Autenticada, a irmã de Fotocópia e Xerox

por Felipe Branco Cruz

Patriarca de família do Recife teve ideia de dar nome aos filhos ao ver cartaz em cartório;
família diz não se incomodar com as inevitáveis piadas

Por: Eduardo Reina
Fonte: Estadão

Naquela manhã de 1974 no Recife, o sanfoneiro José Miguel Porfírio, mais conhecido como seu Moscou, grande animador de forrós, estava contente pelo nascimento do terceiro filho, o primeiro do segundo casamento. Tinha a ideia de batizá-lo com um nome diferente, que ninguém tivesse utilizado ainda. Ele entrou no cartório de registro civil, olhou na parede e viu um cartaz escrito “xerox e fotocópias autenticadas”. Decidiu usar as três palavras para nomear o recém-nascido e os filhos que poderiam ter no futuro.

Assim foi batizado o primogênito: Xerox Miguel Porfírio, hoje com 36 anos. Quatro anos depois, nasceu Autenticada Miguel Porfírio e depois veio ao mundo Fotocópia Miguel Porfírio, de 23 anos. Essa família recifense tem orgulho do nome diferenciado. O patriarca morreu no dia 11 de fevereiro.

Autenticada conta que seu nome abriu muitas portas na vida. Jornalista de formação e agora cantora gospel, acaba de lançar o segundo disco, voltado para crianças. A Luz conta histórias bíblicas para o público infantil. O CD chega ao Rio de Janeiro na próxima semana e depois, a São Paulo. “Como jornalista e como cantora, o nome Autenticada sempre me ajudou. Recebi muitos convites por causa do nome diferente.”

O primeiro trabalho – Ninguém Vai Calar Meu Canto – foi lançado em 2009, no Recife. São músicas evangélicas para o público adulto.

Ela já trabalhou como repórter de televisão no Recife. Mas se realizou mesmo cantando. Há cerca de dois anos, os produtores do primeiro disco até cogitaram trocar o nome da cantora. “Achavam que Autenticada poderia soar estranho.” Mas ela bateu o pé e hoje é reconhecida pelo nome de batismo.

 Saga continua com o sobrinho Carimbo
A cantora gospel Autenticada Miguel Porfírio acredita que seu nome vai popularizar-se em futuro breve e outras Autenticadas aparecerão Brasil afora. “Sou pioneira. Quando apareceram as primeiras pessoas com nomes diferenciados, como Socorro, Glória, Rosa, muita gente estranhou. Acho que logo vão se acostumar com Autenticada e outras mulheres também vão ser batizadas assim. É um nome forte e positivo, algo de bom.”

Agora, ela planeja ganhar o Brasil com seu trabalho gravado em CD. E seu nome estará vinculado a tudo. “Se mudasse de nome perderia minha personalidade. Ia ficar falsificada. Quero ser Autenticada mesmo. Trocando minha identidade teria de mudar meu jeito de ser”, enfatiza.

Constrangimentos. Nenhum dos três irmãos Porfírio – Autenticada, Fotocópia e Xerox – assume ter vivenciado um episódio muito constrangedor em consequência do nome estranho. Mas na escola ninguém escapou dos amigos.

“Todo começo de ano era aquela coisa. Estranhavam um pouco. Faziam aquelas piadinhas, mas depois cansavam e se acostumavam com nossos nomes. Eu não brigava com ninguém por causa disso. Meus irmãos também nunca me contaram ter passado por problemas”, conta Autenticada.

Ela não ficou chateada nem mesmo quando falaram, sem maldade, que era “tão bonita, mas tinha um nome desses”. Ela é loira, de olhos verdes. Até mesmo quando ia conhecer os pais de namorados e do futuro marido, alega não ter enfrentado problemas. “O nome pode até chocar em um primeiro momento. Mas depois passa.”

Tradição. A saga de seu Moscou, mesmo nome da banda de forró que o tornou conhecido no Recife, foi continuada por Xerox, também músico. Um de seus filhos foi batizado de Carimbo. As duas outras filhas dele receberam nomes exóticos: Shequira e Sherlaine.

E nem mesmo os dois primeiros filhos de seu Moscou, do primeiro casamento – Roque e Jaqueline -, ficaram distantes dos nomes exóticos. O mais velho, Roque, batizou sua filha, hoje com 13 anos, como Autêntica Valeska.

“Ele fez isso para me homenagear”, conta orgulhosa a tia Autenticada, que preferiu não seguir a tradição de seu Moscou. “Ia ficar meio cômico.” Suas duas filhas têm nomes fortes, mas comuns – até um pouco sem graça, diante do histórico familiar: Maria Vitória e Maria Valentina.