelo terminal me veio na cabeça à famosa música em homenagem a São Paulo, aquela, dos versos: “… quando cruzo a Ipiranga com a Avenida São João” e senti fome. Não tinha tomado café ainda e tratei de procurar algo para comer. Me espantei com o preço do salgadinho de coxinha de galinha: R$2,50. Comprei dois e um café. Total: R$7,50. Disse com sotaque nordestino para o atendente: “Ô moço, lá da minha terra, com isso tudo de dinheiro eu almoço e janto”. Ele nem ligou e perguntou se eu tinha R$0,50 para facilitar o troco dele. Nunca, em toda a minha vida, eu tinha tomado um café tão ruim e comido uma coxinha tão amarga, sem sal e gelada quanto essas que experimentei lá na rodoviária. A sensação de ter sido passado para trás só aumentou quando eu constatei que a relação custo benefício não valia à pena e só quem ganhava com isso era a tal da “casa do pão de queijo”. Comi metade de cada coxinha, apenas aquilo que dava para engolir e joguei o resto fora.

A barraquinha de salgadinho ruim

A barraquinha de salgadinho ruim


Definitivamente eu constatava que paulistano possuía hábitos estranhos. Além do famigerado costume de andar os homens no banco da frente do carro e as mulheres no banco de trás, eles ainda comem cachorro quente com purê de batata. E, para variar, a tal coxinha horrorosa que comi, o atendente tinha me dito que era com requeijão. Senti falta do requeijão e do frango. Nem massa eu acho que tinha naquela coisa estranha que me venderam.

Comprei o jornal para passar o tempo e já me irritava o sotaque paulista dos atendentes. Meu compromisso começava apenas às 8 horas. Estava com tempo sobrando. Aproveitei também para comprar minha passagem do metrô (enquanto não tinha fila) e estranhamente me veio à cabeça de que naquele momento eu estava na terra da mais bizarra de todas as figuras brasileiras: Supla. E o pior, freqüentemente eu encontraria com outras tão ou mais bizarras do que ele. Para a minha sorte, ou azar, encontrei com dois barramansenses, o que só confirmou minha teoria de que barramansense é como gremilin: basta jogar água que eles se reproduzem e se disseminam por todos os lugares do planeta. Encontrei também com o vocalista de uma banda carioca de punk rock que curto muito. Quando o vi andando pela rodoviária eu imaginei que a crise financeira devia estar muito ruim para não andar de avião ou seria a crise área que estaria pior?

Meu sentimento bairrista aflorou quando entrei no metrô e ouvi o condutor dizendo o nome das estações em um português indecifrável: “Lúberrdadi”. Perguntei para um dos passageiros que repetiu vagarosamente para mim: “Estação Li-ber-da-de”. Ufa! Ainda não era a minha parada. Estranhamente comecei a sentir saudade do calor e do clima carioca, mas já era tarde para voltar atrás e conclui: “Agora fudeu!”

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Que saudade quando era apenas o Caos…

A manchete do Globo de hoje deixa clara a real situação da aviação brasileira. Muito mais do que simplesmente dizer que é o Caos áereo e sim afirmar que Congonhas está em colapso. Segundo o dicionário Colapso: 1 Med Diminuição súbita da atividade nervosa e cerebral e demais funções que dependem do sistema nervoso; prostração súbita. 2 Diminuição da eficiência e tamanho de qualquer coisa; estacionamento. 3 Desmoronamento, ruína, desintegração.

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