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Como o Google perdeu e devolveu milhares de contas do Gmail?
Fonte: CNN
O onipotente e onipresente Google deu uma mancada essa semana: dezenas de milhares de usuários perderam seus e-mails e todos os seus contatos. Eles simplesmente desapareceram.
O acidente afetou apenas 0,02% usuários do Gmail. O Google diz que tem centenas de milhões de usuários, o que significa que pelo menos 20.000 pessoas foram afetadas por esta falha.
Na segunda-feira, o Google pediu desculpas, anunciando um processo de restauração de todas essas mensagens.
Ok. Muito bem. Mas a questão é: como o Google conseguiu perder todos esses e-mails, e, principalmente, como foi capaz de “achá-los” de novo, se eles de fato foram perdidos?
A empresa afirma que perdeu os e-mails por causa de uma falha em uma atualização de software que estava em processo de instalação em seus servidores de computador.
Quem conhece bastante sobre o Google, sabe que a empresa armazena várias cópias de tudo em centros de dados; são armazéns enormes cheios de computadores em todo o mundo, em locais secretos. O e-mail que você enviou para sua amiga ontem à noite pode estar escondido na Ásia agora.
E como isso pôde acontecer, se eles têm várias cópias de seus dados, em vários centros de dados em todo o mundo? Segundo a empresa, em alguns casos raros, os problemas em softwares podem afetar várias cópias de dados.
Falha de software? Faz sentido. Como a empresa ainda assim conseguiu recuperar todos esses dados? Resposta: o Google ainda armazena dados em fitas. Não faz nenhum sentido.
O Google não especificou que tipo de fita está usando, mas como observam especialistas, não pode ser uma boa jogada. Eles estimam que seriam necessárias 200 mil fitas para fazer um único backup de cada conta do Gmail.
Ainda assim, a fita tem duas vantagens significativas sobre outros meios de comunicação: custo e portabilidade. Essas duas vantagens aparentemente superam as mais significativas (logicamente falando) desvantagens: a fragilidade, a taxa de substituição, a taxa de fracasso, a vulnerabilidade ao roubo, e os dados não criptografados de armazenamento.
Segundo o Google, as fitas são offline, justamente para protegê-las contra esse tipo de erro de software. Restaurar dados a partir delas também leva mais tempo do que transferir dados de centros online, e por isso o procedimento levou horas em vez de milissegundos.
Mesmo com tudo explicado, o que devemos entender deste incidente?
Muitos especialistas dizem que as empresas de armazenamento de dados como o Google e seus concorrentes Microsoft, Yahoo e Dropbox, são geralmente mais bem equipados para cuidar de dados do que as pessoas normais – que, se fizerem, fazem uma cópia de segurança em discos rígidos.
As empresas tendem a fazer várias cópias, e armazená-las em todo o mundo, para que se um centro de dados queime ou inunde, haja uma abundância de dados em outras localidades suficientemente distantes.
E se a sua casa incendeia? Você perde seu computador e seu disco rígido. Provavelmente ninguém manda uma cópia para a Índia por que “vai que…”.
Então podemos confiar plenamente no Google? Segundo especialistas, nunca há garantia de 100%. Todas as empresas têm acordos de “termos de serviço” com os usuários que garantem uma certa quantidade de tempo de atividade do servidor online, normalmente de 99,9%.
No ano passado, o Google cumpriu essa meta: esteve disponível 99,984% do tempo, tanto para usuários empresariais quanto consumidores.
Ainda assim, os usuários enlouquecem se serviços online gratuitos entram em pane nem que seja por um curto período de tempo. E isso é provavelmente o motivo pelo qual o Google e outras empresas vão a tais extremos para evitar a perda completa de dados de usuários.
Aplicativo que transforma seu iPod em uma maquininha de pinball
Genial. Quero um desses para mim. Peguei aqui: ThinkGeek
O mundo em 2014
Um vídeo muito interessante sobre o futuro dos dispositivos móveis. E eu acho que esse prazo de 2014 é longo demais. Essas ideias já podem ser aplicadas em breve. Veja o vídeo:
E se você não quiser esperar por 2014, pode aproveitar o que já temos hoje. Veja o exemplo de como usar o iPad com a Sports Illustred.
Minha vistita à Campus Party
Texto publicado no blog do Link, no Estadão
As três horas que circulei pela Campus Party na manhã de ontem foram suficientes apenas para sentir o clima geek da festa. Não deu para fazer muita coisa. Daí entendi o porque que tanta gente resolve acampar por lá. Ninguém quer perder nenhum minuto de festa. Minuto esse, aliás, aproveitado por downloads super velozes na banda larga de 10gb.
Na entrada, uma fila tão grande quanto a capacidade da banda larga. Depois descobri que a demora era porque não bastava credenciar apenas a pessoa, você tinha de credenciar também seu notebook. Sim, porque, lá dentro, sua vida virtual é tão importante quando a real.
Depois de enfrentar a fila, minha primeira providência foi habilitar o Wi-Fi do meu BlackBerry e me sentir mais integrado. Alguns minutos depois, descobri que só era possível se conectar a super banda larga utilizando alguns dos milhares de cabos de redes espalhados pelo chão do galpão. Mas, mesmo assim encontrei várias redes Wi-Fi disponíveis, algumas abertas, outras protegidas por senha, mas nenhuma oficial do evento. Nenhuma dessas redes, aliás, eram estáveis e o alcance era mínimo. Me falaram que o pessoal estava roteando o sinal para aproveitar a conexão dentro do banheiro e dentro das barracas.
A princípio, senti uma certa frieza dos participantes. Todos bem à vontade, usando camisetas, bermudas e chinelos. A frieza porque era difícil encontrar alguém com os olhos para fora das telas de seus notebooks. Todos pareciam muito isolados e, ao mesmo tempo, conectados jogando on-line ou conversando pelo MSN. Mas bastou falar um ‘oi, donde cê é?” para começar um bate-papo que era encerrado com trocas de MSN, twitter e e-mails.
Eventos como esses criam suas micro-celebridades. Na Campus Party deste ano, quem chamava a atenção era Maciel Barreto, de 34 anos, baiano de Itajuípe, cidade de 18 mil habitantes a oito horas de Salvador. Ele posava para fotos com seu computador modificado, em formato do personagem Kratos, do jogo de ação God of War. “Eu conheço mais gente na internet do que a população da minha cidade”, diz. Para fazer o desenho da máquina, Barreto levou três meses e usou fibra de vidro para modelá-la. “Fiz em homenagem a um amigo, fã do jogo”, explica. Para fazer a máquina, ele disse ter gastado em torno de R$8 mil, patrocinados por uma empresa de computação. A configuração não assustava tanto quanto a expressão agressiva de Kratos: um quadcore, com um tera de hd.
Se fosse feito um censo, 99.9% das pessoas se assumiram nerds. Era o caso dos amigos Rodrigo Tambara, de 19 anos, Mateus Lehmann, de 21, e Bruno Marques, de 19, que vieram de Porto Alegre, de ônibus, após uma viagem de 22 horas, só para a ‘festa’ informatizada. “Nerds sim, com certeza, mas tenho vida social”, pondera Tambara, que é estudante de Ciências da Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A reclamação da turma era uma só: faltava mulher. “É só olhar. A proporção de homem para mulher é muito maior. Além disso, as gatas são todas funcionárias dos stands, dessas que distribuem papeizinhos de propaganda”, diz Tambara. Mas Lehmann lembra que as blogueiras que passam por ali bem que são bonitas. “É difícil achar mulher nerd bonita. Exceções são as blogueiras. Quase todas são bonitas”.
Parece conversa da série americana The Big Bang Theory, exibida pelo canal pago Warner. De fato, eles são fãs da sitcom, que retrata uma turma de nerds que lida com as gostosas do pedaço. “Aproveitei a superbanda larga para baixar a terceira temporada completa”, diz Marques. “Temos um amigo que é igual ao Sheldon. O nerd assexuado”, brinca Tambara.
Dos seis mil acampados, poucos tinham o conforto do blogueiro Rodolfo Castrezana, de 39 anos. Ele foi o primeiro sorteado para dormir em uma barraca de madeira. Promoção de uma empresa, o local foi criado para dar conforto a algum visitante. Tem televisão, frigobar, ventilador e travesseiros com pluma de ganso. A desvantagem é que o sortudo só pode dormir ali por uma noite. No dia seguinte, outro campuseiro, sorteado pelo Twitter, assume o lugar.
Já estava indo embora quando encontrei com Éder Martins, de 27 anos, baixando músicas e jogando com o colega do lado. Seu monitor era tão grande que parecia uma televisão de LCD (ou melhor, era uma televisão de LCD). A paixão por computadores dele era tanta que ele investiu mais na máquina do que no próprio carro. Seu equipamento era o mais caro da feira, com um valor acima de R$18 mil. “Meu carro, um Apollo, 92, vale três vezes menos. Larguei ele estacionado aí em frente, mas não largo meu computador”, diz Martins. Dentro do CPU, ele conta com seis terabytes de HD, cinco placas de vídeos e uma infinidade de outros apetrechos praticamente capazes de colocar um foguete em órbita.
