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O show do Santos 8 X 0 Bolívar pela Libertadores
Incrível! Um show de bom futebol.
Com goleada e show de Neymar, Santos passa pelo Bolívar-BOL.
Santos 8 x 0 Bolivar, Gols e Melhores Momentos da Taça Libertadores 2012 10/05/2012
Os gols de Santos 8×0 Bolivar pela da Taça Libertadores 2012
Melhores Momentos de Santos 8 x 0 Bolivar – Santos vs Bolivar (8-0) All Goals Highlights
Santos 8 x 0 Bolivar 2012
Gols: Elano, Neymar, PAULO HENRIQUE GANSO, Alan Kardec, Neymar, Borges
SANTOS: Rafael; Henrique; Edu Dracena; Durval; Juan; Adriano; Arouca; Elano; Paulo Henrique Ganso; Neymar; Alan Kardec
BOLIVAR: Marcos Arguello; Rodríguez, Frontini, Valverde e Álvarez; Flores, Lízio, Cardozo e Campos; Arce e Cantero
Top 5: Melhores shows que mais aproveitei na vida
Na semana passada fiz um post sobre os melhores shows que vi na vida. Não necessariamente eles foram os que mais me diverti ou aproveitei. Por isso, resolvi fazer esse novo post com os cinco melhores shows que mais aproveitei até hoje.
1) PAUL MCCARTNEY – 2011 e 2012
2) BAD RELIGION – 2011
3) AC/DC – 2009
4) GREEN DAY – 2010
5) NOFX – 2010
O paredão de Roger Waters
Por Felipe Branco Cruz
Nenhuma palavra, foto ou vídeo darão conta de explicar o show de Roger Waters, anteontem, no Estádio do Morumbi, para mais de 70 mil pessoas. O espetáculo audiovisual repleto de efeitos especiais será repetido hoje, às 21h, para um público menor, de 50 mil. Se você quiser ver o show, ainda dá tempo. Há poucos ingressos, mas para todos os setores. Esta será a última apresentação do baixista e ex-integrante do Pink Floyd no Brasil. Na semana passada, ele se apresentou em Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro.
Com apenas 15 minutos de atraso, o roqueiro surgiu no palco em meio a mil tiros de fogos de artifício e ao som da canção In The Flesh?, que abre o álbum The Wall, de 1979. O público, boquiaberto, ainda se recuperava do baque quando um avião sobrevoou a plateia para chocar-se contra parte do muro, levando as pessoas ao delírio. Tudo isso, potencializado por um sistema de som surround que dava a impressão real de que helicópteros, choros de crianças, explosões de bombas ou barulhos de tiros aconteciam em meio ao espetáculo.
Aos 68 anos, o roqueiro ergueu ao vivo um paredão, de 137 metros de largura por 11 de altura, para depois destruí-lo numa performática apresentação que celebra os 30 anos do disco The Wall. O show, aliás, conta apenas com as canções do álbum homônimo. Por isso, àqueles que gostam mais de Dark Side of The Moon, por exemplo, vale lembrar que Waters não vai além no repertório da banda – o que quer dizer, em resumo, que os fãs ficarão sem clássicos da carreira do Pink Floyd, como Time ou Money.
De The Wall, a canção mais conhecida do público, Another Brick in the Wall Part 2, teve acompanhamento do coro de crianças do Instituto Baccarelli e, a quarta a ser executada, foi também a que mais empolgou o público. Um boneco de dez metros de altura desafiava as crianças enquanto elas cantavam. “Olá São Paulo, estou muito feliz por estar aqui”, apresentou-se Waters.
Assim como nos shows anteriores no País, o músico homenageou o brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica no metrô de Londres em 2005. “Gostaria de dedicar este concerto a Jean Charles de Menezes, sua família e sua luta por verdade e justiça; e também a todas as vítimas do terrorismo de Estado em todo o mundo. Quando escrevi esse show, tinha apenas 35 anos”, disse, em um português claro. “Achava que era sobre mim. Não é sobre mim, mas sobre Jean e todos nós”, encerrou, em inglês. O mesmo discurso foi feito no Rio de Janeiro.
Dentre as mensagens passadas por Waters, duras críticas contra o terrorismo, capitalismo, imperialismo entre outros “ismos”. Símbolos do McDonald’s, da Shell e de outras multinacionais se misturavam a estrelas de Davi, crucifixos e outros símbolos, projetados no telão enquanto Waters desfiava solos no baixo. O show, de 2h30 de duração, teve ainda Mother, Hey You, Comfortably Numb e Run Like Hell.
O tradicional porco gigante que Waters solta na plateia veio com mensagens em português: “O novo código florestal vai matar o Brasil” e “Brasil é um país laico”. A apresentação foi encerrada às 22h, e a imensa muralha foi demolida ao som de Outside The Wall.
Deixando para trás qualquer ausência de hits, o que Waters fez no domingo e fará hoje se assemelha a uma ópera, lembra uma performance teatral. Transcende o conceito de um simples show.
Top 5: Melhores shows que vi na vida
Ontem, depois de assistir ao show do Roger Waters, da turnê The Wall, no Morumbi, eis que posso fazer, até o momento, os cinco melhores shows que vi na vida:
1) PAUL MCCARTNEY – 2011 e 2012
2) U2 – ABRIL – 2011
3) ROGER WATERS – 2012
4) AC/DC – 2009
5) KISS – 2009
A volta de Max Cavalera
Por Felipe Branco Cruz
Com ajuda dos fãs, o Soulfly, liderado pelo ex-vocalista do Sepultura Max Cavalera, volta ao Brasil para divulgar seu novo disco, Enslaved, o oitavo da banda fundada há 15 anos. Ontem, o grupo se apresentou em Goiânia e hoje é a vez de São Paulo, no Via Marquês. No domingo, sobe ao palco do Circo Voador, no Rio. Os fãs, por meio de financiamento coletivo, compraram cotas de patrocínio que bancaram a turnê nacional.
“Achei super legal o movimento deles, principalmente, porque faz 12 anos desde a última vez que nos apresentamos no Brasil”, diz Max, que conversou com o JT por telefone, de sua casa em Phoenix, nos EUA. “Tocamos em lugares muito ocultos da China e Sibéria, e nada de voltar para o Brasil.” A apresentação na capital paulista terá sabor especial para o vocalista e guitarrista. “O Iggor (seu irmão, ex-baterista do Sepultura) vai participar do show e meu filho Zyon, de 18 anos, também”, contou ele.
Na última semana, Max foi diagnosticado com paralisia em um nervo facial. A doença, de causa desconhecida, deixou metade do rosto do vocalista sem movimento. A assessoria de imprensa do grupo informou que Max está bem e sendo tratado com antibióticos. O vocalista se recupera bem e o show desta noite está confirmado. A última apresentação que o Soulfly fez aqui no Brasil foi no festival Abril Pro Rock, em 2000. O músico, no entanto, já se apresentou no País com sua outra banda, o Cavalera Conspiracy, junto com Iggor, abrindo o show do Iron Maiden no estádio do Morumbi, no início do ano passado, e também no festival SWU de 2010.
No repertório da apresentação, estarão sucessos de todos os oito discos do Soulfly, além de músicas do Cavalera Conspiracy e do Sepultura até o disco Roots, de 1996. “Vai ser um show tipo Greatest Hits”, diz Max.
A participação do filho Zyon não será inédita. Max conta que já chegou a cogitar integrar o garoto à banda. “Ele é um bom baterista, mas o David Kinkade (baterista oficial do grupo) tem uma pegada mais death metal”, explica. A ligação do adolescente com a carreira do pai é longa. Quando ele ainda estava na barriga da mãe, as batidas do coração de Zyon foram usadas na abertura de Chaos A.D., álbum do Sepultura, lançado em 1993.
Naturalizado americano, Max se atualiza sobre as notícias daqui por meio do irmão Iggor. “Sei que o Palmeiras está uma merda”, diz. Mas a distância parece deixá-lo imune aos fenômenos da música sertaneja pop. Quando questionado sobre o fenômeno Michel Teló, sensação das rádios e dos programas de TV, ele pergunta, curioso: “Que tipo de música ele faz?”.
Sem previsão de voltar a morar no Brasil, o músico planeja temporadas por aqui no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro – lá nasceu o disco Beneath the Remains, do Sepultura, em 1989. “Esse álbum nos lançou internacionalmente”, lembra. “De dia, uma banda pop gravava. Depois, gravávamos madrugada adentro.” Outra alternativa para passar mais tempo no Brasil, diz Max, é fazer nova turnê, desta vez por cidades como Belo Horizonte, Manaus, Recife, Natal e Porto Alegre. “O show em São Paulo é só o começo do meu reencontro com o Brasil.”
O vocalista adiantou detalhes da autobiografia A Boy From Brazil, que está preparando. “Vou falar da morte do meu pai, do começo do Sepultura e de tudo que rolou depois”, conta. A obra terá prefácio assinado por Dave Grohl, do Foo Fighters, além de entrevistas com Ozzy Osbourne, Slayer e Sean Lennon (filho de John Lennon), além do próprio Grohl. Andreas Kisser, atual guitarrista do Sepultura, porém, não está nesse rol. Da ex-banda, os únicos entrevistados serão Jairo Guedes (primeiro guitarrista do grupo) e o irmão Iggor. “Não tenho contato com Andreas. Mas não é nada contra a banda. Não existe guerra. Já passou muito tempo”, diz ele. “Ainda tenho a esperança de um retorno da formação original. Mas, por enquanto, não existe nenhuma conversa.”
A voz gutural que é reconhecida em todo o mundo
Assim que deixou o Sepultura, em 1997, após desentendimentos com os integrantes da banda, inclusive com seu irmão Iggor, Max fundou o Soulfly nos Estados Unidos. Logo em seguida, a banda recebeu críticas elogiosas ao novo som, uma mescla daquilo que Max vinha desenvolvendo no Sepultura, com elementos que remetiam
a um heavy metal mais tribal, world music e música brasileira, tendo como influência bandas como Nação Zumbi, e as gringas Deftones e Limp Bizkit. O som do Soulfly, no entanto, não tem nada a ver com essas bandas. Ele está muito mais próximo do death metal do que qualquer outra coisa.
O último álbum da banda, Enslaved, que Max está promovendo no Brasil, foi lançado neste ano e segue a linha tribal, da qual a banda se afastou um pouco nos últimos discos.
Se no Brasil Max Cavalera é pouco conhecido fora do âmbito dos fãs, no exterior, sua voz gutural ecoa com mais força e ele é considerado um dos grandes nomes do heavy metal mundial.
As dores de João Gilberto
Por: Roberta Pennafort
Fonte: Jornal da Tarde
Geriatra e amigo de João Gilberto há cerca de dez anos, o médico Jorge Jamili garante: não é uma mera gripe que está tirando o cantor baiano dos palcos, mas também não é que ele tenha uma doença grave, que esteja sendo mantida em sigilo. A pressão psicológica que a turnê comemorativa de seus 80 anos lhe impõe é a responsável por prostrá-lo na cama de casa. Ou seja: João queria fazer os shows, mas o próprio corpo o está impedindo. Conforme a data foi se aproximando, o quadro foi piorando.
“Eu nunca o vi desse jeito. Há um mecanismo psicossomático dessa pressão que faz com que ele fique debilitado, debilitado mesmo, mais magro. Em todo idoso, as vias aéreas superiores e as articulações são o que sentem primeiro. A coluna reclama. Não é um piti, é real. Ele não é um excêntrico, um louco. Tem problemas físicos, sente muita dor. Se pudesse, não estaria assim”, disse ontem Jamili, fã do pai da bossa nova. “Não sei o quanto é físico e quanto é somatizado.”
Sem poder dar muitos detalhes, para não expor a intimidade do paciente, o geriatra – que costuma atendê-lo em sua casa, onde, em tempos melhores, cantam mantras juntos –, contou que ele tem duas hérnias. É uma na cervical e outra na lombar, e ambas doem muito quando ele faz shows, por causa da posição do violão e do estresse – João, sabe-se, é um perfeccionista, e precisa se sentir em sua melhor forma para se apresentar.
Trata-se da síndrome do escrivão, explicou Jamili, que acomete os braços e provoca espasmos quando a pessoa repete o movimento que lhe causa dor. “São problemas pertinentes à idade, não é tuberculose, câncer. Ele apresenta um temperamento, que todos conhecemos, que não tolera bem a pressão. E não é um senhor 100% saudável, não é da geração saúde. Por exemplo: eu já falei 2.800 vezes para que mude a alimentação (Jamili é nutrólogo e praticante da medicina ortomolecular), mas João só faz o que quer, é teimoso, como todo senhor de 80 anos.” O estado de saúde jamais permitiria que ele entrasse num avião para ir a São Paulo, tampouco que pegasse um carro até o Municipal, acrescentou.
Nos últimos shows no Japão, em 2006, contou, foi preciso muita conversa para que se convencesse a viajar. “Teve o mesmo problema. Há uma certa ilusão de que há relação entre o estado atual e a questão dos ingressos (parte encalhou por causa dos altos preços – em São Paulo, no Via Funchal, vão de R$ 500 a R$ 1 mil), mas não tem absolutamente nada a ver. No Japão, estava tudo lotado, o baque financeiro acabaria com sua vida, e ainda assim ele apresentou essa resistência. A cabeça dele não gira em torno de dinheiro.”
Parte do cachê já estava paga
Os produtores da turnê, que passaria por São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e Salvador, já contabilizam o prejuízo. “Uma parte do pagamento dele já tinha saído, então vamos ver com o senhor Aloisio Salazar (advogado de João) como fica isso.
O prejuízo é claro, mas não posso revelar de quanto”, disse, abatido, Maurício Pessoa, ontem. “É uma decepção total. Nós nunca imaginamos que isso fosse acontecer, tínhamos um contrato amarrado. Temos de acreditar no argumento da doença.”
Salazar não deu entrevista. Os custos iniciais da turnê eram de R$ 4,5 milhões, incluindo o cachê, os voos, acomodação da equipe e outros gastos. Nenhuma empresa quis patrociná-la, daí os ingressos a até R$ 1,4 mil. A Via Funchal, em São Paulo, onde João cantaria domingo, e o Theatro Municipal do Rio (show na quarta) não haviam recebido comunicado do cancelamento até o fechamento desta edição, assim como nenhuma nota explicativa sobre a devolução do dinheiro havia sido distribuída.
Em nota, produtores confirmam cancelamento da turnê
Uma nota oficial foi enviada à imprensa ontem à tarde pela OCP Comunicação e a Maurício Pessoa Produções confirmando a suspensão da turnê. As empresas se dizem surpresas pelas declarações de Cláudia Faissol, mãe da filha caçula de João Gilberto. “Os produtores foram surpreendidos pelas informações sobre a transferência da turnê para 2012 veiculadas na mídia, antes de serem comunicados pelo cantor”, diz o comunicado, que credita a suspensão a “evitar mais desgastes a público, casas de shows, equipes de produção etc.” Os produtores reforçam que os teatros/locais de compra farão os devidos ressarcimentos.
Na batida do New Order
Por Felipe Branco Cruz
O New Order, fundado em 1980 a partir dos três integrantes remanescentes do Joy Division, será a atração principal do Ultra Music Festival, que ocorre neste sábado, a partir das 16h, no Sambódromo do Anhembi. O New Order ajudou a ditar os rumos da música eletrônica nos anos 80, com hits como Bizarre Love Triangle, Temptation, Blue Monday, Ceremony e The Perfect Kiss. Após um desentendimento com o baixista Peter Hook, que deixou a banda há quatro anos, o grupo seguiu excursionando. Atualmente, Hook está em carreira solo, fazendo shows com músicas de sua antiga banda, o Joy Division. Hook, inclusive, se apresentou no Brasil em maio deste ano. Agora é a vez do New Order fazer festa para o público brasileiro.
Ao JT, por telefone, o baterista e tecladista Stephen Morris disse que os hits da banda serão o carro-chefe do show, mas não quis entrar em detalhes (leia entrevista abaixo). Certamente, Bizarre Love Triangle, Ceremony e Temptation estarão no repertório. Apesar da aparente cortesia com que os integrantes do New Order tratam publicamente Peter Hook, o mesmo não pode ser dito sobre ele. O baixista vem fazendo seguidas agressões verbais aos ex-colegas. Recentemente, chegou a dizer que eram todos “uns imbecis” e que o New Order, sem ele, seria uma espécie de Queen sem Freddie Mercury.
Além do New Order, que se apresenta às 21h30, atrações como Laidback Luke, Major Lazer, MSTRKRFT, Swedish House Mafia, Duck Sauce e 2 Many DJs, entre outros, se intercalarão em dois ambientes. O festival vem para substituir o Skol Beats, que era realizado pela mesma produtora, a XYZ Live. Ao todo serão 23 atrações nacionais e internacionais em 14 horas seguidas de música em cada um dos palcos.
Dentre os destaques da programação está a dupla Major Lazer, formada pelos DJs Diplo e Switch. Eles se apresentam à 1h30, no palco Arena. O som deles é uma mistura de reggae e outros ritmos caribenhos com funk e drum n’ bass. Vale a pena também aguardar até as 2h40 da madrugada para ver o MSTRKRFT (lê-se Masterkraft) no Palco Arena. A dupla canadense formada em 2005 já tocou com Usher e The Gossip.
O festival é realizado anualmente em Miami desde 2000, assim como em Nova York, Ibiza e Caribe. A meta, agora, é piscar as luzes do electropop por aqui com mais frequência e integrar o calendário oficial dos eventos de São Paulo.
Entrevista com Stephen Morris
‘Quero voltar a tocar Joy Division’
O baterista e tecladista Stephen Morris, de 54 anos, começou a carreira com o Joy Division, icônico grupo pós-punk. Quando a banda acabou, após a morte de Ian Curtis, junto com os remanescentes Peter Hook e Bernard Summer, ele fundou o New Order. Além da bateria tradicional, Morris incluiu ao som batidas computadorizadas. Por telefone, do Reino Unido, o músico conversou com o JT. E fez segredo sobre o show no Brasil. “Não temos o setlist definido”, disse. Mas destacou que trabalhou nas músicas antigas para deixá-las com novo frescor. Além disso, falou da relação com Hook e sua curiosa coleção de carros militares.
O New Order volta definitivamente ou é só uma turnê?
É uma boa questão. Se você não gosta de fazer algo, é melhor nem começar. Vamos ver o que vai dar.
A banda tem planos para compor novas músicas?
Talvez. É difícil. Gillian (Gilbert) e eu já sentamos para escrever. Queremos fazer coisas novas o mais rápido possível.
Vocês vieram ao Brasil em 2006. O que acharam do público?
Foi fantástico. A recepção do público brasileiro foi calorosa e inesquecível. A única coisa ruim foi o trânsito. Ficamos bastante tempo presos. É um trânsito que não acaba nunca. Chegamos a pensar que talvez fosse mais rápido ir andando. Até nos sugeriram alugar um helicóptero. Mas não fizemos isso.
Infelizmente, o trânsito não melhorou muito desde então.
Sério? Bom, então eu vou alugar uma bicicleta (risos).
Pelo fato de termos mais tecnologia hoje em dia, você acha que a música eletrônica tem mais influência nos jovens?
Música pop e tecnologia andam juntas, parceria antiga. Gostamos de sintetizadores. Acho que a música eletrônica hoje tem mais espaço, é algo grandioso. Mas é bom fazer música acústica também.
Você acha que o som do New Order é datado, muito anos 80?
Alguns discos que fizemos podem ser considerados, sim, o som dos anos 80. E isso é bom. Alguns dos sons que criamos, ninguém tinha usado antes. Para novos shows, passamos algum tempo adaptando nossas músicas antigas para que parecessem atuais hoje. Demos um novo frescor a elas.
Acredita que o público vai sentir falta de Peter Hook?
A banda sente falta dele. Obviamente, muitos fãs também vão. É assim que funciona. O que importa é que vamos nos divertir.
Alguma chance de ele voltar? Não no momento. Ele está ocupado com os projetos solos dele, do Joy Division.
Não tem vontade de tocar novamente músicas do Joy Division? Claro! São ótimas músicas. Eu tenho vontade, sim. Não desta vez, no Brasil. Mas quero voltar a tocá-las novamente.
Você também é ligado em assuntos militares. Tem até tem uma coleção de carros militares…
Sim! Eu tenho quatro veículos. Não são para andar nas ruas e não têm armas em funcionamento. Tenho um tanque com canhão, um caminhão de suprimentos, um caminhão blindado e um jipe.
Por que os comprou?
Eu me perguntei: o que aconteceu com os carros bacanas dos anos 40? Não se vê mais esse tipo de carro para vender, é mais fácil achar tanques. Então, pensei: ‘Que legal! Vou comprar um para mim’.
Onde você anda com eles?
São bons para andar em parques. Eles são lentos, não causam transtorno. Daria para andar no trânsito de São Paulo (risos).
Enquanto sua guitarra gentilmente chorar…
Por: Felipe Branco Cruz
Poucos merecem a alcunha de deus da guitarra. Eric Clapton, de 66 anos, é um desses. Hoje, às 21h, no estádio do Morumbi, o guitarrista inglês provará, sem precisar provar nada para ninguém, por que seu nome está marcado no panteão dos gênios do instrumento, ao lado de Jimi Hendrix (1942-1970), George Harrison (1943-2001) e Stevie Ray Vaughan (1954-1990). Os três, aliás, foram grandes amigos de Clapton.
Embora seja conhecido da grande maioria do público por seus sucessos pop, como Tears In Heaven, Change The World e Blue Eyes Blue, Clapton não deve apresentar nenhuma dessas músicas hoje. A praia do guitarrista sempre foi o blues e seu repertório deve se manter no gênero. O show, aliás, faz parte da turnê de divulgação de seu último álbum, Clapton (2010), só com blues.
No repertório, porém, o público poderá esperar por I Shot The Sheriff, de Bob Marley, Crossroads e Badge, do, Cream, além da obra-prima Layla, composta por Clapton na época em que integrava a banda Derek and the Dominos. Deste álbum, ele deve apresentar também Key to the Highway. E, é claro, Cocaine, sucesso de sua carreira solo.
Se o show de hoje for semelhante ao que fez na segunda-feira, no Rio de Janeiro, Clapton deverá passar boa parte do show sentado, levantando-se apenas em alguns momentos. E assim como no HSBC Arena, o estádio do Morumbi terá parte de seu gramado loteado com cadeiras, com uma parcela do público também assistindo ao show sentado.
O cenário deve ser simples, sem frescura, nem telões de alta definição ou efeitos especiais. Apenas Clapton e seu instrumento. O músico deve se dirigir ao público raramente. As palavras podem não passar de um “boa noite”. A linguagem virá da guitarra e do violão. E essa certamente todo mundo vai entender. Nada disso deverá esfriar o público, que provavelmente acompanhará o ídolo, imitando seus solos em guitarras imaginárias.
No show de hoje, Clapton será acompanhado dos músicos Steve Gadd (bateria), Willie Weeks (baixo), Chris Stanton (teclado), e das cantoras Michelle John e Sharon White. A apresentação será aberta por Gary Clark Junior, de 27 anos, que faz um som inspirado no próprio Clapton, com mistura de soul, blues e rock. Clark Junior está sendo considerado pela crítica internacional como um dos melhores guitarristas da nova geração, sendo chamado de “o salvador do blues”. A maneira como toca também já foi comparada a Hendrix e Vaughan. O jovem começou a tocar ainda criança, aos 12 anos, e já se apresentou com B. B. King, Buddy Guy, Steve Winwood, Sheryl Crow, Jeff Beck e ZZ Top.
Um passado trágico
A genialidade de Clapton veio acompanhada de mais de 20 anos marcados por percalços e tragédias em sua vida pessoal. Como conta em Eric Clapton, A Autobiografia (2007, Editora Planeta do Brasil), o guitarrista enfrentou graves problemas com álcool e drogas e brigas com os ex-integrantes de suas bandas em meados dos anos 70. Dentre as passagens funestas, está o assassinato da mãe do baterista Jim Gordon. Num surto psicótico, Gordon a atacou a marretadas.
Outro capítulo, já nos anos 90, narra o acidente de helicóptero que vitimou o guitarrista Steve Ray Vaughan, que estava em turnê com Clapton. Em 1991, Conor, filho de 4 anos do músico com a modelo Lori Del Santo, morreu após cair da janela de um prédio. Foi nessa época triste que Clapton comporia Tears in Heaven e Circus Left Town, que se tornariam clássicos (mas não serão tocadas hoje).
Talvez a mais trágica passagem na vida de Clapton tenha sido seu amor por Pattie Boyd-Harrison, mulher de seu melhor amigo, o guitarrista dos Beatles George Harrison. Clapton sofria por amar a mulher do amigo. No fim das contas, Pattie acabou se separando de Harrison para ficar com Clapton. Foi com Layla, aliás, que ele a teria conquistado. E amizade entre os dois, apesar disso, sobreviveu. A vida de Clapton só voltaria a entrar nos eixos a partir de 1993, quando lançou o MTV Unplugged. E, quando se casou, mais tarde, em 99, com Melia McEnery.
Clapton vai atrás do ídolo, o baiano João Gilberto
Assim como Eric Clapton, o baiano João Gilberto também é considerado um gênio de seu instrumento. A diferença é que Clapton é astro da guitarra, João é o mestre do violão. Com sua inconfundível batida, criou o característico ritmo da bossa nova. Em entrevista ao ‘Jornal da Globo’, Clapton declarou que, há cinco anos, ficou impressionado ao assistir, em Londres, João Gilberto tocando sozinho no palco. Clapton disse que tinha achado a apresentação “fantástica”. “Foi uma noite maravilhosa”, disse o músico inglês.
O próximo passo de Clapton é tocar com João Gilberto. Ainda não há nada confirmado, mas é provável que o guitarrista divida o palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 19 de novembro, com o músico baiano.
O show faz parte da turnê comemorativa dos 80 anos de vida e 50 de carreira do brasileiro.
Eric Clapton tem afirmado regularmente que admira João Gilberto. Tanto é que Clapton tem intermediado que a gravadora EMI negocie com João Gilberto o relançamento dos três primeiros discos, da década de 60, que ajudaram a criar a Bossa Nova. Os fonogramas são de propriedade da gravadora e João até hoje nunca conseguiu comprá-los de volta.
REPERTÓRIO:
Repertório do show que Eric Clapton fez no dia 10 de outubro, no HSBC Arena, no Rio de Janeiro. O músico costuma alterar a sequência das canções, retirar ou incluir outras não programadas. Por isso, esta pode não ser exatamente a lista de músicas que ele apresentará hoje em São Paulo:
Going Down Slow
Key To The Highway
Hoochie Coochie Man
Old Love
I Shot The Sheriff
Driftin
Nobody Knows You When You’re Down And Out
Lay Down Sally
When Somebody Thinks You’re Wonderful
Layla
Badge
Wonderful Tonight
Before You Accuse Me
Little Queens Of Spades
Cocaine
Crossroads
Registro da passagem de Paul McCartney pelo Rio de Janeiro
Vídeo oficial da passagem da Turnê Up and Coming pelo Rio de Janeiro em 2011. Acompanhe entrevistas com patrocinadores e responsáveis pela vinda de Paul McCartney ao Brasil, imagens de bastidores e trechos dos dois shows realizados no estádio do Engenhão. Há também depoimentos de fãs e membros da equipe internacional de Macca. Um registro histórico! Confira!
Paul McCartney leu minha minha matéria
Ontem a Lúcia Camargo me mandou uma foto por e-mail com um comentário: “O Macca leu sua matéria”. Mas, como assim?! O que aconteceu foi o seguinte, depois do show que ele fez no dia 21 de novembro eu escrevi a crítica do show que foi publicada no JT no dia 22 de novembro. Nesse mesmo dia saiu também duas outras matérias minhas. A primeira sobre o relançamento da discografia completa do John Lennon e a outra sobre o relançamento das coletâneas Vermelha e Branca, dos Beatles.
Clique na foto para vê-la ampliada
O pessoal da produção do Paul McCartney deixou na mesa dele, no dia seguinte, as edições do Jornal da Tarde e do Estadão com as críticas do dia. Paul adora divulgar os bastidores das turnês e divulgou a foto acima com o rascunho do que ele iria dizer no show do dia 22. Inclusive a frase “Chove Chuva”, que ele escreveu no papel como “Shove Shooova”. E lá, entre tantos papeis, estava o jornal.
Abaixo a reprodução das páginas do Jornal da Tarde do dia 22 de novembro, que estava na mesa dele
(Clique nas imagem para ver em tamanho maior):
Leia as reportagens:
Albuns “Vermelho” e “Azul” são relançados
A reinvenção de Paul McCartney
Por: Felipe Branco Cruz
Fonte: Jornal da Tarde
Aos 68 anos, Paul McCartney continua dando o que falar. Está noivo da empresária nova-iorquina Nancy Shevell, de 51 anos, e frequentemente tem dito que pretende lançar novos discos. Com um legado incontestável, é alvo de inúmeras biografias. Por isso, a pergunta que se faz é: o que um novo livro poderia acrescentar à história do músico, principalmente com sua veemente recusa em colaborar com a obra?
Quem responde é o jornalista americano Peter Ames Carlin, autor de Paul McCartney – Uma Vida, lançado recentemente no Brasil. “Paul nunca fala para biógrafos, com a única exceção de Barry Miles, que é amigo dele desde os anos 1960 e lançou a obra Many Years From Now”, explica. “Cada biógrafo tenta focar uma parte específica da complexidade que é o personagem. Na minha, explorei como ele se reinventou após o fim dos Beatles, renegando seu passado. Agora, no século 21, de como ele se tornou o embaixador dos Beatles para os mais jovens.”
O autor inicia o livro com a descrição de um show que Paul fez em Liverpool, sua cidade natal, no dia em que fez 66 anos. A partir dessa apresentação, Carlin conta sobre os ancestrais do músico, descendentes de irlandeses que imigraram para a cidade para trabalhar.
Apesar de não ter entrevistado Paul, Carlin acompanhou durante quase dois anos os passos do músico e baseou sua pesquisa em documentos da época, além de entrevistas com pessoas próximas do ex-Beatle, como os músicos do Wings. Mas nem todo esse levantamento impediu que a obra fosse criticada por não ter novas informações. “Acho que o coração deste livro captura seu amadurecimento e as raízes de sua criatividade”, diz.
As 400 páginas da obra, no entanto, não se aprofundam na história de Paul. Trata-se de um livro para quem ainda não conhece a trajetória do músico e funciona como uma excelente porta de entrada para aqueles que querem conhecer melhor a biografia do artista. “A vida de Paul se torna muito mais excitante depois do fim dos Beatles. Imagine alguém aos 27 anos, que pertenceu a uma das maiores bandas do mundo, ter de se reinventar?”
Dicotomia criativa
Na obra, o autor afirma ainda que a parceria com John Lennon promoveu uma dicotomia capaz de fazer aflorar a criatividade de ambos. Mesmo depois da morte de John, Paul teve de lidar com o mito e a sombra do amigo. A influência da mãe de Paul na vida do músico também é tratada pelo autor, já que ela morreu quando ele tinha apenas 14 anos. Aliás, foi a morte da mãe de Lennon, alguns anos depois, que ajudou a dupla a ficar ainda mais próxima. “A morte dela inspirou uma profunda paixão pelo seu trabalho”, analisa o escritor americano.
O livro termina com os desdobramentos da batalha judicial que Paul enfrentou, em 2008, para se separar de sua ex-mulher Heather Mills, que ganhou o direito a receber 24 milhões de libras com o fim do casamento. A nova namorada de Paul, e agora noiva, Nancy Shevell, também é citada, mas de forma bem superficial.
Carlin não é nenhum novato no ramo das biografias. É de sua autoria também Catch a Wave, sobre a história de Brian Wilson, dos Beach Boys. E há dois anos ele trabalha na biografia de Bruce Springsteen, prevista pera ser publicada em 2012. Paul McCartney – Uma Vida mereceu pelo menos um elogio que vale ser salientado, feito por Bob Spitz, autor de uma das mais importantes biografias dos FabFour, The Beatles: “Carlin faz um retrato franco e revelador por trás do mito de Paul McCartney.”A declaração é parte do texto que está na contracapa.
‘Como concorrer com os Beatles?’
Peter Carlin tentou entrevistar Paul McCartney, mas ele não quis conversa. O autor foi atrás de outras fontes e escreveu uma biografia focada na carreira do músico após o fim dos Beatles.
O que esta biografia tem de diferente em relação a outras sobre Paul McCartney?
Tem novas perspectivas até então desconhecidas (ou pouco conhecidas), além de histórias e insights sobre a vida de Paul. É o primeiro livro que trata de sua carreira solo com o mesmo cuidado e respeito que foi feito com os Beatles.
Por que você não entrevistou Paul para escrever o livro?
Tentei, mas a posição dele é definitiva. Ele não fala com biógrafos, a não ser que tenha algum contrato com eles, como fez com Barry Miles, autor de Many Years from Now e amigo de longa data.
Se Paul McCartney lhe desse 20 minutos para um rápido bate-papo, que perguntas você faria?
Perguntaria sobre sua relação com a música: como ele se sente quando ouve uma canção que realmente o comove, como se sente quando está imerso em seu processo criativo.
Como é escrever sobre uma pessoa viva e produtiva?
Espero que o livro fique desatualizado e que Paul continue a trabalhar, criar e construir mais coisas. A vida continua e o homem trabalha, trabalha, trabalha. Mesmo assim, a essência do livro capta seu crescimento e as raízes de sua criatividade.
Você acredita que a maior dificuldade de Paul é competir com o seu próprio legado?
Claro que sim. Como alguém poderia tentar concorrer com os Beatles? Só porque você foi um deles – um dos dois membros-chave, na verdade – a coisa não fica mais fácil. Imagine acordar aos 27 anos e perceber que você já fez o trabalho mais importante de sua vida? Que você mudou o mundo de duas ou três maneiras distintas e não importa o que você faça, será sempre comparado com o que você fez quando era jovem? Isso é difícil.
O que podemos esperar de Paul McCartney nos próximos anos?
Mais do mesmo, suspeito. Mais músicas, álbuns, performances. O homem vive, respira e transpira música. É sua expressão de vida. Ele só vai parar quando seu coração parar de bater. E espero que isso demore muito tempo.
Um Show que vai deixar saudades
Por: Felipe Branco Cruz
Rio de Janeiro
O público carioca encantou Paul McCartney nos dois shows que o ex-beatle fez no Rio de Janeiro anteontem e domingo. Tanto é que ele escreveu uma carta aberta agradecendo à plateia pelo carinho (leia ao lado). “De repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho”, escreveu. Ele se referia à apresentação de domingo, quando a plateia, depois de ter combinado pela internet, levantou vários cartazes com os dizeres “na na”, do refrão de Hey Jude.
No segundo dia, Paul trocou cinco das 22 canções exibidas em cada show. Ele abriu a apresentação com Magical Mistery Tour, diferente de domingo, quando começou com Hello, Goodbye. Depois tocou Coming Up, do álbum McCartney II, além de I Saw Her Standing Here, dos Beatles, que também não estavam no set de domingo. Ao contrário do atraso de 15 minutos do show de domingo, na segunda a apresentação começou exatamente às 21h30 e acabou à 0h de terça-feira. O público foi o mesmo da noite anterior, de 45 mil pessoas.
Aos cariocas, Paul ensaiou frases em português que agradaram em cheio. “Já falo português carioca”, disse. Depois ele apontou para si mesmo, bateu no peito e afirmou: “Carioca, carioca!”.
O repertório contou ainda com uma série de tirar o fôlego, que in cluía sucessos dos Beatles e da carreira, como All my Loving, Got to Get Into my Life, Long and Winding Road, Blackbird, Something, Eleanor Rigby, Paperback Writer, A Day in the life e Live and Let Die.
Abraços e autógrafos
No final do show, as jovens Laura, Carolina, Julia e Mariana subiram ao palco para abraçar o ídolo e ganharem autógrafos. “Elas precisavam de um abraço”, disse Paul quando elas desceram. Mais cedo, durante a passagem de som, por volta das 15h, três fãs também tiveram contato com Paul. Para a fluminense Raphaela Giffoni, de 28 anos, o ex-beatle cantou Happy Birthday, em homenagem ao aniversário da jovem. “Foi emocionante. Não tenho nem palavras”, disse. “Muita gente queria estar no meu lugar. Eu estava com um cartaz escrito em inglês pedindo um abraço de aniversário”, disse. Raphaela também assistiu aos shows de Porto Alegre e São Paulo, no ano passado. A argentina Micaella recebeu um autógrafo na barriga, e a ex-editora executiva do JT, Lúcia Camargo Nunes ganhou um autógrafo no braço. As duas disseram que irão tatuar a assinatura do ídolo. Mais cedo, o ex-beatle tinha velejado pela baía de Guanabara, num dia de muito sol. Logo depois do show, ele foi direto para o Aeroporto Internacional Tom Jobim. Uma passagem pelo Brasil para deixar o público e também Paul McCartney com saudades.
Leia abaixo na íntegra o texto escrito por Paul McCartney sobre os shows no Rio de Janeiro
“Estar no Rio foi fantástico desde o minuto que pousamos. A multidão em volta do hotel era “bananas” (maluca). Eles eram loucos e a atmosfera foi crescendo até fazermos os shows. Eu amo o Brasil. Eu amo o fato que eles amam música, é uma nação muito musical. Eu se eu amo música e eles amam música, então é uma conexão natural. Fãs de todas as idades estavam nos shows. Tinha um enorme grupo de fãs jovens, que eu amo, e também tinha seus pais e até seus avós. Então era uma enorme variação de idade. O entusiasmo pela minha música era simplesmente sensacional. Todos nós da banda curtimos esse momento maravilhoso e nós agradecemos aos fãs por tornarem tudo tão excitante.
Quando tocamos “Hey Jude” e pedi a plateia para cantar “na na na na’s”, de repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho. Ele poderiam ter apenas vindo ao show e assistido, mas eles se falaram antes para criar este momento tão especial. Ele se conectaram uns com os outros, depois conectaram-se conosco e com a equipe inteira. Todos se sentiram unidos. Foi muito excitante e emocionante ver que as pessoas se importam tanto.”
Paul McCartney
Confira o setlist do show de segunda-feira:
1) Magical Mistery Tour
2) Jet
3) All my Loving
4) Coming Up
5) Got to Get You Into my Life
6) Sing the Changes
7) Let me Roll It
8) Long and Winding Road
9) 1985
10) Let me In
12) And I Love Her
13) Blackbird
14) Here Today
15) Dance Tonight
16) Mrs Vandebilt
17) Eleanor Rigby
18) Something
19) Band on the run
20) Ob-la-di, Ob-la-da
21) Back in the USSR
22) I’ve Got a Feeling
23) Paperback Writer
24) A Day in Life/ Give Peace a Chance
25) Let It Be
26) Live and Let Die
27) Hey Jude
Bis 1
28) Day Tripper
29) Lady Madonna
30) I Saw Her Standing There
Bis 2
31) Yesterday
32) Helter Skelter
33) Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
34) The End
Paul McCartney empolga o Rio de Janeiro
FELIPE BRANCO CRUZ
Rio de Janeiro
Inaugurado em 2007, o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, no Rio de Janeiro, passou anteontem pelo primeiro grande teste como sendo palco para grandes shows. Até então, o estádio só tinha sido utilizado para jogos de futebol. E a estreia não poderia ser com um convidado melhor: o ex-Beatle Paul McCartney. A apresentação foi assistida por cerca de 45 mil pessoas. O show marcou também o retorno de Paul McCartney ao Rio, 21 anos depois de ele ter cantado no Maracanã, para 184 mil pessoas. Ontem, Paul fez um show extra no Engenhão, que, diferentemente do Morumbi, se mostrou um local de fácil acesso, com uma estação de trem em frente ao estádio. O ponto negativo do Engenhão foi sua péssima acústica, já que o espaço não foi projetado para ser palco de shows.
Mas, assim como nos shows que o ex-Beatle fez no ano passado em Porto Alegre e São Paulo, sua apresentação foi impecável, com 2 horas e 35 minutos de duração e repleta de sucessos. O público retribuiu o carinho de Paul, soltando bolas coloridas durante o refrão de Give Peace a Chance e levantando cartazes com “na-na-na”, durante o refrão de Hey Jude, deixando o cantor visivelmente surpreso. “Isso foi incrível”, ele disse, no palco. O show foi aberto com Hello Good Bye, um clássico dos Beatles. Simpático, Paul falou em português: “E aí cariocas! Boa noite Brasil!”. E disse: “Hoje, vou tentar falar em português. Mas vou falar mais em inglês”. Durante a apresentação, ele fez homenagens aos ex-colegas de banda. Para John Lennon, cantou Here Today. Para George Harrison, McCartney escolheu Something.
O show foi intercalado com momentos em que cantava canções mais lentas, como Yesterday e Hey Jude, com outras mais agitadas, como Helter Skelter e Live and Let Die. Paul deixou de fora a canção My Love, que ele cantou nos shows do ano passado. A explicação é que agora o músico está noivo de Nancy Shevell, 51 anos, e pode não pegar bem cantar uma canção que ele sempre dedicava à ex-mulher, Linda, que morreu de câncer. Tanto Paul quanto o público foram impecáveis anteontem. No ano passado, o cantor declarou que a apresentação de São Paulo tinha sido a melhor da turnê. Mas após os shows no Rio e do esforço da plateia para agradar ao ex-Beatle, vai ficar difícil decidir onde ele se sentiu mais querido.
Confira o set-list do show de domingo:
1 – Hello, Goodbye
2 – Jet
3 – All My Loving
4 – Letting Go
5 – Drive My Car
6 – Sing The Changes (The fireman song)
7 – Let Me Roll It
8 – The Long and Winding Road
9 – 1985
10 – Let’em In
11 – I’ve Just Seen a Face
12 – And I Love Her
13 – Blackbird
14 – Here Today
15 – Dance Tonight
16 – Mrs. Vandebilt
17 – Eleanor Rigby
18 – Something
19 – Band on The Run
20 – Ob-la-di, Ob-la-da
21 – Back in The USSR
22 – I’ve Got a Feeling
23 – Paperback Writer
24 – A Day in Life/ Give Peace a Chance
25 – Let it Be
26 – Live and Let Die
27 – Hey Jude
Bis 1
28 – Day Tripper
29 – Lady Madonna
30 – Get Back
Bis 2
31 – Yesterday
32 – Helter skelter
33 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
34 – The End
Slash com rock na veia
Por: Felipe Branco Cruz
Do Rio de Janeiro
Slash povoa o imaginário de qualquer garoto que, nas décadas 1980 e 1990, sonhou em ser um rockstar. Ao lado de seu ex-parceiro, Axl Rose, no Guns N’ Roses, a dupla personificava o estereótipo de ídolo do rock com atitudes desafiadoras, abuso de drogas e um visual realmente marcante. Esse visual era caracterizado pelos shorts e calças apertadas de Axl e pelas roupas rasgadas e uma indefectível cartola apoiada sobre a vasta cabeleira de Slash.
E foi assim, com duas horas de atraso, mas sem deixar sua cartola de lado (a mesma que ele usou no Rock in Rio 2, de 1991), que Slash entrou, ontem, às 16 horas, numa sala do hotel Sheraton, no bairro carioca do Leblon, para falar à imprensa de sua turnê pelo Brasil e do lançamento de seu primeiro disco solo, batizado simplesmente de Slash. Ontem, ele faria show no Rio de Janeiro; hoje, se apresenta no HSBC Brasil, em São Paulo, e amanhã segue para Curitiba, para show no Master Hall.
O artista vestia uma camiseta com a estampa do Mickey e da Minnie e usava óculos escuros. Mostrava-se descontraído, sorridente e o primeiro tema levantado foi o Brasil.
“Um dos momentos mais marcantes que tive foi durante o Rock in Rio 2. Tocamos para muitas pessoas. Foi inesquecível. Foi a primeira vez que viemos para a América do Sul. Depois do Rock in Rio, eu vi que o público brasileiro é incrível”, disse o guitarrista, que na época integrava o Guns N’ Roses.
Slash também contou que quando esteve por aqui, em 1991 e em 2007, foi procurar cobras em locais como a floresta da Tijuca, no Rio. O guitarrista é fanático por esses animais, tanto que diz ter ficado muito chateado quando soube do incêndio ocorrido no Instituto Butantã, em São Paulo, em maio de 2010, que resultou na destruição de uma coleção com mais de 80 mil cobras. Ele comentou também que saltou de paraquedas na cidade e achou a paisagem incrível. Da música brasileira, citou apenas o Sepultura. “Não conheço muito mais”.
Investida solo
O álbum chega ao mercado depois de uma saga de 23 anos do guitarrista que, durante esse período, atuou em bandas como o Guns N’ Roses, Slash’s Snakepit e Velvet Revolver. O disco conta com a participação especial de músicos como Ozzy Osbourne, Fergie, Ian Astbury, Chris Cornell e Dave Grohl.
No show de hoje, ele será acompanhado no vocal por Myles Kennedy, da banda Alter Bridge, e terá como apoio os músicos Todd Kerns (baixo), Brent Fitz (bateria) e Bobby Schneck (guitarra base).”Acho que Myles Kennedy incrível. Ele é um dos únicos que achei que poderia cantar todas as músicas que gravei no disco”, diz.
Se Slash seguir o repertório do show que ele fez na última segunda-feira, em Santiago, no Chile, os fãs do Guns N’ Roses podem esperar por grandes sucessos (veja o box) como Nightrain, Rocket Queen, Civil War, e clássicos como Sweet Child O’ Mine, Patience e Paradise City. O guitarrista deverá tocar também músicas de suas outras bandas como Mean Bone, do Slash’s Snakepi, e Slither, do Velvet Revolver.
Brigas e drogas
Slash, que neste ano disse à imprensa americana que voltaria ao Guns caso Axl Rose lhe pedisse desculpas, não tocou no assunto da briga. Antes da entrevista, os repórteres foram avisados que ele se recusaria a falar sobre o tema.
Slash deixou o grupo em 1996 e até hoje não tem uma relação amigável com Axl. Duff McKagan e Matt Sorum, também ex-Guns, continuam amigos de Slash. Os dois também são integrantes da banda Velvet Revolver, que Slash formou depois do Guns. A banda, no entanto, está parada, já que o vocalista Scott Weiland deixou o grupo para voltar a cantar com o Stone Temple Pilots.
Os tempos de loucura, segundo o guitarrista, também ficaram para trás. Hoje ele afirma que está completamente limpo. “Conheço bem os efeitos das drogas. Sei exatamente o que elas fazem com a gente”. Slash atualmente usa um marcapasso por causa do abuso de drogas no passado. “Minha onda agora é apenas o rock”.
Ozzy Osbourne: loucura sob controle
Por: Felipe Branco Cruz
Conhecido como “O Príncipe das Trevas”, Ozzy Osbourne, 62 anos, sabe como agradar o público. No show que ele fará hoje, às 21h30, na Arena Anhembi, provavelmente a única música nova a ser interpretada será Let Me Hear You Scream, do disco, Scream.
As outras 14 canções do repertório deverão ser clássicos pinçados a dedo para levar ao delírio os fanáticos por heavy-metal. Foi assim a apresentação dele na última quarta-feira, em Porto Alegre, quando cantou, entre outras, Bark at the Moon, War pigs, Iron man e Paranoid.
As canções também foram as mesmas interpretadas no show que ele fez na segunda-feira, no Chile. Depois de São Paulo, Ozzy fará apresentações em Brasília (no dia 5), no Rio de Janeiro (dia 7) e Belo Horizonte (dia 9).
Ontem, em entrevista coletiva, concedida em São Paulo, o cantor disse que, em 40 anos de carreira, é muito difícil montar um repertório que agrade a todos. “Se fosse colocar todas as músicas, minha apresentação duraria cinco dias. Mas sempre fazemos alguma coisa diferente”, declarou.
O show apostará nas composições da carreira solo, feitas entre 1980 e 1990, e nas melhores músicas de sua ex-banda, Black Sabbath, compostas entre 1969 e 1978. “Há chances de eu voltar a cantar com o Black Sabbath. Só não sei quando e como”.
O vocalista chegou ao local da entrevista caminhando com dificuldade, muito distante da imagem que passou no show de Porto Alegre, quando passou quase 1h30 correndo e pulando pelo palco. Ele estava com as unhas pintadas de preto e usava dois anéis em formato de caveira.
A idade, ao que parece, só é notada quando o cantor tem de participar de compromissos burocráticos – como entrevistas coletivas. O roqueiro, no entanto, foi simpático e até fez piadas. “Só agora percebo o quanto estou velho.
Quando olho para a plateia e vejo jovens e crianças ao lado de senhores gritando juntos”, disse. Ele comentou também sobre uma coluna no jornal The Times, na Inglaterra, onde dá dicas amorosas. “Eu achei que não fosse saber responder.
Mas eu sei tudo. Os leitores me falam: ‘Tenho uma mulher e não aguento mais transar com ela’. E eu respondo: ‘Largue sua esposa e arrume uma namorada’”.
Até a morte
No show de São Paulo, o público poderá esperar por brincadeiras de Ozzy, já que ele joga água e espuma nos fãs, com o auxílio de baldes e de uma mangueira. O vocalista prometeu, ainda, que voltará ao Brasil no ano que vem e disse que só vai parar de cantar quando morrer.
“Hoje, eu controlo a minha loucura. Parei de beber, fumar e usar drogas. Mas nunca vou parar de tocar”. Esta é a quarta vez que ele se apresenta por aqui, e a primeira vez que toca em Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte.
Da primeira edição do Rock in Rio, em 1985, Ozzy guarda boas recordações. “Lembro muito bem desse dia. Foi um dos maiores palcos em que já cantei. Os brasileiros são apaixonados por música”.
Nessa turnê brasileira, a banda de Ozzy é formada por Rob Blasko Nicholson (baixo), Tommy Clufetos (bateria) e Adam Wakeman (filho de Rick Wakeman, que já participou de alguns álbuns do Black Sabbath na década de 70).
Para substituir Zakk Wylde na guitarra, (que acompanhou Ozzy durante 20 anos), foi convidado o músico novato Gus G. “Escolho pessoas desconhecidas para tocar comigo porque eles têm fome de tocar”, disse Ozzy, que continua com fome de levar seus fãs à loucura. Mas sem perder o controle.
Maluco ataca Slash, quebra a guitarra e leva um tombasso
Só vi hoje. O maluco caiu do palco e levou um tombasso
Gaba, Gaba, Hey!
O baixista CJ Ramone faz show em São Paulo
tocando só músicas dos Ramones
Felipe Branco Cruz
CJ Ramone, baixista que integrou o Ramones de 1989 a 1996, já perdeu as contas de quantas vezes veio ao Brasil. “Já toquei no Brasil com os Ramones e depois com as minhas bandas: Los Gusaños e Bad Chopper. Agora, volto com minha carreira solo”, diz o músico por telefone ao JT. A atual turnê é feita para os fãs dos Ramones, já que CJ tocará apenas os sucessos da banda punk nova-iorquina. No set list, estarão sucessos como Blitzkrieg Bop, I Wanna Be Your Boyfriend, Endless Vacation e Poison Heart. Além, é claro, do clássico Spider Man, música tema do Homem-Aranha. Foi CJ, aliás, quem sugeriu à banda interpretar essa canção. “Sou fã de quadrinhos. Mostrei para o Johnny e ele gostou”, lembra ele.
Com composições rápidas de, no máximo, dois minutos, letras simples e acordes mais ainda, os Ramones conquistaram uma legião de fãs e influenciaram grupos musicais no mundo inteiro. CJ entrou para substituir Dee Dee Ramone, da formação original. Atualmente, dos Ramones só estão vivos os substitutos, porque da formação original todos já morreram: Joey, Johnny e Dee Dee. “As músicas de que mais gosto da banda são as gravadas no início da carreira, nos quatro primeiros álbuns. Antes mesmo de eu entrar para o grupo”, diz ele.
Amor pelo Brasil
São Paulo será a última cidade da turnê que CJ está fazendo pelo Brasil. Ele já se apresentou no Rio de Janeiro (dias 19 e 20), Novo Horizonte, interior de São Paulo (21) e Goiânia (anteontem). Ontem, tocaria em Brasília. “No Rio, cantaram todas as músicas. Mas o público em Novo Horizonte foi insano. Toda vez que venho ao Brasil é ótimo”, diz ele. “Adoraria morar aqui. Realmente gosto do País”.
Quando veio com sua antiga banda, Bad Chopper, CJ lembra que não tocou nenhuma música dos Ramones. “O público também não pediu. Acho legal essa consideração. Assim, apoiamos os outros membros do grupo. Não é legal você estar num grupo e tocar músicas da sua banda antiga. Por isso, agora volto para carreira solo só para tocar Ramones”.
O próximo disco solo de CJ será batizado com um nome em português: Reconquista. “Gosto da sonoridade dessa palavra”, diz. O músico explica que começará a trabalhar no álbum assim que voltar da turnê em Portugal, no final do ano. “Escolhi essa palavra porque com esse disco quero reconquistar o legado dos Ramones. Vou mostrar que a banda era grande e que as coisas não deveriam ter acabado como acabaram”, explica, lembrando da desavença que Johnny e Joey alimentaram secretamente do público durante quase todo o período da banda. “Eles não se falavam. Foi por causa de uma mulher”, diz. A mulher em questão era a namorada de Joey, que o largou para se casar com Johnny. “Tenho muito orgulho de ter feito parte dos Ramones”. Aos 44 anos, ele faz parte da velha guarda do punk e acha que o movimento sempre foi uma forma de liberar a raiva e a frustração. “O punk é do jeito de onde ele veio: um movimento da classe baixa e média. É o grito dessa classe”, diz.
A trilha sonora que originou ‘Crepúsculo’
Muse, banda que inspirou saga de vampiros,
fala ao JT e diz que deve se apresentar no Brasil
Por: Felipe Branco Cruz
A banda britânica Muse, que lançou recentemente seu quinto álbum de estúdio, The Resistance, disse em entrevista por telefone ao JT que pretende fazer novo show no Brasil. Mas a apresentação ainda deve demorar: a previsão é agosto de 2011. “Nossa turnê internacional é extensa, mas pode ser que consigamos ir ao Brasil no final deste ano. A América do Sul é um ótimo lugar”, disse o baixista Christopher Wolstenholme, o Chris. A banda se apresentou por aqui em 2008. Sua próxima parada é o Festival Rock In Rio, em 27 de maio, em Lisboa, Portugal.
O grupo ganhou o status de queridinho dos fãs de Crepúsculo, após a autora Stephanie Meyer declarar-se fã e agradecer à banda num dos seus livros. Ela disse que as músicas do Muse serviram de inspiração para escrever a série. A canção I Belong To You, single do novo álbum, também estará na trilha sonora do terceiro filme da série Crepúsculo. “Acho ótimo saber que influenciamos a Stephanie. É legal essa interação com diferentes meios e mídias. Ela é uma escritora que se inspira em música”, fala Chris. “São diferentes formas de arte, uma complementando a outra. Não é comum um escritor usar música como inspiração. Acho que tivemos sorte.”
O primeiro single de trabalho do disco foi Uprising, que traz na letra os versos: “They will not force us / They will not degrade us / We will be victorious” (algo como: Eles não irão nos forçar / Eles não irão nos degradar / Nós vamos ser vitoriosos). A música tem bateria marcante, com linhas de baixo bem definidas, combinando com a voz incisiva do vocalista Matthew Bellamy.
I Belong To You, no entanto, certamente combina mais com o clima vampiresco de Lua Nova, a começar pela introdução feita ao piano. A letra, apesar de não falar diretamente sobre vampiros, deixa a dúvida no ar quando afirma “I can’t find the words to say / When I’m confused / I travel half the world to say / You are my muse” (Na tradução livre: Eu não consigo encontrar palavras pra dizer / Quanto eu estou confuso / Eu viajo meio mundo pra dizer / Você é minha musa).
Chris também falou sobre o tema do tabaco. Ele, que já foi viciado, largou o cigarro quando as proibições ficaram mais severas. “Parei porque é difícil fumar na Inglaterra. Não se pode fumar em lugar fechado. Mas acho legal as pessoas pararem de fumar”, diz.
Outro tema caro à banda são seus shows. Suas apresentações ao vivo costumam ser elogiadas. “O que faz um show ser bom é pensar na plateia. Temos de agradá-la. Mas o importante é você ter bons amigos ao seu lado. Se não tiver boa energia, não dá. E eu toco com os melhores.”
The Cranberries e a saraivada de hits para “dançar coladinho”
Vocalista irlandesa convoca plateia
para uma noite de romantismo exacerbado
Por: Felipe Branco Cruz
Foi um bem-vindo retorno aos anos 90. O show que os irlandeses do Cranberries fizeram na sexta-feira, em São Paulo, no Credicard Hall, privilegiou apenas os principais hits do passado, ignorando por completo as composições do último álbum da banda, Wake Up And Smell The Coffee, lançado em 2001. Alguém reclamou? Não, pelo contrário. Era isso mesmo que os fãs esperavam, com ingressos esgotados.
No começo, em meio à histérica gritaria dos fãs, o som da música que abriu o show, How, ficou abafado, equalizado depois, durante o restante da apresentação. “Chegamos hoje cedo a São Paulo. Viemos do Rio de Janeiro e dormimos durante o dia para ficarmos acordados a noite inteira com vocês”, disse a vocalista Dolores O’Riordan, em plena forma aos 39 anos. Em seguida, emendaram com Animal Instinct, do álbum Bury the Hatchet, de 1999.
Antes de apresentarem a terceira canção da noite, Dolores avisou à plateia. “Vou cantar uma música delicada, para ficar juntinho. Não tenham vergonha”, e deu os primeiros acordes de Linger, hit do primeiro álbum Everybody Else Is Doing it, So Why Can’t We?, de 1993.
Em 2003 a banda deu um tempo na carreira. Período em que os integrantes aproveitaram para se dedicar a trabalhos-solo e cuidarem da vida pessoal. Quatro anos depois, em 2007, Dolores viria ao Brasil para seu show-solo. Na apresentação de sexta, ela também tocou algumas dessas músicas, como Switch off the Moment, The Journey e Ordinary Day. “Já toquei para vocês há dois anos. Mas estava sozinha”, disse ela ao público.
Mesmo com a acústica do local deixando a desejar, Dolores não desafinou um minuto e impressionou a plateia com sua voz potente. À vontade no palco, vestindo um top rosa, que deixava à vista uma tatuagem em forma de cruz, no braço esquerdo, a cantora dançou muito, interagiu com o público e com a plateia.
A relação Dolores com o restante da banda, os irmãos Noel (guitarra) e Michel Hogan (baixo) e com o baterista Fergal Lawler, era de cumplicidade. Se eles ficaram brigados enquanto estiveram separados, após a apresentação de sexta, essa dúvida foi dissipada. Entre uma música e outra, Dolores ia até a bateria para ver Lawler tocar ou trocava olhares e sorrisos com o guitarrista Noel.
Outros grandes hits também estiveram no set list. Durante Ode to My Family, Dolores desceu até a plateia onde pegou na mão dos fãs. A primeira parte foi encerrada com os sons mais pesados do grupo: Salvation e Zombie. Esta última, lançada em 1994, no álbum No Need To Argue, foi feita em forma de protesto contra as tensões que atingiram o país nas últimas décadas.
No meio da apresentação um fã gritou pedindo pela música Dreams, prontamente respondido por Dolores que disse que a cantaria por último, porque precisava aquecer as cordas vocais. No bis, eles interpretaram Empty, The Journey e, promessa atendida, Dreams, levando aos prantos boa parte da plateia.












