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Exposição Coletivo Teatral Sala Preta

A mostra expõe registros dos quase três anos de trabalhos 
realizados pelo Coletivo Teatral Sala Preta

Quem está acostumado a ver os atores do Coletivo Teatral Sala Preta encenando pelas ruas da cidade vai poder acompanhar uma novidade dos artistas. Na próxima quarta-feira, dia 9, a partir das 19h, o grupo realiza a abertura da Exposição Coletivo Teatral Sala Preta, que irá reunir registros audiovisuais e imagens de fotógrafos e cinegrafistas amadores e profissionais com leituras diversificadas dos quase três anos de experimentações artísticas do Sala Preta, no Centro Cultural Estação das Artes, em Barra Mansa.

Para Rafael Crooz, um dos atores do coletivo, a arquitetura da cidade se tornou o motor para diversos espetáculos produzidos pelo Sala Preta e vem fomentando um amplo desejo de experimentar as diversas possibilidades espaciais para a cena. “Pensar os espaços da cidade e a dinâmica que rege as relações entre seus habitantes/atores, passa a ser um dos eixos de pesquisas do Coletivo e Barra Mansa se torna laboratório para suas incursões”, ressalta.

A exposição é gratuita e fica aberta ao público de 10 a 28 de novembro. Quem quiser conferir o endereço é Rua Orozimbo Ribeiro s/n, Centro – Barra Mansa.

Serviço:

Exposição Coletivo Teatral Sala Preta
Local: Centro Cultural Estação das Artes
Abertura: 09 de novembro

Hora: 19h
Período: 10 a 28 de novembro
Endereço: Rua Orozimbo Ribeiro s/n, Centro – Barra Mansa

NA RUA COM OS PRETOS

Me disse uma vez um dos “pretos”, Rafael: Andréa, acho que essa é a nossa definição, somos ARRUACEIROS1. ADOREI ISSO!

Sempre achei que eles eram especiais, alguns meus alunos, às vezes meus professores. Outros vou conhecendo aos poucos, a cada nova surpreendente atuação.

Naturalmente, os arruaceiros andam em bando, se encontram prá inventar cotidianamente a rua, esse lugar do encontro e da interação, da diferença, da aparente e necessária “desordem”.

Eles são jovens, eles podem, eles devem estar na rua e chamar de volta os não tão jovens, como eu.

Assim, quando me procuram os “pretos”, estou sempre disponível. Conto um pouco do que estudei, conto um pouco do que percebo, conto um pouco das minhas arruaças. Apaixonada por cidade e por Barra Mansa, quero estar sempre perto de gente assim.

A Rua sempre foi o lugar mais privilegiado de Barra Mansa. Intuitiva e sabiamente o Sala Preta percebeu isso, de partida. É na Rua que aqui se desenvolvem as mais fraternas e verdadeiras trocas e relações, os encontros, a cultura e, neste sentido, imbricado na larva cultural, arruaçado, o Sala Preta já é patrimônio deste lugar.

Quando os vi pela primeira vez na rua, mais especificamente na praça da Liberdade, junto ao prédio que teimo em chamar de Cine Palácio, meu peito ardeu de alegria. Eles me reconheciam e mandavam beijinhos, me olhavam nos olhos entre uma cena e outra. Pensei: gente, a rua se acendeu de novo, e é Barra Mansa!

É assim a cada novo espetáculo de gente linda, talentosa, brilhante: Barra Mansa se acende e faz todo sentido viver aqui. A tradição, o carinho dessa gente, os edifícios históricos que teimam em ficar de pé, a estação por onde chegam e são ouvidos esses arautos e que abre agora passagem prá essa mostra.

Fico imensamente feliz por perceber essa cidade desejando também ouvir e ver uma de suas mais originais representações. Onde quer que se apresente, o Sala Preta levará o que retira da experiência vivida neste Lugar.

A partir dos objetos, fotos e imagens dos espetáculos e ensaios, a rua entra na Estação com o Sala Preta, que faz a gente perceber: Barra Mansa permanece.

Andréa Auad Moreira
Arquiteta e Urbanista
Professora Universitária

1 No Dicionário Aurélio, adj. que ou aquele que faz arruaças, desordeiro.

Nasce uma Cidade: Ensaio coro de Atores

Cultura em Barra Mansa. A história da cidade nas ruas pelo grupo teatral Sala Preta

No escuro e de olhos bem vendados

Por: Gilberto Amendola
Fonte: Jornal da Tarde

Antes que pudesse me acostumar com a escuridão da sala, vendaram meus olhos. Depois, amarraram minhas mãos e pediram para que eu seguisse em frente (com cuidado). A primeira coisa que me veio à cabeça foi o parágrafo inicial de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”.

Mas vamos retroceder no tempo – mais especificamente ao exato momento em que um e-mail sobre a estreia de Kinema aportou na caixa de correio do JT. “Teatro sensorial! Ah, nãoooo!!!” Sim, porque “teatro sensorial” é um conceito que pode deixar qualquer um desconfiado, não é? Confesso, envergonhado, que tive medo de ser abandonado, sozinho, em um dark room, em companhia de um aprendiz da linguagem teatral de Zé Celso Martinez Correa.

E assim, munido de uma dúzia de receios (preconceitos?), fui para o espaço Del Gusta (óbvio, na Rua Augusta), uma espécie de lanchonete-balada que já deve ter tido seus dias de inferninho. É aqui que o espetáculo Kinema está sendo apresentado, sempre às quintas-feiras, a partir das 21h (o espectador pode chegar até às 23h).

Pois bem, aqui estou eu, olhos vendados, mãos amarradas e pensando no Coronel Aureliano Buendía. Juro que esperava um estampido qualquer, algo que confirmasse minha sensação de estar caminhando ao encontro de um pelotão de fuzilamento. Estava tenso. Em alerta. O que viria agora? Vão tirar a minha roupa? Socorro! Não grito, claro. Penso.

Alguém diz algo no meu ouvido. Um poema. Não reconheço o autor. Chuto Pablo Neruda, mas devo estar enganado. O medo ainda não me deixa prestar muita atenção no que está sendo dito. Deixo-me guiar. Tento relaxar os ombros. Duas notas mentais: primeiro, não vou ser fuzilado; segundo, não é o Zé Celso que está me guiando.

Resolvo entrar no jogo. A interação do ator-guia é tranquila (não invasiva). Embora completamente cego, me sinto seguro. O click da máquina fotográfica me desconcentra um pouco (“vão publicar isso no jornal, meu Deus!”). Continuo ouvindo textos sobre nascimento, caos e movimento. Dante? Shakespeare? Mão ao redor do meu pescoço. Medo outra vez.

O ator me entrega a outra pessoa. Agora, sou guiado por uma atriz. Toco nas mãos dela. É macia. Fico sem saber se devo ou não apertar sua mão (agora quem tem medo de ser invasivo sou eu). Ela me faz passar por uma espécie de labirinto. Nele, sinto que estou trespassando tecidos (ora mais suaves, ora mais ásperos).

Paro em um ponto qualquer. Agora, me fazem sentar numa cadeira de rodas (naquele momento eu não tinha ideia que era uma cadeira de rodas). Me levam pra passear. Correm com a cadeira. Vento no rosto. Gotas de água. Preso a uma cadeira de rodas, me sinto livre.

Outra atriz me pega pela mão. Ela me tira pra dançar. Rosto colado mesmo. A sensação é boa. Há quanto tempo eu não dançava assim? Mais texto ao pé do ouvido. Acho que agora é Fernando Pessoa. Deve ser.

Sou abraçado. Ninado. É a volta ao ninho, ao útero materno ou a outro clichê qualquer. Um momento quase terapêutico. Acho que a atriz me devolve para o primeiro ator. Ele me guia até a saída. Só tiram minha venda quando já estou do lado de fora. Sou recepcionado com um drink colorido – com vodca. Embora tenha perdido a noção do tempo, acho que a experiência durou uns 25 ou 30 minutos. Sobrevivi.

Coletivo Teatral Sala Preta no Programa Móbile, da TV Cultura

O Coletivo Teatral Sala Preta, de Barra Mansa, conta como foi a viagem ao Equador, no programa Móbile, da TV Cultura, apresentado por Fernando Faro

 

‘Nasce uma Cidade’ conta a história de Barra Mansa

Abaixo um resumo do que foi o espetáculo de rua feito pela Sala Preta contando a história da cidade de Barra Mansa.

Grupo teatral do Vale do Paraíba participa de missão internacional

Os integrantes do Coletivo Teatral Sala Preta, de Barra Mansa, irão embarcar no próximo dia 29 numa missão de paz internacional. Levando um discurso de preservação ambiental e direitos humanos, o espetáculo “O Cascudo Douradinho em: Amiga Lata, Amigo Rio” irá passar por comunidades localizadas em regiões de conflito armado entre Equador e Colômbia.

Idealizado pela Corporación Humor y Vida, o projeto “Revuelta en la Mitad Del Mundo” reunirá organizações artísticas e sociais vindas da Espanha, Colômbia, Equador e Brasil, representado pelo Coletivo Teatral Sala Preta. Serão 36 dias de viagem, percorrendo as três diferentes regiões da fronteira amazônica: andina e litorânea.

Os atores Rafael Crooz, Danilo Nardelli e Bianco Marques irão passar pelas comunidades de El Palmar, Puerto el Carmen, Lago Agrio, Túlcan, Chical, San Lorenzo e Palma Real, para contar a história de um pequeno peixe cascudo que vivia em um rio poluído. “Falar sobre preservação ambiental numa região como essa é uma forma de falar sobre direitos humanos e relações políticas. E tudo isso se reflete no nosso país, porque os rios Putumayo e San Gabriel, que banham estas comunidades, estão entre os principais afluentes do rio Amazonas”, ressalta Rafael.

Os artistas ainda irão dar oficinas de teatro, música, confecção de bonecos e recreação, e elaboração de projetos culturais, além de receberem oficinas das culturas locais e participarem de apresentações de espetáculos das próprias comunidades. Para Bianco, um dos integrantes do Coletivo Sala Preta, a viagem é mais do que um intercâmbio cultural, é uma troca de experiências antropológicas. Quem quiser acompanhar os trabalhos do grupo, basta acesssar o site www.salapreta.com.br.

A história, contada pelo Coletivo Teatral Sala Preta, é de um pequeno peixe cascudo que vivia solitário em rio muito poluído. Um dia, enquanto procurava comida, uma lata de alumínio dourada ficou presa em sua nadadeira, e passou a ser a sua única companheira. Por isso ele recebeu o apelido de Douradinho. Ele e sua lata resolveram nadar contra a corrente a procura de um lugar mais limpo para viver, um paraíso, a nascente do rio. No caminho, eles conhecem a Língua Negra, a Árvore, o Menino e o Afluente. Todos esses personagens explicam ao peixinho as causas da poluição e indicam formas de combatê-la. A viagem do peixe é uma jornada de amadurecimento pelo conhecimento.

Fonte: O Globo

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